Panorama sobre a implantação das redes inteligentes

Fonte: Revista Eletricidade Moderna – 07.2010

Brasil – Quando se fala em smart grids (redes inteligentes de energia), é muito recorrente a ideia de um produto pronto, que promete revolucionar a distribuição e o monitoramento do consumo de energia elétrica. Porém, na maioria das vezes, esquece-se que esse conceito tecnológico é bastante amplo e deve ser moldado de forma diferente para cada país, encontrando seu próprio caminho a partir da estrutura, legislação e peculiaridades nacionais.

Atualmente, existe no Brasil uma consulta pública para estipular os novos medidores residenciais de consumo de energia elétrica, que atualmente contabilizam cerca de 64 milhões em todo o País. Esse pode ser o primeiro passo para implantação de um sistema de smart grids, pois o equipamento que faz a medição é também o responsável pela captação e processamento das informações da unidade consumidora.

Mas, para a implantação de fato de um sistema inteligente, existem diversas questões que devem ser levadas em consideração. A mais importante é que o formato escolhido para nós não precisa ser necessariamente igual aos existentes em outros países. O recomendado é que elaboremos um modelo específico que se encaixe no cenário energético brasileiro.

Para isso, deve-se levar em conta também que o conceito de smart grids envolve uma variedade muito grande de possibilidades. Atualmente já existem experiências em desenvolvimento em algumas regiões dos EUA e da Europa, que comprovam a viabilidade das tecnologias de monitoramento em tempo real e a comunicação de mão dupla entre a residência do consumidor e a concessionária.

Percebe-se que essas tecnologias trazem inúmeras possibilidades, como, por exemplo, a detecção e correção de eventuais falhas mais rapidamente, ou o combate a fraudes e ligações clandestinas, como os populares “gatos”. Além disso, por meio da divulgação de dados mais sólidos e detalhados sobre o consumo em cada residência, pode-se também elaborar estratégias de controle de utilização e tarifação e, por conseqüência, modificar o relacionamento das empresas de energia com seus consumidores.

Com todas essas inovações, o principal ponto de discussão sobre as smart grids é que a implantação do serviço demanda grandes investimentos por parte das concessionárias de energia, que precisam incorporar sistemas de telecomunicações em suas estruturas para dar conta do desenvolvimento desses processos. Este talvez seja o principal obstáculo para a implantação do sistema no Brasil, onde as relações custo-benefício ainda não se mostram equilibradas.

Para implantar uma rede inteligente, as empresas de energia precisam construir sua própria rede de telecomunicações ou firmar parcerias com operadoras de telefonia que forneçam o suporte necessário para transmissão das informações. Outra alternativa, considerada bastante viável, é a utilização da própria rede elétrica para a transmissão dos dados, por meio da tecnologia PLC (Power Line Communications), que já foi implantada com sucesso em Portugal e está em fase de testes no Brasil.

Entretanto, os inúmeros benefícios relacionados às smart grids ainda não são suficientes para impulsionar a implantação do sistema em solo brasileiro. Uma das alternativas poderia ser um incentivo por parte do próprio governo, uma vez que as vantagens proporcionadas pela tecnologia favorecem diretamente toda a população.

Para se ter uma ideia, uma smart grid, no topo de suas potencialidades, pode possibilitar, inclusive, a comercialização de energia elétrica a partir das próprias residências, ou mesmo dos carros elétricos, que poderiam acumular eletricidade em períodos onde o valor é mais baixo e devolvê-la em períodos de pico, quando o preço é mais alto. Além disso, também existe a opção de acompanharmos o consumo de energia elétrica de nossas residências em tempo real, por meio de um banco de dados. Esse processo geraria maior controle sobre o consumo, tanto por parte do usuário quanto da concessionária, resultando em menos desperdício e maiores benefícios financeiros e até mesmo ambientais.

