Inteligência artificial

Fonte: Istoé Dinheiro – 20.08.2010 Por Érico Polo

Alta tensão: atualmente, cerca de 50% da energia elétrica brasileira está sob a responsabillidade de sistemas e equipamentos da Siemens

Em um futuro não muito distante, qualquer pessoa poderá acessar o medidor de luz de sua casa, por meio da internet, e programar a melhor hora – quando o preço da energia estiver mais baixo, de preferência – para ligar a máquina de lavar roupas.

E essa é somente uma das facilidades possíveis com o medidor eletrônico que está sendo projetado pela Siemens, gigante alemã com receita global de E 76 bilhões. O desenvolvimento do equipamento é apenas uma pequena parte de um negócio muito mais amplo, e que está na mira da companhia desde 2000, conhecido pelo nome de smart grid.

Essa tecnologia permite que os consumidores se comuniquem com as distribuidoras de energia. Para as concessionárias, o equipamento pode representar um golpe mortal nos furtos de energia, os famosos gatos, que consomem perto de 5% do fornecimento de eletricidade.

Só a modernização das redes que ligam as distribuidoras às residências deve movimentar cerca de R$ 20 bilhões. Ainda não está definido, contudo, se é o consumidor ou a concessionária que vai arcar com esse custo. Mesmo assim, a Siemens já começou a se articular para conquistar uma fatia da bolada que o país tem de gastar com a modernização do seu sistema de energia elétrica.

Uma conta que, com o smart grid, pode alcançar R$ 100 bilhões, diz Cyro Boccuzzi, da consultoria ECOee.Para começar, no ano passado a Siemens ganhou um contrato, no valor de R$ 38 milhões, para desenvolver e instalar o novo sistema de gerenciamento utilizado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), entidade que coordena os serviços de geração e transmissão de energia.

“É um passo importante para a Siemens, que já tem presença significativa nesse setor. Hoje, equipamentos e softwares com a nossa marca são responsáveis por 50% da energia elétrica gerada no País”, diz Guilherme Mendonça, diretor de automação da Siemens do Brasil, à DINHEIRO.

Assim, caberá à companhia reforçar a inteligência da estrutura da ONS. A explicação para isso é que os equipamentos e softwares utilizados atualmente não suportam a entrada em operação das novas usinas (hidrelétricas, termelétricas e eólicas) previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Além dessa segurança estrutural, a Siemens espera, no futuro, vender a tecnologia associada ao smart grid como uma ferramenta de combate ao desperdício de energia nos 63 milhões de clientes residenciais das distribuidoras de eletricidade.

Com isso, eles poderão acompanhar seu nível de consumo, escolhendo a melhor hora para ligar equipamentos que gastam mais, como o chuveiro elétrico e a secadora de roupas. Ou seja, uma administração de tarifas, exatamente como se pode fazer na telefonia. “Os consumidores terão uma noção melhor do preço pago pela energia e, com isso, o País poderá evitar um desperdício da ordem de 15%”, avalia João Carlos Mello, presidente da consultoria Andrade & Canellas.

O smart grid se insere na linha dos produtos e serviços com viés de sustentabilidade, itens estratégicos para o futuro da Siemens. Em 2009, esse nicho rendeu E 23 bilhões, em nível global, à corporação alemã. Mesmo antes da regulamentação do funcionamento das redes inteligentes no Brasil, a subsidiária já começou a investir em pesquisa e infraestrutura.

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Redes complexas, soluções inusitadas

Fonte: Jornal da Unicamp – 16 a 22.08.2010 Por Luiz Sugimoto

Segue parte da entrevista que o Jornal da Unicamp fez com o pesquisador Adilson Motter, que vem acumulando prêmios nos EUA pelo desenvolvimento de métodos teóricos para corrigir falhas em redes complexas. Ele não faz apenas um raciocínio futurista. Aos 36 anos, o cientista acaba de receber o Prêmio Investigador para Pesquisa em Energia, que além de prestígio lhe trouxe um aporte de 100 mil dólares para uma pesquisa relacionada justamente com a criação da nova rede. “O prêmio reconhece o potencial de inovação de um trabalho científico e é portanto uma oportunidade para fazer algo revolucionário”. Graduado em física e com doutorado em matemática aplicada pela Unicamp, Motter é professor de física e astronomia do Weinberg College de Artes e Ciências da Universidade Northwestern, e de matemática aplicada na McCormick School de Engenharia e Ciência Aplicada. “Tenho o privilégio de ser o único professor com formação inteiramente brasileira a fazer parte do corpo docente de uma das mais importantes universidades norte-americanas”. Por coincidência, quando foi contatado para conceder a entrevista que segue, Adilson Motter estava viajando ao Brasil a fim de dar um colóquio sobre seu trabalho para alunos e docentes do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp.

