Redes inteligentes do sistema elétrico da Cemig começarão por Sete Lagoas

Fonte: Cemig – 04.01.2010

A Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig lançou, nesta segunda-feira (28/12), o projeto Cidades do Futuro, um programa que permitirá avaliar a melhoria da prestação de serviços da Empresa para o consumidor final, através da automação das redes de distribuição e modernização do sistema elétrico. O lançamento aconteceu na sede da Cemig em Belo Horizonte e contou com a presença do presidente, Djalma Bastos de Morais, do diretor de Distribuição e Comercialização da Cemig, Fernando Henrique Schuffner, e do prefeito de Sete Lagoas, Mário Márcio Campolina Paiva.

A cidade escolhida para dar início à implantação do programa é Sete Lagoas, localizada a 70 km de Belo Horizonte. Trata-se de um município com grande diversidade de atividades econômicas nos setores industrial, da agropecuária e de serviços, que conta com uma população acima de 200 mil habitantes e número de clientes superior a 80 mil.

De acordo com o superintendente de Desenvolvimento e Engenharia da Distribuição da Cemig, Denys Cláudio Cruz de Souza, a escolha de Sete Lagoas se deu pelo fato de a cidade ter o sistema elétrico de alta, média e baixa tensões, sistema de telecomunicações, mercado diversificado e a presença da Universidade Corporativa da Cemig (Univercemig).

Cidades do Futuro

O projeto Cidades do Futuro vai avaliar a capacidade e os benefícios da adoção da arquitetura smart grid, a partir dos testes que acontecerão em Sete Lagoas, o que permitirá identificar a viabilidade de expansão para toda a área de concessão da Cemig, bem como validar os produtos, serviços e soluções inovadoras, visando melhorar a prestação de serviços da Empresa. O plano de implantação detalhado do projeto, iniciado em 2009, estará finalizado no início de 2010.

“O projeto Cidades do Futuro, além de ser um grande desafio, é uma excelente oportunidade de implementação do paradigma das redes inteligentes, permitindo a integração dos processos da Cemig, definidos pelos órgãos reguladores, permitindo simultaneamente o aumento da eficiência e da flexibilidade da operação da rede elétrica e a melhoria da qualidade dos serviços, entre outros”, afirma o superintendente Denys Cláudio.

Segundo o superintendente, as ações cobrem os processos empresariais da Cemig, concentrando-se nas áreas de automação da medição de consumidores, automação de subestações, automação de redes de distribuição, telecomunicações operacionais, sistemas computacionais da operação do sistema elétrico e gerenciamento e integração de geração distribuída.

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Consumo inteligente

Fonte: Diário do Nordeste – 15.08.2009
Brasil – Um novo sistema para ler os hábitos de consumo de energia teve redobrado impulso no Brasil, após consulta pública realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sobre a substituição, nas residências brasileiras, dos convencionais medidores analógicos por modernos aparelhos digitais.
Sabe-se que o relógio mecânico medidor do consumo revela informações úteis apenas para o técnico que vai proceder a leitura do registro, enquanto a medição eletrônica possibilita um sistema de geração e distribuição de energia mais eficiente e econômico, permitindo tarifar de acordo com o horário de uso. Esse procedimento torna a energia mais barata para as residências em determinados horários, tal como ocorre em relação às tarifas de telefonia.
Apesar de o setor industrial ser responsável pela maior parte do consumo, 20% dos usuários seriam beneficiados com a inovação.
Além da tarifação por horário, o sistema digital oferece outras vantagens. Com o conhecimento da energia gasta e de como ela foi usada em certos períodos, o consumidor terá em mão seu completo perfil de uso, adquirindo possibilidades efetivas de saber como reduzir o desperdício e quais os melhores horários para utilizar os eletrodomésticos que mais consomem.
A partir do uso da tecnologia digital, será possível detectar, de modo rápido, eventuais falhas no fornecimento de energia, localizando com presteza os problemas ocorridos e fazendo disparar providências e alertas automáticos. Desse modo, tanto o consumidor quanto a fiscalização contariam com um reforço esclarecedor de indiscutível valia para dimensionar a qualidade do serviço prestado pelas empresas. As vantagens do sistema já apresentaram resultados na África do Sul, onde a adoção de medidores eletrônicos proporcionou redução de 20% no consumo residencial.
No Brasil, no estado do Rio de Janeiro, antes da instalação de 300 mil dispositivos no gênero, 27% da energia eram furtados através das ligações ilícitas popularmente conhecidas como “gatos”, o que acarretava prejuízo anual em torno de R 800 milhões, hoje reduzido em 20%.
Os medidores digitais a serem utilizados no país precisam passar pelo crivo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), a fim de que sempre seja testada apropriadamente a sua eficiência.
Diante do que se pretende, há ainda a ressaltar que o bom funcionamento do denominado sistema racional de distribuição e aferição do uso de energia depende tanto da responsabilidade do usuário, que já paga por itens como investimentos em infraestrutura e furtos dos “gatos”, quanto das empresas concessionárias, obrigadas a manter uma rede eficiente de fornecimento, constantemente atualizada por meio de modernos recursos surgidos para o aperfeiçoamento do setor.
O equipamento digital vem no momento em que se enfatiza a necessidade de reduzir o consumo de energia elétrica, um insumo caro no país. Uma campanha institucional pode esclarecer a população das vantagens individuais de seu uso inteligente.

Fonte: Diário do Nordeste – 15.08.2009

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Brasil – Um novo sistema para ler os hábitos de consumo de energia teve redobrado impulso no Brasil, após consulta pública realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sobre a substituição, nas residências brasileiras, dos convencionais medidores analógicos por modernos aparelhos digitais.

