Reunião importante sobre energia limpa, passa quase desapercebida

Fonte: O Globo – 03.08.2010 – Por Eloy Fernández

Uma importante reunião, sob o ponto de vista da energia limpa, aconteceu em Washington na semana passada e passou quase que desapercebida pelos nossos meios de comunicação.

Altos funcionários mundiais participaram da reunião, para alocar recursos e estabelecer metas para a energia limpa.

Ministros e executivos de mais de 20 países reuniram-se com a finalidade de acelerar a implantação de tecnologias de energia limpa, ao mesmo tempo mitigando as mudanças climáticas decorrentes da utilização atual das energias fósseis.

Uma das grandes questões em debate era se as chamadas “grandes potências“ da energia limpa, ou seja, os Estados Unidos, a Alemanha e a China, que já investiram mais de US$ 200 bilhões desde 2008 em projetos para esta finalidade, estavam dispostos a continuar a fazê-lo, face à recessão econômica mundial que o mundo vem atravessando.

Além dos ministros presentes, grandes industrias fizeram-se representar pelos seus executivos, como a Wal-Mart, a General Electric, a DuPont, entre outras.

Na reunião anterior, que aconteceu no verão passado do hemisfério norte, na Itália, tinham ficado pendentes propostas de duplicação dos investimentos em tecnologias limpas até o ano de 2015.

Neste fórum de Washington, presentes representantes de mais de 80% do PIB mundial (e dos responsáveis por mais de 70% das emissões dos gases de estufa), a premissa foi de que os governos conseguiriam realizar muito mais em conjunto, do que se o tentassem em separado.

“Os governos vão avançar com propostas e ver se os outros governos querem participar “, disse o secretário assistente do DOE (Ministério da Energia) americano, David Sandalow” Que declarou que não poderia afirmar se os ministros iriam se comprometer a um financiamento adicional para a energia limpa, mas disse que iriam focalizar sobre as formas para alavancar investimentos privados em bio-combustíveis, energia fotovoltaica, carvão de baixa emissão, turbinas marinhas e outras tecnologias.

Em um relatório preparado para o fórum no ano passado, a Agência Internacional de Energia estimou que o total anual de investigação, desenvolvimento e necessidade de financiamento para implantação de tecnologias limpas, variasse de US$ 37 bilhões até US $ 74 bilhões. Os gastos públicos para P & D – que devem constituir cerca de metade do financiamento total – necessitariam de aumentar de três a seis vezes, a partir do nível atual de financiamento de US $ 5 bilhões, estima a IEA .

Cumulativamente, o mundo deve investir 46 trilhões de dólares em tecnologia limpa até 2050, para reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa para 14 gigatoneladas – um nível aprovado pelos países do Grupo dos Oito (G8) , segundo disse aos ministros hoje o diretor executivo da AIE , Nobuo Tanaka. O custo da inação, ou seja de nada se fazer, vai até US$ 500 bilhões anuais.

As políticas públicas, que poderiam ajudar a impulsionar o investimento privado em energia limpa, incluem estabelecer um preço para as emissões de dióxido de carbono, criar regras claras para a ligação de energia renovável à rede elétrica convencional, fornecer etiquetas de eficiência para eletrodomésticos e a criação de incentivos para a produção baseada em novas tecnologias de energia limpa, observou um relatório produzido após o fórum na Itália do verão passado.

“O objetivo aqui não é discutir o que se pode concordar “, ressaltou o Secretário (Ministro) americano de energia Chu. “Nosso objetivo é decidir por ações concretas “.

Os executivos corporativos vão pedir por uma série de incentivos públicos, incluindo os créditos fiscais e as tarifas de alimentação (na rede) para os fabricantes e consumidores de tecnologias de energias renováveis, explicou Tom Connelly, diretor chefe de inovação da DuPont.