Jornal da Unicamp – Os prêmios que o senhor vem recebendo refletem o reconhecimento ao seu trabalho pela comunidade científica. Pode falar sobre sua linha de pesquisa?

Adilson Motter – Entre minhas contribuições mais recentes destacaria o desenvolvimento de métodos teóricos para corrigir falhas em redes complexas. Esses métodos servem, em particular, para recuperar atividade biológica perdida devido a mutações genéticas e também para controlar a propagação de falhas em redes tecnológicas, como por exemplo, em redes de transmissão de energia elétrica. Essa pesquisa é transdisciplinar e faz parte de um programa mais amplo que tenho desenvolvido no meu grupo, com o objetivo final de entender o comportamento coletivo em sistemas que consistem de muitas partes interconectadas, como uma teia alimentar, uma célula, uma rede de energia ou mesmo a internet. Um aspecto fascinante dessa pesquisa é que mesmo sistemas que parecem completamente não relacionados podem dar origem a comportamentos equivalentes. Eu e meus colaboradores exploramos essa “universalidade” para explicar, por exemplo, porque tantos sistemas naturais, e também construídos pelo homem, tendem a exibir sincronização. Muitos dos princípios que explicam porque vaga-lumes conseguem piscar juntos, também explicam porque geradores numa rede de energia tendem a oscilar juntos, ou porque frequentemente neurônios disparam juntos. Mas o estudo desses fenômenos coletivos ainda se encontra na infância e muito, talvez quase tudo, está para ser descoberto.

JU – Seu último prêmio, em julho, foi por conta de um projeto para o desenvolvimento de redes de transmissão de energia inteligentes. O que são elas?

Adilson Motter – O conceito de redes inteligentes é superinteressante e muito importante também para o Brasil. Hoje, quando você compra energia elétrica, é da única fonte disponível na área – a CPFL em Campinas, a Light no Rio, a Copel no Paraná. Mas no futuro próximo será possível ter a opção de escolher de quem comprar, em tempo real, e com base no preço que as empresas estarão oferecendo também em tempo real. Pequenos computadores embutidos no aparelho de ar-condicionado ou na máquina de lavar permitirão programar seus horários de funcionamento. Poderemos carregar a bateria do carro elétrico durante a madrugada, quando a energia provavelmente será mais barata – além de econômico, é ecologicamente correto. O conceito envolve uma tecnologia de duas mãos, em que os consumidores também terão flexibilidade para escolher a fonte da qual a energia elétrica que compram é produzida, levando em conta, por exemplo, o impacto ambiental.

JU – E como serão utilizados os recursos financeiros trazidos pelo prêmio?

Adilson Motter – Meu grupo de pesquisa trabalha justamente para transformar esses conceitos inovadores em realidade. Trabalhamos no desenvolvimento de modelos matemáticos e computacionais tanto para o controle de doenças e de perturbações em ecossistemas, quanto na criação de uma rede inteligente de transmissão de energia. Nesse último caso, estamos focados no modelamento da rede elétrica dos Estados Unidos, mas as ideias são gerais e poderão ter um impacto positivo também em outros países. Redes elétricas inteligentes vão se tornar ainda mais importantes no futuro, com o maior uso de energias como a eólica e a solar, que são de fontes intermitentes – pode haver vento e sol num momento, mas horas depois, não mais. Todas essas flutuações serão controladas de forma computadorizada, em tempo real, permitindo balancear produção e consumo. O consumidor, obviamente, não vai ficar ligando e desligando o computador em função dos horários de maior disponibilidade e menor custo da energia elétrica mas será beneficiado pela variação de preço associado a essas flutuações, por exemplo, ao programar o horário de recarga do carro elétrico. A questão é que tanto o uso de fontes interminentes, como a possibilidade de escolha do fornecedor pelos consumidores, vão trazer, inevitavelmente, novas perturbações à rede elétrica – e o risco de falhas e apagões. Daí, o ponto central da pesquisa do meu grupo, que é desenvolver métodos para controlar e manter estável a rede como um todo, mesmo na presença de perturbações.