Como podemos observar, as smart grids podem ser muito mais do que uma simples solução para distribuição e mensuração do consumo de energia, pois elas podem interferir diretamente junto aos hábitos de consumo da população. Mas o funcionamento de cada sistema vai depender exclusivamente de quanto as concessionárias estão dispostas a investir. No caso do Brasil, essa discussão talvez ainda demore um pouco, mas já demonstra um grande avanço no que diz respeito à busca pelo desenvolvimento energético brasileiro.

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Medição eletrônica leva adimplência na Light a mais de 90% em comunidades carentes

Fonte: Comunique-se – 22.07.2010

Desde que a Light adotou o sistema de medição eletrônica em algumas comunidades carentes do Rio de Janeiro, através do qual é possível fazer toda a operação à distância, incluindo os cortes por falta de pagamento, quando necessário, o índice de adimplência dos consumidores pulou para mais de 90%, um índice melhor até do que muitos bairros da cidade.

A informação é do Superintendente de Serviços de Recuperação de Energia da Light, Ivson Vasconcelos, que será um dos palestrantes do Workshop “Temporada de Caça aos Gatos” – que a Planeja & Informa vai realizar no próximo dia 28 de julho, em parceria com a AEERJ – Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro, no auditório da Associação, no Rio de Janeiro.

Aliado ao programa de medição eletrônica, que tem sido possível graças à implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades carentes mais violentas da cidade, a Light está promovendo a distribuição de lâmpadas econômicas, geladeiras mais eficientes e conscientizando a população sobre a necessidade de poupar energia.

Para ele, a importância da conscientização da população é fundamental, pois para quem nunca pagou conta de luz, não havia a preocupação em economizá-la. “Temos grupos de trabalho nas comunidades e ajudamos a reformar as instalações elétricas das casas, que são precárias. Já trocamos centenas de geladeiras antigas e pouco eficientes por novas e mais econômicas”, conta.

Vasconcelos afirma ainda que nos lugares onde o novo modelo é instalado, as perdas chegam a cair a quase zero. O sucesso é absoluto. Agora, outras comunidades carentes estão na mira da companhia, que pretende entrar em todas elas em pouco tempo. “Estamos construindo redes novas, colocando transformadores mais potentes e usando as novas tecnologias de radiofreqüência para mostrar que hoje, a Light não está voltada só para ações de inspecionar clientes, mas também de apresentar estas novidades à população”, finaliza.

O Workshop “Temporada de Caça aos Gatos” vai demonstrar estas tecnologias modernas que estão à disposição das concessionárias para combater e prevenir os “gatos”, tanto na rede elétrica quanto na rede de abastecimento de água.

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Smart grid na medição

Fonte: Revista Brasil Energia – 07.07.2010

Como o Brasil apresenta alto nível de automação e integração no setor de transmissão, o foco da aplicação do smart grid será, a princípio, a rota da energia elétrica para o consumidor final. Assim, o primeiro passo do GTRI – criado pela Portaria 440 do MME e composto do próprio ministério e EPE, Cepel, ONS e Aneel – envolve necessariamente a instalação dos medidores eletrônicos.

O problema é que, se a ideia da medição eletrônica é reduzir perdas das concessionárias – calculadas em R$ 5 bilhões anuais pelo Instituto Acende Brasil, ou 5% de toda a energia comprada por essas empresas –, é preciso antes solucionar o exorbitante dispêndio referente à troca dos medidores, que demandará recursos da ordem de R$ 16 bilhões para a substituição de cerca de 40 milhões de medidores eletromecânicos país afora.

“Calculamos o valor de cada medidor em cerca de R$ 200. Assim, o custo total seria de R$ 8 bilhões para comprar os medidores eletrônicos sem os sistemas de comunicação integrados. Com comunicação, os aparelhos dobram de preço. Mas deixaremos isso a cargo das distribuidoras”, adianta o superintendente de Regulação de Serviços de Distribuição da Aneel, Paulo Henrique Silvestri Lopes.

