Pesquisador cria sistema móvel de placas de energia solar

Fonte: Jornal da Energia – 15.06.2010 Por Gabriel Araújo

Um sistema mais eficiente de geração de energia solar foi criado pela Unesp. Trata-se de placas solares móveis, capazes de acompanhar a posição dos raios solares durante o ano. Novidade que, se chegar ao mercado, poderá movimentar o setor e trazer benefícios energéticos e ambientais.

O modelo foi desenvolvido pelo professor da Faculdade de Engenharia da Unesp (FEB), Alceu Ferreira Alves, e teve origem a partir de uma pesquisa para sua tese de doutorado. O estudo contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp).

A placa móvel utiliza um sistema mecânico para gerar os movimentos e um dispositivo eletrônico que calcula a posição do Sol e envia os comandos para um conjunto de dois motores de passo. “A inclinação do painel é mantida constante ao longo do dia e há um movimento apenas do ângulo equivalente ao fuso-horário da Terra, ajustando a posição do painel a cada quatro minutos. A inclinação do painel só muda quando há uma diferença entre a posição real do painel e um ângulo de incidência superior a um grau, o que ocorre aproximadamente a cada quatro dias”, explica Alves.

A proposta do professor é voltada para aplicação em pequenas propriedades rurais isoladas, na construção de grandes parques fotovoltaicos, uso residencial em centros urbanos e na geração distribuída de eletricidade em conjunto com outras fontes de energia, como eólica, térmica, entre outras.

O novo sistema tem capacidade para produzir 53% mais energia se comparado a sistemas fotovoltaicos fixos, ou seja, o modelo da Unesp não consome muito da energia que produz. Vantagem que pode se transformar em retorno de capital, já que o custo 35,7% superior a um sistema convencional é compensado pela maior geração de energia elétrica. O seu encarecimento se deve ao alto custo de implantação e por causa do alto preço do silício, material utilizado para fabricar os painéis fotovoltaicos.

Por enquanto, apenas um protótipo de 50W foi construído. Porém, de acordo com o professor, a tecnologia permite que se construam usinas geradoras de qualquer potência, bastando apenas que se multipliquem o número de painéis instalados e o sistema de movimentação.

Entre as características que o diferenciam de outros sistemas comercializados hoje, estão a não utilização de sensores, o que diminui a possível interferência de sombras ou nuvens; o movimento de apenas um motor durante o dia, economizando parte da energia gerada; e o uso de motores de passo, em vez de motores de corrente contínua, o que torna o sistema mais simples e exclui a necessidade de retroalimentação.

Segundo Alves, o objetivo inicial não era comercial, mas, após a divulgação, foram recebidas algumas propostas de industrialização e comercialização, que estão sendo analisadas, visando à continuidade das pesquisas, para tornar o sistema ainda mais inteligente e viável.

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Concentrar o Sol para ter energia

Fonte: Jornal de Notícias -- 18.04.2010

Portugal -- Um projeto inovador de concentração solar com um aproveitamento duplo -- térmico e elétrico -- e com rendimentos globais acima dos 70% está em fase de lançamento na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Quando começar a ser comercializado, passará a ser possível e rentável, em qualquer prédio habitacional, aquilo que agora não o é com os painéis solares: produzir eletricidade, ao mesmo tempo em que se processa o aquecimento da água. O projeto, chamado de EFISTEC (Efficient Solar Technology), venceu a primeira edição do concurso de ideias e negócio -- iUP25K -- promovido pela Reitoria da Universidade do Porto. Os seus mentores são Leonel Ramos (aluno de doutorado em Engenharia Civil) e Hugo Gonçalves (do Programa de Doutorado em Engenharia Eletrotécnica e Computadores), que receberam o prêmio de 15 mil euros e a possibilidade de incubação no Parque de Ciência e Tecnologia da UP.

Os dois engenheiros partiram da constatação da impossibilidade de, nas zonas urbanas, e mais concretamente nos edifícios habitacionais, conjugar -- por falta de espaço nas coberturas -- painéis térmicos solares (usados para o aquecimento de água) e painéis fotovoltáicos (para a produção de eletricidade). Encontrar um novo sistema modular com aquela dupla função, destinado às zonas urbanas, mostrava-se uma ideia brilhante, motivada quer pelo constante aumento do petróleo quer pelo aparecimento dos automóveis elétricos, que exigirão aos consumidores maiores gastos com eletricidade.

O EFISTEC consiste em módulos de pequena dimensão, com cerca de dois metros quadrados e com um conjunto de pequenos espelhos, num total que pode variar entre 30 e 50. Esses espelhos seguem a orientação solar, graças a um controlador computadorizado, e enviam os feixes solares para uma pequena torre concentradora, do tamanho de uma antena de televisão. Esse módulo concentrador tem uma eficiência de produção elétrica entre 30% e 40% e uma eficiência de aquecimento de água de 35%, num total de 75% de eficiência conjunta.

Leonel Ramos disse que os primeiros estudos já realizados permitem concluir que há mercado para o novo produto. “Um mercado forte é a hotelaria, onde os custos energéticos são avultados”, indicou. Com a patente já registada, o projeto poderá estar em fase de comercialização dentro de ano e meio. Para já, os seus promotores pretendem realizar um protótipo não otimizado de forma a captar investimento. Só mais tarde surgirá a implementação do produto e o início da comercialização. O EFISTEC envolve um investimento total da ordem dos 400 mil euros, incluindo a primeira instalação à escala real num hotel.

Segue vídeo demonstrativo da tecnologia:

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Indústria da energia solar faturou US$38 bilhões em 2009

Fonte: Inovação Tecnológica – 08.04.2010

Energia solar no mundo

As usinas solares fotovoltaicas no mundo todo atingiram um recorde de 6,43 gigawatt (GW) em 2009, um crescimento de 6% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório Solarbuzz 2010, uma pesquisa de mercado internacional sobre a energia solar.

A indústria fotovoltaica gerou US$ 38 bilhões em receitas globais em 2009 e levantou mais de US $ 13,5 bilhões em aportes de capital, por investimento ou por empréstimos, um aumento de 8% sobre o ano anterior.

Energia solar por país

Segundo o relatório, os países europeus contam com 4,75 GW de capacidade instalada de geração elétrica fotovoltaica, ou 74% da produção mundial em 2009.

Os três principais países produtores da Europa são: Alemanha, Itália e República Checa, que em conjunto contam com 4,07 GW. Todos os três países apresentaram crescimento na demanda por energia solar, com a Itália tornando-se o segundo maior mercado do mundo.

