GE elege o país para sediar fábrica de lâmpadas Led

Fonte: Brasil Econômico – 10.08.2010

Lionel Ramirez, presidente da GE Iluminação América Latina: produção no Brasil atenderá Cone Sul

Brasil – A GE Iluminação decidiu construir uma fábrica de lâmpadas Led (Diodo Emissor de Luz) no Brasil. A informação foi dada ontem pelo presidente da companhia para América Latina, Lionel Ramirez, que veio ao país apresentar o portfólio Led da GE para compradores e autoridades públicas. O valor do investimento não foi relevado. Ramirez relata que o momento é de análise do local da fábrica e dos incentivos públicos oferecidos. Os detalhes serão divulgados nos próximos meses. O início da construção da fábrica deverá ocorrer num prazo inferior a um ano. Hoje a multinacional de origem americana produz lâmpadas Led nos Estados Unidos e México. “Certo é que tomamos a decisão estratégica de produzir no Brasil, que tem um mercado interno potencialmente importante. O país ainda será nossa plataforma de exportação para o Cone Sul” , afirma o executivo.

A decisão da GE recoloca o Brasil no mapa-múndi de produção de lâmpadas. Nos últimos dois anos a própria GE, a Phillips e a Sylvania fecharam suas fábricas de lâmpadas incandescentes no país. Só sobrou a Osram. Desde o apagão energético, ocorrido no final dos anos 1990, as tradicionais lâmpadas incandescentes perdem mercado devido ao seu alto consumo de energia. A Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) não conta com estudos mercadológicos, mas confirma que o consumidor brasileiro migra rapidamente para as lâmpadas fluorescentes, que não contam com produção local, sendo majoritariamente importadas da China. As lâmpadas fluorescentes, porém, utilizam mercúrio em sua composição, o que faz de seu descarte um problema ambiental.

Ramirez relata que na análise da GE, não faz sentido investir na produção de lâmpadas fluorescentes no Brasil. “A China tem tecnologia e tem escala. Além disso, as lâmpadas fluorescentes são o passado. Queremos investir no futuro”, diz. Segundo o executivo, a indústria de iluminação atravessa globalmente uma fase de transição, como ocorreu com a indústria fotográfica há uma década. “Hoje ninguém mais fala em filmes fotográficos, apenas em tecnologia digital. Ocorrerá o mesmo com a iluminação”, afirma. Ramirez avalia que em um prazo de cinco a 10 anos, mais de 50% do mercado mundial será atendido por lâmpadas Led.

Na GE, a expectativa é a nova tecnologia responder por 70% do portfólio de iluminação da empresa até 2012.

Preço alto

As lâmpadas Led são eficientes, mas apresentam um custo inicial alto, o que deve limitar sua aceitação mercadológica entre os consumidores residenciais. A lâmpada Energy Smart de 9 watts que a GE começa a comercializar no país no próximo ano substitui uma lâmpada incandescente de 40 watts. Segundo a empresa, proporciona a mesma quantidade de luz com uma economia de energia de 77% e uma vida útil de 25 mil horas, suficiente para durar 17 anos, considerado um gasto diário de quatro horas. Mas o preço ao consumidor previsto é de R$ 70. “Hoje o custo é alto, mas deve cair significativamente quando o uso da tecnologia ganhar escala”, diz Ramirez.

Num primeiro momento, o foco da GE são os negócios de iluminação comercial e pública. “Nossas lâmpadas públicas duram 11 anos. Neste período, seriam usadas seis de sódio. Nesse segmento, somos competitivos”, afirma Ramirez.

Led na iluminação pública é o primeiro alvo da GE

Os Diodos Emissores de Luz (Leds) são uma solução eletrônica de iluminação. Diodo é um semicondutor, material capaz de conduzir corrente elétrica. As lâmpadas incandescentes dependem de um filamento para conduzir a eletricidade, as fluorescentes de metais pesados, como o mercúrio, o que gera um passivo ambiental. Os Leds são produzidos para liberar um grande número de fótons, a unidade básica da luz. Como não geram calor, os materiais utilizados em sua estrutura apresentam envelhecimento mais lento. Além de maior durabilidade, esta característica permite que a lâmpada seja montada em bulbos plásticos que permitem o direcionamento da luz. Nas lâmpadas tradicionais, a iluminação é dispersa.