Existem cerca de 65 milhões de unidades consumidoras em baixa tensão no país, mas o governo não inclui no cálculo consumidores de baixa renda e rurais. Por isso a troca envolve 40 milhões de medidores. Para a substituição total, o MME estima que sejam necessários pelo menos dez anos, começando pelas unidades em fim de vida útil ou já com problemas. Assim, como a ação é em médio prazo e haverá participação das próprias concessionárias, o governo espera concluir a troca sem que ela pese no bolso do consumidor.

O GTRI também está identificando potenciais fontes de financiamento, a fim de poupar os clientes de aumentos tarifários, diz o secretário de Energia Elétrica do MME, Josias Matos. “Temos o objetivo de manter a modicidade tarifária, impactando o consumidor da menor forma possível”, afirma Matos, que está à frente do grupo.

Adequação ao Brasil

Pelas contas da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o mercado de medidores residenciais inteligentes poderá movimentar R$ 1,8 bilhão anuais. Entretanto, para o gerente de Marketing do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Cláudio Corrêa Leite, o cálculo do investimento a ser aportado no smart grid ainda é uma incógnita, que depende da compreensão dos requisitos brasileiros.

“A receita gerada pela residência típica brasileira é de cinco a dez vezes menor que a americana ou européia, e, portanto, o valor associado a essa redução de consumo também é menor. Por outro lado, temos índices de perda quatro ou cinco vezes maiores que os desses países. É preciso considerar isso ao fazer as contas”, explica o executivo.

Por enquanto, somente a Landis+Gyr oferece medidor inteligente aprovado pelo Inmetro com base no Sistema Distribuído de Medição de Energia Elétrica (SDMEE). A Nansen e a CAM já apresentaram seus protótipos ao instituto de metrologia, mas esses ainda estão em avaliação.

Entre as funcionalidades mínimas exigidas para o medidor eletrônico ser aprovado estão registro de duração de interrupções; operação e leitura remota; medição de potência de carga; comunicação bidimensional; medição de qualidade de energia e nível de tensão.

O Inmetro ressalta que há dezenas de medidores eletrônicos já aprovados e instalados no país, mas estes respondem apenas ao Regulamento Técnico Metrológico.

Redes inteligentes no mundo

EUA e Europa se destacam na implementação de projetos de redes inteligentes. Entretanto, outros países – inclusive o Brasil – aparecem entre os que mais investirão em smart grid em 2010, segundo a Zpryme Research & Consulting.

Top 10 em investimentos federais por país (em US$ milhões)

• China: US$ 7.323

• EUA: US$ 7.092

• Japão: US$ 849

• Coreia do Sul: US$ 824

• Espanha: US$ 807

• Alemanha: US$ 397

• Austrália: US$ 360

• Reino Unido: US$ 290

• França: US$ 265

• Brasil: US$ 204

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Endesa instala em Málaga primeiro medidor inteligente para residências na Espanha

Fonte: El Mundo – 14.06.2010

Espanha – A Endesa instalou em Málaga, na Espanha, o primeiro medidor inteligente para residências. O lançamento desse medidor representa o ponto de partida para a substituição em massa dos antigos medidores nos municípios, através do plano de gestão à distância que a Endesa lançou para seus mais de 13 milhões de assinantes durante os próximos seis anos, e que representará um investimento de mais de 1,6 bilhão de euros, o que representará dois mil empregos diretos, segundo a empresa. A gestão à distância permitirá ao cliente conhecer dados de seu consumo de eletricidade instantaneamente, e assim poderá escolher as tarifas mais adequadas às suas necessidades energéticas, e a planejar seu consumo. Além disso, todas as operações de alta, baixa, reconexões, controle de potência e mudanças de tarifa poderão ser feitas de maneira remota e imediata, segundo a empresa.