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Cinco bilhões de dispositivos ligados à Internet

Fonte: tek – 18.08.2010

Agosto será o mês em que o número de máquinas ligadas à Internet irá ultrapassar a marca dos cinco bilhões. As previsões são de uma consultora que calcula também que, se o ritmo de crescimento se mantiver nos próximos anos, haverá 22 bilhões de máquinas ligadas à grande rede em 2020.

O crescimento previsto pela IMS Research tem em conta o cada vez maior número de dispositivos móveis conectados, não tanto pelos computadores tradicionais, e nomeadamente por máquinas ligadas a outras máquinas por redes inteligentes, por exemplo, para fornecimento da energia elétrica.

Para a consultora o número de ligações à Internet teve duas ondas de crescimento. A primeira, relacionada com os computadores e com os notebooks, responde atualmente por um bilhão de ligações, mas já atingiu uma certa maturidade e apresenta taxas de crescimento estáveis.

A segunda onda de crescimento foi impulsionada pelos celulares e pelos novos dispositivos portáteis, onde se incluem tablets e leitores de ebooks, que mostram ritmos de crescimento muito mais elevados e serão os grandes responsáveis pela subida dos valores.

Televisores e carros serão outro exemplo da diversidade de dispositivos que contribuirão para que em 2020 existam mais de 22 bilhões de máquinas ligadas à grande rede.

O aumento do número de conexões leva a que o protocolo de Internet tenha que ser renovado periodicamente. Os dados mais recentes dão conta de que o espaço reservado à atribuição de novos endereços de Internet sob o atual protocolo (IPv4) poderá esgotar-se até Abril de 2012.

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A era das redes inteligentes

Fonte: tiinside – 03.05.2010 Por Roberto Galvão

Um paralelo entre os setores de energia e telecomunicações nos permite constatar que o primeiro evoluiu muito pouco em comparação ao segundo, sobretudo no que se refere à forma como as concessionárias se relacionam com os consumidores. Se no mercado de telecom é possível encontrar uma série de planos flexíveis e diferenciados para atender aos diversos perfis de consumo – descontos em chamadas de longa distância, oscilação de tarifas de acordo com o horário, pacotes especiais para transmissão de dados, só para citar alguns exemplos – por outro lado, no setor de energia, o que se tem é, basicamente, a mesma forma de prestação de serviços há pelo menos 20 anos. Para vermos como isso é um fato, basta pensarmos no modo como é feita a medição de uso: um funcionário da companhia tem que ir todo mês de casa em casa coletar os dados de consumo. Também não foram criadas tarifas especiais para desestimular o uso de eletricidade em horários de pico e os consumidores são todos tratados de maneira padronizada.

Essa realidade, no entanto, já começa a mudar, principalmente porque cada vez mais os governos, a iniciativa privada e a sociedade em geral passam a enxergar a importância de buscar novas formas mais racionais e eficientes para o uso da energia, o que fará com que todo o setor evolua.

Nesse contexto, já começam a aparecer, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, iniciativas ligadas às chamadas “redes inteligentes de energia”, ou “smart grids”. Essa tendência, que também vai chegar ao Brasil em algum momento, é um movimento natural no sentido de se aprimorar as formas de medição de consumo, o relacionamento com o cliente e o monitoramento da rede como um todo, minimizando fraudes e obtendo mais precisão. Isso porque as redes inteligentes são automatizadas com medidores em tempo real.

As vantagens disso são inúmeras, começando pelo combate à ineficiência energética, uma vez que as concessionárias terão mais controle sobre os “caminhos” da eletricidade até a casa do cliente. Além disso, como as smart grids contemplam monitoramento em tempo real, as concessionárias poderão também interferir e tomar providências em relação ao uso de energia, com sinergia, por exemplo, para programar o consumo de eletrodomésticos ou sistemas de calefação/ar-condicionado. Nos EUA já estão sendo feitos testes desse tipo. Com uma comunicação de mão-dupla entre a casa do consumidor e a concessionária, eventuais falhas podem ser detectadas e corrigidas mais rapidamente.

