Smart Grid Information Clearinghouse: Versão beta publicada

Fonte: SGIC – 24.08.2010

A Virginia Tech publicou uma versão beta do portal web Smart Grid Information Clearinghouse (http://www.sgiclearinghouse.org/) e convida para comentários e sugestões de usabilidade de ambos consumidores e comunidade smart grid. A versão completa do site será lançada neste outono. O Virginia Tech Advanced Research Institute (ARI) na National Capital Region foi premiada com um contrato de cinco anos no valor de US$1,25 milhões do Department of Energy (DOE) em outubro de 2009 para desenvolver o portal de conteúdo com a ajuda do IEEE PES (IEEE Power & Energy Society) e da EnerNex Corporation.

O portal é uma plataforma de informações relacionadas com as tecnologias smart grid, padrões, normas, regras e regulamentos, casos de uso na indústria e estudos de caso, a sensibilização e educação do público, formação e oportunidades para a força de trabalho. Ele facilita o compartilhamento direto e divulgação de informações sobre smart grid entre vários interessados em ganhar conhecimentos sobre lições aprendidas e melhores práticas. Ele também foi projetado para servir como uma ferramenta de apoio à decisão para o estado e reguladores federais em suas deliberações na criação de regras de decisão e para avaliarem o impacto de seus investimentos nas tecnologias e softwares de smart grid.

O Smart Grid Information Clearinghouse oferece uma gama de informações básicas sobre Smart Grid para os consumidores que apenas estão aprendendo sobre smart grid, e estudos de caso e normas para profissionais do setor que estão incumbidos de implementar novas tecnologias buscando conhecimento técnico e especificações compartilhadas por aqueles que têm a mais tempo desenvolvido a tecnologia smart grid, disse Saifur Rahman (http://www.ece.vt.edu/faculty/rahman.php), Joseph R. Loring Professor de Engenharia Elétrica, diretor da ARI, e investigador principal (PI) para o portal SGIC. Ao longo dos próximos meses, estamos esperando obter o maior número de comentários e sugestões possível, de todos esses grupos de modo que o portal oficial lançado no outono terá grande apelo e tanta eficácia quanto possível.

Qualquer pessoa que visitar o portal é convidada a contatar a SGIC com comentários e sugestões, clicando em “Contact SGIC Team na Caixa Contact Us localizada na parte inferior central da home page.

  • Share/Bookmark

GE quer ampliar vendas de soluções na área de energia no Brasil

Fonte: Valor Online – 24.08.2010 Por Vanessa Dezem

SÃO PAULO – A General Eletric (GE) quer aproveitar o momento de discussão regulatória pelo qual passa o setor energético brasileiro para oferecer soluções de “smart grid”, as chamadas redes inteligentes, para o governo. Com isso, a empresa espera duplicar o braço de energia digital no país em dois anos.

O presidente global da unidade de energia digital da GE, Bob Gilligan, terá nesta quarta-feira encontro com o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e com o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, para apresentar as soluções que a GE tem para o sistema energético do país.

“Queremos mostrar comprometimento. Queremos fazer parte ativa dos padrões nacionais para o setor”, afirmou o executivo em entrevista ao Valor. A importância que o segmento ganha para a multinacional se reflete justamente na presença do executivo no país, cuja última visita ocorreu há dez anos.

A divisão, que fica debaixo do guarda-chuva da unidade de energia da multinacional, é pouco representativa dentre os negócios globais da GE. No ano passado, a receita da GE Digital Energy totalizou US$ 2 bilhões, sendo que o faturamento global da GE somou US$ 170 bilhões.

No Brasil o negócio também é pequeno: os ganhos da área no país não são revelados, mas dos 1.000 funcionários atuantes no segmento na América Latina, apenas 70 estão no Brasil. “Vamos duplicar nosso tamanho aqui nos próximos dois anos”, afirmou o presidente da GE Digital Energy para a América Latina, Roberto Vengoechea.