Aparentemente, participam desta semana ministerial delegações da Austrália, Bélgica, Brasil(?), Canadá, China , Dinamarca, Comissão Européia , Finlândia, França , Alemanha, Índia , Itália, Japão , México, Noruega, Rússia, África do Sul, Coréia do Sul , Espanha, Suécia , Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e dos Estados Unidos .

O evento terminou com o anúncio que estes programas devem evitar a necessidade da construção de mais de 500 usinas de geração de eletricidade, usando combustíveis fósseis, em todo o mundo, nos próximos 20 anos. As iniciativas vão cortar o desperdício de energia, ajudar a instalar redes inteligentes de energia elétrica, veículos elétricos, tecnologias de captura de carbono, financiar mercados de energias renováveis e expandir o acesso a recursos de energia limpa.

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GT estudará implantação de Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente

Fonte: MME – 15.04.2010

O Ministério de Minas e Energia (MME) criou por meio da portaria 440 um Grupo de Trabalho (GT) para analisar e identificar ações necessárias para subsidiar o estabelecimento de políticas públicas para a implantação de um Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente, o chamado “Smart Grid”. Segue a Portaria:

PORTARIA No 440, DE 15 DE ABRIL DE 2010

O MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso IV, da Constituição, resolve:

Art. 1º Criar Grupo de Trabalho com o objetivo de analisar e identificar ações necessárias para subsidiar o estabelecimento de políticas públicas para a implantação de um Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente – “Smart Grid”, abordando, principalmente, os seguintes aspectos:

I – o estado da arte de programas do tipo “Smart Grid”, no Brasil e em outros países;

II – proposta de adequação das regulamentações e das normas gerais dos serviços públicos de distribuição de energia elétrica;

III – identificação de fontes de recursos para financiamento e incentivos à produção de equipamentos no País; e

IV – regulamentação de novas possibilidades de atuação de acessantes no mercado, o que inclui a possibilidade de usuários operarem tanto como geradores de energia (geração distribuída) quanto consumidores.

Art. 2º O Grupo de Trabalho será composto por representantes do Ministério de Minas e Energia – MME, da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica – CEPEL, da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS.

§ 1º O MME será representado por servidores da Secretaria de Energia Elétrica, da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético e da Assessoria Econômica.

§ 2º Os membros do Grupo de Trabalho serão indicados pelos Titulares dos Órgãos e Entidades participantes, cabendo à coordenação do referido Grupo ao representante da Secretaria de Energia Elétrica.

Art. 3º Na condução das suas atividades, o Grupo de Trabalho poderá convidar representantes de outros Órgãos e Entidades que, por terem atuação em áreas afins, possam oferecer contribuições às questões inerentes às atividades a serem desenvolvidas.

Parágrafo único. Eventuais despesas com diárias e passagens dos membros efetivos do Grupo de Trabalho correrão à conta dos Órgãos e Entidades que representam.

Art. 4º O Grupo de Trabalho terá o prazo de até cento e oitenta dias, a contar da publicação desta Portaria, para a conclusão das suas atividades e de até mais trinta dias para apresentação de relatório técnico contemplando os estudos, as análises e as propostas de medidas a serem adotadas.

Parágrafo único. O apoio administrativo necessário ao Grupo de Trabalho será de responsabilidade da Secretaria de Energia Elétrica.

Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data da sua publicação.

MÁRCIO PEREIRA ZIMMERMANN

O programa abordará, principalmente, o estado da arte de programas do tipo “Smart Grid”, no Brasil e em outros países; a proposta de adequação das regulamentações e das normas gerais dos serviços públicos de distribuição de energia elétrica; a identificação de fontes de recursos para financiamento e incentivos à produção de equipamentos no País; e a regulamentação de novas possibilidades de atuação de acessantes no mercado, o que inclui a possibilidade de usuários operarem tanto como geradores de energia (geração distribuída) quanto consumidores.

O GT será composto por representantes do MME, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (CEPEL), da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e do Operador Nacional do Sistema (ONS). Órgãos e entidades do setor que possam oferecer contribuições poderão ser convidados para participar eventualmente.

