Medição eletrônica leva adimplência na Light a mais de 90% em comunidades carentes

Fonte: Comunique-se – 22.07.2010

Desde que a Light adotou o sistema de medição eletrônica em algumas comunidades carentes do Rio de Janeiro, através do qual é possível fazer toda a operação à distância, incluindo os cortes por falta de pagamento, quando necessário, o índice de adimplência dos consumidores pulou para mais de 90%, um índice melhor até do que muitos bairros da cidade.

A informação é do Superintendente de Serviços de Recuperação de Energia da Light, Ivson Vasconcelos, que será um dos palestrantes do Workshop “Temporada de Caça aos Gatos” – que a Planeja & Informa vai realizar no próximo dia 28 de julho, em parceria com a AEERJ – Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro, no auditório da Associação, no Rio de Janeiro.

Aliado ao programa de medição eletrônica, que tem sido possível graças à implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades carentes mais violentas da cidade, a Light está promovendo a distribuição de lâmpadas econômicas, geladeiras mais eficientes e conscientizando a população sobre a necessidade de poupar energia.

Para ele, a importância da conscientização da população é fundamental, pois para quem nunca pagou conta de luz, não havia a preocupação em economizá-la. “Temos grupos de trabalho nas comunidades e ajudamos a reformar as instalações elétricas das casas, que são precárias. Já trocamos centenas de geladeiras antigas e pouco eficientes por novas e mais econômicas”, conta.

Vasconcelos afirma ainda que nos lugares onde o novo modelo é instalado, as perdas chegam a cair a quase zero. O sucesso é absoluto. Agora, outras comunidades carentes estão na mira da companhia, que pretende entrar em todas elas em pouco tempo. “Estamos construindo redes novas, colocando transformadores mais potentes e usando as novas tecnologias de radiofreqüência para mostrar que hoje, a Light não está voltada só para ações de inspecionar clientes, mas também de apresentar estas novidades à população”, finaliza.

O Workshop “Temporada de Caça aos Gatos” vai demonstrar estas tecnologias modernas que estão à disposição das concessionárias para combater e prevenir os “gatos”, tanto na rede elétrica quanto na rede de abastecimento de água.

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CPFL Energia estuda o smart grid, mas vê uso limitado da tecnologia

Fonte: Último Segundo em 25/09

O smart grid deve revolucionar a forma de gerar e distribuir energia para os consumidores, e a CPFL Energia já participa do desenvolvimento de estudos visando a adoção da tecnologia em suas redes de distribuição. Mas o diretor de Engenharia da empresa, Rubens Bruncek, avalia que é limitado o potencial de curto prazo para o uso dessa tecnologia no País, sendo factível sua aplicação, no momento, para a redução das perdas comerciais e para a melhoria da qualidade do fornecimento de energia.

“Estamos acompanhando as experiências internacionais sobre o tema, porque essa área evolui constantemente,” afirmou o executivo.

CPFL EnergiaA CPFL Energia foi a primeira empresa da América Latina a aderir na Global Intelligent Utility Network Coalition, criada pela IBM em 2007. Esse grupo conta com empresas de várias partes do mundo, como Estados Unidos, Dinamarca, Índia e Austrália, com o objetivo de desenvolver estudos que permitam a aplicação do smart grid nas redes. “O grande estímulo ao uso dessa tecnologia nesses países é a necessidade de redução da emissão dos gases de efeito estufa”, explica o executivo, lembrando que, na União Europeia, há uma regra, a 20/20/20, que prevê a diminuição das emissões de gás carbônico (CO2) em 20%, a redução do consumo de energia de 20% e a participação das energias renováveis em 20% até 2020.

Segundo Bruncek, é justamente esse apelo inicial que limite o potencial de uso, no curto prazo, do smart grid no Brasil. O executivo lembra que o País já possui uma matriz elétrica altamente limpa e renovável por conta da geração de energia a partir das hidrelétricas. “Nesse contexto, o uso da tecnologia no País tem como principal argumento agregar ganhos de produtividades às concessionárias”, explica o diretor da CPFL Energia. É sob este aspecto que a companhia, a maior holding privada do setor elétrico brasileiro, acompanha os estudos feitos no grupo.