A tecnotogia led foi desenvolvida em 1962 pela GE. Mas seu uso inicial era restrito a aparelhos eletrônicos, como controles remotos ou os números iluminados dos relógios digitais e rádios. Há 10 anos, começou a ser aplicada em semáforos. Segundo a GE, mais de 20% dos 5 milhões de semáforos americanos a utilizam. Na sequência, o produto tornou-se uma alternativa ao neon em luminosos. O Led com luz branca foi desenvolvido em 2004, mas apenas em 2008 chegaram ao mercado as primeiras lâmpadas com alta potência de iluminação. Lionel Ramirez, presidente da GE Iluminação para a América Latina, relata que no momento o mercado de iluminação pública é o de maior potencial para a tecnologia. No Brasil, o produto está sendo apresentado a gestores municipais. “Só na cidade de São Paulo são 600 mil luminárias públicas. No país, milhões. Só este segmento de mercado já vale uma fábrica local”, afirma.

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Inovação leva adiante planos de distribuidora

Fonte: WEL Networks – 15.07.2010

Nova Zelândia – Uma concessionária de energia da Nova Zelândia pretende testar uma nova tecnologia de eficiência energética em seus clientes, inclusive os de energia solar em pequena escala, os de energia eólica e os que possuem dispositivos de controle individual. Acredita-se que a tecnologia tenha potencial para fornecer uma cadeia de benefícios de eficiência energética.

A WEL Network está a procura de 200 casas para experimentar o dispositivo, conhecido como SWITCHit, que permite que a concessionária de energia controle a eletricidade fornecida a aparelhos eletrodomésticos em horários de pico. O dispositivo irá ajudar a companhia a minimizar as mudanças da linha de transporte da energia e a prolongar a necessidade de um futuro investimento, enquanto potencializa a economia dos consumidores em suas contas de energia.

“Da mesma forma que a tecnologia avança, esperamos ver o preço desta tecnologia reduzir e, eventualmente, ser comercialmente viável para que as pessoas possam instalar tais dispositivos sozinhas”, disse o gerente de desenvolvimento da WEL, Jack Ninnes. “Os consumidores estão atentos às maneiras de reduzirem suas contas de eletricidade. Então, se pudermos introduzir um produto inovador que permita que trabalhemos juntos para alcançar tais economias, será fantástico”, concluiu Ninnes.

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Medição eletrônica leva adimplência na Light a mais de 90% em comunidades carentes

Fonte: Comunique-se – 22.07.2010

Desde que a Light adotou o sistema de medição eletrônica em algumas comunidades carentes do Rio de Janeiro, através do qual é possível fazer toda a operação à distância, incluindo os cortes por falta de pagamento, quando necessário, o índice de adimplência dos consumidores pulou para mais de 90%, um índice melhor até do que muitos bairros da cidade.

A informação é do Superintendente de Serviços de Recuperação de Energia da Light, Ivson Vasconcelos, que será um dos palestrantes do Workshop “Temporada de Caça aos Gatos” – que a Planeja & Informa vai realizar no próximo dia 28 de julho, em parceria com a AEERJ – Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro, no auditório da Associação, no Rio de Janeiro.

Aliado ao programa de medição eletrônica, que tem sido possível graças à implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades carentes mais violentas da cidade, a Light está promovendo a distribuição de lâmpadas econômicas, geladeiras mais eficientes e conscientizando a população sobre a necessidade de poupar energia.

Para ele, a importância da conscientização da população é fundamental, pois para quem nunca pagou conta de luz, não havia a preocupação em economizá-la. “Temos grupos de trabalho nas comunidades e ajudamos a reformar as instalações elétricas das casas, que são precárias. Já trocamos centenas de geladeiras antigas e pouco eficientes por novas e mais econômicas”, conta.

Vasconcelos afirma ainda que nos lugares onde o novo modelo é instalado, as perdas chegam a cair a quase zero. O sucesso é absoluto. Agora, outras comunidades carentes estão na mira da companhia, que pretende entrar em todas elas em pouco tempo. “Estamos construindo redes novas, colocando transformadores mais potentes e usando as novas tecnologias de radiofreqüência para mostrar que hoje, a Light não está voltada só para ações de inspecionar clientes, mas também de apresentar estas novidades à população”, finaliza.

O Workshop “Temporada de Caça aos Gatos” vai demonstrar estas tecnologias modernas que estão à disposição das concessionárias para combater e prevenir os “gatos”, tanto na rede elétrica quanto na rede de abastecimento de água.

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Desacoplamento e Eficiência Energética – Uma Combinação Vencedora

Fonte: Smart Grid Library – 12.07.2010

A eficiência energética é “o primeiro combustível para definir prioridades sobre o projeto, implantação e utilização de aparelhos ou materiais que consomem eletricidade ou contribuem para o seu consumo.” (definição do Dicionário Smart Grid, 2ª Edição). É também chamado de “fruto maduro” para descrever qual é a forma mais simples e mais barata para evitar a compra de energia cara ou construir redes e equipamentos de geração, transmissão e distribuição caros para satisfazer as necessidades de eletricidade comerciais, industriais e residenciais. Programas destinados a incentivar a eficiência energética focam na redução do consumo de eletricidade por um número de meios que vão desde a construção de melhorias na envoltória da edificação até a implantação de aparelhos que gastam pouca energia. O resultado desses programas é uma redução global no consumo de eletricidade.