O prazo para a conclusão das atividades do GT é de 180 dias, a contar da publicação da portaria. O relatório técnico contemplando os estudos, as análises e as propostas de medidas a serem adotadas deve ser entregue 30 dias após o final deste prazo.

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IBM anuncia POWER7 para gerenciar o crescente volume de transações das empresas

Fonte: IBM – 08.02.2010

A IBM anuncia novos sistemas POWER7™ desenvolvidos para gerenciar uma alta variedade de aplicativos, desde redes elétricas inteligentes até ferramentas de análise de dados em tempo real. As novas tecnologias são indicadas para empresas que trabalham com um elevado volume de transações simultâneas, como prestadores de serviços de utilidade pública, seguradoras ou cadeias de suprimento, e que necessitam de análises e gerenciamento precisos de suas informações.

O Brasil será um dos países a fabricar o Power 7, o que demonstra o comprometimento e investimento da IBM em mercados emergentes. A produção acontecerá nas instalações da Flextronics, parceira internacional da IBM para manufatura de equipamentos. As máquinas fabricadas localmente serão destinadas ao mercado nacional, mas eventualmente poderão ser exportadas para outros países da América Latina.

“Ao trazer para o Brasil a manufatura do Power 7 pretendemos otimizar o custo do produto final e o tempo de importação destes equipamentos, tornando-os mais acessíveis ao mercado, além de reforçar nosso compromisso com o mercado brasileiro”, afirma Maurício Conceição, Executivo de Power Systems da IBM Brasil. A produção terá início com as famílias de produtos High-End e Midrange a partir do segundo trimestre de 2010.

Os novos sistemas POWER7 são capazes de gerenciar milhões de transações simultâneas em tempo real, tecnologia necessária, por exemplo, à implementação de redes elétricas inteligentes que necessitam de dados atualizados a cada minuto. Uma empresa de energia que apresenta dados de medição de consumo para seus clientes na Web pode integrar um conjunto de sistema de servidores POWER7 aos seus medidores conectados à internet, monitorando o uso de energia de milhões de lares por minuto em uma rede inteligente.

A IBM anuncia quatro novos sistemas POWER7 com inovações tecnológicas que proporcionam redução no consumo de energia das máquinas e aumento no poder de processamento. Em relação ao seu antecessor, o Power 6, os novos sistemas podem oferecer um desempenho até quatro vezes maior e capacidade de virtualização expandida – suporta 1.000 servidores virtuais ou “partições” em um único sistema. Na prática, isso permite que um único servidor de maior porte faça o trabalho de até mil servidores menores com equilíbrio de carga entre eles, aumentando o desempenho e utilização dos servidores virtualizados. Os novos sistemas Power 7 incluem os servidores IBM Power® 780, Power 770, Power 755 e Power 750 Express. São tecnologias de servidores de ponta e sistemas de médio porte de 64 núcleos (Power 780 e Power 770) e 32 núcleos (Power 755) capazes de otimizar as cargas de trabalho. O Power 770, por exemplo, utiliza até 70% menos energia que seu antecessor, o IBM Power 570. As ofertas também incluem o novo software de gerenciamento IBM Systems Director Express (edições standard e enterprise) que oferece capacidades avançadas para gestão de virtualização do VMControl – tecnologia que permite que um conjunto de servidores Power sejam gerenciados em um único sistema, proporcionando redução da complexidade e custos com gerenciamento.

Sobre os sistemas IBM Power

O processador Power é a plataforma líder em eficiência para virtualização e consolidação de servidores do mercado – ferramentas inteligentes que reduzem espaço físico e os custos de energia do data Center. O movimento do mercado comprova a liderança da plataforma Power no segmento de servidores Unix – inúmeros clientes em todo o mundo têm migrado suas aplicações Unix para a plataforma Power. Na última década, cerca de 10% do total investido em servidores passou das mãos da SUN e HP para a tecnologia IBM Power Systems. Nos últimos três anos, mais de 1750 empresas em todo o mundo utilizaram o serviço do Migration Factory para migrarem suas tecnologias para plataforma Power.