Por outro lado, a demanda por energia solar na Espanha caiu para apenas 4% do seu nível no ano anterior. O terceiro maior mercado no mundo é representado pelos Estados Unidos, que cresceram 36%, atingindo 485 MW.

Logo atrás está o renascente Japão, que ficou em quarto lugar depois de crescer nada menos do que 109% em relação ao ano anterior.

Produção mundial de células solares

A produção mundial de células solares atingiu um valor consolidado de 9,34 GW em 2009, acima dos 6,85 GW no ano anterior, com as células de película fina representando 18% desse total.

A produção da China e de Taiwan continuou a crescer em participação e agora representa 49% da produção global de células solares.

As importações líquidas de células solares foram responsáveis pelo suprimento de 74% do total da demanda da Europa.

Os sete principais fabricantes de células fotovoltaicas de silício policristalino tinham uma capacidade instalada de 114.500 toneladas/ano em 2009, 92% a mais do que em 2008.

Já os oito maiores fabricantes de wafers (pastilhas de silício) representaram 32,9% da capacidade de global de produção desse material em 2009.

A produção de células solares acima da demanda do mercado causou uma queda de 38% no preço médio ponderado dos módulos de silício cristalino em 2009 em relação ao nível do ano anterior. Esta redução nos preços do silício cristalino também teve o efeito de minar as vantagens de preço das emergentes células de película fina.

Futuro da energia solar

Olhando para o futuro, o relatório prevê que o setor voltará a crescer em 2010, uma situação que deverá se manter ao longo dos próximos cinco anos.

Mesmo no cenário de crescimento mais lento, estima-se que o mercado global terá 2,5 vezes o seu tamanho atual em 2014. Usando a previsão de crescimento mais otimista, o faturamento anual da indústria se aproximará de US$ 100 bilhões até 2014.

“O desempenho da indústria em 2009 foi notável no sentido de que conseguiu mais do que substituir integralmente a lacuna dos 2,3 GW na demanda causada pela mudança na política da Espanha,” comentou Craig Stevens, presidente da Solarbuzz.

“Olhando para frente, a indústria verá um retorno ao crescimento rápido, mas em um ambiente de baixa margem de lucratividade. Nossa análise demonstra que uma ampla gama de mercados emergentes vão ajudar a compensar a desaceleração na demanda alemã no segundo semestre de 2010,” diz o analista.

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Solução que vem do céu

Fonte: Agência FAPESP – 15/03/2010 – Por Alex Sander Alcântara

A crise energética e a busca por energias renováveis têm reacendido o debate sobre fontes alternativas como a fotovoltaica, na qual células solares convertem luz diretamente em eletricidade. Mas no Brasil, país que pela área, geografia e localização, entre outros fatores, é potencialmente favorável para o desenvolvimento de sistemas fotovoltaicos, existe um atraso em relação a outros países.

Esse foi um dos diagnósticos apresentados durante o Workshop em Energia Fotovoltaica, realizado na semana passada na sede da FAPESP. O objetivo do evento foi reunir especialistas para discutir desafios científicos e tecnológicos de curto, médio e longo prazos no setor, além de expor o panorama mundial de desenvolvimento da pesquisa e inovação, recursos e lacunas existentes nas universidades e centros de pesquisa no Estado de São Paulo.

De acordo com Cylon Gonçalves da Silva, professor emérito do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador adjunto da FAPESP para Programas Especiais, o objetivo maior do workshop foi fazer uma prospecção do que já existe no Estado de São Paulo em pesquisa e desenvolvimento na área de eletricidade fotovoltaica.

“A partir disso, pretendemos avaliar se caberia ou não à FAPESP a criação de um programa específico nessa área. Como todo programa específico da Fundação, será necessário demonstrar não apenas sua relevância técnico-científica, mas também o diferencial de contribuição para o desenvolvimento de São Paulo que ele pode propiciar”, disse à Agência FAPESP.

Os participantes, ligados a grupos de pesquisa no Estado de São Paulo, apresentaram diversos aspectos relacionados ao tema. As palestras abordaram, em linhas gerais, o desenvolvimento de células solares e de módulos fotovoltaicos, a necessidade de se produzir silício de alta pureza (o chamado silício de grau solar), a reativação dos laboratórios e a necessidade de uma política nacional na área para viabilizar a produção em larga escala, entre outros aspectos.

A energia solar fotovoltaica é a forma de produção de eletricidade que mais cresce no mundo atualmente. Segundo estudos do Instituto de Energia da Universidade da Califórnia e da Associação das Indústrias Fotovoltaicas Europeias, desde 2003 o índice de expansão dessa indústria ultrapassa 50% ao ano.

Para o professor Francisco Marques, do Instituto de Física da Unicamp, que apresentou o panorama da pesquisa fotovoltaica no mundo, esse índice extraordinário só foi possível devido à integração dos sistemas fotovoltaicos integrados à rede pública convencional de energia.

“Como é uma energia intermitente, acoplada à rede, não há necessidade de baterias para armazenamento. O Brasil tem tido um crescimento muito lento em aplicações isoladas. Para ter uma expansão acelerada – como a que vem ocorrendo em vários países da Europa –, terá de desenvolver sistemas integrados à rede elétrica”, afirmou.

Roberto Zilles, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), abordou os sistemas periféricos de armazenamento das energias fotovoltaicas e destacou a reduzida produção nacional por esse sistema.

“Temos apenas cerca de 20 MW de capacidade instalada para geração de energia fotovoltaica em sistemas isolados, que são empregados em bombeamentos de água e eletrificação rural, em áreas na Amazônia, no Norte e no Nordeste”, disse. Esse valor daria, por exemplo, para o consumo de uma pequena cidade com cerca de 2 mil a 3 mil habitantes.

Segundo Zilles, a iniciativa com sistemas isolados está contemplada na resolução 83 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 2004, que estabelece os procedimentos e as condições de fornecimento de sistemas individuais de geração de energia elétrica com fontes intermitentes, que contempla as fontes solar, eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas.

Custo energético

“A raiz do problema que emperra a expansão brasileira na área esbarra na produção do silício. As células mais importantes e consolidadas no mercado são as fabricadas à base de silício”, disse Henrique Toma, professor do Laboratório de Nanotecnologia Molecular da USP, que apresentou estudos desenvolvidos sobre síntese de novas moléculas e de fotossíntese artificial, uma área ainda em desenvolvimento no país.