Sabe-se que o relógio mecânico medidor do consumo revela informações úteis apenas para o técnico que vai proceder a leitura do registro, enquanto a medição eletrônica possibilita um sistema de geração e distribuição de energia mais eficiente e econômico, permitindo tarifar de acordo com o horário de uso. Esse procedimento torna a energia mais barata para as residências em determinados horários, tal como ocorre em relação às tarifas de telefonia.

Apesar de o setor industrial ser responsável pela maior parte do consumo, 20% dos usuários seriam beneficiados com a inovação.

Além da tarifação por horário, o sistema digital oferece outras vantagens. Com o conhecimento da energia gasta e de como ela foi usada em certos períodos, o consumidor terá em mão seu completo perfil de uso, adquirindo possibilidades efetivas de saber como reduzir o desperdício e quais os melhores horários para utilizar os eletrodomésticos que mais consomem.

A partir do uso da tecnologia digital, será possível detectar, de modo rápido, eventuais falhas no fornecimento de energia, localizando com presteza os problemas ocorridos e fazendo disparar providências e alertas automáticos. Desse modo, tanto o consumidor quanto a fiscalização contariam com um reforço esclarecedor de indiscutível valia para dimensionar a qualidade do serviço prestado pelas empresas. As vantagens do sistema já apresentaram resultados na África do Sul, onde a adoção de medidores eletrônicos proporcionou redução de 20% no consumo residencial.

No Brasil, no estado do Rio de Janeiro, antes da instalação de 300 mil dispositivos no gênero, 27% da energia eram furtados através das ligações ilícitas popularmente conhecidas como “gatos”, o que acarretava prejuízo anual em torno de R$ 800 milhões, hoje reduzido em 20%.

Os medidores digitais a serem utilizados no país precisam passar pelo crivo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), a fim de que sempre seja testada apropriadamente a sua eficiência.

Diante do que se pretende, há ainda a ressaltar que o bom funcionamento do denominado sistema racional de distribuição e aferição do uso de energia depende tanto da responsabilidade do usuário, que já paga por itens como investimentos em infraestrutura e furtos dos “gatos”, quanto das empresas concessionárias, obrigadas a manter uma rede eficiente de fornecimento, constantemente atualizada por meio de modernos recursos surgidos para o aperfeiçoamento do setor.

O equipamento digital vem no momento em que se enfatiza a necessidade de reduzir o consumo de energia elétrica, um insumo caro no país. Uma campanha institucional pode esclarecer a população das vantagens individuais de seu uso inteligente.

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Smart Grid: Intelligent Transmission and Distribution Conference

Estabilidade Aumentada da Rede Elétrica: Reconhecendo a Oportunidade Através de Transmissão & Distribuição Melhorada
Data de início: 05/10/2009
Data de término: 06/10/2009
Local: Miami, FL, EUA.
Tipo: Conferência
Organizador: Q1 productions
Website: Q1 productions (http://www.q1productions.com/eventPages/event_PECONF-100.php)
Enquanto as estratégias de smart grid estavam em desenvolvimento nos últimos vinte anos, é realmente recente que a tecnologia alcançou verdadeiramente a promessa de aumentar a eficiência, confiabilidade e segurança. Com os fundos federais que estão sendo liberados às companhias de serviço público por toda a nação para o uso em melhorias das tecnologias dos seus sistemas de transmissão e distribuição, as companhias estão finalmente levando a sério o projeto e implementação de melhores componentes de rede.
Para muitas empresas, há uma base para compreensão relativa aos benefícios e ao valor das novas tecnologias, mas falta de conhecimento relativo a por onde começar no projeto e implementação de suas próprias “redes inteligentes.” Esta conferência fornecerá uma oportunidade para que as companhias estejam juntas para descobrir e compreender como começar a construir uma rede mais estável, para entender os os componentes exigidos, para reconhecer prazos realísticos para a execução e a distribuição de tecnologias avançadas através da rede.
Com os estudos de caso detalhados das companhias que têm implementado tecnologias avançadas, ou que estão em processo de executar dos componentes de rede inteligente, as empresas compreenderão verdadeiramente as exigências de ambos recurso e perspectiva financeira internos. Os fornecedores de solução igualmente estarão presentes para responderem às perguntas relativas aos muitos componentes exigidos para com sucesso lançarem uma iniciativa smart grid, variando da demanda à gestão de ativos, melhoramentos da transmissão, e melhores redes de comunicação. Estes fornecedores de possibilidades de tecnologia fornecerão exemplos do estudo de casos de como as tecnologias podem trabalhar juntas para proporcionar um serviço mais seguro, mais acurado, e de confiança.
Alguns dos Tópicos que serão cobertos
* Desenvolvendo um Caso de Negócio Convicente para a Implementação de uma Rede Inteligente
* Incorporando Linhas de Transmissão de Alta-Tensão para Acelerar a Integração de Fontes Renováveis de Energia
*Usando PMN para Prevenir Falhas em Série
*Alcançando Automação de Subestação com a Aquisição de Padrões de Interoperabilidade
*Usando Limitadores de Corrente de Falta para Automaticamente Responder a Aumentos de Carga e Melhorar a Confiabilidade do Sistema
*Entendendo Padrões Recentemente Aprovados de Interoperabilidade para Geração Distribuída
*Acessando Fundos Federais de Estímulo: Estabelecendo Parcerias Entre Empresas e Companhias da Tecnologia Smart Grid
*Considerando Segurança de Dados: SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition)
*Definindo a Força Tarefa Apropriada para Desenvolvimento das Tecnologias Smart Grid
*Reconhecendo Benefícios para Empresas Através da Resposta da Demanda
*Avanços em Armazenamento em Larga Escala Facilitando Integração Abundante de Energia Renovável
Estabilidade Aumentada da Rede Elétrica: Reconhecendo a Oportunidade Através de Transmissão & Distribuição Melhoradas

