Siemens entra na corrida para atender nova forma de pagamento

Fonte: Brasil Econômico – 11.08.2010 Por João Paulo Freitas e Priscila Machado

A alemã Siemens é uma das empresas que aguardam um sinal positivo do governo brasileiro para avançar na distribuição e produção local de equipamentos para smart grid, isto é, rede elétrica inteligente. De acordo com Guilherme Mendonça, gerente geral de vendas da Siemens Energia, a companhia tem forte atuação no mercado europeu e quer trazer ao Brasil as mesmas soluções para redes inteligente que já vende por lá. “Isso já está acordado com a nossa matriz. Poderemos produzir localmente a estrutura necessária, sozinho ou por meio de parceiros” diz.

Entre as soluções que a companhia pretende trazer ao país estão equipamentos que possibilitariam da cobrança antecipada — isto é, a venda de energia por um modelo pré-pago — e a diferenciação de tarifas conforme a hora do dia. “São aplicativos que permitirão ao cliente das distribuidoras acompanhar, pela internet, em quais horários ele está consumindo mais e em que ele está gastando”, afirma. “Já as companhias poderão oferecer novos planos de pagamento e ligar e desligar o fornecimento sem a necessidade de ir até a casa do consumidor, além de se protegerem contra fraudes”, diz Mendonça.

Segundo o executivo, a grande questão sobre o tema gira em torno de quem arcará com as despesas na implementação do novo sistema. “O principal desafio é obter fontes de financiamento para isso. Como fornecedores, estamos na expectativa.”

Cyro Boccuzzi, presidente da consultoria Eco EE e do Fórum Latino Americano de Smart Grid, acredita que o consumidor não deverá pagar diretamente pela substituição dos medidores residenciais analógicos por outros mais modernos e capazes de operar na rede inteligente, já que a instalação desses equipamentos é de responsabilidade das concessionárias. Mas ele observa que o processo de troca não será simples. “Existem 63 milhões de medidores no Brasil. Levará um tempo considerável até os novos medidores estarem operando”, avalia.

Devido aos custos desse processo, o especialista acredita também que a nova tecnologia chegará primeiro aos grandes clientes. “Os gastos serão primeiramente direcionados aos consumidores capazes de gerar mais benefícios ao sistema elétrico com o uso da rede inteligente, como as grandes instalações residenciais e principalmente as comerciais e industriais de maior porte”, diz Boccuzzi. Apesar da avaliação de que inicialmente apenas os grandes clientes devem ser beneficiados, Boccuzzi observa que o novo modelo acabará beneficiando também os consumidores de menor rendimento.

Se, por um lado, a implantação de um sistema de distribuição de energia no formato pré-pago não depende da existência de uma rede inteligente, esse modelo se tornaria popular com ela, já que o consumidor poderia controlar melhor a energia que comprou com antecedência. “Da mesma forma que as pessoas de baixa renda sabem como usar o celular pré-pago, elas poderão adquirir uma quantidade de energia que cabe no seu bolso e procurar os melhores horários para utilizá-la”, afirma.

A brasileira Treetech, desenvolvedora de sensores inteligentes para subestações de energia elétrica e de um software de monitoramento — soluções voltadas ao atendimento da base das redes inteligentes —, também aguarda com ansiedade as definições da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A empresa avalia que o novo sistema de distribuição impulsionará seus negócios. “Será necessário modernizar a rede e isso deve gerar um aumento significativo da demanda por sistemas que possam ajudar as empresas a cuidar e proteger seus ativos elétricos”, diz Gilberto Moura, diretor de marketing da Treetech.

Enquanto o Brasil não ingressa no mundo das redes inteligentes, a Treetech avança mundo afora. Em2009, 15% do seu faturamento foi proveniente de vendas para o exterior. A previsão da empresa é que esse percentual passe dos 50% em três anos.