A telegestão oferece vantagens para o sistema elétrico, já que proporciona informação confiável e constante sobre o comportamento da rede, o que permite uma melhor tomada de decisões, melhoria da eficiência global do sistema elétrico e o evitamento de sobrecargas. Além disso, o sistema também contribui para reduzir as perdas de distribuição, e favorece a gestão da demanda energética, contribuindo para a eficiência energética e para a redução das emissões de dióxido de carbono.

O novo sistema de medidores, com o qual a Endesa dá mais um passo em direção às redes inteligentes, ficou conectado à rede em Smartcity, o projeto de cidade eficiente desenvolvido em Málaga. Smartcity é um projeto pioneiro de cidade eficiente desenvolvido em Málaga, pilotado pela Endesa e impulsionado por mais 11 empresas, e planeja um novo modelo de gestão energética das cidades para conseguir aumento da eficiência energética, redução das emissões de CO2 e uma aposta decidida pelo consumo de energias renováveis. Trata-se de uma comunidade de 300 clientes industriais, 900 de serviços e 11 mil clientes residenciais.

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Smart Grid movimentará R$ 1,8 bi

Fonte: Portal EnergiaHoje – 16.06.2010 Por Rodrigo Polito

O mercado de medidores residenciais inteligentes poderá movimentar R$ 1,8 bilhão/ano, estima a Abinee. O cálculo considera o custo de aproximadamente R$ 200 por equipamento, previsto pela Aneel, e a previsão de venda de 9 milhões de peças por ano, incluindo a substituição de medidores convencionais e a instalação de novas unidades. Existem hoje 65 milhões de medidores convencionais nas residências do país.

Segundo o assessor de coordenação da Abinee, Roberto Barbieri, dos dez fabricantes de medidores associados da entidade, seis já possuem equipamentos auditados pelo Inmetro e têm capacidade para entregar 10 milhões de aparelhos por ano. Os outros quatro fabricantes que ainda não possuem o aval do instituto poderão fornecer mais 4 milhões de peças anualmente.

Para deslanchar, o mercado de medidores inteligentes aguarda uma resolução da Aneel que regulamentará a instalação dos aparelhos pelas distribuidoras e especificará as funcionalidades que o equipamento brasileiro deverá incluir. Entre elas deverão estar a medição do nível de tensão da unidade consumidora e o tempo de interrupção de fornecimento de energia. A agência ainda deve realizar uma consulta pública sobre o tema nos próximos meses.

Para amortecer o impacto do investimento nas tarifas dos consumidores, uma das idéias da Aneel é destinar parte dos recursos dos programas de P&D para a aquisição dos medidores. Nesse sentido, o órgão regulador possui um acordo prévio com o Ministério da Ciência e Tecnologia, que pode resultar no uso da parcela repassada compulsoriamente ao ministério para a compra dos equipamentos.

“É interessante o conjunto de esforços que tem sido feito pelo governo junto com a Aneel e as indústrias. Há um grande esforço para que o smart grid aconteça em um prazo menor possível e a um preço mínimo possível”, salienta Barbieri. (R.P.)

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Potencial brasileiro para smart grids atrai empresa americana

Fonte: Jornal da Energia – 09.06.2010 Por Milton Leal

O tamanho do mercado brasileiro de energia elétrica é um prato cheio para as empresas que atuam com tecnologias de smart grid (redes inteligentes). Com cerca de 65 milhões de medidores analógicos instalados, o País promete ser um bom destino para multinacionais, como a americana Silver Spring Networks (SSN), que atua no fornecimento de plataformas inteligentes de energia para distribuidoras.

Nesta semana, a companhia inaugurou um escritório em São Paulo. “Queremos ter um relacionamento direto com nossos clientes”, disse à reportagem do Jornal da Energia o gerente-geral de novos negócios globais da SSN, Carlos Ramon (foto). Segundo o executivo, que prefere não revelar nomes, algumas negociações com concessionárias brasileiras estão em andamento.