Smart Grid Conference
Data de início: 05/10/2009
Data de término: 06/10/2009
Local: Miami, FL, EUA.
Tipo: Conferência
Organizador: Q1 productions
Enquanto as estratégias de smart grid estavam em desenvolvimento nos últimos vinte anos, é realmente recente que a tecnologia alcançou verdadeiramente a promessa de aumentar a eficiência, confiabilidade e segurança. Com os fundos federais americanos que estão sendo liberados às companhias de serviço público dos EUA para o uso em melhorias das tecnologias dos seus sistemas de transmissão e distribuição, as companhias estão finalmente levando a sério o projeto e implementação de melhores componentes de rede.
Para muitas empresas, há uma base para compreensão relativa aos benefícios e ao valor das novas tecnologias, mas falta o conhecimento relativo a “por onde começar” no projeto e implementação de suas próprias “redes inteligentes.” Esta conferência fornecerá uma oportunidade para que as companhias estejam em conjunto descobrindo e compreendendo como começar a construir uma rede mais estável, para entender os os componentes exigidos, para reconhecer prazos realísticos para a execução e a distribuição de tecnologias avançadas através da rede.
Com os estudos de caso detalhados das companhias que têm implementado tecnologias avançadas, ou que estão em processo de executar os componentes de rede inteligente, as empresas compreenderão verdadeiramente as exigências de ambos, recurso e perspectiva financeira internos. Os fornecedores de solução igualmente estarão presentes para responderem às perguntas relativas aos muitos componentes exigidos para com sucesso lançarem uma iniciativa smart grid, variando da demanda à gestão de ativos, melhoramentos da transmissão, e melhores redes de comunicação. Estes fornecedores de possibilidades de tecnologia fornecerão exemplos do estudo de casos de como as tecnologias podem trabalhar juntas para proporcionar um serviço mais seguro, mais acurado, e de confiança.
Alguns dos Tópicos que serão cobertos
  • Desenvolvendo um Caso de Negócio Convicente para a Implementação de uma Rede Inteligente;
  • Incorporando Linhas de Transmissão de Alta-Tensão para Acelerar a Integração de Fontes Renováveis de Energia;
  • Usando PMN (Phasor Measurement Network) para Prevenir Falhas em Série;
  • Obtendo Automação de Subestação com a Aquisição de Padrões de Interoperabilidade;
  • Usando Limitadores de Corrente de Falta para Automaticamente Responder a Aumentos de Carga e Melhorar a Confiabilidade do Sistema;
  • Entendendo Padrões Recentemente Aprovados de Interoperabilidade para Geração Distribuída;
  • Acessando Fundos Federais de Estímulo: Estabelecendo Parcerias Entre Empresas e Companhias da Tecnologia Smart Grid;
  • Considerando Segurança de Dados: SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition);
  • Definindo a Força Tarefa Apropriada para Desenvolvimento das Tecnologias Smart Grid;
  • Reconhecendo Benefícios para Empresas Através da Resposta da Demanda;
  • Avanços em Armazenamento em Larga Escala Facilitando Integração Abundante de Energia Renovável.
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Vão grampear a sua energia

Revista Época – Data – 25/07/2009
Por Thiago Cid

Um novo sistema conseguirá ler seus hábitos de consumo. Mas você vai gostar: a conta poderá cair.

FIM DO “GATO”. Um técnico instala um medidor digital em Niterói, Rio de Janeiro, na área da distribuidora de energia Ampla. O dispositivo reduz furtos e desperdício.

FIM DO “GATO”. Um técnico instala um medidor digital em Niterói, Rio de Janeiro, na área da distribuidora de energia Ampla. O dispositivo reduz furtos e desperdício.

O cidadão tem motivos diversos para querer melhorar seu perfil de consumo de eletricidade – dos mais imediatos, como gastar menos dinheiro, aos mais nobres, como reduzir o impacto ambiental causado por sua família. Esse empenho, atualmente, recebe pouca ajuda das empresas distribuidoras de energia, como Eletropaulo e Light. O relógio mecânico e arcaico que mede o consumo em cada residência revela informações úteis somente ao técnico que vai fazer a leitura. Se o consumidor pudesse entender esses dados e escolher como seu lar gasta energia, a fim de usá-la de forma mais inteligente, o sistema elétrico brasileiro passaria por um salto evolucionário. Um impulso para esse salto foi tomado neste ano, na discreta consulta pública feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sobre a substituição, nas residências brasileiras, dos medidores analógicos por digitais. O que se discute é bem mais que uma troca de equipamento.

O novo medidor tem potencial para tornar o sistema de geração e distribuição de energia mais eficiente, econômico e limpo. “Só com a medição eletrônica será possível tarifar a eletricidade de acordo com o horário de uso”, diz Luiz Maurer, especialista sênior em energia do Banco Mundial. Essa medição tornaria a eletricidade para as residências mais barata em horários de pouco uso, como de madrugada, e mais cara nos horários de pico, no fim da tarde e início da noite – algo semelhante ao que ocorre com as tarifas da telefonia. Hoje, nos momentos de maior demanda, o sistema de distribuição trabalha acima de 90% de sua capacidade, o que significa maior risco de quedas de força. “Um sistema sobrecarregado sofre panes”, diz o especialista e consultor Roberto D’Araújo. “E, quando há uma pane, a rede deixa de distribuir energia por um instante, para depois a carga voltar muito alta. Por isso, há um grande número de queimas de aparelhos elétricos.”

Com a mudança de tecnologia na medição, seria possível também diferenciar a tarifa no verão e no inverno. Como a geração de energia é menor no período mais frio e seco do ano, a tarifa do horário de pico do inverno poderia ser maior que a do verão, afirma D’Araújo, que é pesquisador associado do Coppe, a pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Uma mudança assim traria um grande benefício ambiental. No inverno, o maior consumo de eletricidade faz com que o país recorra às poluentes termoelétricas, a parte ruim da razoavelmente limpa matriz energética brasileira. Além disso, num cenário de volta do crescimento econômico, em 2010 e 2011, o Brasil terá de avaliar novamente os limites de sua capacidade de geração. Embora a indústria use a maior parte da energia produzida no país, as residências respondem por mais de 20% do consumo e têm influência nesse quadro.