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Caça aos gatos

Fonte: ISTOÉ Dinheiro – Nicholas Vital

"O consumidor informal não tem preocupação com a conta de luz, por isso desperdiça" Michael Wimet PRESIDENTE DA ELUCID SOLUTIONS

Um dos mais nefastos exemplos do famoso jeitinho brasileiro pode estar com os dias contados. Os desvios ilegais de energia, popularmente conhecidos como “gatos”, estão na mira das principais operadoras do sistema energético brasileiro. Sucesso na África do Sul, onde conta com mais de quatro milhões de usuários, um inovador projeto de venda de energia elétrica pré-paga deve chegar ao Brasil ainda em 2010. Sua missão é caçar os gatos que, segundo a Aneel, órgão regulador do setor, causam prejuízos de R$ 10 bilhões por ano às distribuidoras. Em tese, esse valor poderia ser convertido em forma de receita para as próprias companhias que atuam no setor. Desenvolvido pela empresa de TI Elucid Solutions, o modelo segue os mesmos padrões do sistema sul-africano. A ideia é trazer os consumidores de baixa renda – principais adeptos dos “puxadinhos” de energia – para a formalidade e impedir que eles caiam na tentação de roubar luz. Funciona a ssim: como forma de atrair o consumidor para o sistema formal, ele tem o direito de utilizar, gratuitamente, até 50 megawatts/hora por mês, quantidade suficiente para atender uma família de quatro pessoas da classe D. Quando a cota é atingida, o sistema interrompe o fornecimento até que o cliente carregue um cartão com um determinado valor que assegure o reabastecimento de energia. “O modelo é muito parecido com o da telefonia celular pré-paga”, diz Michael Wimet, presidente da Elucid Solutions.

Pode parecer contraditório, mas, mesmo com o fornecimento gratuito de parte da energia utilizada, as empresas têm a ganhar com o novo modelo. A experiência sul-africana prova isso. “O consumidor informal não tem preocupação com a conta de energia, por isso tende a desperdiçar”, diz Wimet, lembrando que já viu casos de moradores de favelas, usuários de gatos, que utilizavam geladeiras sem portas como uma espécie de ar-condicionado. Num caso como esse, o consumo pode chegar a 500 megawatts por hora, ou dez vezes acima do limite mensal que seria fornecido gratuitamente pelas companhias. “Por mim, o modelo pré-pago entra em operação amanhã”, diz Sidney Simonaggio, vice-presidente de operações da Rede Energia, uma das maiores distribuidoras de energia do Brasil, que já vem testando o sistema desde o ano passado. “O fato de tirarmos os consumidores da informalidade é bom para todos. Até o consumidor comum sai ganhando, já que o prejuízo com os gatos é repassado para aqueles que pagam suas contas normalmente.” Já existe inclusive um projeto de lei, do senador Gim Argello (PTBDF), que regula o modelo de energia pré-paga no Brasil. Em fase final de avaliação na comissão de infraestrutura, o projeto deve ser votado nos próximos meses. “A ideia é que a lei seja aprovada ainda em 2010″, diz Argello.

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AMPLA E LIGHT INSTALAM MEDIDOR DIGITAL ENQUANTO AGUARDAM LEI

Fonte: AGÊNCIA ESTADO

São Paulo, 18 – A regulamentação do serviço pré-pago de energia desperta o interesse de outras distribuidoras além do Grupo Rede. É o caso da concessionária fluminense Ampla, primeira a usar a medição centralizada e o sistema pré-pago no Brasil. Entre 2003 e 2009, a distribuidora já conectou 300 mil unidades consumidoras (12% dos clientes) aos medidores digitais. “Nesse período, as perdas de energia caíram de 25% para 20%”, revela o diretor de Relações Institucionais da Ampla, André Moragas. Apesar dos benefícios, os projetos da companhia mostraram que a adoção de novas tecnologias pode sofrer uma grande resistência inicial dos consumidores.

Adquirida em 1997 pela espanhola Endesa (hoje, sob controle da italiana Enel), a distribuidora praticou até 2002 ações tradicionais para a redução das perdas totais. Moragas conta que, nesse período, as perdas caíram de 29% para 25%. “A partir de 2003, sentimos a necessidade de um salto tecnológico para que o nível de perdas continuasse decrescendo”, explica. Foi a partir disso que a Ampla resolveu apostar, inicialmente, na medição centralizada. A empresa foi pioneira no conceito de alterar a topologia da rede, deslocando os cabos de baixa tensão para uma altura um pouco superior da média tensão, a uma distância de 10 metros do chão.

Com a blindagem da rede, a segunda etapa do projeto foi a medição centralizada. “Sabíamos que o furto de energia migraria para o medidor com impossibilidade de fraudar a rede”, afirma. Para realizar o projeto e instalar a caixa com o conjunto de medidores no topo dos postes, a Ampla obteve autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Moragas conta que o uso do medidor digital permitiu à empresa constatar que a premissa de que o cliente furta a energia elétrica por não ter condições de pagar à concessionária não é totalmente verdadeira.

