Rede inteligente ganha espaço


Empresas de energia já realizam estudos para adequar seus planos de investimentos para incorporar essas tecnologias.

As recentes discussões acerca das mudanças climáticas colocaram a energia no centro dos debates mundiais.

A necessidade de se buscar e investir em energias limpas tornou-se uma constante nas agendas de governos e de empresas.

No entanto, ampliar os investimentos em fontes renováveis para acompanhar o crescimento da demanda não é o único desafio da sociedade contemporânea nessa área.

Nos próximos anos, será preciso aumentar também a confiabilidade dos sistemas de distribuição e transmissão energética, de modo a aproveitar os avanços tecnológicos para garantir um sistema mais eficiente e barato.

Nesse cenário, surge o conceito de smart grid, ou rede inteligente, que busca incorporar tecnologias de sensoriamento, monitoramento, informação e telecomunicações para aperfeiçoar o desempenho da rede, identificando antecipadamente suas falhas e capacitando-a a se autorrecompor diante de ocorrências que afetem sua performance.

O assunto é relativamente novo, mas empresas e países estão em busca das melhores soluções.

O Brasil já registra vários avanços nessa área, estando inclusive à frente de seus vizinhos da América Latina.

Essa situação acontece devido não apenas ao interesse dos empreendedores e reguladores locais, como também aos problemas enfrentados nos outros países.

A Argentina, por exemplo, enfrenta sérias dificuldades econômicas e o setor de energia sofre com o congelamento de tarifas, praticado desde o início da década.

Os avanços também são poucos nas demais nações da região.

No Brasil, por outro lado, quase todas as empresas de energia já realizam estudos para qualificar e adequar seus planos de investimentos para incorporar essas tecnologias, seja em maior ou menor grau.

Graças a essa movimentação, até 2013, as principais empresas brasileiras deverão investir cerca de R$ 4 bilhões em tecnologias de smart grids.

Esse valor foi calculado pela consultoria ECOee a pedido do Fórum Latino Americano de Smart Grid, por meio da avaliação dos programas de investimentos dessas empresas.

A Companhia Paranaense de Energia (Copel) é uma das empresas mais avançadas na área: já investiu neste ano R$ 20 milhões em redes inteligentes e prevê investimentos de mais de R$ 330 milhões no setor até 2014.

A nova plataforma tecnológica da empresa está em fase de testes no município de Fazenda Rio Grande (PR).

Os investimentos são direcionados à infraestrutura, incluindo a instalação de redes elétricas mais modernas e a adaptação de sistemas de transferência de energia.

Com esse projeto, a Copel pretende aperfeiçoar o atendimento a 100 mil consumidores.

Entre as vantagens: redução do tempo sem energia de oito horas para três horas ao ano.

É importante ressaltar que os estudos da consultoria ECOee não consideraram o potencial efeito de eventuais incentivos à modernização que determinações da política energética e da regulação poderiam proporcionar.

Caso esses incentivos aconteçam, os investimentos podem superar a previsão.

E é exatamente isso que aparentemente irá acontecer.

Afinal, as perspectivas também são muito positivas nessa área.

Uma das principais sinalizações nesse sentido é o fato de que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está elaborando um projeto estratégico que propõe a criação de um Programa Brasileiro de Redes Inteligentes.

Esse programa deve estabelecer regras, custos e benefícios sobre o tema, possibilitando ainda a discussão do assunto entre todos os agentes envolvidos.

Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica colocou em consulta pública o regulamento estabelecendo os padrões para os medidores eletrônicos, que serão instalados no Brasil em substituição aos eletromecânicos utilizados atualmente.

Com a disposição do órgão regulador e das empresas, o Brasil registra avanços significativos na área de smart grid, e seguramente deve garantir seu papel de liderança na área, na América Latina.

No entanto, é preciso atenção para garantir que as regras realmente saiam do papel e que os projetos piloto possam ir muito além, transformando-se em políticas de atuação das empresas em todas as áreas em que atuam.

Os passos iniciais para a modernização e para o smart grid já estão dados, mas cada um precisa fazer a sua parte para que as redes inteligentes realmente tornem-se realidade no País.

Fonte: DCI – Cyro Vicente Boccuzzi

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