A ANEEL, ao mesmo tempo que avalia a necessidade de modernização da infraestrutura, modera a ansiedade de fabricantes de equipamentos e consultores que veem no processo uma oportunidade de venda. Ainda não foram definidos o prazo para a substituição dos medidores nem as características necessárias ao equipamento digital. Sabe-se que ele oferece muitas possibilidades, além da tarifação por horário. O equipamento pode mostrar ao consumidor quanta energia foi gasta e como ela foi usada, em períodos de tempo determinados. Ao conferir seu perfil de uso, ele saberia como reduzir o desperdício e em quais horários utilizar os aparelhos que mais consomem, como ferro de passar roupa e chuveiro elétrico.

A tecnologia digital poderia também detectar rapidamente falhas no fornecimento, localizando o problema e disparando alertas automáticos. Tanto o consumidor quanto a fiscalização teriam uma ferramenta para averiguar a qualidade do serviço prestado pelas empresas.  Pesquisas em andamento sugerem que haverá medidores com novas capacidades num futuro próximo. Cyro Boccuzzi, presidente da consultoria de eficiência energética ECOee e ex-vice- -presidente da Eletropaulo, diz: “Os novos medidores não podem estar limitados à tecnologia atual e ao preço mais baixo. Devem ter todas as funções que beneficiem os consumidores”.

Na África do Sul, o sistema digital ajudou as famílias a reduzir seu consumo de energia em 20% . Entre as novas capacidades estaria a medição nos dois sentidos, ou bilateral. Ela permitiria que pequenos produtores residenciais de energia (a partir de geração solar, por exemplo) vendessem seu excedente para o sistema. O medidor registraria quanto o consumidor utilizou da energia da concessionária e quanto ele enviou para o sistema. A novidade, assim, incentivaria investimentos difusos em fontes renováveis.

Um sistema com essas características – flexibilidade, captura e uso intensivo de dados, circulação de informação nos dois sentidos e capacidade de incorporar inúmeras pequenas fontes geradoras – aproxima-se de uma rede elétrica inteligente, também conhecida em inglês como “smart grid” (tema de um congresso internacional a ocorrer em São Paulo, em novembro). O engenheiro eletricista Pedro Jatobá, um dos principais especialistas brasileiros em smart grids, afirma que o sistema, para se tornar progressivamente mais inteligente, precisa mirar simultaneamente em três objetivos: mais segurança, menor impacto ambiental e menos gasto.

A parte da despesa menor para o usuário já virou realidade na África do Sul, onde o uso dos medidores eletrônicos proporcionou queda de 20% no consumo residencial. Com o aparelho, as famílias entenderam seu perfil de consumo e reduziram o desperdício. “O medidor pode mostrar claramente como um banho demorado faz energia e dinheiro escorrerem pelo ralo”, afirma Maurer, do Banco Mundial.

Na consulta pública, a ANEEL quis saber quais funções o aparelho deveria ter. Essa etapa terminou em abril e coletou 33 sugestões. Apenas seis foram de consumidores. A maior parte das sugestões tinha como objetivo favorecer as empresas fornecedoras de energia. A ANEEL afirma que a conversa apenas começou. “Queremos chegar a um consenso, para adotar aparelhos que beneficiem consumidores e empresas concessionárias”, diz Joísa Dutra, diretora do órgão regulador.

Para as distribuidoras, seria vantajoso ter meios de prevenir furtos de energia, os famosos “gatos”. Elas também teriam um mapa detalhado da rede, com a localização dos gargalos e o perfil do consumo dos clientes. “Os medidores poderão registrar tudo o que se passa na rede e transmitir esses dados para as concessionárias”, afirma André Moraga, diretor de relações institucionais da Ampla, concessionária que atua em 73% do Estado do Rio de Janeiro. O medidor foi crucial na redução dos furtos de energia na área de atuação da Ampla. Em 2005, antes de a concessionária substituir cerca de 300 mil dispositivos por modelos digitais, 27% de sua energia era furtada, e com isso ela sofria prejuízo anual de cerca de R$ 800 milhões. Com a novidade, a empresa afirma ter reduzido a taxa de roubo para 20% e economizado R$ 200 milhões. O consumidor se beneficia de maneira indireta, porque a redução de perdas diminui a necessidade de reajustes por parte da empresa.

Para que uma estrutura assim funcione, a rede elétrica deverá estar equipada com sensores, capazes de levar os dados colhidos até as centrais de operação das concessionárias. Eles podem captar as informações de aproximadamente mil medidores e enviá-las – por ondas de rádio ou pela própria rede elétrica – às centrais. A tecnologia permitiria troca de informações entre todos os pontos do sistema, como as estações distribuidoras de energia, a central de processamento da concessionária e as residências. Essa capacidade de comunicação permitiria à empresa não somente detectar falhas após seu acontecimento, mas também monitorar o sistema para evitar que problemas acontecessem, diz Jatobá, que preside a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel).

Desde 2007, os medidores digitais precisam passar pelo crivo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Até agora, apenas uma marca recebeu o selo necessário. “Outros dois fabricantes estão a caminho da aprovação”, afirma Luiz Carlos Gomes, diretor de Metrologia Legal do Inmetro. O aparelho permitido é fabricado pela empresa Landis Gyr, suíça, mas, segundo o presidente da companhia no Brasil, Álvaro Dias Filho, a tecnologia foi toda desenvolvida aqui. “Nossos aparelhos permitem todas as funções, mas, até a ANEEL regulamentar quais operações serão permitidas, ele está sendo usado apenas para mostrar, de forma simples, quanto cada casa está consumindo”, diz.