O que há de errado com este retrato? Se você é uma empresa de energia elétrica que obtém rendimentos com base no volume de vendas de eletricidade, então programas de eficiência energética que reduzam o volume traduzem em redução das receitas. Imagine se um restaurante de fast food incentivasse você a não aumentar sua refeição – apesar de que seria bom para as cinturas americanas, seria ruim para os restaurantes e seus investidores.

Empresas de energia que funcionam neste modelo enfrentam um dilema real, portanto, na oferta e agressiva promoção de programas de eficiência energética eficazes. Aqui é onde o conceito de regulação chamado “desacoplamento” ajuda. É um mecanismo de construção de tarifa que remove as barreiras para programas de eficiência energética. Ele elimina a ligação entre as vendas de eletricidade e os lucros da empresa de energia. A entidade reguladora garante uma receita com as taxas que normalmente são calculadas numa base por cliente, e revisa periodicamente para ver se o requisito de receita pré-determinado está sendo cumprido.

O que significa o desacoplamento e apoio de programas de eficiência energética para empresas de energia e investidores? Dissociação proporciona estabilidade das expectativas de receitas, reduzindo os riscos para os investidores. De acordo com um recente relatório divulgado pela Ceres, empresas de energia elétrica que realizam programas de eficiência energética também reduzem a sua exposição ao risco de flutuação dos preços da energia. Empresas que apoiam a diversificação e distribuição de ativos de geração têm redução do risco em uma nova etapa. Empresas que se dedicam à eficiência energética e à diversificação e distribuição da geração são mais propensas a atrair capital de baixo custo, permitindo um melhor retorno para os investidores.

O que significa o desacoplamento e a participação em programas de eficiência energética para os consumidores? Isso significa mais e melhores oportunidades para reduzir as faturas de energia elétrica. Dependendo do Estado, os programas podem cobrir a substituição de aparelhos selecionados com modelos energeticamente eficientes ou descontos na construção de certos projetos de edificações remodeladas. Créditos tributários Federais também podem entrar em jogo e adicionar ainda mais benefícios financeiros para os consumidores.

O que significa o desacoplamento e a eficiência energética para o meio ambiente? Isso significa que as reduzidas emissões de carbono refletem a redução do consumo de eletricidade. E porque o desacoplamento também remove um obstáculo para a geração localizada – o modelo prosumidor – desacoplamento facilita a ampla integração de fontes de energia renováveis na rede.

O que isso tem a ver com a Rede Inteligente? A Rede Inteligente é mais do que uma sobreposição de tecnologias revolucionárias, é baseada em políticas inteligentes que oferecem incentivos para os consumidores e empresas para aperfeiçoarem a geração, transmissão, distribuição e consumo de eletricidade.

Para obter mais informações, O Projeto de Assistência à Regulação tem boas apresentações que explicam o desacoplamento e seus benefícios para os consumidores, empresas e nosso meio ambiente.

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Smart grid precisa de uma dose de socialização

Fonte: CNET NEWS – 10.04.2010 – Por Martin Lamonica

Se as pessoas podem parar de fumar ou perder peso, então certamente podem economizar energia em casa, de acordo com a GroundedPower.

A empresa, localizada em Massachusetts, nos Estados Unidos, é uma das muitas companhias de smart grid que trabalham na eficiência energética residencial, mas uma das poucas cujos fundadores são versados em psicologia e ciências comportamentais. Esta é uma razão pela qual a GroundedPower escolheu focar nas pessoas tanto quanto nas tecnologias.

O aplicativo virtual da GroundedPower combina monitoramento elétrico residencial com ferramentas que fazem um plano de eficiência energética para a casa. Além disso, a empresa também fabrica um hardware muito simples, chamado “Glance”, para sinalizar aos consumidores se eles estão cumprindo suas metas.

Muitas empresas têm desenvolvido monitores de energia residenciais, que são algumas vezes distribuídos como parte de programas de smart grid de distribuidoras, para dar às pessoas a possibilidade de visualiarem seu consumo de eletricidade. Esses painéis virtuais podem ajudar os consumidores a identificarem onde estão desperdiçando energia ou a fazerem mudanças para se tornarem mais eficientes, conforme revelam alguns estudos.