Depois do oxigênio, o silício é o elemento químico mais abundante na crosta terrestre. Para o professor Paulo Roberto Mei, do Departamento de Engenharia de Materiais, da Unicamp, não faz sentido investir em um produto em que se tem perdido mercado, no caso o silício metalúrgico. O Brasil exporta essa forma impura do mineral a US$ 2 o quilo, enquanto importa o silício de alta pureza, para uso na indústria eletrônica, a US$ 60 o quilo.

“Vendemos a forma impura, que é muito fácil de fazer e não usa praticamente nenhuma tecnologia. Mas o problema é que, para isso, gasta-se muita energia, além de produzir muito material particulado, que polui o meio ambiente. No Brasil, temos uma legislação rigorosa que obriga a usar filtros muito eficientes, o que é muito bom. Mas, resumindo, o processo é caro e a venda não é lucrativa”, explicou.

Segundo ele, o país vem perdendo espaço para a China e para a Índia nessa produção. “Eles conseguem produzir o mesmo silício metalúrgico com um custo menor. A China detinha 25% do mercado mundial há alguns anos e hoje tem quase 70%. Indústrias brasileiras têm sido compradas por empresas norte-americanas para transformar o silício metalúrgico em silício de alta pureza. Do ponto de vista estratégico para o país, isso é um desastre”, disse Mei.

O professor da Unicamp destaca que o silício poderia ser usado não apenas para a produção de energia fotovoltaica, mas na indústria de microeletrônica, isto é, de semicondutores.

Outra discussão importante no workshop foi o custo energético. Entre todas as formas de energia limpa, a fotovoltaica ainda é a mais cara. “Em uma análise apenas econômica, talvez se conclua que importar é mais fácil, por ser mais barato. Mas existem outros aspectos. Quando os norte-americanos levaram o homem à Lua, pode não ter significado muito do ponto de vista econômico em um primeiro momento, mas gerou um parque industrial incrível”, disse Mei.

Mas a discussão política na área de fotovoltaicos parece caminhar na direção da importação. Já está em curso no Senado o projeto de número 336/2009 que isenta do imposto de importação, que é de 12%, as empresas estrangeiras que fornecerem células fotovoltaicas, módulos em painéis e seus periféricos.

Pelo projeto proposto, todos os estádios da Copa de 2014, que será no Brasil, utilizariam energia fotovoltaica. De acordo com Roberto Zilles, o projeto, que tem apenas um parágrafo, tem grandes chances de aprovação.

“Mas, se o objetivo é incentivar o desenvolvimento de tecnologia fotovoltaica – seja a produção de células ou de elementos periféricos –, isentar de impostos os produtos prontos tira a perspectiva em relação à pesquisa, desenvolvimento e inovação nessa área no país”, disse.

Geração potencial

No campo do desenvolvimento de células fotovoltaicas, o Brasil tem acompanhado as pesquisas de ponta internacionais, mas ainda em nível experimental. De acordo com Ana Flávia Nogueira, do Instituto de Química da Unicamp, atualmente o Laboratório de Nanotecnologia e Energia Solar (LNES) da Unicamp já desenvolve células com materiais nanoestruturados, as chamadas células de terceira geração.

“A grande vantagem é que o custo desses materiais é baixo. Já conseguimos utilizar em aplicações menores, como em mochilas solares, utilizadas para carregar baterias de notebooks, por exemplo”, disse no workshop na FAPESP.

O problema, segundo ela, é que a eficiência energética da conversão da energia da radiação solar em energia elétrica ainda não é satisfatória, girando em torno de 6,5%. Atualmente, a média mundial de eficiência é de 14% e as melhores células no mercado não ultrapassam os 20%.

As células da primeira geração utilizavam o silício monocristalino. As de segunda, os filmes finos e, atualmente, as da terceira geração empregam células fotovoltaicas orgânicas ou células fotovoltaicas híbridas orgânicas/inorgânicas.

“Os dispositivos fotovoltaicos baseados em silício monocristalino representam uma tecnologia completamente dominada e que apresenta elevado índice de conversão de energia solar em elétrica. Mas o custo de produção e de manutenção torna inviável seu uso em larga escala”, disse Roberto Mendonça Faria, do Instituto de Física de São Carlos da USP.

Segundo ele, a tecnologia produzida a partir dos semicondutores amorfos e de óxidos, na forma de filmes finos (segunda geração), vem se mostrando viável do ponto de vista econômico. Mas o destaque está mesmo na terceira geração.

“A nova geração de tecnologia dos dispositivos orgânicos é de fácil processamento, baixo custo de fabricação e muito versátil. Eles ainda não apresentaram eficiências energéticas aceitáveis, mas as pesquisas vêm se desenvolvendo rapidamente. É preciso um mecanismo para coordenar os vários grupos de pesquisa no Brasil a fim de viabilizar a fabricação desses dispositivos para torná-los mais eficientes na aplicação”, defendeu.

Nos encaminhamentos do workshop, os participantes se dividiram em três grupos de trabalho. Cada um elaborará um documento com a análise dos principais aspectos discutidos no workshop, focados principalmente nas três gerações de células solares. O objetivo é que, a partir dos documentos, seja realizado um novo encontro.

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Até o último raio de sol

Fonte: Jornal da UNICAMP – Ed. 8 a 14 de março de 2010 – JEVERSON BARBIERI

O desenvolvimento do pri­meiro conversor eletrônico de potência trifásico para a conexão de painéis solares à rede elétrica brasileira inaugura uma nova etapa no aproveitamento da energia solar no país. Com grau de eficiência de 85%, o protótipo de laboratório teve um custo da ordem de R$ 15 mil, financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os testes foram realizados entre dezembro e janeiro, nas instalações do Laboratório de Hidrogênio (LH2), do Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW), onde já funciona uma planta piloto de geradores alternativos conectada à rede da CPFL Paulista. A pesquisa foi conduzida pelo doutorando Marcelo Gradella Villalva e orientada pelo professor Ernesto Ruppert Filho, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC).

De acordo com Ruppert, não se tem notícia até o momento de nenhum outro conversor eletrônico similar que tenha sido desenvolvido por empresa ou instituto de pesquisa brasileiro e que tenha sido colocado em operação e testado com êxito numa instalação de paineis solares com capacidade de 7,5 kW. “Este conversor substituiu plenamente, durante o período de testes, os três conversores eletrônicos monofásicos adquiridos da empresa alemã SMA, que estão atualmente ligados a esses paineis solares”, afirmou o orientador. Diante dos resultados, o próximo passo é buscar parceiros interessados na industrialização do conversor.