“Ao receber a primeira conta após ser regularizado, o consumidor tem um susto. Mas ao longo do tempo é possível verificar uma redução nos valores”, diz. O executivo revela que o consumo de clientes irregulares caiu entre 50% e 60% após a legalização. Juntamente com a instalação do medidor digital, a Ampla desenvolveu ações de eficiência energética nas comunidades, com vistas a educar os clientes para evitar o desperdício. “A questão das perdas em nossa rede é fundamental. Cada ponto porcentual que recuperamos representa uma receita adicional de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões”, justifica o diretor de Relações Institucionais.

O impacto da regularização não foi bem digerido por alguns consumidores, assustados com os altos valores da conta de luz. A mobilização social gerou a instalação, em 2007, de uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contra a medição centralizada. “A regularização dos clientes provocou um salto na conta de luz, gerando uma sensação de revolta”, afirma o sócio da BR Investimentos e ex-diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, que comandava a agência na época da CPI. Os deputados acusaram a Aneel, a Ampla e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pelos supostos prejuízos aos consumidores.

“Acreditávamos tanto na tecnologia que nos comprometemos a desconsiderar a conta de luz do primeiro mês e faturarmos com base na média dos últimos três meses para o consumidor que reclamasse. Como contrapartida, fiscalizaríamos esse consumidor”, diz Moragas. Ao final, apenas 1% das 300 mil unidades consumidoras conectadas ao medidor digital questionaram a empresa, sendo que nesses casos foi constatada a existência ligações irregulares. “A CPI apenas postergou o projeto, porque o Inmetro adotou uma postura mais cautelosa diante das acusações e exigiu novas certificações para homologar os equipamentos”, acrescentou.

A partir de 2006, a Ampla iniciou os testes com o serviço pré-pago de energia com 500 clientes dos municípios de São Gonçalo, Caxias, Magé, Niterói, Itaboraí e Maricá. “Vislumbramos no pré-pago uma medida para reduzir a inadimplência”, justifica Moragas. O executivo afirma que do universo de 2,5 milhões de clientes da empresa, 800 mil consumidores são classificados como baixa renda. “Muitos não possuem uma renda fixa. O pré-pago seria uma maneira mais flexível de comprar energia, adequando o consumo à renda dos nossos clientes”, justifica. A Ampla também obteve autorização da Aneel para desenvolver este projeto-piloto.

Mas os problemas começaram logo que os primeiros cortes de fornecimento ocorreram. Muitos consumidores entraram na justiça para recuperar o suprimento, derrotando a Ampla. “Os juízes decidem à favor de um único consumidor em prejuízo a toda coletividade”, critica Kelman. Segundo Moragas, a expansão do serviço pré-pago no País, a exemplo do que já existe no setor de telefonia, depende da regulamentação das regras de interrupção pelo regulador e da flexibilização do procedimento para a compra dos créditos. “Hoje, o consumidor precisa ir à loja adquirir os créditos, tendo que assinar sempre um termo de compra”, explica.

Com a homologação definitiva do Inmetro em julho de 2009, a Ampla retomou os planos de instalar os medidores digitais em sua área de concessão. Para 2010, a meta é instalar 50 mil unidades. Entre 2003 e 2009, a empresa já investiu R$ 300 milhões na blindagem da rede e nos medidores. “Agora, a expansão do serviço pré-pago está em stand-by e depende de uma regulamentação”, afirma Moragas. O executivo disse que é do interesse da Ampla esse novo sistema porque os dados mostram que o consumidor rapidamente se acostuma com o serviço e que o nível de corte de fornecimento tende a ser menor do que na modalidade pós-paga.

Light

A Light (RJ) é outra distribuidora que avança no uso de medidores digitais. Com uma perda total de 21%, sendo 15 pontos porcentuais de perdas comerciais, a companhia adota estratégias distintas em sua área de concessão. Em locais de alto poder aquisitivo, a Light optou por instalar os medidores digitais individuais nas unidades consumidoras, alcançando 40 mil clientes. “Entre janeiro de 2008 a dezembro 2009, reduzimos as perdas totais desses consumidores de 25% para 9%, e temos a meta de chegar a 2%”, diz o superintendente de recuperação de energia da Light, José Geraldo Pereira. Nas áreas de maior risco do Rio, a empresa instala os medidores individuais à medida que o Estado retoma a sua presença nas comunidades.