O filão que a GE quer aproveitar está relacionado com as políticas que o governo brasileiro tem adotado para o setor, como a parceria entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério da Ciência e Tecnologia, firmada no início do ano, para desenvolver uma ação conjunta na criação de um padrão para medidores digitais de energia.

A ideia é substituir os quase 65 milhões de medidores existentes no Brasil pelo medidor inteligente, o que permite que consumidores, distribuidoras e governo tenham mais controle sobre onde estão concentrados os gastos de energia e possam, deste modo, aumentar a eficiência energética do sistema.

“Mas nosso foco é mais do que os medidores. Queremos fazer parte do grupo que vai ajudar o governo na melhoria da eficiência energética. Nosso foco são as perdas de energia como um todo e temos diversas soluções para isso”, afirmou Vengoechea.

Neste ano, a GE já assinou um memorando de entendimento voltado para as soluções de redes inteligentes com o governo do Chile. Essas tecnologias também já estão em andamento em Miami, nos EUA, e em Londres, na Inglaterra.

  • Share/Bookmark

Especialistas veem obtásculos para implantação da smart grid no Brasil

Fonte: Jornal da Energia - 23.08.2010 Por Paulo Silva Junior

Em cerca de um ano e meio a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende dar início a troca dos mais de 60 milhões de medidores eletromecânicos em funcionamento no País por aparelhos automatizados e mais inteligentes. Porém, apesar do assunto estar sempre na pauta do setor elétrico, o conceito de smart grids ainda vive um cenário de dúvidas e indefinições.

“Estamos no baile, todos bem vestidos, mas ninguém dança. Qual o volume de negócios envolvendo smart grids? Todos falam que estão em estado de espera. Vão esperar a moça chamar para dançar?”, provocou o professor José Sidnei Colombo Martini, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, durante a abertura do III Fórum Latino-Americano de Smart Grid, realizado em São Paulo, nesta segunda-feira (23/08).

Durante o debate, membros de concessionárias, agências reguladoras, associações e acadêmicos teceram opiniões sobre as lacunas que emperram a tecnologia. Martini, inclusive, iniciou sua apresentação com constatações sobre questões pendentes do mesmo evento realizado no ano passado. “Não há padrões estabelecidos, os recursos financeiros e regulatórios atuais não motivam a mudança, as perspectivas de ganhos em iniciativas isoladas não são atrativas, a quantidade de engenheiros não será suficiente”, listou.

A mão-de-obra também foi um tópico bastante abordado pelos debatedores. Martini ressaltou que os cursos de eletrotécnica precisam, cada vez mais, terem a companhia de temas relacionados à computação e telecomunicações. O professor Djalma Mosqueira Falcão do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), compartilhou da mesma preocupação.

“A formação precisa ter a base da engenharia elétrica e mais uma série de coisas que nem todas as faculdades mostram. Não acho que é o caso de se criar uma graduação para smart grids, mas flexibilizar o currículo, permitindo que o aluno curse algumas matérias. O momento é da especialização. Um engenheiro de telecomunicações, por exemplo, nos interessa”, disse.

Já o presidente do CPqD, instituição focada na inovação das tecnologias da informação, Hélio Marcos Machado Graciosa, acredita ainda que as conversas em torno das smart grids remetem a um novo paradigma. “O sistema agora evolui adicionando a eficiência. Temos que trabalhar sobre essa nova ideia do cliente ativo, do desenvolvimento de tecnologia que possa agregar valor e atender aos requisitos locais”, afirmou.

Representante da Aneel na mesa composta pelos pesquisadores, o superintendente de pesquisa e desenvolvimento e eficiência energética, Máximo Luiz Pompermayer, também levantou questões ainda sem resposta. “Temos dúvidas sobre quais são os melhores mecanismos para fomentar essa migração. Temos muito espaço ainda para pesquisa e desenvolvimento. Ainda temos dúvidas sobre como gerenciar isso”, admitiu.