Vantagens

Ainda que o protótipo tenha consumido R$ 15 mil, Ruppert lembrou que a Fapesp destinou R$ 70 mil ao projeto todo, uma vez que foi necessário montar uma bancada com todos os equipamentos de medição e de testes. Especificamente com relação ao protótipo, o orientador da pesquisa calcula que em escala de produção o conversor tenha um custo final aproximado de R$ 10 mil. “Existem alguns componentes que poderiam custar muito menos, caso já estivesse em escala industrial. Se compararmos o custo final de R$ 10 mil com o custo do conversor importado, isso significa uma redução de um terço. É realmente muito vantajoso nacionalizar essa tecnologia”, assegurou.

Villalva explicou que todas as fontes renováveis necessitam de algum tipo de conversor eletrônico de potência para poder fazer o aproveitamento adequado da energia elétrica produzida. Os paineis fotovoltaicos geram energia elétrica em tensão e corrente contínuas, que não podem ser utilizadas na rede elétrica. Portanto, o papel do conversor é transformar a tensão e a corrente da forma contínua para a alternada. Ainda segundo o doutorando, existe uma dificuldade muito grande em obter equipamentos para paineis fotovoltaicos, o que causa uma dependência de tecnologia importada, como o caso dos conversores alemães instalados no LH2. “Por este motivo resolvemos desenvolver um equipamento nacional. Atingimos a eficiência de 85%, no entanto o objetivo agora é chegar aos 90% para alcançar a tecnologia alemã”, assegurou.

Gargalo

Para o doutorando, a tecnologia de energia solar ainda não avançou no Brasil porque os paineis são muito caros. Ademais, existem outras formas de energia mais baratas. Outro ponto fundamental lembrado por Villalva é que, no Brasil, ainda não foi criada a cultura de geração distribuída de energia. “Isso não foi ainda devidamente regulamentado para pequenos produtores”, afirmou. Nos países mais avançados é possível ter em casa um painel solar e um conversor eletrônico gerando energia junto com a rede elétrica.

Porém, isso deve surgir em breve por aqui, prevê o pesquisador. E quando isso acontecer seguramente gerará uma demanda de mercado. “Se não tivermos um produto próprio com tecnologia nacional, vamos continuar importando dos Estados Unidos e da Alemanha. Portanto, o gargalo está na tecnologia cara dos paineis, na inexistência de um mercado que force o barateamento dessa tecnologia no país e, por último, a ausência de tecnologia nacional de conversores eletrônicos.”, garantiu Villalva.

Além disso, ele mencionou a necessidade de uma política de incentivo para essas energias. Segundo o pesquisador, em Brasília já tramitam diversos projetos de lei nesse sentido e se forem realmente aprovados, o Brasil passará a ser um país de energia limpa. “No estado atual, isso não existe. Existem pequenos projetos, porém isolados. Não há uma massificação da energia alternativa limpa e isso é uma coisa desejável porque dispomos de muito sol e vento”, disse. Atualmente, a líder em tecnologia na área de energia solar é a Alemanha, onde já estão instalados 6500 MW de geração fotovoltaica, o que significa metade da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu. Com níveis de irradiação solar superiores aos da Alemanha, o Brasil ainda tem uma geração de energia solar praticamente desprezível em sua matriz energética.

O fato de ter energia hidráulica em abundância também tem contribuído muito na falta de investimento em usinas de geração solar. Em termos de meio ambiente a energia solar é muito melhor. A hidráulica, mesmo considerada limpa, requer mudanças na geografia e no clima da região.

Ruppert afirmou que na Europa e nos Estados Unidos a utilização de geradores de energia elétrica conectados à rede secundária de distribuição por pequenos consumidores individuais já é uma realidade. A tecnologia de pequenos conversores para painéis solares fotovoltaicos é amplamente empregada e divulgada nesses países. Consumidores são incentivados e subsidiados por agências governamentais para a instalação de sistemas de geração residenciais conectados à rede elétrica. Painéis solares e conversores eletrônicos para a conexão com a rede são produtos facilmente encontrados no mercado e acessíveis ao grande público nos países desenvolvidos.

Além das vantagens para o usuá­rio, módulos fotovoltaicos com pequenos conversores eletrônicos de potência descentralizam o processamento da energia e diminuem custos e necessidade de espaço físico em um mesmo local. Dessa forma, um conjunto de geradores fotovoltaicos pode ser instalado em qualquer ambiente em que haja incidência de raios solares, sem demandar áreas específicas, podendo ocupar telhados ou paredes. “A integração de paineis solares com a arquitetura predial é hoje uma prática comum e que rende bons resultados estéticos, ambientais e econômicos, pela energia elétrica gerada e pela redução dos custos de construção. Os módulos fotovoltaicos podem ser utilizados como elementos de acabamento arquitetônico, tornando seu uso ainda mais interessante”, disse Ruppert. Esses módulos podem ser instalados em quaisquer tipos de construções como residências, condomínios, escolas, creches, hospitais e outros locais públicos, uma vez que não há grandes restrições de espaço para instalação e não há emissão de ruídos, resíduos, ou qualquer tipo de poluição, ressalta o orientador da pesquisa.

No caso brasileiro, o professor aponta que os grandes aproveitamentos decorrentes desse tipo de tecnologia dependem basicamente de dois fatores. O primeiro, da regulamentação e da atitude do governo de ter geração fotovoltaica e o segundo, do interesse da iniciativa privada, uma vez que empresários interessados na área deverão surgir. É um investimento que se paga a médio prazo. “Já existe um certo consenso de que toda a energia alternativa existente não ultrapassará 30% do que o mundo necessitará. Um dia teremos que caminhar para a energia nuclear, porém antes precisamos aproveitar o que existe disponível de energia limpa”, alertou Ruppert.

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Carro movido à energia solar já é realidade no Japão

Fonte: Jornal Nacional Ed. 10.12.2009

Feira mostra novidades tecnológicas que ajudam a preservar o meio-ambiente, como cataventos para se ter em casa, painéis solares para prédios, e patinete-robótico que percebe o movimento do corpo.

Enquanto o planeta discute os efeitos da ação do homem sobre o clima, muitas empresas da Ásia foram estimuladas pelos governos a criar produtos mais econômicos, que utilizem fontes de energia renováveis.

Numa feira, no Japão, o nosso correspondente Roberto Kovalick encontrou algumas dessas novidades.

A feira mostra que, para salvar o planeta, teremos que mudar a nossa vida e para melhor.