O conceito de medição centralizada foi aplicado pela empresa nas regiões baixa renda de sua área de concessão, como a Baixada Fluminense. Até o momento, a companhia instalou 40 mil medidores digitais nessas localidades e pretender instalar mais 120 mil neste ano, diante da homologação dos equipamentos pelo Inmetro. “Temos como meta reduzir as perdas totais de 40% para 5% nessas regiões”, afirma o executivo. Para tanto, a Light pretende instalar 100 mil medidores por ano até 2013. “A regularização dos clientes beneficia a todos, inclusive o Estado. Se o nosso faturamento cresce, aumenta a arrecadação de impostos”, justifica.

Além da medição centralizada, o executivo diz que o serviço pré-pago é uma boa opção para o setor elétrico. Pereira, no entanto, afirma que a Light não deve investir no serviço até que a tecnologia seja regulamentada. Em 2009, a concessionária destinou cerca de R$ 180 milhões a iniciativas de combate às perdas. Para 2010, a meta é aportar R$ 190 milhões. No ano passado, a empresa deixou de faturar R$ 700 milhões por conta das perdas comerciais.

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CELPA APOSTA EM ENERGIA PRÉ-PAGA E GRATUITA PARA REDUZIR PERDAS

Fonte: AGÊNCIA ESTADO – 18.01.2010 Wellington Bahnemann

São Paulo, 18 – O sistema pré-pago de energia promete ser a próxima arma das distribuidoras no combate às perdas comerciais e à inadimplência dos clientes. Inspirado no modelo sul-africano, o Grupo Rede desenvolve um projeto, a ser adotado na concessionária Celpa (PA), que combina o uso da tecnologia pré-paga e a gratuidade de energia aos consumidores para reduzir os índices de perda da empresa, um dos mais elevados do País.

“Não adianta garantirmos ao consumidor o acesso físico à energia elétrica. É importante que também tenha o acesso financeiro”, explica o vice-presidente de Operações do Grupo Rede, Sidney Simonaggio. O tema virou um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional. O objetivo é eliminar um dos principais entraves à expansão do serviço, que é a falta de regulamentação. A Ampla(RJ) e a Light(RJ) são empresas que aguardam uma legislação sobre a tecnologia pré-paga para investir no serviço.

O emprego da tecnologia pré-paga foi a solução encontrada pelo Grupo Rede para garantir a adimplência dos consumidores que foram legalizados com a adoção da medição centralizada e a blindagem da rede, medidas que tornam extremamente difícil o furto de energia. Nesse modelo, já adotado pela Celpa e por concessionárias do Rio de Janeiro, a rede elétrica de baixa tensão é deslocada para ficar acima dos fios da média tensão (alta voltagem), a uma distância de 10 metros do chão. Isso inibe o “gato” da rede. Para evitar que os clientes burlem os medidores, as distribuidoras instalam uma caixa no topo do poste com vários medidores digitais.

Com uma perda total de 29,5% (sendo metade disso provocada pelo furto), a Celpa investe na medição centralizada desde março de 2007. Desde essa data até o final de 2008, a empresa investiu mais de R$ 100 milhões na instalação de 96 mil medidores digitais – após um trabalho de homologação pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) em 2009, a distribuidora foi autorizada a faturar o consumo de energia pelos novos medidores nos últimos dias.

Com a regularização dos consumidores em curso, o desafio que se impôs à companhia foi o de como evitar uma explosão na inadimplência. O entendimento dos executivos da Celpa era de que os clientes furtavam a energia porque não tinham condições de pagar a conta de luz. “Uma vez legalizados, a nossa expectativa era de que a inadimplência dos consumidores fosse aumentar muito”, afirma Simonaggio.

Inspiração sul-africana

Foi durante esse meio tempo que o executivo teve a oportunidade de conhecer a experiência sul-africana, em visita ao país em novembro de 2007. A estatal Eskom, a maior empresa de geração, transmissão e distribuição da África do Sul, iniciou o uso da tecnologia pré-paga em 1988, no âmbito do projeto “Eletricidade para Todos”. A empresa optou por essa solução após constatar que muitos consumidores não possuíam endereços fixos, não tinham empregos, contas bancárias, nem acesso a serviços postais, sem contar que muitos, com baixa escolaridade, não entendiam o pagamento da conta de luz, como consta no site da Eskom.