Os sistemas IBM Power rodam em sistemas operacionais AIX, Linux e IBM i. Para mais informações, visite: http://www.ibm.com/systems/power/

Sobre a IBM

Para mais informações sobre a IBM, visite http://www.ibm.com/br

IBM no Twitter: http://twitter.com/ibmbrasil

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Redes elétricas inteligentes e a racionalização do uso de energia. Entrevista especial com Ricardo Baitelo

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – 05.03.2010

Uma rede de transmissão de energia que utiliza um sistema de monitoramento do fluxo a partir de tecnologia digital. Esta é a proposta das redes elétricas inteligentes, assunto da entrevista, realizada por e-mail, com Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace. Explicando o conceito desta prática de transmissão, Baitelo afirma que as redes inteligentes possibilitam a integração de fontes energéticas descentralizadas, além do controle do consumo de aparelhos e eletrodomésticos em residências e edifícios. A partir da proposta de uma ferramenta virtual capaz de medir o consumo residencial e disponibilizar a informação aos consumidores em tempo quase real, a forma de interação entre consumidor e concessionária deve aumentar. “O acesso à informação de consumo de energia repercute na utilização mais racional de energia e no melhor planejamento da expansão de redes”, garante.

A entrevista foi concedida por telefone à IHU On-Line.

Sobre as fontes de energia renovável no Brasil e também sobre as questões climáticas, Baitelo destaca. “No Brasil, o alto potencial de renováveis (solar, eólica e biomassa) certamente garantiria uma oferta confiável de energia, complementada com o que já existe de geração hidrelétrica, sem a necessidade de se construir novas usinas em locais extremamente delicados do ponto de vista ambiental e social”.

Ricardo Baitelo é formado em engenharia elétrica pela Escola Politécnica da USP. Na mesma universidade, concluiu o mestrado na área de eficiência energética. Atualmente, é coordenador da campanha de energia do Greenpeace Brasil.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que podemos entender por redes elétricas inteligentes?

Ricardo Baitelo – Redes inteligentes enviam a eletricidade dos pontos de geração até os consumidores, utilizando um sistema de monitoramento completo do fluxo de energia, a partir de tecnologia digital, que permite o rastreamento tanto da energia que entra no sistema, gerada em diferentes pontos, quanto da energia consumida por residências, edifícios e indústrias.

IHU On-Line – Como a energia renovável é utilizada nessas redes elétricas inteligentes?

Ricardo Baitelo – As redes possibilitam a integração de fontes energéticas descentralizadas, como solar e eólica, assimilando sua entrada no sistema quando esta geração ocorre, nos períodos de maior vento e sol. Esta integração faz com que a geração distribuída contribua, não apenas para o atendimento de demandas individualizadas, mas também com uma oferta estável de energia para todo o país.

IHU On-Line – Qual a relação entre redes elétricas inteligentes e Internet?

Ricardo Baitelo – As redes inteligentes permitirão o controle não apenas da geração descentralizada, realizada em milhares de pontos, como também o controle do consumo de aparelhos e eletrodomésticos em residências e edifícios. A proposta de pulverizar o sistema elétrico em uma rede de microgeradores e a revolução provocada por isto guardam semelhanças com a grande pulverização de informação provocada pela Internet.

Adicionalmente a isto, já estão sendo propostas ferramentas via Internet capazes de medir o consumo residencial e disponibilizar a informação aos consumidores em tempo quase real.

IHU On-Line – Quais os principais caminhos para garantir o fornecimento de energia no futuro de forma amigável com o clima do planeta e com a velocidade do consumo de energia?

Ricardo Baitelo – Intensificar investimentos em eficiência energética é a forma mais barata e efetiva de reduzir a demanda energética do planeta. Estas medidas se estenderiam desde a cadeia de transmissão e distribuição de energia até a revisão de hábitos dos consumidores finais.