Uma empresa de Taiwan oferece um catavento bem menor e mais barato do que os tradicionais. Pode ser instalado no quintal ou no alto do prédio. Segundo o fabricante, economiza 30% na conta de luz e produz energia com qualquer ventinho, até de um ventilador, mostra ele.

As estrelas são os painéis solares. Se depender dos asiáticos, eles estarão por toda a parte: cobrindo inteiramente os prédios.

E até no espaço. Daqui a 40 anos os japoneses planejam ter painéis que captem a luz diretamente do sol, sem a interferência da atmosfera terrestre. A energia será transformada em microondas e enviada para a terra.

O futuro ecológico pode também ser muito econômico. Já imaginou um carro em que o motorista não precise nenhum centavo para abastecer? Ele já existe.

Por enquanto, é um carrinho de golfe, fabricado na China e já usado em vários países. Enquanto houver sol, ele roda sem precisar limites. Num dia nublado ou à noite, as baterias escondidas embaixo do banco garantem mais 100Km de autonomia.

O representante da fábrica diz que o primeiro modelo de carro solar que poderá rodar nas ruas será lançado no ano que vem.

Deve ser o sucessor dos carros híbridos, que funcionam com gasolina e eletricidade e são líderes de venda no Japão, e dos carros totalmente elétricos que já estão à venda na Ásia.

Para trajetos curtos, não será necessário pegar o carro. O patinete-robótico percebe, pelo movimento do corpo, a direção que o usuário quer seguir e o leva até o destino. É a tecnologia tornando mais fácil a tarefa de cuidar do planeta.

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Smart grid: quando eu vou ter a minha?