De acordo com Ramon, a tecnologia desenvolvida pela empresa consiste em um hardware que é acoplado ao medidor eletrônico e que permite à distribuidora controlar e gerenciar a rede elétrica, enquanto que o consumidor ganha a possibilidade de controlar o consumo. Nos Estados Unidos, a empresa já trabalha com concessionárias que atendem a 20% de todos os consumidores do país. Dentre os clientes da empresa, está a Pacific gas and Electric Company que integrou seis milhões de medidores à plataforma.

No Brasil, a Silver Spring vai trabalhar em parceria com a Nansen, fabricante de medidores. Ramon explica que o acordo consiste em uma colaboração entre as duas empresas e que tem como objetivo oferecer aos clientes uma solução integrada que agregue valor aos produtos.

Para Carlos Ramon, o Brasil vive um período de aprendizagem no que diz respeito à implantação de tecnologias que deixem a rede elétrica mais inteligente. “Estamos fazendo um trabalho de evangelização. O mercado brasileiro está em uma etapa de edução e de provas iniciais”, afirma. De acordo com ele, nos EUA esse processo levou cerca de dois anos. “Em 2008, nada se falava sobre smart grid nos Estados Unidos. Hoje, uma concessionária que não está fazendo nada nesse sentido está ficando para trás. O mesmo estamos vendo na Austrália e na Inglaterra”, conta.

A empresa estima que é possível reduzir o consumo de energia em 15% com a implantação das plataformas inteligentes de energia. Além disso, é possível reduzir o custo operacional das distribuidoras, melhorar o serviço ao cliente e otimizar aspectos ambientais, evitando a construção de novas usinas.

Fábrica

Os hardwares que são utilizados pela companhia nos medidores eletrônicos são fabricados em uma unidade localizada nos Estados Unidos. Contudo, Ramon assegura que a empresa trabalha com a possibilidade de trazer uma planta fabril para o Brasil. “Nosso compromisso no Brasil é a longo prazo. A produção desses componentes dentro do mercado brasileiro traria mais dinâmica ao nosso negócios”, diz.

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Rede inteligente é ameaça

Fonte: JB Online – 06.06.2010 Por Mark Jaffe

A rede elétrica inteligente pode ser inteligente até demais. Uma vez instalado na residência, um medidor inteligente pode reunir mais do que apenas a quantidade de eletricidade usada por uma família.

O aparelho pode dizer quantas pessoas moram na casa, a que horas elas acordam, a que horas vão dormir e quando não estão em casa. Pode informar quantos banhos elas tomam, com que frequência usam o micro-ondas; quanto tempo veem televisão e a que programas assistem.

Quase 200 mil medidores inteligentes agora estão sendo instalados no Colorado.

Em todo o país, 52 milhões de medidores inteligentes serão instalados até 2015, de acordo com estimativa da Comissão Federal Reguladora de Energia.

“Essa tecnologia é muito invasiva”, condena Elias Quinn, autor de estudo de privacidade envolvendo medidor inteligente para a Comissão de Concessionárias Públicas do Colorado.

Cuidados insuficientes poderiam levar à invasão de privacidade sem precedentes, alertou Quinn no relatório para a comissão.

Órgãos de segurança pública, agências do governo e corporações, como a Microsoft e o Google, já estão de olho nos dados.

A transformação da rede elétrica em um sofisticado sistema inteligente de comunicação e energia é vista como uma forma de melhor administrar energia e de aumentar a eficiência.

O governo federal americano destinou US$ 3,4 bilhões para acelerar o desenvolvimento de redes elétricas inteligentes.

A tecnologia, contudo, levanta novas questões para consumidores e defensores da privacidade, reguladores de estados e autoridades federais. Como você protege a informação? Quem deve ter acesso a ela e o que acontece se cair nas mãos erradas? – Privacidade e segurança cibernética estão entre os maiores desafios da rede elétrica inteligente – observa Nick Sinai, diretor de energia e ambiente da Comissão Federal de Comunicações.