O executivo aponta dois usos em que o smart grid pode prover ganhos às concessionárias: combate às perdas comerciais e automação das redes elétricas. Mas mesmos nesses casos os benefícios variam para cada distribuidora. Bruncek diz que a instalação de medidos eletrônicos para a redução dos furtos e fraudes de energia só é vantajosa para as concessionárias com elevados índices de perdas comerciais – como na Light, na Ampla e Celpa. “Em empresas com taxas elevadas, vale a pena. Mas em casos com índices baixos, como o nosso, a redução obtida não compensa o investimento na substituição dos medidores”, justifica.

A substituição dos medidores, inclusive, é um dos entraves para tornar viável a aplicação de tarifas de energia diferenciadas por horário, como almeja a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “O Brasil possui 65 milhões de medidores. A troca em massa poderia encarecer as tarifas. Até porque muitos equipamentos não foram nem amortizados”, justifica. Além disso, o custo de um novo medidor eletrônico é muito superior aos modelos atuais, que são analógicos. O diretor da CPFL afirma que a empresa vem acompanhando as discussões em curso na Aneel, mas considera inviável a adoção de tarifas diferenciadas no curto prazo.

No caso da automação das redes, o executivo avalia que as tecnologias smart grid permitirão as concessionárias otimizar a operação de suas malhas de distribuição. Hoje, uma parcela dos equipamentos já é operada remotamente pelas empresas em seus centros de operação. Mas Bruncek conta que muitos itens da rede, como as chaves, poderão ser automatizados.

Além de ampliar a produtividade das distribuidoras, os consumidores também terão ganhos porque as empresas terão condições de atender mais rapidamente os problemas na rede. Isso porque muitos procedimentos feitos manualmente pelas equipes de manutenção poderão ser feitos pelos centros de operação remotamente. “Se tudo estivesse automatizado, o centro de operações teria condições de reconfigurar a rede em questão de segundos, reduzindo os prejuízos aos clientes”, disse. Bruncek pondera que o grande desafio para a automação das redes elétricas está na confiabilidade dos equipamentos, dado que os investimentos são extremamente elevados.

O executivo, porém, não se mostra otimista com outras aplicações do smart grid, como a fatura remota da conta de luz dos consumidores. Bruncek explica que o procedimento atual, no qual os leituristas efetuam a medição do consumo nas casas dos clientes e enviam os dados para as concessionárias, é extremamente econômico. “O custo disso fica abaixo de R$ 0,50 por consumidor”, justifica. Para que o faturamento remoto seja viável, o sistema de comunicação entre os medidores e as distribuidoras deve ser barato, o que ainda não é. “Não queremos aumentar os nossos custos. Precisamos, sim, obter ganhos de performance”, justifica.

Nem a transmissão de dados via rede elétrica, a chamada Power Line Communication (PLC), desperta muito interesse da CPFL Energia. O executivo afirma que essa tecnologia demanda uma série de adaptações na rede elétrica para que o sinal seja transmitido pelos fios, e que as empresas de telecomunicação já possuem sua própria infraestrutura de cabos para chegar aos clientes. “As operadoras já possuem infraestrutura para fornecer o acesso à internet aos clientes. Por que deixarão isso de lado para usar as nossas redes?”, questiona Bruncek.

O diretor da CPFL explica que o PLC pode ser atrativo para alguns nichos de mercado. Como exemplo, cita prédios residenciais antigos em que os cabos de telecomunicação não puderam ser instalados. “Em uma situação como essa, pode compensar. Mas é algo secundário. As tecnologias emergentes são fibra óptica e as redes sem fio”, conclui.

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BPL/PLC e Smart Grid – Sinais de vida

Fonte: Portal Banco Hoje – Abril de 2009
Por: Peter T. Knight
BPL/PLC Smart Grid Services
As tecnologias conhecidas como BPL (Broadband over Power Line) ou PLC (Power Line Communications), que permitem a transmissão de dados via cabos elétricos, têm uma história de décadas. Apesar de melhorias substanciais na capacidade destas tecnologias de transmitir dados, inclusive Internet de banda larga nos últimos anos, não parecem vingar em larga escala apesar dos numerosos testes realizados no Brasil e outros países do mundo.

As razões parecem ser diversas – as empresas de distribuição de energia elétrica têm que estabelecer outra entidade jurídica para vender telecomunicações ao usuário final mesmo usando os mesmos cabos, lidar com duas reguladoras – de telecomunicações e do sistema elétrico (no Brasil Anatel e Aneel, respectivamente), confrontar problemas de interferência no espectro eletrônico (os cabos elétricos podem se comportar como antenas), e competir com provedores tradicionais, como as operadoras de telefonia e TV de cabo.