A melhora no sistema de tarifação também será outro benefício extremamente importante que virá com as redes inteligentes. Hoje, o cliente paga um preço fixo pela eletricidade que consome, independente do horário ou de seu perfil de uso. Com as smart grids, as operadoras vão poder se adaptar aos hábitos dos consumidores, criando o incentivo para que economizem no horário de pico, por exemplo, podendo armazenar e depois vender o excesso disponível em momentos de baixa demanda. Na Europa já estão sendo feitas iniciativas nesse sentido.

Todas essas mudanças vão se configurar em um grande desafio para que as concessionárias passem a conhecer mais e mais seus clientes, a fim de oferecer planos e tarifas mais adequados ao perfil de cada um deles. Com medidores em tempo real, as empresas terão dados sobre o consumo diário, informações sobre tensão e corrente, perfil de carga do cliente, etc., e precisarão transformar todos esses números em conhecimento de negócio para prestar serviços cada vez melhores aos clientes.

Quando tudo isso será realidade no Brasil ainda é um pergunta sem resposta exata, mas é certo que essas evoluções chegarão por aqui. A barreira inicial será a troca dos medidores de energia na casa de cada cliente, pois um modelo digital terá que ser introduzido. A infraestrutura de captação dos dados desses novos aparelhos também terá que ser aprimorada. Não será uma tarefa simples, mas não há dúvidas de que o investimento em ações que busquem o desenvolvimento sustentável – e os smart grids se encaixam perfeitamente nesse conceito – terá que ser uma bandeira de qualquer governo, órgãos reguladores e companhias. É esperar para ver. Consumidores e meio-ambiente vão agradecer!

*Roberto Galvão é consultor das áreas de utilities e telecomunicações da Teradata Brasil.

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Panorama sobre a implantação das redes inteligentes

Fonte: Revista Eletricidade Moderna – 07.2010

Brasil – Quando se fala em smart grids (redes inteligentes de energia), é muito recorrente a ideia de um produto pronto, que promete revolucionar a distribuição e o monitoramento do consumo de energia elétrica. Porém, na maioria das vezes, esquece-se que esse conceito tecnológico é bastante amplo e deve ser moldado de forma diferente para cada país, encontrando seu próprio caminho a partir da estrutura, legislação e peculiaridades nacionais.

Atualmente, existe no Brasil uma consulta pública para estipular os novos medidores residenciais de consumo de energia elétrica, que atualmente contabilizam cerca de 64 milhões em todo o País. Esse pode ser o primeiro passo para implantação de um sistema de smart grids, pois o equipamento que faz a medição é também o responsável pela captação e processamento das informações da unidade consumidora.

Mas, para a implantação de fato de um sistema inteligente, existem diversas questões que devem ser levadas em consideração. A mais importante é que o formato escolhido para nós não precisa ser necessariamente igual aos existentes em outros países. O recomendado é que elaboremos um modelo específico que se encaixe no cenário energético brasileiro.

Para isso, deve-se levar em conta também que o conceito de smart grids envolve uma variedade muito grande de possibilidades. Atualmente já existem experiências em desenvolvimento em algumas regiões dos EUA e da Europa, que comprovam a viabilidade das tecnologias de monitoramento em tempo real e a comunicação de mão dupla entre a residência do consumidor e a concessionária.

Percebe-se que essas tecnologias trazem inúmeras possibilidades, como, por exemplo, a detecção e correção de eventuais falhas mais rapidamente, ou o combate a fraudes e ligações clandestinas, como os populares “gatos”. Além disso, por meio da divulgação de dados mais sólidos e detalhados sobre o consumo em cada residência, pode-se também elaborar estratégias de controle de utilização e tarifação e, por conseqüência, modificar o relacionamento das empresas de energia com seus consumidores.

Com todas essas inovações, o principal ponto de discussão sobre as smart grids é que a implantação do serviço demanda grandes investimentos por parte das concessionárias de energia, que precisam incorporar sistemas de telecomunicações em suas estruturas para dar conta do desenvolvimento desses processos. Este talvez seja o principal obstáculo para a implantação do sistema no Brasil, onde as relações custo-benefício ainda não se mostram equilibradas.

Para implantar uma rede inteligente, as empresas de energia precisam construir sua própria rede de telecomunicações ou firmar parcerias com operadoras de telefonia que forneçam o suporte necessário para transmissão das informações. Outra alternativa, considerada bastante viável, é a utilização da própria rede elétrica para a transmissão dos dados, por meio da tecnologia PLC (Power Line Communications), que já foi implantada com sucesso em Portugal e está em fase de testes no Brasil.