Em seguida, o atendimento e a demanda restante seriam feitos com tecnologias renováveis, cuja geração intermitente seria solucionada pela complementaridade entre as mesmas e pelo auxílio das redes inteligentes no gerenciamento de cada tipo de energia na hora em que ela seria produzida.

IHU On-Line – Em que sentido a transformação energética proposta pelo novo estudo do Greenpeace pode se tornar uma oportunidade de negócio para empresas de tecnologia e permitir cortes nas emissões de gases do efeito estufa?

Ricardo Baitelo – O reforço de redes e o estabelecimento de redes inteligentes devem aumentar a interação entre consumidores e concessionárias, além do acesso à informação de consumo de energia, repercutindo na utilização mais racional de energia e no melhor planejamento da expansão de redes.

As empresas de tecnologia poderão fazer um trabalho integrado nesta cadeia, junto às concessionárias e aos consumidores, na provisão de medidores inteligentes e na transmissão de dados de geração e consumo para ambas as partes.

IHU On-Line – Qual o papel do Brasil nessa transformação energética, considerando o potencial de fontes renováveis de energia do país?

Ricardo Baitelo – O estudo do Greenpeace explica como redes elétricas inteligentes, locais e regionais poderiam ser conectadas de forma eficiente com uma super-rede de alta voltagem, para garantir um fornecimento ininterrupto e confiável de eletricidade, sem ativar usinas térmicas a carvão ou nucleares. Embora tenha sido feito para o cenário Europeu, no Brasil, o alto potencial de renováveis (solar, eólica e biomassa) certamente garantiria uma oferta confiável de energia, complementada com o que já existe de geração hidrelétrica, sem a necessidade de se construir novas usinas em locais extremamente delicados do ponto de vista ambiental e social.

IHU On-Line – Que políticas públicas deveriam ser pensadas para que essa transformação seja efetivada mais rapidamente?

Ricardo Baitelo – Devem ser aprovadas as regras para a mudanças das redes de energia a fim de implementar os smart grids (rede inteligente, em inglês). Este cronograma já foi feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Adicionalmente, deve ser deixada clara uma legislação para garantir a transição dos relógios de medição de eletricidade para a medição eletrônica em todas as residências. Esta medição poderia originar uma mudança na tarifação, taxando de forma diferente o uso de eletricidade de acordo com a hora do dia, mecanismo aplicado apenas a grandes consumidores no país.

A Aneel já tem um cronograma para implementar mudanças na rede de energia para transformá-la no que se convencionou chamar de smart grid. O primeiro passo foi a aprovação, em agosto, das regras do PLC (comunicação pela rede de energia). O próximo já está em análise pelo Conselho Diretor da agência: a adoção da medição eletrônica.

IHU On-Line – Qual a previsão de implantação das redes elétricas inteligentes no Brasil e no mundo?

Ricardo Baitelo – No Brasil, a medição eletrônica vem sendo implementada, como, por exemplo, no Rio, com a previsão da instalação de 120 mil medidores inteligentes em 2010, no Pará (72 mil medidores) e no Distrito Federal, onde 1800 grandes consumidores já foram automatizados. Pretende-se substituir 63 milhões de medidores atuais por medidores inteligentes em um prazo de dez anos.

No mundo, o processo já está mais avançado. Até 2012, 70% da rede americana já deverá ter medição inteligente e, na Europa, quase todos os países já possuem aplicações de redes inteligentes.

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Teradata se une com Itron para atender utilities

Fonte: Compter World – 01.03.2010

Atenta às novas oportunidades que serão geradas no mercado com projetos de smart grid, ou redes inteligentes, que serão implantados pelas companhias de utilities, a Teradata acaba de fechar uma parceria com a Itron, norte-americana especializada na coleta e gestão de dados de medição de consumo.

O acordo é global e se estende também para o Brasil e leva em conta a crescente necessidade das concessionárias por informações analíticas referentes ao consumo de energia por seus clientes.