Agências federais e alguns estados – incluindo Colorado e Califórnia – agora tentam lidar com riscos de privacidade e segurança causados pela rede inteligente. A Comissão de Concessionárias de Colorado, ou PUC, abriu um canal, em agosto passado, para reunir comentários sobre se as regras do estado regulando privacidade são suficientes.

A comissão está revendo o testemunho para decidir se mais ações são necessárias, informa Terry Bote, porta-voz da PUC.

Novas regras são necessárias, diz Bill Levis, diretor do Conselho de Consumo do Colorado.

Para Sinai, uma lição da internet é que é mais barato e eficaz fazer proteções de segurança e privacidade no início. Enquanto isso, as concessionárias continuam a instalar medidores inteligentes. A Xcel está instalando 23 mil medidores inteligentes em Boulder, Colorado, como parte do programa piloto SmartGridCity, de acordo com diretores da empresa. Até o fim desse ano, todas as 96 mil casas e empresas de Colorado atendidas pela Black Hills Energy terão medidores inteligentes, com a ajuda de US$ 6,1 milhões do governo federal. A Fort Collins planeja instalar 79 mil medidores inteligentes com a ajuda de US$ 18,1 milhões em recursos federais. As concessionárias de Colorado, dizem executivos, reúnem e protegem os dados do consumidor há anos. O nível de dados que recebemos com a rede inteligente pode mudar, mas os princípios de privacidade continuam os mesmos; dados específicos se mantêm entre nós e o consumidor – garante Megan Hertzler, diretor da privacidade de dados da Xcel Energy. – Ainda assim, a Xcel recebe mais pedidos de informação de hábitos de consumidores agora.

A maioria das solicitações vem de empresas que querem a informação para marketing. A Xcel não divulgou nenhum dos dados, dizem executivos, e se recusou a dizer o nome de quem fez os pedidos.

As diferenças fundamentais entre o medidor ao lado da maioria das casas agora e o inteligente giram em torno de tempo e de comunicação. Medidores convencionais são, em geral, lidos uma vez por mês; medidores inteligentes fazem leituras a cada 15 minutos.

Modelos futuros podem realizar leituras a cada seis ou oito segundos.

Toda a informação não espera por uma leitura de medidor. Ela é instantaneamente comunicada à concessionária por cabo de fibra ótica, banda larga ou wi-fi. A Black Hills já está coletando consumo de energia do cliente uma vez por dia, entrega Carl Fulbright, gerente de operações da concessionária de Colorado.

Fabricantes – incluindo a General Electric e a Whirlpool – estão desenvolvendo “aparelhos inteligentes” capazes de se comunicar com a rede inteligente e gerar mais informação.

– Medidores inteligentes, aparelhos inteligentes, tomadas inteligentes vão coletar informação de maneira contínua, o tipo de informação que não é protegido pelas leis atuais – adverte Rebecca Herold, consultora de privacidade e segurança.

Pegando carona na rede inteligente, o PowerMeter do Google e o Hohm da Microsoft são ferramentas de gestão de energia online que os consumidores podem usar para analisar os dados de eletricidade da própria residência.

– Nós reconhecemos nossa responsabilidade para proteger os dados que os usuários confiam a nós (…) não vendemos informação pessoal de usuários – disse o Google em testemunho à Comissão de Concessionárias da Califórnia em abril.

Existe o risco de a informação cair nas mãos de criminosos. O medidor inteligente pode “dizer a um ladrão que tipos de aparelhos você tem, que tipo de TV de tela plana você tem e quando você não está em casa para roubálo”, alerta Quinn, autor do estudo da comissão de concessionárias de Colorado.

Para garantir, analistas de cibersegurança dizem que seria necessária análise computadorizada sofisticada dos dados para obter esse tipo de detalhes sobre uma residência.

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