Entretanto, os inúmeros benefícios relacionados às smart grids ainda não são suficientes para impulsionar a implantação do sistema em solo brasileiro. Uma das alternativas poderia ser um incentivo por parte do próprio governo, uma vez que as vantagens proporcionadas pela tecnologia favorecem diretamente toda a população.

Para se ter uma ideia, uma smart grid, no topo de suas potencialidades, pode possibilitar, inclusive, a comercialização de energia elétrica a partir das próprias residências, ou mesmo dos carros elétricos, que poderiam acumular eletricidade em períodos onde o valor é mais baixo e devolvê-la em períodos de pico, quando o preço é mais alto. Além disso, também existe a opção de acompanharmos o consumo de energia elétrica de nossas residências em tempo real, por meio de um banco de dados. Esse processo geraria maior controle sobre o consumo, tanto por parte do usuário quanto da concessionária, resultando em menos desperdício e maiores benefícios financeiros e até mesmo ambientais.

Como podemos observar, as smart grids podem ser muito mais do que uma simples solução para distribuição e mensuração do consumo de energia, pois elas podem interferir diretamente junto aos hábitos de consumo da população. Mas o funcionamento de cada sistema vai depender exclusivamente de quanto as concessionárias estão dispostas a investir. No caso do Brasil, essa discussão talvez ainda demore um pouco, mas já demonstra um grande avanço no que diz respeito à busca pelo desenvolvimento energético brasileiro.

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A luta do “Smart Grid”

Fonte: Forbes – 13.08.2010

Estados Unidos – A Comissão de Serviços Públicos de Maryland rejeitou em junho o aumento de uma tarifa como parte de um plano de 835 milhões de dólares proposto pela Baltimore Gas and Eletric para instalar medidores inteligentes e uma nova rede de comunicação. A decisão inicial colocou em risco um empréstimo de 200 milhões de dólares do Departamento de Energia Norte- Americano (DOE, na sigla em inglês).

Outros aumentos de tarifa similares em outras distribuidoras foram negados em outros estados. Todos os acionistas concordam que as melhorias nas redes de abastecimento são de extrema necessidade, mas existem controvérsias consideráveis sobre se as metodologias propostas pelas distribuidoras beneficiam os consumidores ou se agem como um impedimento estrutural para outras reformas fundamentais. Atualmente os sistemas de energia do norte do país enfrentam diversos desafios como distribuição, transmissão e o alto custo das energias renováveis, além da dificuldade de encontrar uma forma de balancear um sistema altamente dinâmico de rede inteligente da maneira mais eficiente economicamente.

Para resolver os desafios enfrentados pelo sistema de energia existente, informações devem ser trocadas entre os sistemas partipantes para que seja criada uma rede de transações. Para que as redes inteligentes beneficiem os consumidores, é preciso que transformem-se em uma plataforma e-commerce como a internet e não apenas em uma rede de informações. Para que as redes inteligentes funcionem bem, o sistema como um todo deve estar apto a facilitar a comunicação hierárquica e direta e o mecanismo de autorização de transações para a rede inteligente deve refletir as melhores práticas adaptadas a cada escala. Além disso, a comunicação entre consumidores e distribuidoras deve ser igual à comunicação entre as próprias distribuidoras.

O atual modelo de comando e controle das distribuidoras tende a prejudicar a viabilidade a longo prazo dos esforços do smart grid. Se as regulamentações permitirem às distribuidoras manterem seus sistemas fechados, oportunidades econômicas podem ser perdidas. Na maioria das vezes, os consumidores se beneficiam com políticas que incentivam os investimentos que reduzem os custos das transações, mas isso só será possível com sistemas de controle descentralizados e com novos modelos de indústrias de serviço de energia.

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Como Reguladores Podem Aumentar o Risco do Negócio de Rede Inteligente

Já acompanho o tema de Rede Inteligente a mais ou menos dois anos e todos continuam sem conseguir responder à pergunta de quanto vai custar a implantação de uma Rede Inteligente e quem irá pagar a conta. E essa pergunta passa agora a ser crucial para a futura sobrevivência das Redes Inteligentes de Distribuição de Energia Elétrica, seja na Europa, nos EUA ou no Brasil.