Mas as empresas distribuidoras de energia elétrica e os governos continuam de olho nestas tecnologias, que também vêm evoluindo. O fio elétrico é o mais “democrático” – chega em 97% dos domicílios brasileiros e, ademais, a comunicação de dados nos cabos elétricos pode ser usada na modalidade que se chama smart grid (ou rede elétrica inteligente), que envolve o uso de comunicação bi-direcional na rede e de recursos computacionais para melhorar a eficiência, confiabilidade e segurança das redes de transporte de energia e possibilitar a oferta de novos serviços aos consumidores.

Por exemplo, usando tecnologias smart grid é possível administrar equipamentos na própria rede de distribuição (usando sensores inteligentes), simplificando sua manutenção e o controle de perdas, tanto “técnicas” como “não-técnicas” (estas últimas incluem o furto de energia, os tais “gatos”). As perdas no Brasil são bastante altas, na ordem de 18,5% da energia gerida. Outra possibilidade é promover uma melhor gestão da demanda do consumidor – via o uso de tarifas variáveis de acordo com a demanda global no sistema, que pode incentivar o consumidor a reduzir o consumo nas horas de maior demanda (e consequentemente o preço), assim reduzindo a necessidade de novos e caros investimentos em geração e fazendo um uso mais econômico da capacidade de geração existente. Isto se torna possível via medidores eletrônicos que podem se comunicar nos dois sentidos, geralmente fazendo uso da própria rede elétrica.

Há benefícios ecológicos nisso também: menos emissões e possibilidade de incentivar alguns consumidores a também produzir e vender energia limpa à rede, por exemplo investindo em turbinas eólicas, painéis solares e pequenas hidroelétricas – tais “prosumidores” podem vender energia ou comprá-la dependo dos preços e necessidades próprias de consumo. Mas é difícil que os medidores sofisticados sejam usados para a grande maioria das residências no Brasil, porque o custo dos medidores eletrônicos é muito mais alto do que o dos convencionais, e o custo de ler os medidores manualmente é muito baixo comparado com a Europa ou os Estados Unidos.

A Resolução 527 da Anatel, publicada no dia 13 de abril deste ano, aprova o Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofrequências por Sistemas de Banda Larga por meio de Redes de Energia Elétrica (BPL). Este regulamento cerca o uso desta tecnologia com vários requisitos desenhados para evitar que os sistemas BPL causem interferência prejudicial em outros serviços, como o de Radioamador e o de Radiodifusão de Sons e Imagens – serviços que terão prioridade em caso de conflitos. Também os equipamentos que compõem o sistema BPL devem possuir certificação expedida ou aceita pela Anatel, de acordo com a regulamentação vigente, e atender às normas cabíveis, referentes ao sistema elétrico, expedidas pela Aneel.

Numa outra frente, a Aneel preparou documentos sobre medidores eletrônicos e está conduzindo uma consulta pública para a questão de substituição de medidores eletrônicos para os eletromecânicos tradicionais, um elemento no desenvolvimento de Smart Grids. A consulta – que deve resultar em mais estudos detalhados, experiências-pilotos e eventualmente normas para este tipo de equipamentos, está criando grande interesse entre os fornecedores de equipamentos especializados, organizados no Fórum Latino Americano de Smart Grid. O Fórum está se mobilizando para contribuir as opiniões de seus sócios numa forma consolidada na consultas pública.

Tudo isto é animador, mas por outro lado as razões que impediram até agora mais avanço da BPL, assim como os altos custos de medidores sofisticados e todo o sistema de equipamentos relacionados e os muitos requisitos técnicos já especificados ou por especificar, sugerem que seria pouco realista esperar um progresso muito rápido destas tecnologias. Mas poderíamos ter surpresas agradáveis. É importante ter mais competição entre tecnologias e empresas que oferecem a banda larga. Há possibilidades interessantes de inclusão digital fazendo uso da capilaridade do sistema elétrico. E há muitos benefícios a serem explorados com o desenvolvimento de smart grids, assunto que está em voga nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Sobre o autor:
PeterPeter T. Knight é Coordenador do Projeto e-Brasil e Presidente da Telemática e Desenvolvimento Ltda.
peter.knight@e-brasil.org.br
www.e-brasil.org.br

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