Diante do extenso cardápio de possibilidades (e de ainda poucas certezas), cabe lembrar que o usuário não é o principal responsável pela robustez do fornecimento. “As empresas concessionárias são obrigadas a manter uma rede moderna, capaz de suportar a demanda da população crescente. Para isso, o consumidor já paga por investimentos em infraestrutura, perdas técnicas e furto de energia, que são repassados na conta”, afirma o consultor D’Araujo.

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No caminho da integração das redes

No caminho da integração das redes

São Paulo, 24 de Julho de 2009 – 16:10

Por Anna Flávia Rochas, da Revista GTD Energia Elétrica  32

Rede Inteligente

Brasil busca acompanhar o ritmo mundial de desenvolvimento das tecnologias Smart Grids. O próximo passo será integrar interesses e soluções

O conceito de Smart Grids, ou redes inteligentes, não é mais desconhecido para o setor de energia elétrica. Muito mais abrangente que apenas a automação de redes, a geração distribuída e a medição eletrônica com canal de comunicação, as Smart Grids não só são compreendidas, como até já se discute se este seria o nome mais adequado às funcionalidades atribuídas ao tema.

“O termo “redes inteligentes” sugere que a rede que temos hoje é “burra”, o que é um desrespeito”, brincou o chairman, Guido Bartels, da associação composta por 90 empresas que defendem o desenvolvimento das Smart Grids nos Estados Unidos – a GridWise Alliance –, durante palestra para o setor brasileiro, no seminário Parceria Inteligente para Smart Grid, em junho. Bartels também é gerente geral do setor de Global Energy e Utilities da IBM.

Brincadeiras à parte, o setor elétrico e de telecomunicações brasileiro planeja, agora, se organizar em grupo com o objetivo de atuar junto ao governo, buscando modificações nas regulações necessárias para difundir as aplicações de Smart Grids no Brasil.

Atualmente, o setor ainda comemora a Portaria 213/2009 do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), que homologou o primeiro sistema de medição remota no Brasil. Os agentes ainda aguardam os resultados da Consulta Pública 015/2009, sobre medição eletrônica na baixa tensão, e da Audiência Pública 010/2009 sobre o uso do Power Line Communication (PLC, também chamado de Broadband over Power Line), canal de comunicação que ajudará na expansão da medição eletrônica e na comunicação bidirecional, por meio da rede elétrica.

Os representantes da indústria e de concessionárias estão se reunindo periodicamente para discutir os conceitos de Smart Grid. Em maio, o Fórum Latinoamericano de Smart Grid realizou reunião para colher informações a serem adicionadas à contribuição da consulta pública sobre medição eletrônica inteligente na baixa tensão. No final de junho, esse mesmo público se reuniu no seminário Parceria Inteligente para Smart Grid, com representantes internacionais, para organizar uma ação conjunta em prol das tecnologias inteligentes.

Todos esses fatos revelam que o setor obteve conquistas na defesa da Smart Grid. Guido Bartels chega a dizer que hoje já não é possível afirmar que um ou outro país está mais avançado ou melhor nas aplicações das redes inteligentes. Segundo ele, em diversos locais do globo, projetos e soluções aplicáveis aos conceitos de Smart Grid estão se desenvolvendo, de acordo com as motivações e características de cada país.

Bartels ainda destaca que as empresas não devem ficar se promovendo individualmente em prol do desenvolvimento de seus produtos, mas se unir para defender a ideia, com proposições para realizar as mudanças regulatórias necessárias às implantações.

A regra continua a mesma daquela constantemente repetida no início das primeiras aplicações: sem viabilidade econômica e remuneração das concessionárias, as tecnologias não se aplicam. O regulador destaca que, se for para onerar demasiadamente a tarifa do consumidor, não haverá suporte para que as redes inteligentes se desenvolvam. “É importante desenvolver sem esquecer o custo-benefício”, manteve o posicionamento expresso à Revista GTD 28, na nossa primeira reportagem sobre Smart Grid, o superintendente de Regulação da Comercialização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ricardo Vidinich, durante o seminário Parceria Inteligente para Smart Grid.

Bartels, da IBM, no entanto, destaca que a indústria deve liderar o desenvolvimento do mercado para que assim possa, inclusive, impulsionar a economia.

A motivação brasileira

No mundo inteiro, o Smart Grid precisou de uma motivação para ser desenvolvido e implantado. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama disse que 70% das redes daquele país estarão adaptadas às tecnologias inteligentes até 2012, com o objetivo de combate às emissões de CO2. A ideia é que, com mais informações sobre a energia que circulam na rede, seja possível diminuir o consumo ou, até mesmo, coordenar ações para uma geração menos poluente.

Esse e outros motivos ainda mobilizam os setores na Europa (onde quase todos os países já possuem alguma aplicação Smart Grid), Austrália, China e até a Coreia, que acaba de criar uma associação, nos moldes da GridWise Alliance, e com o apoio desta, para avançar nas tecnologias Smart Grid naquele país.

No Brasil, o combate às perdas não técnicas, como o furto de energia, foi um dos fatores que influenciaram alguns dos projetos-piloto. No entanto, essa motivação não se aplica a todo território, fazendo que os tipos de projetos e tecnologias de Smart Grid implantados variem bastante.

No caso do grupo CPFL, por exemplo, que possui oito distribuidoras, o referente a 6,5 milhões de clientes espalhados pelo interior de São Paulo, os conceitos de rede inteligente têm avançado na área de automação de rede. O diretor de Engenharia e Gestão de Ativos da CPFL Energia, Rubens Bruncek Ferreira, explica que a automação levou à redução do custo operacional em 50% desde 1997, quando implantado. Isso aliado à reorganização de processos na concessionária.