“Fica todo mundo na dúvida se vai ou não vai, se investe ou não. A ideia do plano nacional para o assunto ajudaria”, completou Graciosa, questionado sobre a sintonia entre ganhos financeiros das concessionárias e a real necessidade de implantação dos novos medidores.

Início da migração e padronização

A migração dos medidores pode começar em 2011, segundo estimou na semana passada o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner. Mas o superintendente de regulação da distribuição da agência, Paulo Silvestri Lopes, acredita que o início da operação pode demorar um pouco mais. “Talvez em 2012. Acho difícil que comece em menos de 18 meses”, disse durante o evento.

Um dos itens básicos para o início do processo de substituição dos aparelhos é a padronização dos medidores. Segundo Silvestri, fabricantes nacionais já estão se mobilizando na Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) pela criação de um protocolo brasileiro. O “protocolo”, de acordo com o especialista, é uma exigência da Aneel. Ele deve ser público, ou seja, permitir que o cliente troque de medidor em caso de problema ou insatisfação.

Entretanto, para o presidente do Fórum, Cyro Vicente Boccuzzi, a padronização brasileira tem uma ressalva. “É importante que os fabricantes nacionais estejam se mexendo, mas também não se pode fechar para os outros países. Imagine um celular que só faça ligação para o Brasil. Não adianta. Tem de ser algo que se relacione como um todo”, sustentou o especialista, citando a interoperabilidade, palavra que representa exatamente essa capacidade de comunicação entre os sistemas – que, apesar de ter difícil pronúncia, foi talvez a mais ouvida nas reflexões feitas no encontro.

  • Share/Bookmark

Inteligência artificial

Fonte: Istoé Dinheiro – 20.08.2010 Por Érico Polo

Alta tensão: atualmente, cerca de 50% da energia elétrica brasileira está sob a responsabillidade de sistemas e equipamentos da Siemens

Em um futuro não muito distante, qualquer pessoa poderá acessar o medidor de luz de sua casa, por meio da internet, e programar a melhor hora – quando o preço da energia estiver mais baixo, de preferência – para ligar a máquina de lavar roupas.

E essa é somente uma das facilidades possíveis com o medidor eletrônico que está sendo projetado pela Siemens, gigante alemã com receita global de E 76 bilhões. O desenvolvimento do equipamento é apenas uma pequena parte de um negócio muito mais amplo, e que está na mira da companhia desde 2000, conhecido pelo nome de smart grid.

Essa tecnologia permite que os consumidores se comuniquem com as distribuidoras de energia. Para as concessionárias, o equipamento pode representar um golpe mortal nos furtos de energia, os famosos gatos, que consomem perto de 5% do fornecimento de eletricidade.

Só a modernização das redes que ligam as distribuidoras às residências deve movimentar cerca de R$ 20 bilhões. Ainda não está definido, contudo, se é o consumidor ou a concessionária que vai arcar com esse custo. Mesmo assim, a Siemens já começou a se articular para conquistar uma fatia da bolada que o país tem de gastar com a modernização do seu sistema de energia elétrica.

Uma conta que, com o smart grid, pode alcançar R$ 100 bilhões, diz Cyro Boccuzzi, da consultoria ECOee.Para começar, no ano passado a Siemens ganhou um contrato, no valor de R$ 38 milhões, para desenvolver e instalar o novo sistema de gerenciamento utilizado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), entidade que coordena os serviços de geração e transmissão de energia.

“É um passo importante para a Siemens, que já tem presença significativa nesse setor. Hoje, equipamentos e softwares com a nossa marca são responsáveis por 50% da energia elétrica gerada no País”, diz Guilherme Mendonça, diretor de automação da Siemens do Brasil, à DINHEIRO.

Assim, caberá à companhia reforçar a inteligência da estrutura da ONS. A explicação para isso é que os equipamentos e softwares utilizados atualmente não suportam a entrada em operação das novas usinas (hidrelétricas, termelétricas e eólicas) previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Além dessa segurança estrutural, a Siemens espera, no futuro, vender a tecnologia associada ao smart grid como uma ferramenta de combate ao desperdício de energia nos 63 milhões de clientes residenciais das distribuidoras de eletricidade.