Segundo a country manager da Teradata no Brasil, Katia Vaskys, o acordo faz parte dos planos da Teradata para 2010 para reforçar presença em três setores que vão demandar soluções para data warehouse, que são: utilities, bancos, e telecomunicações. Ela comenta que esses três segmentos estão sendo muito pressionados pelos órgãos reguladores a construírem e integrarem bases de dados inteligentes para se tornarem mais eficientes e atender melhor seus clientes.

A união com a Itron tem o objetivo de entregar às concessionárias soluções integradas para que adquiram mais conhecimentos sobre o consumo dos clientes e aprimorem os planos e serviços. A proposta das duas empresas é munir essas corporações para que automatizem processos, contribuindo para o uso mais racional de energia.

O gerente de marketing e desenvolvimento de negócios para América Latina da Itron Brasil, Mariano Michael Bergman, observa que o volume de dados das concessionárias é cada vez mais elevado. São informações sobre o consumo diário, tensão e corrente, perfil de carga do cliente, etc. Ele destaca que para se manterem competitivas, essas empresas precisarão extrair mais conhecimento dos dados para acelerar a tomada de decisões e ter planos mais adequados ao perfil de cada consumidor.

Solução

O resultado da parceria é a criação do Active SmartGrid Analytics, plataforma analítica de software formada a partir do data warehouse e do modelo de dados da Teradata com o Itron Enterprise Edition Meter Data Management.

A solução vai permitir que empresas do setor acessem informações financeiras, operacionais e sobre os clientes, obtendo análises avançadas para a tomada de decisão, sem impactar as atividades do dia-a-dia das operações.

Todas as informações podem ser integradas e correlacionadas, permitindo avaliações sobre quaisquer cenários, considerando tanto dados históricos quanto de tempo real.

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Energia inteligente

Fonte: ISTOÉ Dinheiro Ed. 635 – Rodrigo Caetano – 04/12/2009

Já existe uma tecnologia que pode amenizar os apagões. Essa é a boa notícia. A má: ela ainda custa muito caro

Rede de Distribuição

O brasileiro voltou a conviver com apagões desde o início de novembro quando 18 Estados brasileiros ficaram às escuras. No Rio de Janeiro, os habitantes da cidade ainda enfrentavam miniapagões diários na semana passada. De 2009 até 2013, 62% do crescimento da capacidade energética no Brasil virá de usinas térmicas, consideradas uma fonte mais cara e ambientalmente incorreta. Mas há uma forma mais simples para ajudar a resolver os problemas de distribuição do País. É a tecnologia chamada de redes inteligentes de energia (smart grid, do termo em inglês). A tecnologia é o principal pilar do plano de renovação do setor elétrico que está sendo conduzido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

As redes inteligentes prometem um sistema elétrico mais eficiente e confiável. Elas são capazes de redirecionar distribuição de energia.

Este é o caso da Ampla, empresa pertencente ao grupo espanhol Endesa, responsável pelo abastecimento de 73% do Estado do Rio de Janeiro. A companhia investiu R$ 300 milhões para instalar medidores eletrônicos de consumo em áreas com alto índice de fraudes. “Começamos o projeto em 2005 para inibir o roubo de energia”, afirma o diretor de relações institucionais da empresa, André Moragas. Dos 2,5 milhões de clientes da companhia, 300 mil contam com os novos equipamentos. O índice de ligações clandestinas caiu de 26%, em 2003, para 20%, após o início do projeto. De acordo com Moragas, cada ponto percentual reduzido significa uma recuperação financeira de R$ 40 milhões.