Mesmo assim, Ferreira ainda acredita que a linha do desenvolvimento do Smart Grid no Brasil deve seguir por meio da medição eletrônica. “A medição eletrônica será o futuro”, completa ele, que ainda destaca que a CPFL investirá R$320 milhões, de 2009 a 2014, em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que focam na melhoria da eficiência energética.

Ferreira é o único representante brasileiro na Global Inteligent Utility Network Coalition (UN Coalition), um grupo internacional de empresas coordenado pela IBM, com o objetivo de acelerar a adoção das soluções Smart Grid globalmente. Segundo ele, os membros do grupo discutem agora os conceitos e os desenhos das tecnologias a serem aplicadas. “Os fabricantes são muitos e não dá para ficar inventando demais. Tem que haver uma certa padronização”, disse sobre a necessidade de focar o desenvolvimento das tecnologias. A próxima reunião do U.N Coallition acontecerá em novembro deste ano.

Em Barreirinhas (MA), onde foi implantado o projeto que leva internet por meio da rede elétrica em junho de 2008, a medição inteligente nas residências é o segundo passo no desenvolvimento de tecnologias Smart Grid no projeto. Segundo o consultor técnico de Vendas da Panasonic no Brasil, Eduardo Kitayama, a intenção é monitorar o consumo para poder reduzi-lo. “Tendo maior consciência de quanto se está utilizando (de energia elétrica), o consumidor gasta menos”, disse.

O projeto com participação das Centrais Elétricas do Maranhão (Cemar), Panasonic, IBM e Landis Gyr deverá apresentar os primeiros resultados em dois meses.

A Light, que tem 80 mil clientes telemedidos, pretende incluir mais 100 mil residências na medição inteligente, em um ano, conforme destacou o superintendente técnico da concessionária, Gustavo Alencar, durante o seminário Parceria Inteligente para Smart Grid.

A empresa foi motivada a usar a medição inteligente aliada à blindagem de rede, para combate às perdas não técnicas e à inadimplência. Em 2009, a Light transformará 1.200km de rede multiplexada de baixa tensão em rede coberta de média tensão.

Aneel busca conhecimento técnico em outros países

O superintendente de Regulação dos Serviços de Distribuição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Paulo Henrique Lopes, explica que a agência está estudando os conceitos de Smart Grid e buscando competência técnica sobre o tema.

Em abril, a agência realizou uma missão técnica à Itália, Espanha e Portugal para conhecer as experiências daqueles países. A agência ainda enviará uma missão a Portugal e Espanha sobre a integração de fontes renováveis à matriz.

Lopes explicou que a agência está avaliando a viabilização de projetos-piloto no Brasil para aprimorar e desenvolver a aplicação das tecnologias Smart Grid.

Outro representante da Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição da Aneel, Hugo Lamin, explicou que o assunto tem também que ser analisado pela área de regulação econômica. “Verificamos que, no mundo todo, houve tarifa diferenciada para implementação do Smart Grid”, disse. Ele ainda destacou que a consulta pública sobre medição eletrônica usou um método inovador, na qual as contribuições deveriam responder a determinadas perguntas. Foi a primeira consulta pública da Aneel realizada nesses moldes.

Posicionamentos sobre a aplicação

As funcionalidades da rede inteligente ajudam no gerenciamento das operações de geração, transmissão e distribuição, colaborando para que as concessionárias atinjam as metas de qualidade do serviço prestado. No entanto, o Smart Grid também afeta o consumidor de diversas formas.

Além de poder gerar energia e vender para rede no futuro – por meio da aplicação de painéis solares, por exemplo – os consumidores também poderão ter a opção de usar outras funcionalidades inteligentes ao ter acesso às informações sobre o próprio consumo.

Assim, embora nos eventos e reuniões realizadas os consumidores não estejam representados, vez ou outra são lembrados como agentes importantes na consolidação das tecnologias Smart Grid.

A IBM realizou a pesquisa Lighting the Way, que apontou que 90% dos cinco mil entrevistados em 12 países gostariam de que houvesse um medidor inteligente e ferramentas para gerenciar o uso de energia. No Brasil, a empresa está preparando uma pesquisa similar para identificar o perfil do consumidor brasileiro, conforme já noticiado nesta revista. O método de aplicação e as questões consideradas foram avaliados por especialistas da Escola Politécnica da Universidade Federal de São Paulo (USP) e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. A pesquisa deverá ser iniciada ainda no terceiro trimestre deste ano, segundo o executivo de Soluções do setor de Utilities da IBM, Gadner Vieira.

Já o Fórum Latino Americado de Smart Grid enviou questionários para 1.112 pessoas de universidades, empresas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, associações, fabricantes de equipamentos, analistas, governo, consumidores livres e cativos para opinarem sobre a consulta pública de medição eletrônica.

Foram recebidos 87 questionários, para um prazo de três dias úteis, uma taxa de 7,8% do total dos questionários enviados. Apesar desta taxa, o coordenador do Fórum , Cyro Boccuzzi, considera a porcentagem de respondentes elevada, dado o tempo de resposta.

Um dos pontos de maior destaque da pesquisa foi o posicionamento de que devem ser definidas experimentações práticas para entender o comportamento dos consumidores brasileiros às tarifas e às tecnologias de controle, antes de se estabelecer uma regulamentação sobre a medição inteligente.

No caso da Audiência Pública 010 sobre uso da rede elétrica para transmissão da internet, a discussão fica entre as concessionárias. A minuta da resolução coloca que o serviço deveria ser administrado, definido, operado e mantido por uma terceira concessionária e não pelo distribuidor de energia elétrica. Para defender esse e outros pontos de vista, a Associação Proprietária de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel) e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) se reuniram, em junho, com o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner.