Com isso, eles poderão acompanhar seu nível de consumo, escolhendo a melhor hora para ligar equipamentos que gastam mais, como o chuveiro elétrico e a secadora de roupas. Ou seja, uma administração de tarifas, exatamente como se pode fazer na telefonia. “Os consumidores terão uma noção melhor do preço pago pela energia e, com isso, o País poderá evitar um desperdício da ordem de 15%”, avalia João Carlos Mello, presidente da consultoria Andrade & Canellas.

O smart grid se insere na linha dos produtos e serviços com viés de sustentabilidade, itens estratégicos para o futuro da Siemens. Em 2009, esse nicho rendeu E 23 bilhões, em nível global, à corporação alemã. Mesmo antes da regulamentação do funcionamento das redes inteligentes no Brasil, a subsidiária já começou a investir em pesquisa e infraestrutura.

  • Share/Bookmark

A era das redes inteligentes

Fonte: tiinside – 03.05.2010 Por Roberto Galvão

Um paralelo entre os setores de energia e telecomunicações nos permite constatar que o primeiro evoluiu muito pouco em comparação ao segundo, sobretudo no que se refere à forma como as concessionárias se relacionam com os consumidores. Se no mercado de telecom é possível encontrar uma série de planos flexíveis e diferenciados para atender aos diversos perfis de consumo – descontos em chamadas de longa distância, oscilação de tarifas de acordo com o horário, pacotes especiais para transmissão de dados, só para citar alguns exemplos – por outro lado, no setor de energia, o que se tem é, basicamente, a mesma forma de prestação de serviços há pelo menos 20 anos. Para vermos como isso é um fato, basta pensarmos no modo como é feita a medição de uso: um funcionário da companhia tem que ir todo mês de casa em casa coletar os dados de consumo. Também não foram criadas tarifas especiais para desestimular o uso de eletricidade em horários de pico e os consumidores são todos tratados de maneira padronizada.

Essa realidade, no entanto, já começa a mudar, principalmente porque cada vez mais os governos, a iniciativa privada e a sociedade em geral passam a enxergar a importância de buscar novas formas mais racionais e eficientes para o uso da energia, o que fará com que todo o setor evolua.

Nesse contexto, já começam a aparecer, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, iniciativas ligadas às chamadas “redes inteligentes de energia”, ou “smart grids”. Essa tendência, que também vai chegar ao Brasil em algum momento, é um movimento natural no sentido de se aprimorar as formas de medição de consumo, o relacionamento com o cliente e o monitoramento da rede como um todo, minimizando fraudes e obtendo mais precisão. Isso porque as redes inteligentes são automatizadas com medidores em tempo real.

As vantagens disso são inúmeras, começando pelo combate à ineficiência energética, uma vez que as concessionárias terão mais controle sobre os “caminhos” da eletricidade até a casa do cliente. Além disso, como as smart grids contemplam monitoramento em tempo real, as concessionárias poderão também interferir e tomar providências em relação ao uso de energia, com sinergia, por exemplo, para programar o consumo de eletrodomésticos ou sistemas de calefação/ar-condicionado. Nos EUA já estão sendo feitos testes desse tipo. Com uma comunicação de mão-dupla entre a casa do consumidor e a concessionária, eventuais falhas podem ser detectadas e corrigidas mais rapidamente.

A melhora no sistema de tarifação também será outro benefício extremamente importante que virá com as redes inteligentes. Hoje, o cliente paga um preço fixo pela eletricidade que consome, independente do horário ou de seu perfil de uso. Com as smart grids, as operadoras vão poder se adaptar aos hábitos dos consumidores, criando o incentivo para que economizem no horário de pico, por exemplo, podendo armazenar e depois vender o excesso disponível em momentos de baixa demanda. Na Europa já estão sendo feitas iniciativas nesse sentido.