Contudo, há uma crescente preocupação de que os programas de smart grid, como são concebidos atualmente, não serão suficientes para engajar os clientes das distribuidoras na gestão energética residencial. Como um indicador, a Coalizão de Consumidores de Smart Grid foi contactada no mês passado para estudar formas pelas quais os consumidores podem aprender sobre os benefícios de uma rede elétrica otimizada.

No início desta semana, a GroundedPower enviou uma nota à Comissão de Distribuidoras da Califórnia, que está considerando criar padrões para os próximos programas de smart grid. A mensagem central da nota é que as pessoas não estão sendo motivadas apenas pelos preços da energia, que é a forma como os reguladores estão tentando incentivar as pessoas a conservar e utilizar a eletricidade fora do horário de pico.

“Quando você entra nessa questão, acha que é tudo relacionado ao dinheiro, mas não é”, disse o vice-presidente sênior de Marketing, Vendas e Desenvolvimento Empresarial da GroundedPower, David Rosi. “Muitas pessoas estão focadas no meio ambiente, na competitividade, na comparação com outros, no aprendizado, nas recompensas… é preciso levar muitas coisas em consideração”.

Os aspectos de rede social da aplicação da GroundedPower, desenhado a partir de uma experiência dos fundadores com um website de cessação do tabagismo, os orientou a obter recomendações e compartilhar dicas com as pessoas em situações semelhantes, explicou Rosi. Por exemplo, uma pessoa poderia comentar a mudança de como lavar roupas e compartilhar idéias ou competir com outros em uma redução global.

Luz vermelha, luz verde

A companhia, que levantou financiamento de investidores anjos no ano passado, fez um programa de ensaios em Cape Cod, e agora está fazendo testes com os serviços públicos municipais na área de Boston, que vai atingir cerca de 400 pessoas no total.

Ao invés de apenas exibir os dados históricos da energia, a aplicação GroundedPower baseada na Web permite que as pessoas acompanhem através de uma auditoria on-line e estabelecer metas com as quais se comprometem. Depois disso, eles podem acompanhar seu progresso através da aplicação Web ou outro dispositivo, como um telefone inteligente. O pequeno dispositivo Glance mostra apenas verde, laranja ou vermelho – sem informação de consumo – para indicar se as pessoas estão no plano ou necessitam de fazer mudanças.

No seu primeiro teste em Cape Cod, com cerca de 100 pessoas, constatou que pessoas se conectavam entre duas e meia a três vezes por semana, embora eles tendem a usar mais no verão, quando as faturas de eletricidade foram mais elevadas, disse Rosi. Uma auditoria constatou que a economia de energia foi de 10 por cento em relação às contas de um ano antes, disse ele.

O sistema pode funcionar com outros dispositivos de rede inteligente, tais como medidores inteligentes ou termostatos de duas vias que permitem às pessoas controlar remotamente seus aparelhos. Mas as reduções num primeiro momento foram inteiramente baseadas em mudanças de comportamento, disse Rosi. Dados de uso da eletricidade são coletados dos medidores que permitem obter esse tipo de leitura ou com dispositivos dedicados para esse fim.

Há outras empresas que também enfatizam nas recomendações para os clientes de serviço público. A OPower cria relatórios personalizados, que dão às pessoas uma idéia de quão eficientes são as suas casas em comparação com pessoas em situações semelhantes. Há também aplicações baseadas na Web, tais como o Microsoft Hohm, que permitam às pessoas criarem um plano de eficiência para a casa e gerar recomendações.

À medida que as empresas se aprofundam nos programas da rede inteligente, Rosi espera que mais empresas foquem na melhoria da participação do consumidor. ”Uma vez que (o cliente), criou um plano, se conecta para obter recomendações e se compromete com esse plano, então você começa a olhar as coisas de forma diferente”, disse ele.

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Passagem iluminada

Fonte: Agência FAPESP – 09.04.2010

Ao passar sobre uma placa cerâmica embutida no asfalto veículos estimulam o material e produzem energia. Essa, por sua vez, alimenta a iluminação de placas e dos semáforos da própria rua ou estrada.

Essa é apenas uma das possíveis aplicações de uma pesquisa feita na Universidade Estadual Paulista (Unesp) que visa ao desenvolvimento de um sistema de aproveitamento da energia piezoelétrica, isto é, gerada por pressão.

O trabalho, que tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, começou com o professor Walter Katsumi Sakamoto, do Departamento de Física e Química da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, que utilizou sua experiência na construção de sensores de radiação e de umidade de solo para elaborar dispositivos piezoelétricos.