Fonte: Blotheco – 21.11.2009 — Jana de Paula

Quando visitei Tel Aviv, em 2001, fiquei muito bem impressionada com a capacidade do governo e da população aproveitarem o que, por lá, há de sobra – luz solar. Qualquer apartamento ou casa dispõe de painéis de energia solar o que – além de resolver um problema de escassez de outra fonte de energia, a água – é de consumo barato, eficiente e não poluente. Não que a escassez de água impeça que os jardins espalhados pela “Nascida do Deserto” (uma péssima tradução de Tel Aviv) estejam verdejantes. Minúsculas mangueiras ‘pingam’ ininterruptamente hidratando as folhagens e permitindo o verde naquela terra árida. E pouca gente se importa que os belos carros fiquem cobertos de poeira. Ninguém pensa em desperdiçar água lavando carros… Em 2010, o imponente aeroporto local, Ben Gurion, irá funcionar a partir de energia solar. E a gente pode imaginar o quanto um aeroporto internacional de seu porte exige em energia para alimentar redes de computadores, iluminação e um longo etc.
No Brasil, embora haja luz solar em abundância, o governo e as prestadoras de energia insistem em usar os nossos por enquanto inesgotáveis mananciais de água ou a sinistra energia nuclear e, mesmo assim, sem muita eficiência – o que foi demonstrado no recente apagão que deixou 18 estados brasileiros sem energia por horas e horas. Embora a smart grid não resolva o problema na fonte geradora de energia, pois ela apenas distribui a energia de forma inteligente e descentralizada, trata-se de uma tecnologia cada vez mais adotada por governos, prestadoras e população interessados em reduzir a emissão de carbono, tornar o fornecimento mais barato e eficiente e certamente reduzir o tamanho das filas nas salas de atendimento ao usuário das prestadoras.
A smart grid pode resolver tudo isso e não é à toa que se investem bilhões de dólares nele. Abaixo, escolhermos trechos do artigo “FAQ: What the smart grid means to you“, de Martin LaMonica publicado no site CNet, onde o autor narra numa linguagem acessível a leigos algumas das vantagens do smart grid. Neste artigo, a gente sabe que não é apenas num país emergente como o nosso que falta regulamentação e empenho das utilities. E também de que ainda é cedo para se definir uma kill app do smart grid que, como ocorreu com a internet, deve levar décadas para se estabelecer.
De qualquer forma já é hora de se pensar seriamente sobre isto. Um país como o nosso, com abundância de luz solar e dos ventos, só teria a ganhar substituindo – e descentralizando – a geração de energia para fontes limpas. E é aí que entra a smart grid. Pode ser que o país precise de novos caças aéreos. Mas precisa muito mais de usar a cabeça e aproveitar melhor tudo o que temos em abundância para o bem da população.
Segue o artigo:
A smart grid, como a internet e as rodovias interestaduais – começa a receber investimentos gigantescos em infra-estrutura em todo o mundo. O objetivo principal é dar ao sistema elétrico uma pátina digital para torná-lo mais eficiente e confiável. Governos e empresas prestadoras de serviços públicos (utilities) dedicam bilhões de dólares para lançar novas linhas de transmissão e tornar a rede elétrica operante de uma forma muito próxima às redes de informática, que acessamos diariamente.
Grandes fornecedores de tecnologia e centenas de start-ups disputam lugar de destaque no segmento das redes inteligentes. A construção de uma smart grid significa incrementar a rede elétrica existente com tecnologia da informação e de comunicações. Com a sobreposição da tecnologia digital, a rede promete operar de forma mais eficiente e confiável. Ela também pode acomodar mais energia solar e eólica, fontes de energia que podem se tornar mais confiáveis e com maior controle. Assim como computadores e roteadores gerenciam o fluxo de bits na Internet, as tecnologias de smart grid usam a informação para otimizar o fluxo de eletricidade. Hoje em dia, quando há uma avaria em determinada subestação, a prestadora do serviço, em geral, só descobre quando os clientes ligam para reclamar.  A instalação de uma rede de sensores num transformador ou ao longo dos fios consegue localizar e relatar um problema, ou mesmo impedir que aconteça.
Embora vivamos na era da informação, a maioria de nós dá conta do próprio consumo de energia somente quando as contas de serviço público chegam, uma vez por mês. Nas casas das pessoas, a smart grid pode significar uma informação mais detalhada, através de ferramentas de monitoramento instaladas nas próprias residências. Baseadas em programas de web, elas dão uma visão em tempo real da quantidade de energia que se consome e detalhes sobre os aparelhos que consomem mais, e como seu consumo se compara ao de outros. Uma informação deste tipo pode permitir que alguém, só ao mudar um aparelho de barbear, reduza a conta de eletricidade entre 5 a 15%.
Em teoria, aplicações de rede são mais inteligentes e eficientes. A companhia GE e a start-up Tendril, produtora de displays, por exemplo, testam os aparelhos grandes – geladeiras, máquinas de lavar etc. – para obter informações sobre a flutuação dos gastos de eletricidade e como torná-los mais eficientes. O próximo passo na direção da eficiência é a chamada resposta à demanda. O objetivo aqui é reduzir o consumo de energia nos horários de pico. Isto é muito importante para as utilities reduzirem o uso de energias caras e poluentes  ao se atender, por exemplo, um pico de demanda da carga de ar condicionado num dia quente de verão. A idéia é fornecer incentivos para consumidores e as empresas que participem do programa. Isto pode significar a interrupção de secador de roupa ou a redução das luzes de um supermercado ao meio do dia.
Uma smart grid também faz a distribuição de energia, com sistemas solares em casa, mais viáveis e de fácil utilização. Com um medidor inteligente e software de monitoramento, uma casa pode ver o quanto os painéis solares produzem e o quanto reduzem a emissão de carbono. A prestadora também se interessa em saber quanta energia distribuída está disponível para que possa calibrar sua geração própria de energia diária.
Quais são alguns exemplos?
Em Charlotte, EUA, quando o sol brilha, ele gera  50 kilowatt  de eletricidade para as casas do bairro, através de uma rede smart grid. Também alimenta a bateria, garantindo à área algumas horas de energia de reserva, no caso de uma interrupção, ou criando excedente para os horários de pico. Os consumidores podem aderir aos programas de resposta à demanda para obter uma redução na sua conta. Uma as prestadoras mais agressivas de  Charlotte, a Duque Energy, planeja ter milhões de contadores inteligentes instalados nas casas durante os próximos dois anos. Além disso, prevê a instalação de sensores ao longo das linhas de alimentação e equipamentos de rede, como roteadores, em subestações e transformadores. Nas casas das pessoas, equipamentos individuais, como aquecedores de água, poderão ser também interligados à rede. O projeto reflete como as utilities parecem seguir o caminho da indústria de informática, que passou do processamento centralizado com mainframes para um com arquitetura mais distribuída e diversa em termos de tecnologia.
O fato é que a smart grid se prepara para ser um mash-up gigante capaz de reunir as companhias de eletricidade, informática e de comunicações. As empresas peso pesado da área de tecnologia são Cisco, IBM, Microsoft e Google – todos com iniciativas sérias nesta área e que se unem aos executivos das grandes utilities para trabalhar em programas de rede inteligente.
A IBM, que vê muitos cifrões quando se envolve em projetos de grandes infra-estruturas, constrói a espinha dorsal da tecnologia para muitos programas de modernização da rede. Isso inclui a instalação de equipamentos de comunicação ao longo da grade, bem como o software e servidores para o processamento das montanhas de dados que precisam ser processados. A Cisco, também, quer saltar com ambos os pés numa ampla iniciativa para fornecer equipamentos de rede para os serviços públicos, bem como ferramentas de gestão de energia em casa. A Verizon vê a rede doméstica como um ponto para coletar dados sobre o uso de energia em casa e, potencialmente, o controle da iluminação e aparelhos para melhor eficiência.
Microsoft e Google vão atrás dos consumidores, além de tentar assinar acordos com prestadoras parceiras.
Há também um punhado de start-ups na área, muitas das quais com foco em energia. Entre elas, a Silver Spring Networks, que oferece um cartão sem fio para contadores inteligentes. Finalmente, há a infra-estrutura elétrica em si: medidores, transformadores, equipamentos de transmissão e outros hardwares que fazem o tique-taque da smart grid. Além de um número significativo de pequenos fabricantes de smart meter, há as grandes empresas de infra-estrutura global como a GE e a Siemens ABB que introduzem modernos sistemas de controle para gerenciar o fluxo de eletricidade.
OK, então o smart grid pode reduzir o desperdício de energia, dar aos consumidores uma melhor informação, e permitir que a rede a utilizar mais energia solar e eólica. Mas, por onde começar?
As utilities investem um percentual menor da receita em tecnologia do que a maioria das indústrias. Isso ajuda a explicar por que ouvimos falar sobre smart grid há dez anos, mas muito poucos de nós realmente se beneficiam dela.
Mas a falta de investimento é apenas uma parte da questão. Enquanto a maioria investe em centrais de vários bilhões de dólares – para aumentar sua capacidade de vender mais quilowatts-hora, as utilities mais progressistas encontram formas de justificar seus investimentos em smart grid na economia de energia. No entanto, muitas destas companhias não se entusiasmam por causa da regulamentação.
A peça-chave de regulação da rede inteligente é o preço do tempo por dia, que deve refletir o custo variável de entrega de energia a cada dia. Um tipo de preço diferenciado permitirá ao consumidor tirar partido de tarifas de pico, mas esta não é a norma em muitos estados. Assim, há falta de normas para um número estonteante de tarefas. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, que é responsável por estabelecer um quadro para a interoperabilidade de padrões de smart grid, lançou recentemente um roteiro, mas todos concordam que há muito trabalho a ser feito.
O lado do consumidor
Entre todos os desafios técnicos e de negócios, há a questão da aceitação do consumidor. Os consumidores, em geral, são suscetíveis de receber informações mais detalhadas sobre a  eletricidade, o gás natural e a água que usam. Mas, mesmo com a promessa de economia de energia, não está claro se as pessoas estão dispostas a pagar mais para terem à disposição as ferramentas de gestão. Algumas pessoas e empresas estão dispostas a permitir que uma prestadora se comunique com elas através de um medidor inteligente que controle remotamente o termostato do ar condicionado em troca de tarifas mais baratas. Mas, estes programas de busca por demanda claramente não são para todos. O truque para programas de resposta bem sucedidos é atrair os consumidores com contas de luz menores, sem ser invasivo ou forçar uma mudança dramática, dizem executivos do setor.
Finalmente, as empresas de tecnologia precisam ser rentáveis, mas muitas das tecnologias e modelos de negócios precisam ser resolvidas. Há ainda alguma preocupação de que uma mini-bolha de investimento paire sobre as redes inteligentes.
Smart grid é mais segura?
Dado o estado incipiente da rede inteligente, é difícil fornecer um relatório definitivo. Mas, a corrida para modernizar a grade tem obtido o aval de alguns especialistas em segurança, para alertas e controle. Os sistemas de maior utilização da internet em substituição às redes privadas de Fiscalização de Controle e Aquisição de Dados (SCADA), junto ao controle de vazamento das informações das redes atuais dos fornecedores de energia, ainda são vulneráveis, em potencial, dizem os especialistas em segurança. Eles acreditam que uma melhor segurança deve ser construída nos de padrões de rede inteligente e para os profissionais do setor, com as melhores práticas de segurança, de modo a se evitar cortes perigosos.
Então, quando eu terei a minha rede inteligente?
Assim como as rodovias e na internet, o smart grid vai levar anos para ser construído, provavelmente décadas. Os primeiros sinais serão melhores ferramentas de economia de energia para os consumidores, da mesma forma que as ferramentas web levaram aos consumidores melhores ferramentas para gerenciamento das finanças pessoais. Alguns entusiastas vão querer acompanhar de perto o uso de energia e o baixo consumo por razões ambientais e financeiras. Outros podem apenas estabelecer programas de “piloto automático” para tirar partido de tarifas de pico, bem como você pode usar um termostato programável.
Dito isto, é cedo e pode haver uma aplicação killer sobre a plataforma de rede inteligente”.