Todas essas mudanças vão se configurar em um grande desafio para que as concessionárias passem a conhecer mais e mais seus clientes, a fim de oferecer planos e tarifas mais adequados ao perfil de cada um deles. Com medidores em tempo real, as empresas terão dados sobre o consumo diário, informações sobre tensão e corrente, perfil de carga do cliente, etc., e precisarão transformar todos esses números em conhecimento de negócio para prestar serviços cada vez melhores aos clientes.

Quando tudo isso será realidade no Brasil ainda é um pergunta sem resposta exata, mas é certo que essas evoluções chegarão por aqui. A barreira inicial será a troca dos medidores de energia na casa de cada cliente, pois um modelo digital terá que ser introduzido. A infraestrutura de captação dos dados desses novos aparelhos também terá que ser aprimorada. Não será uma tarefa simples, mas não há dúvidas de que o investimento em ações que busquem o desenvolvimento sustentável – e os smart grids se encaixam perfeitamente nesse conceito – terá que ser uma bandeira de qualquer governo, órgãos reguladores e companhias. É esperar para ver. Consumidores e meio-ambiente vão agradecer!

*Roberto Galvão é consultor das áreas de utilities e telecomunicações da Teradata Brasil.

  • Share/Bookmark

Panorama sobre a implantação das redes inteligentes

Fonte: Revista Eletricidade Moderna – 07.2010

Brasil – Quando se fala em smart grids (redes inteligentes de energia), é muito recorrente a ideia de um produto pronto, que promete revolucionar a distribuição e o monitoramento do consumo de energia elétrica. Porém, na maioria das vezes, esquece-se que esse conceito tecnológico é bastante amplo e deve ser moldado de forma diferente para cada país, encontrando seu próprio caminho a partir da estrutura, legislação e peculiaridades nacionais.

Atualmente, existe no Brasil uma consulta pública para estipular os novos medidores residenciais de consumo de energia elétrica, que atualmente contabilizam cerca de 64 milhões em todo o País. Esse pode ser o primeiro passo para implantação de um sistema de smart grids, pois o equipamento que faz a medição é também o responsável pela captação e processamento das informações da unidade consumidora.

Mas, para a implantação de fato de um sistema inteligente, existem diversas questões que devem ser levadas em consideração. A mais importante é que o formato escolhido para nós não precisa ser necessariamente igual aos existentes em outros países. O recomendado é que elaboremos um modelo específico que se encaixe no cenário energético brasileiro.

Para isso, deve-se levar em conta também que o conceito de smart grids envolve uma variedade muito grande de possibilidades. Atualmente já existem experiências em desenvolvimento em algumas regiões dos EUA e da Europa, que comprovam a viabilidade das tecnologias de monitoramento em tempo real e a comunicação de mão dupla entre a residência do consumidor e a concessionária.

Percebe-se que essas tecnologias trazem inúmeras possibilidades, como, por exemplo, a detecção e correção de eventuais falhas mais rapidamente, ou o combate a fraudes e ligações clandestinas, como os populares “gatos”. Além disso, por meio da divulgação de dados mais sólidos e detalhados sobre o consumo em cada residência, pode-se também elaborar estratégias de controle de utilização e tarifação e, por conseqüência, modificar o relacionamento das empresas de energia com seus consumidores.

Com todas essas inovações, o principal ponto de discussão sobre as smart grids é que a implantação do serviço demanda grandes investimentos por parte das concessionárias de energia, que precisam incorporar sistemas de telecomunicações em suas estruturas para dar conta do desenvolvimento desses processos. Este talvez seja o principal obstáculo para a implantação do sistema no Brasil, onde as relações custo-benefício ainda não se mostram equilibradas.

Para implantar uma rede inteligente, as empresas de energia precisam construir sua própria rede de telecomunicações ou firmar parcerias com operadoras de telefonia que forneçam o suporte necessário para transmissão das informações. Outra alternativa, considerada bastante viável, é a utilização da própria rede elétrica para a transmissão dos dados, por meio da tecnologia PLC (Power Line Communications), que já foi implantada com sucesso em Portugal e está em fase de testes no Brasil.