Simonaggio diz que a simples adoção da tecnologia pré-paga não foi o fator-chave do sucesso do projeto da Eskom. O uso do novo sistema foi acompanhado por um incentivo aos clientes, que é a gratuidade de energia. “A Eskom incorporou a premissa de que os consumidores não tinham condições de pagar a conta de luz. Então, passaram a oferecer um determinado volume de energia grátis por mês, desde que os clientes aderissem ao serviço pré-pago”, explica. De acordo com o executivo, a África do Sul possui mais de 4,5 milhões de medidores pré-pagos.

Regulamentação

A experiência sul-africana inspirou o Grupo Rede a replicar o projeto em suas concessionárias, a começar pela Celpa. Mas o avanço da iniciativa esbarrou na ausência de regulamentação do tema no Brasil. Para solucionar essa questão, a empresa apoiou a elaboração do projeto de lei nº365/09, de autoria do senador Gim Argello (PTB-DF). A proposta altera o artigo n° 13 da Lei 10.438/02, adicionando o inciso VI. Esse dispositivo concede a gratuidade de até 50 kWh por mês aos consumidores da classe residencial baixa renda que aderirem ao serviço pré-pago, em consonância com a regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Se o consumidor tiver cuidado, esse volume de 50 kWh é suficiente para o mês inteiro. Se não for, poderá comprar o crédito com volume complementar”, afirma Simonaggio. O projeto já foi apresentado pelo executivo à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e recentemente ao diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner. Hoje, o projeto do senador Argello tramita na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado. Para se tornar realidade, o documento ainda passará pelo plenário do Senado e Câmara dos Deputados. “Quando a lei for aprovada, a Aneel poderá regulamentar o serviço”, explica o executivo, que prevê que o projeto seja aprovado em 2010.

As condições gerais de fornecimento de energia elétrica foram sistematizadas pela agência na resolução 456/00. Porém, o serviço pré-pago não foi contemplado nesse documento. “Com a lei, a Aneel poderá elaborar uma resolução n° 456-b, com as regras para a prestação do serviço pré-pago”, diz. Um dos desafios legais do novo serviço é o corte de energia. Nas regras atuais, a interrupção leva até 30 dias para ocorrer, considerando o aviso prévio ao consumidor. Para o executivo, as regras para corte devem ser semelhantes ao dos sistemas pré-pagos de celular.

Impactos positivos

Segundo Simonaggio, os impactos positivos da medição centralizada e da energia pré-paga não se restringem apenas às distribuidoras, mas também aos clientes e ao sistema elétrico do País. O executivo diz que um estudo produzido pela empresa mostra que 12% do consumo de um cliente irregular representam desperdício de eletricidade. “Quando o consumidor está na clandestinidade, ele não se importa com o nível de consumo e deixa tudo ligado. É o que chamamos de desperdício da clandestinidade”, explica o vice-presidente de operações.

Apesar de não faturar a energia concedida gratuitamente, o executivo afirma que o ganho para a concessionária está na redução das despesas, tais como a compra de energia para atender o sistema, o envio de equipes para fiscalização, a disputa judicial com os clientes, entre outros. “Passamos a ter uma relação mais pacífica com os clientes”, justifica.

Isso também beneficia os outros consumidores atendidos pela distribuidora. Como a Aneel reconhece na tarifa boa parte dos prejuízos incorridos com as perdas da rede e com a inadimplência, o menor custo acaba se reflete em menores reajustes tarifários aos consumidores.

Para o sócio da BR Investimentos e ex-diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, a iniciativa do Grupo Rede resolve o dilema se a energia é um direito humano ou um produto. “Ao conceder um volume grátis, a empresa garante um consumo mínimo para as necessidades básicas”, diz o executivo, acrescentando que a Justiça tem pendido a favor dos consumidores na discussão.

Durante os quatro anos em que permaneceu à frente da Aneel até o final de 2008, Kelman foi um dos principais defensores do serviço pré-pago, inclusive autorizando a Ampla a realizar um projeto-piloto da tecnologia. “Vimos nesse sistema uma maneira de permitir que o consumidor tenha condições de pagar a sua conta de luz”, afirma o ex-diretor da agência.

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