O grupo Rede Energia, que atua em sete Estados brasileiros, também investe em medidores eletrônicos em algumas localidades. Segundo o vicepresidente de operações da companhia, Sidney Simonaggio, estão sendo trocados a energia em momentos de escassez. Uma casa ou região com baixo consumo pode, em um determinado horário, ter a energia desviada, por exemplo, para um hospital que necessite com urgência da eletricidade. O consumidor pode também armazenar a sua própria energia, evitando os apagões em momento de desabastecimento. Hoje, o sistema brasileiro não tem desligamento seletivo e foi justamente este fator que provocou o blecaute em cadeia em 18 Estados brasileiros. O primeiro passo para criar redes inteligentes é trocar os medidores. Cada casa precisa ter um e eles passam a se comunicar com outros medidores de uma rede. Juntos, definem as prioridades de os equipamentos nos Estados de Mato Grosso e do Pará, que passarão a contar com um sistema de medição centralizada, no qual é possível, inclusive, desligar remotamente a transmissão de energia. Simonaggio calcula em R$ 700 por cliente o custo para implantar uma rede inteligente no Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atualmente são 63 milhões de unidades consumidoras de energia no País, o que resultaria em um custo total de mais de R$ 44 bilhões.

A estrutura tarifária também precisa mudar. Hoje, o sistema não permite cobranças diferenciadas conforme o horário de consumo, o que poderia ser feito com as redes inteligentes. Segundo a Aneel, até o final do primeiro semestre de 2010 será realizada uma audiência pública para definir as propostas de alteração da estrutura tarifária. A pressa se justifica: segundo especialistas, a transição para o novo modelo leva entre cinco e sete anos.

As Vantagens das Redes Inteligentes

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Padrão para tecnologia de comando e controle da smart grid no Brasil permanece indefinido

Fonte: O Globo – 16/11/2009 – Carlos Alberto Teixeira
RIO – Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), não existe ainda um padrão para tecnologia de comando e controle em redes elétricas inteligentes. Na verdade, cada distribuidora provavelmente usará um “mix” de tecnologias, de modo a não guardar todos os ovos no mesmo cesto. A Agência até agora regulamentou apenas a tecnologia PLC (Power Line Communication), que usa os fios elétricos para trafegar dados. Mas a agência não exige que somente ela seja usada.
No caso do PLC, a Aneel reconhece que é uma tecnologia que funciona muito bem em espaços fechados, o que não significa que não funcione em outros ambientes. Mas existem vários problemas, especialmente de custo. Para que a rede seja um ambiente limpo (leia-se, sem ruído) para tráfego de dados, é necessário instalar muitos equipamentos, o que onera excessivamente o sistema.
A escolha da tecnologia a ser empregada em medidores inteligentes entrará em consulta pública em dezembro.
Uma das abordagens iniciais e mais urgentes para dar mais inteligência à rede é a implantação de uma tarifa horária, ou seja, tarifas de energia elétrica diferenciadas ao longo do dia para os consumidores residenciais, pois os clientes industriais já têm essa diferenciação de horários.
A ideia da tarifa horária é aliviar a carga sobre a rede das 18h às 21h, horário de pico. De acordo com a Aneel, em algumas cidades, o consumo elétrico simplesmente triplica nesse período. Para diminuir essa carga, as distribuidoras precisam investir muito, e apenas por causa de três horas no dia.
Todavia, com o incentivo econômico da tarifa horária, o próprio consumidor passará a inserir inteligência na rede. O que no futuro será controlado graças a chips instalados nos eletrodomésticos, em breve, aqui no Brasil, será controlado inicialmente pelo próprio consumidor usando sua inteligência financeira, ou seja, qual uso de energia elétrica doerá menos no seu bolso.
Segundo a Aneel, o próprio consumidor se beneficiará ao realocar seus horários de consumo, suavizando a carga na rede. Com esse refresco, a concessionária não precisará mais investir tanto para evitar apagões, o que refletirá sobre a própria tarifa, fechando o ciclo.
Indagada sobre a possibilidade de o próprio consumidor poder gerar energia elétrica (via coletor solar ou eólico, por exemplo) e vender excedente energético de volta para a distribuidora, a Aneel informou que ainda não divulgou essas modalidades de interação com o mercado, já que está aguardando a regulamentação. Só depois, então, apresentará essas novas formas de relacionamento entre as distribuidoras e seus clientes. A implantação dos medidores inteligentes será lenta. Afinal, são 63 milhões de consumidores no Brasil inteiro, o que significa um número igual de aparelhos. As distribuidoras já vêm incluindo uma parcela nas tarifas de energia referente ao custo desses medidores.
Quanto ao “gato”, o furto de energia, a Aneel estima que o prejuízo anual reconhecido é da ordem de R$ 7,5 milhões, fora os gatos não reconhecidos ou não identificados. Os medidores inteligentes virão em parte diminuir esse problema, pois conseguirão determinar com precisão maior que a atual a área exata onde está havendo o furto energético, incentivando as distribuidoras a coibirem tal prática.