Entretanto, os inúmeros benefícios relacionados às smart grids ainda não são suficientes para impulsionar a implantação do sistema em solo brasileiro. Uma das alternativas poderia ser um incentivo por parte do próprio governo, uma vez que as vantagens proporcionadas pela tecnologia favorecem diretamente toda a população.

Para se ter uma ideia, uma smart grid, no topo de suas potencialidades, pode possibilitar, inclusive, a comercialização de energia elétrica a partir das próprias residências, ou mesmo dos carros elétricos, que poderiam acumular eletricidade em períodos onde o valor é mais baixo e devolvê-la em períodos de pico, quando o preço é mais alto. Além disso, também existe a opção de acompanharmos o consumo de energia elétrica de nossas residências em tempo real, por meio de um banco de dados. Esse processo geraria maior controle sobre o consumo, tanto por parte do usuário quanto da concessionária, resultando em menos desperdício e maiores benefícios financeiros e até mesmo ambientais.

Como podemos observar, as smart grids podem ser muito mais do que uma simples solução para distribuição e mensuração do consumo de energia, pois elas podem interferir diretamente junto aos hábitos de consumo da população. Mas o funcionamento de cada sistema vai depender exclusivamente de quanto as concessionárias estão dispostas a investir. No caso do Brasil, essa discussão talvez ainda demore um pouco, mas já demonstra um grande avanço no que diz respeito à busca pelo desenvolvimento energético brasileiro.

  • Share/Bookmark

A luta do “Smart Grid”

Fonte: Forbes – 13.08.2010

Estados Unidos – A Comissão de Serviços Públicos de Maryland rejeitou em junho o aumento de uma tarifa como parte de um plano de 835 milhões de dólares proposto pela Baltimore Gas and Eletric para instalar medidores inteligentes e uma nova rede de comunicação. A decisão inicial colocou em risco um empréstimo de 200 milhões de dólares do Departamento de Energia Norte- Americano (DOE, na sigla em inglês).

Outros aumentos de tarifa similares em outras distribuidoras foram negados em outros estados. Todos os acionistas concordam que as melhorias nas redes de abastecimento são de extrema necessidade, mas existem controvérsias consideráveis sobre se as metodologias propostas pelas distribuidoras beneficiam os consumidores ou se agem como um impedimento estrutural para outras reformas fundamentais. Atualmente os sistemas de energia do norte do país enfrentam diversos desafios como distribuição, transmissão e o alto custo das energias renováveis, além da dificuldade de encontrar uma forma de balancear um sistema altamente dinâmico de rede inteligente da maneira mais eficiente economicamente.

Para resolver os desafios enfrentados pelo sistema de energia existente, informações devem ser trocadas entre os sistemas partipantes para que seja criada uma rede de transações. Para que as redes inteligentes beneficiem os consumidores, é preciso que transformem-se em uma plataforma e-commerce como a internet e não apenas em uma rede de informações. Para que as redes inteligentes funcionem bem, o sistema como um todo deve estar apto a facilitar a comunicação hierárquica e direta e o mecanismo de autorização de transações para a rede inteligente deve refletir as melhores práticas adaptadas a cada escala. Além disso, a comunicação entre consumidores e distribuidoras deve ser igual à comunicação entre as próprias distribuidoras.

O atual modelo de comando e controle das distribuidoras tende a prejudicar a viabilidade a longo prazo dos esforços do smart grid. Se as regulamentações permitirem às distribuidoras manterem seus sistemas fechados, oportunidades econômicas podem ser perdidas. Na maioria das vezes, os consumidores se beneficiam com políticas que incentivam os investimentos que reduzem os custos das transações, mas isso só será possível com sistemas de controle descentralizados e com novos modelos de indústrias de serviço de energia.

  • Share/Bookmark