Recentemente os reguladores da PUC (Public Utility Commission) do estado do Colorado, nos EUA, o órgão regulador estadual, exigiu da Xcel Energy o relatório chamado Certificate of Public Convenience and Necessity (CPCN), solicitado antes que um grande projeto seja realizado, tal como construir uma usina termoelétrica. O certificado serve para garantir que tal projeto é prudente e necessário antes que os contribuintes paguem a conta.

A PUC exigiu esse documento porque a Xcel Energy solicitou no último ano (2009) um aumento de tarifas para recuperar parte do investimento realizado no seu projeto de Cidade Inteligente, na cidade de Boulder no Colorado, a Smart Grid City. A PUC decidiu exigir o documento como forma de a Xcel provar que o projeto é prudente e de interesse público.

O projeto está praticamente completo e se iniciou em maio de 2008, mas segue aqui um pequeno histórico:

  • A Xcel iniciou o projeto em 2008 sem fazer antes um CPCN porque pensou que não precisava para algo que considerava um projeto de pesquisa;
  • Sem um CPCN não havia aí a oportunidade da PUC do Colorado ou outras partes interessadas considerarem capitalizar os custos do projeto para os contribuintes;
  • Uma análise tradicional de custo-benefício não foi feita antes de comercializarem o projeto;
  • O custo original estimado em US$15,3 milhões saltou para US$ 27,9 milhões e na última atualização para US$ 44,8 milhões devido aos altos custos de licenças, poda de árvores, softwares e negociações, e ainda para a montanha de pedras que tiveram que cavar para passar as fibras óticas do sistema de telecomunicações;
  • Vários executivos chave do projeto da Xcel abandonaram a empresa no último ano;
  • Foi então que a Xcel pediu à PUC no ano passado um aumento de tarifas para recuperar parte dos gastos com o projeto. E claro a comissão reguladora solicitou à Xcel que era necessário apresentar um CPCN para provar que o projeto era prudente e de interesse público;
  • Próximo já do final do projeto, apenas 43% das residências de Boulder possuem medidores inteligentes, o que a companhia justifica como grupo de controle (os outros 57%) para efeito de comparação;
  • Para finalizar, o sistema de medição instalado não fornece vários dos prometidos benefícios do projeto de Smart Grid City para o consumidor final.

Algumas lições podem ser retiradas dessa situação:

  1. Não criar expectativas irreais quanto aos benefícios de uma Rede Inteligente;
  2. Empregar planejamento e práticas comprovadas de gestão de projetos;
  3. Trabalhar cedo com reguladores.

Uma outra lição que pode ser retirada é que a Xcel não conseguirá agradar aos reguladores se não aplicar tecnologias de baixo custo. Mas aí ela teria o dilema de lidar com equipamentos importados de baixa qualidade que logo teriam que ser substituídos, aumentando os custos e mais uma vez onerando o consumidor final, o que criaria mais problemas.

O Brasil possui a vantagem de ter apenas um órgão regulador para todo o território, o que facilita definir apenas um tipo de medidor, ou melhor, funcionalidades mínimas que o medidor inteligente brasileiro deverá ter. Já é alardeado em vários eventos algumas dessas funcionalidades, e é sabido que o que será regulado não existe hoje a pronta entrega pelos fabricantes de medidores, nem mesmo pelos fabricantes multinacionais, tendo-se ainda que homologar esse medidor junto ao Inmetro.

Funcionalidades à parte, após definição do medidor inteligente brasileiro o importante será testar essas novas funcionalidades, assim como a Xcel Energy fez, em um projeto piloto, ou num termo mais adequado, projeto demonstrativo e de teste de conceitos e tecnologias, como o que a Cemig está começando a realizar em Sete Lagoas, o projeto Cidades do Futuro. E não há porque outras empresas não apresentarem projetos semelhantes e usando recursos do P&D Aneel para isso, criando assim um ambiente adequado para testes, desde que o projeto caiba nos requisitos da Aneel para ser considerado também pesquisa.

A Aneel deve cumprir sua missão de proporcionar condições favoráveis para que o mercado de energia elétrica se desenvolva com equilíbrio entre os agentes e em benefício da sociedade. Deve buscar assim que o Plano de Substituição de Medidores seja concretizado sem onerar demais o consumidor, e de preferência, que os prometidos benefícios da Rede Inteligente suplantem os seus custos de implantação. Mas qualquer escolha errônea do regulador pode levar a um desequilíbrio para todas as partes, por isso o atraso na consulta pública para regulação do tema de medição inteligente. Antes tarde e barato do que cedo e caro.

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