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Quando visitei Tel Aviv, em 2001, fiquei muito bem impressionada com a capacidade do governo e da população aproveitarem o que, por lá, há de sobra – luz solar. Qualquer apartamento ou casa dispõe de painéis de energia solar o que – além de resolver um problema de escassez de outra fonte de energia, a água – é de consumo barato, eficiente e não poluente. Não que a escassez de água impeça que os jardins espalhados pela “Nascida do Deserto” (uma péssima tradução de Tel Aviv) estejam verdejantes. Minúsculas mangueiras ‘pingam’ ininterruptamente hidratando as folhagens e permitindo o verde naquela terra árida. E pouca gente se importa que os belos carros fiquem cobertos de poeira. Ninguém pensa em desperdiçar água lavando carros… Em 2010, o imponente aeroporto local, Ben Gurion, irá funcionar a partir de energia solar. E a gente pode imaginar o quanto um aeroporto internacional de seu porte exige em energia para alimentar redes de computadores, iluminação e um longo etc.

No Brasil, embora haja luz solar em abundância, o governo e as prestadoras de energia insistem em usar os nossos por enquanto inesgotáveis mananciais de água ou a sinistra energia nuclear e, mesmo assim, sem muita eficiência – o que foi demonstrado no recente apagão que deixou 18 estados brasileiros sem energia por horas e horas. Embora a smart grid não resolva o problema na fonte geradora de energia, pois ela apenas distribui a energia de forma inteligente e descentralizada, trata-se de uma tecnologia cada vez mais adotada por governos, prestadoras e população interessados em reduzir a emissão de carbono, tornar o fornecimento mais barato e eficiente e certamente reduzir o tamanho das filas nas salas de atendimento ao usuário das prestadoras.

A smart grid pode resolver tudo isso e não é à toa que se investem bilhões de dólares nele. Abaixo, escolhermos trechos do artigo “FAQ: What the smart grid means to you“, de Martin LaMonica publicado no site CNet, onde o autor narra numa linguagem acessível a leigos algumas das vantagens do smart grid. Neste artigo, a gente sabe que não é apenas num país emergente como o nosso que falta regulamentação e empenho das utilities. E também de que ainda é cedo para se definir uma kill app do smart grid que, como ocorreu com a internet, deve levar décadas para se estabelecer.

De qualquer forma já é hora de se pensar seriamente sobre isto. Um país como o nosso, com abundância de luz solar e dos ventos, só teria a ganhar substituindo – e descentralizando – a geração de energia para fontes limpas. E é aí que entra a smart grid. Pode ser que o país precise de novos caças aéreos. Mas precisa muito mais de usar a cabeça e aproveitar melhor tudo o que temos em abundância para o bem da população.

Segue o artigo:

A smart grid, como a internet e as rodovias interestaduais – começa a receber investimentos gigantescos em infra-estrutura em todo o mundo. O objetivo principal é dar ao sistema elétrico uma pátina digital para torná-lo mais eficiente e confiável. Governos e empresas prestadoras de serviços públicos (utilities) dedicam bilhões de dólares para lançar novas linhas de transmissão e tornar a rede elétrica operante de uma forma muito próxima às redes de informática, que acessamos diariamente.

Grandes fornecedores de tecnologia e centenas de start-ups disputam lugar de destaque no segmento das redes inteligentes. A construção de uma smart grid significa incrementar a rede elétrica existente com tecnologia da informação e de comunicações. Com a sobreposição da tecnologia digital, a rede promete operar de forma mais eficiente e confiável. Ela também pode acomodar mais energia solar e eólica, fontes de energia que podem se tornar mais confiáveis e com maior controle. Assim como computadores e roteadores gerenciam o fluxo de bits na Internet, as tecnologias de smart grid usam a informação para otimizar o fluxo de eletricidade. Hoje em dia, quando há uma avaria em determinada subestação, a prestadora do serviço, em geral, só descobre quando os clientes ligam para reclamar.  A instalação de uma rede de sensores num transformador ou ao longo dos fios consegue localizar e relatar um problema, ou mesmo impedir que aconteça.

Embora vivamos na era da informação, a maioria de nós dá conta do próprio consumo de energia somente quando as contas de serviço público chegam, uma vez por mês. Nas casas das pessoas, a smart grid pode significar uma informação mais detalhada, através de ferramentas de monitoramento instaladas nas próprias residências. Baseadas em programas de web, elas dão uma visão em tempo real da quantidade de energia que se consome e detalhes sobre os aparelhos que consomem mais, e como seu consumo se compara ao de outros. Uma informação deste tipo pode permitir que alguém, só ao mudar um aparelho de barbear, reduza a conta de eletricidade entre 5 a 15%.

Em teoria, aplicações de rede são mais inteligentes e eficientes. A companhia GE e a start-up Tendril, produtora de displays, por exemplo, testam os aparelhos grandes – geladeiras, máquinas de lavar etc. – para obter informações sobre a flutuação dos gastos de eletricidade e como torná-los mais eficientes. O próximo passo na direção da eficiência é a chamada resposta à demanda. O objetivo aqui é reduzir o consumo de energia nos horários de pico. Isto é muito importante para as utilities reduzirem o uso de energias caras e poluentes  ao se atender, por exemplo, um pico de demanda da carga de ar condicionado num dia quente de verão. A idéia é fornecer incentivos para consumidores e as empresas que participem do programa. Isto pode significar a interrupção de secador de roupa ou a redução das luzes de um supermercado ao meio do dia.

Uma smart grid também faz a distribuição de energia, com sistemas solares em casa, mais viáveis e de fácil utilização. Com um medidor inteligente e software de monitoramento, uma casa pode ver o quanto os painéis solares produzem e o quanto reduzem a emissão de carbono. A prestadora também se interessa em saber quanta energia distribuída está disponível para que possa calibrar sua geração própria de energia diária.