“O fato de equipar as redes para explorar a capacidade de transmissão de dados é inerente às concessionárias”, disse o presidente da Aptel, Pedro Jatobá. “Além do mais, estamos prestes a ter uma evolução razoável em função dos conceitos de redes inteligentes, o que aumentará a associação entre telecomunicações e rede elétrica”, completa.

Para o desenvolvimento do Smart Grid, Jatobá defende a elaboração de um projeto estruturante que defina os modelos de tecnologia no País. A Aptel, a Abradee e outros representantes do setor pretendem apresentar um projeto para a Aneel dentro dos próximos meses.

“As tecnologias já estão aí para ficar porque estão disponíveis e são comercializadas. O grande desafio é definir o modelo – esse é um projeto de médio prazo”, disse Jatobá ao exemplificar com o projeto da TV digital, que demorou 10 anos para ser implementado.

Integração das soluções

O responsável mundial de Smart Metering da Siemens, Samuel Staehle, que falou sobre os conceitos de Smart Grid durante o Fórum Abineetec, em junho, destacou que é preciso que as empresas entendam que as tecnologias de redes inteligentes são estratégicas. “Os processos que estão emergindo requerem integração”, disse.

Staehle disse que para esta integração serão necessários sistemas de comunicação, novas interfaces e redefinição dos processos.

No Brasil, Staehle destacou, em entrevista à Revista GTD, que sistemas de automação de subestações, religadores e os sistemas supervisórios SCADA são algumas das tecnologias que estão sendo desenvolvidas e aplicadas, dentro da linha das Smart Grids. Segundo Staehle, a Siemens introduzirá outras tecnologias de Smart Grid no Brasil, “à medida em que os mercados forem se desenvolvendo”.

O diretor de Network Managing Systems da Areva, Ricardo Hering, também acredita que é necessário integrar as soluções já aplicadas, como medidores inteligentes, call center, georreferenciamento etc. Atualmente, a empresa trabalha com um sistema de gestão de rede de distribuição – o Distribuition Management System. No entanto, o sistema ainda não é utilizado por nenhuma concessionária na América Latina, de acordo com Hering.

Segundo ele, a empresa está tentando trazer esse tipo de sistema de integração para o País. “A nível técnico, todos estão bastante convergidos, a dificuldade é demonstrar a viabilidade econômica”, explica ao adicionar que a redução das perdas técnicas impulsionará as aplicações. Nos Estados Unidos, onde a solução é usada, a redução das perdas técnicas foi de 1,5% a 2%.

Hering acredita que os sistemas SCADA aplicados no Brasil, atualmente, ainda são muito básicos. Ele explica que o sistema, apesar de supervisionar diversas atividades, ainda precisa de um módulo adicional, que permita integrar os medidores e todas as tecnologias já disponíveis de forma inteligente.

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Smart Grid inicia revolução no setor elétrico

Smart Grid inicia revolução no setor elétrico
Rede inteligente significa alterar um modelo de negócio com um século de vida e dar mais poder ao consumidor, segundo agentes

Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Em Foco
06/07/2009

Smart Grid Conceito

Investimento em rede inteligente significa alterar um modelo de negócio com um século de vida e dar mais poder ao consumidor. Novas fontes de energia, preocupações com as emissões de carbono e com a tarifa estão levando o setor elétrico mundial a procurar soluções práticas, que atendam todas as necessidades dos consumidores e produtores de energia deste século XXI. A resposta parece ser o Smart Grid, ou rede inteligente, que vem mobilizando os agentes ao redor do mundo. Aqui, no Brasil, o conceito começou a ganhar destaque no ano passado e, em 2009, se tornou um dos tópicos mais comentados no segmento.

A implantação do Smart Grid significa uma mudança profunda no modelo de negócios do setor elétrico, o que significa um desafio monumental para um segmento que pouco mudou em um século. Das idéias mais avançadas até aos primeiros passos, a rede inteligente precisa de muito investimento em tecnologia da informação. Uma parte mais visível é a troca dos medidores analógicos por aparelhos eletrônicos.

Segundo Cyro Boccuzzi, presidente da empresa de consultoria ECOee, o investimento tem girado em torno de US$ 250 a US$ 450 por cliente na Europa e nos Estados Unidos, onde a adoção do Smart Grid se dá de forma mais acelerada. No Brasil, o especialista acredita que os investimentos ficarão em US$ 150 por cliente.

“Essa tecnologia começa a se viabilizar”, analisa Boccuzzi para a Agência CanalEnergia. O valor de investimento para o Brasil também é respaldado por John O’Farrell, vice-presidente da Silver Spring Networks, uma das empresas líderes de soluções Smart Grid nos EUA. “Um milhão de medidores vai requerer um investimento de US$ 100-150 milhões”, calcula o executivo, salientando que, caso a empresa trabalhe, com produtos locais, os custos serão menores.

O mercado brasileiro é visto com grande potencial pelos investidores estrangeiros. Outra americana de olho no país é a IBM. De acordo com Elton Tiepolo, executivo da área de Utilities da IBM Brasil, o país precisa convergir para uma única solução para deslanchar os investimentos. “Mais do que discutir sobre tecnologia, precisamos saber o que o país quer, como e quando. É uma discussão da sociedade”, disse.

Tiepolo acredita que o país possa “tropicalizar” as soluções externas, mas isso dependerá do rumo da conversa. O governo federal tem sido tímido nessa discussão, mas, por outro lado, a Agência Nacional de Energia Elétrica promoveu audiência pública sobre as mudanças na área de medição do consumo. Isso vai afetar diretamente a implantação do Smart Grid em território nacional.

“Não se pode perder a oportunidade de desenvolver a indústria brasileira”, disse Tiepolo. O executivo realizou no final de junho um workshop fechado, com especialistas brasileiros e estrangeiros, para discutir os rumos do Smart Grid. “Chegou o momento de discutir de forma estruturada para termos um discurso único”, frisou. Para ele, a descoberta do modelo brasileiro poderá levar a sensibilização das autoridades sobre a importância da discussão.

