Como esperado, o Secretário do Comércio, Gary Locke liberou o roteiro (road map) dos padrões para Smart Grid – o qual o NIST (National Institute of Standards) o orgão de padronização americano vinha trabalhando por vários meses – durante sua fala na conferência GridWeek em Washington, D.C., EUA, na manhã de quinta-feira da semana passada (24 de setembro de 2009). O roteiro, o qual Locke descreveu como “um primeiro projeto detalhado de uma estrutura complexa” no mundo da construção, contém 77 padrões que irão ditar as partes do Smart Grid. Trinta e um desses padrões estão oficialmente incluídos na lista e os restantes 46 estão sob revisão para sua inclusão na lista.
O roteiro inclui também um conjunto de 14 necessidades urgentes nos padrões para Smart Grid que o NIST e a indústria pensam ser necessários planos de ação para sua solução, incluindo temas como o padrão para modernização dos medidores inteligentes e o padrão para um sinal de resposta da demanda (veja a lista completa dos 14 planos ao final deste post). O público americano terá 30 dias para comentar o roteiro apresentado.
Como Locke explicou, esse é apenas o primeiro passo do processo de padronização do Smart Grid, e o documento do roteiro diz que o Smart Grid irá necessitar ao final “de centenas de padrões.” O NIST escolheu primeiramente dividir os padrões em 8 áreas: sensibilização da vizinhança, resposta da demanda, armazenamento de energia, transporte elétrico, segurança de rede, comunicações de rede, medidores inteligentes e gerenciamento da rede de distribuição.
Segue lista completa das áreas de maior prioridade:
- Padrão para modernização do medidor (substituição pelo inteligente) (concluído);
- Especificação comum para definição de preço e produto (começo de 2010);
- Mecanismo comum para programação de trocas de energia (final de 2009);
- Modelo comum de informação para gerenciamento da rede de distribuição (final de 2010);
- Padrão para sinais de resposta da demanda (Janeiro de 2010);
- Padrão para informações sobre o uso da energia (Janeiro de 2010);
- Objetos IEC 61850 / Mapeamento DNP3 (2010);
- Tempo de sincronização de sistemas de potência de transmissão e distribuição (metade de 2010);
- Mapeamento dos modelos de sistemas de potência de transmissão e distribuição (final de 2010);
- Orientações para o uso de protocolo IP em Smart Grid (metade de 2010);
- Orientações para o uso de comunicações sem fio (wireless) em Smart Grid (metade de 2010);
- Orientações para interconexão de armazenadores de energia (baterias);
- Padrões de interoperabilidade para suporte a conexão de veículos elétricos (Dezembro de 2010);
- Padrão para medição do perfil de dados (final de 2010).
Agora ficam as perguntas: definindo a ANEEL até o final deste mês o padrão para modernização do medidor inteligente, estarão as distribuidoras preparadas para cumprir esse Plano de Substituição de Medidores? E quanto aos outros padrões, estarão a ANEEL e as distribuidoras brasileiras prevendo-os? Ou vão continuar a pensar o Smart Grid (leia-se medidores eletrônicos) apenas como uma ferramenta de combate ao furto de energia? E até quando o governo brasileiro se mostrará desinteressado pelo tema, ao contrário do governo dos EUA? Só o futuro tem as respostas.