Quais são alguns exemplos?

Em Charlotte, EUA, quando o sol brilha, ele gera  50 kilowatt  de eletricidade para as casas do bairro, através de uma rede smart grid. Também alimenta a bateria, garantindo à área algumas horas de energia de reserva, no caso de uma interrupção, ou criando excedente para os horários de pico. Os consumidores podem aderir aos programas de resposta à demanda para obter uma redução na sua conta. Uma as prestadoras mais agressivas de  Charlotte, a Duque Energy, planeja ter milhões de contadores inteligentes instalados nas casas durante os próximos dois anos. Além disso, prevê a instalação de sensores ao longo das linhas de alimentação e equipamentos de rede, como roteadores, em subestações e transformadores. Nas casas das pessoas, equipamentos individuais, como aquecedores de água, poderão ser também interligados à rede. O projeto reflete como as utilities parecem seguir o caminho da indústria de informática, que passou do processamento centralizado com mainframes para um com arquitetura mais distribuída e diversa em termos de tecnologia.

O fato é que a smart grid se prepara para ser um mash-up gigante capaz de reunir as companhias de eletricidade, informática e de comunicações. As empresas peso pesado da área de tecnologia são Cisco, IBM, Microsoft e Google – todos com iniciativas sérias nesta área e que se unem aos executivos das grandes utilities para trabalhar em programas de rede inteligente.

A IBM, que vê muitos cifrões quando se envolve em projetos de grandes infra-estruturas, constrói a espinha dorsal da tecnologia para muitos programas de modernização da rede. Isso inclui a instalação de equipamentos de comunicação ao longo da grade, bem como o software e servidores para o processamento das montanhas de dados que precisam ser processados. A Cisco, também, quer saltar com ambos os pés numa ampla iniciativa para fornecer equipamentos de rede para os serviços públicos, bem como ferramentas de gestão de energia em casa. A Verizon vê a rede doméstica como um ponto para coletar dados sobre o uso de energia em casa e, potencialmente, o controle da iluminação e aparelhos para melhor eficiência.

Microsoft e Google vão atrás dos consumidores, além de tentar assinar acordos com prestadoras parceiras.

Há também um punhado de start-ups na área, muitas das quais com foco em energia. Entre elas, a Silver Spring Networks, que oferece um cartão sem fio para contadores inteligentes. Finalmente, há a infra-estrutura elétrica em si: medidores, transformadores, equipamentos de transmissão e outros hardwares que fazem o tique-taque da smart grid. Além de um número significativo de pequenos fabricantes de smart meter, há as grandes empresas de infra-estrutura global como a GE e a Siemens ABB que introduzem modernos sistemas de controle para gerenciar o fluxo de eletricidade.

OK, então o smart grid pode reduzir o desperdício de energia, dar aos consumidores uma melhor informação, e permitir que a rede a utilizar mais energia solar e eólica. Mas, por onde começar?

As utilities investem um percentual menor da receita em tecnologia do que a maioria das indústrias. Isso ajuda a explicar por que ouvimos falar sobre smart grid há dez anos, mas muito poucos de nós realmente se beneficiam dela.

Mas a falta de investimento é apenas uma parte da questão. Enquanto a maioria investe em centrais de vários bilhões de dólares – para aumentar sua capacidade de vender mais quilowatts-hora, as utilities mais progressistas encontram formas de justificar seus investimentos em smart grid na economia de energia. No entanto, muitas destas companhias não se entusiasmam por causa da regulamentação.

A peça-chave de regulação da rede inteligente é o preço do tempo por dia, que deve refletir o custo variável de entrega de energia a cada dia. Um tipo de preço diferenciado permitirá ao consumidor tirar partido de tarifas de pico, mas esta não é a norma em muitos estados. Assim, há falta de normas para um número estonteante de tarefas. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, que é responsável por estabelecer um quadro para a interoperabilidade de padrões de smart grid, lançou recentemente um roteiro, mas todos concordam que há muito trabalho a ser feito.

O lado do consumidor

Entre todos os desafios técnicos e de negócios, há a questão da aceitação do consumidor. Os consumidores, em geral, são suscetíveis de receber informações mais detalhadas sobre a  eletricidade, o gás natural e a água que usam. Mas, mesmo com a promessa de economia de energia, não está claro se as pessoas estão dispostas a pagar mais para terem à disposição as ferramentas de gestão. Algumas pessoas e empresas estão dispostas a permitir que uma prestadora se comunique com elas através de um medidor inteligente que controle remotamente o termostato do ar condicionado em troca de tarifas mais baratas. Mas, estes programas de busca por demanda claramente não são para todos. O truque para programas de resposta bem sucedidos é atrair os consumidores com contas de luz menores, sem ser invasivo ou forçar uma mudança dramática, dizem executivos do setor.

Finalmente, as empresas de tecnologia precisam ser rentáveis, mas muitas das tecnologias e modelos de negócios precisam ser resolvidas. Há ainda alguma preocupação de que uma mini-bolha de investimento paire sobre as redes inteligentes.

Smart grid é mais segura?

Dado o estado incipiente da rede inteligente, é difícil fornecer um relatório definitivo. Mas, a corrida para modernizar a grade tem obtido o aval de alguns especialistas em segurança, para alertas e controle. Os sistemas de maior utilização da internet em substituição às redes privadas de Fiscalização de Controle e Aquisição de Dados (SCADA), junto ao controle de vazamento das informações das redes atuais dos fornecedores de energia, ainda são vulneráveis, em potencial, dizem os especialistas em segurança. Eles acreditam que uma melhor segurança deve ser construída nos de padrões de rede inteligente e para os profissionais do setor, com as melhores práticas de segurança, de modo a se evitar cortes perigosos.

Então, quando eu terei a minha rede inteligente?

Assim como as rodovias e na internet, o smart grid vai levar anos para ser construído, provavelmente décadas. Os primeiros sinais serão melhores ferramentas de economia de energia para os consumidores, da mesma forma que as ferramentas web levaram aos consumidores melhores ferramentas para gerenciamento das finanças pessoais. Alguns entusiastas vão querer acompanhar de perto o uso de energia e o baixo consumo por razões ambientais e financeiras. Outros podem apenas estabelecer programas de “piloto automático” para tirar partido de tarifas de pico, bem como você pode usar um termostato programável.

Dito isto, é cedo e pode haver uma aplicação killer sobre a plataforma de rede inteligente”.

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