Outro entusiasta da rede inteligente no Brasil, Boccuzzi, também acredita que um movimento na legislação será necessário para o sucesso da solução. “A regulação tem que avançar”, ressaltou o executivo. A rede inteligente permite aos consumidores controlarem mais de perto seu consumo e as distribuidoras, os seus ativos.

“A rede inteligente transforma nosso sistema elétrico em uma rede moderna que dá a possibilidade das concessionárias de energia e dos consumidores revolucionarem o modo como criam e consomem energia”, sintetiza O’Farrell, da Silver Spring. De acordo com Boccuzzi, as distribuidoras poderão fornecer planos de tarifa, como as empresas de telefonia, para os consumidores baseados no perfil de consumo. Além disso, as empresas poderão controlar o consumo dos equipamentos dos clientes.

“Nos próximos anos, mesmo equipamentos domésticos, como refrigeradores e condicionadores de ar, terão endereços de IP [Protocolo de Internet] e poderão ser monitorados e controlados pela Smart Grid“, prevê O’Farrell. O executivo disse que estudos mostram que a implantação de soluções integradas de Smart Grid podem economizar de 10% a 15% no consumo.

Tiepolo, da IBM, lembra que a ponta distribuidor-consumidor é apenas uma parte da rede inteligente, que também integra geradores e transmissores. “No exterior, o Smart Grid começou como uma forma de melhor despachar a geração de energia, principalmente, das novas fontes”, lembrou. Boccuzzi, da ECOee, disse que a nova rede permitirá melhor aproveitamento da geração distribuída.

“[O Smart Grid] Muda a forma de expansão do sistema. Por isso, EUA e Europa, mais dependentes de fontes fósseis, estão apressados. Eles têm urgência em reduzir as emissões de gases”, contou o especialista. Tiepolo completa afirmando que a geração de energia será menor, mas eficiente. Mas ele lembra que o setor de geração no Brasil tem discutido pouco o sistema.

Contudo, para o executivo da IBM, a discussão é importante porque permite a integração mais rápida das fontes complementares. Os desafios para a implantação do Smart Grid são muitos e o Brasil, apesar de partir atrás dos países mais desenvolvidos, é visto como um dos líderes na América Latina, por isso, o interesse de gigantes como IBM e Silver Spring e a mobilização dos agentes, principalmente, de distribuição. “O Smart Grid vai significar trazer o ‘Itouch’ para o setor elétrico, que está no gramofone”, comparou Boccuzzi.

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Smart Grid o que é isso? O que são Redes Inteligentes?

Smart Grid: Redes Inteilgentes de Distribuição do Futuro.

Smart Grid: Redes Inteligentes de Distribuição de Energia Elétrica.

Bem-vindo ao blog Smart Grid. Esse é o primeiro post e tenho o prazer em anunciar que trataremos aqui desse tema tão em voga hoje e que trás ainda muitas dúvidas, tanto para empresas de telecomunicações, do setor elétrico e de automação, bem como para a Academia.

Smart Grid em tradução livre do inglês significa Redes Inteligentes. Redes Inteligentes no sentido de tornar a infra-estrutura de energia elétrica em uma rede do futuro, em uma rede segura, digitalizada, rápida em resposta a colapsos do Sistema Elétrico e que irá permitir o atendimento à crescente demanda de energia elétrica da população.

A Rede Inteligente automaticamente irá se auto-organizar para atender a repentinos crescimentos da demanda, bem como curto-circuitos e blecautes na rede elétrica. E o mais importante, ela irá tratar de forma inteligente as fontes de energia, permitindo que os consumidores tenham em sua planta geração renovável como eólica e solar, ou até mesmo carros elétricos que ajudarão no controle da eficiência energética da rede.

É realmente um deslumbre o que o futuro trás para as antigas e convencionais redes elétricas de distribuição tão antigas quanto Thomas Alva Edison. Em termos gerais pode-se dizer que uma tal Rede Inteligente terá as seguintes 7 principais características:

  1. Auto-recuperação: Uma rede auto-recuperável moderna detecta e responde aos problemas rotineiros e rapidamente se recupera se eles ocorrerem, minimizando paradas e perdas financeiras.
  2. Inclui e motiva o consumidor: Com uma rede moderna, consumidores de energia residenciais, comerciais e industriais ficarão de olho nos preços e na habilidade de escolher um programa e um preço que melhor se adequam às suas necessidades.
  3. Resistente a ataques: Sendo redes inteligentes uma rede de telecomunicações, segurança da rede é um fator importante e essas modernas redes são construídas baseadas na segurança.
  4. Fornece qualidade de energia para as necessidades do século XXI: Uma rede moderna fornece eletricidade livre de sags (distorções), spikes (sintilações), distúrbios e interrupções. Isso é o apropriado para data centers, computadores, eletrônicos e robôs de fábricas que fortalecerão nossa futura economia.
  5. Acomoda todas as opções de geração e armazenamento: Uma rede moderna permite interconexão plug-and-play (plugue-e-use) para praticamente qualquer fonte de energia, incluindo fontes renováveis de energia e de armazenamento.
  6. Permite mercados: Uma rede moderna suporta operação consistente de um lado a outro permitindo inovação local e regional em termos de mercado.
  7. Otimiza ativos e opera eficientemente: Uma rede moderna permite-nos colocar mais energia nos sistemas já existentes, construindo assim menos infra-estrutura e gastando menos para operar e manter a rede.

Estaremos assim acompanhando diariamente através do blog Smart Grid o que está sendo feito no Mundo e no Brasil sobre esse tema. Aguardem e fiquem conectados nas Redes Inteligentes.

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