Fonte: O Globo – 16/11/2009 – Carlos Alberto Teixeira

PLC?

RIO – Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), não existe ainda um padrão para tecnologia de comando e controle em redes elétricas inteligentes. Na verdade, cada distribuidora provavelmente usará um “mix” de tecnologias, de modo a não guardar todos os ovos no mesmo cesto. A Agência até agora regulamentou apenas a tecnologia PLC (Power Line Communication), que usa os fios elétricos para trafegar dados. Mas a agência não exige que somente ela seja usada.

No caso do PLC, a Aneel reconhece que é uma tecnologia que funciona muito bem em espaços fechados, o que não significa que não funcione em outros ambientes. Mas existem vários problemas, especialmente de custo. Para que a rede seja um ambiente limpo (leia-se, sem ruído) para tráfego de dados, é necessário instalar muitos equipamentos, o que onera excessivamente o sistema.

A escolha da tecnologia a ser empregada em medidores inteligentes entrará em consulta pública em dezembro.

Uma das abordagens iniciais e mais urgentes para dar mais inteligência à rede é a implantação de uma tarifa horária, ou seja, tarifas de energia elétrica diferenciadas ao longo do dia para os consumidores residenciais, pois os clientes industriais já têm essa diferenciação de horários.

A ideia da tarifa horária é aliviar a carga sobre a rede das 18h às 21h, horário de pico. De acordo com a Aneel, em algumas cidades, o consumo elétrico simplesmente triplica nesse período. Para diminuir essa carga, as distribuidoras precisam investir muito, e apenas por causa de três horas no dia.

Todavia, com o incentivo econômico da tarifa horária, o próprio consumidor passará a inserir inteligência na rede. O que no futuro será controlado graças a chips instalados nos eletrodomésticos, em breve, aqui no Brasil, será controlado inicialmente pelo próprio consumidor usando sua inteligência financeira, ou seja, qual uso de energia elétrica doerá menos no seu bolso.

Segundo a Aneel, o próprio consumidor se beneficiará ao realocar seus horários de consumo, suavizando a carga na rede. Com esse refresco, a concessionária não precisará mais investir tanto para evitar apagões, o que refletirá sobre a própria tarifa, fechando o ciclo.

Indagada sobre a possibilidade de o próprio consumidor poder gerar energia elétrica (via coletor solar ou eólico, por exemplo) e vender excedente energético de volta para a distribuidora, a Aneel informou que ainda não divulgou essas modalidades de interação com o mercado, já que está aguardando a regulamentação. Só depois, então, apresentará essas novas formas de relacionamento entre as distribuidoras e seus clientes. A implantação dos medidores inteligentes será lenta. Afinal, são 63 milhões de consumidores no Brasil inteiro, o que significa um número igual de aparelhos. As distribuidoras já vêm incluindo uma parcela nas tarifas de energia referente ao custo desses medidores.

Quanto ao “gato”, o furto de energia, a Aneel estima que o prejuízo anual reconhecido é da ordem de R$ 7,5 milhões, fora os gatos não reconhecidos ou não identificados. Os medidores inteligentes virão em parte diminuir esse problema, pois conseguirão determinar com precisão maior que a atual a área exata onde está havendo o furto energético, incentivando as distribuidoras a coibirem tal prática.

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