Essas tecnologias têm em comum a utilização de compósitos cerâmicos nanométricos em formato de filmes. O pesquisador costumava importar alguns desses materiais, como o polifluoreto de vinilideno (PVDF), o poliéter-éter-cetona (PEEK) e o titanato zirconato de chumbo (PZT).

No entanto, para desenvolver o sensor piezoelétrico, decidiu encontrar similares nacionais. Foi quando convidou a professora Maria Aparecida Zaghete Bertochi, do Departamento de Química Tecnológica da Unesp, em Araraquara, a participar do trabalho.

“O desafio foi desenvolver um material que apresentasse boa dispersão no polímero e, para isso, precisávamos encontrar o tamanho e a dispersão ideal das partículas”, disse Maria Aparecida à Agência FAPESP. Bons resultados foram obtidos pela produção de nanopartículas de PZT preparadas por processo químico.

A fim de obter o material, o grupo de Araraquara desenvolveu um novo método de síntese para a cerâmica. O convencional, chamado de mistura de óxidos, exige altas temperaturas, além da submissão do material a um processo de moagem. Os pesquisadores conseguiram dispensar o tratamento térmico e a dispersão em meio aquoso e obtiveram o PZT a temperaturas de 180ºC. “Nosso método também promove menor contaminação ambiental por chumbo”, disse.

Já o compósito desenvolvido com a matriz PEEK suportou temperaturas de até 360º C e a nanocerâmica ficou bem dispersa, formando um filme compósito bastante homogêneo. O filme não precisa ficar na superfície do solo, o que torna o material apto a ser aplicado em condições severas. Os pesquisadores estimam que o dispositivo se manteria operante mesmo sob temperaturas inferiores a 0º C e sob água, como no caso de uma enchente, por exemplo.

Para gerar energia, o equipamento necessita de pressão intermitente, que seria exercida pela passagem dos pneus dos veículos. Essa força provoca uma deformação mecânica no material, que produz energia elétrica.

Sakamoto colocou o novo compósito entre duas placas de acrílico. O material gerou energia toda vez que uma das placas foi apertada manualmente, o que foi comprovado com o acendimento de um LED (diodo emissor de luz) conectado ao dispositivo.

Passos que iluminam

“Essa tecnologia poderá gerar energia em áreas movimentadas e não somente a partir da passagem de carros, mas também de pessoas a pé”, explicou Sakamoto.

Segundo ele, shopping centers poderiam utilizar pisos especiais que transformassem os passos dos frequentadores em energia para iluminar os corredores. Algumas estações de metrô no Japão já utilizam pisos desse tipo.

O advento recente das lâmpadas LED, que consomem bem menos energia do que as fluorescentes e incandescentes, deverá, segundo Sakamoto, ajudar a impulsionar o uso da tecnologia piezoelétrica. “Sem contar o ganho ambiental por se produzir uma energia limpa”, salientou.

“Dentro do próprio automóvel, poderíamos instalar geradores piezoelétricos que se alimentariam dos movimentos dos amortecedores, do giro dos pneus e de outras peças móveis”, estima. A fonte alternativa pouparia o motor do carro, atualmente o responsável pela alimentação de seu sistema elétrico.

As aplicações são inúmeras. Um exemplo seria o uso de compósitos em solas de sapatos, capazes de gerar energia suficiente para alimentar aparelhos celulares e outros eletrônicos portáteis enquanto seus usuários caminham.

Outro emprego da tecnologia piezoelétrica estaria na inspeção estrutural de materiais como, por exemplo, os usados na fuselagem de aeronaves. Sakamoto averiguou que o compósito foi bem-sucedido na detecção de microtrincas em placas de fibra de carbono presente nos aviões. Ao colar o filme compósito na superfície da placa, a presença de trincas é detectada. Isso ocorre porque as fissuras emitem sinais conhecidos como ondas de Lamb. Nesse caso, o PZT percebe a interferência e gera um sinal que pode ser lido em um osciloscópio.

Entre outras possíveis aplicações desses sensores também estão a detecção de vazamentos de raios X em clínicas e hospitais e a produção de implantes capazes de estimular o crescimento ósseo guiado, o que seria muito útil em tratamentos ortopédicos e implantes dentários.

O grupo de pesquisa tenta agora o desenvolvimento de matrizes poliméricas mais moles, semelhantes à borracha. “Em teoria, quanto maior a deformação do compósito, maior é o sinal gerado”, explicou o professor da Unesp.

Os pesquisadores procuram parceiros que se interessem em investigar novos capacitores que consigam armazenar uma quantidade maior de energia do que os modelos atuais. A nova geração desses dispositivos, apelidados de supercapacitores, é alvo das pesquisas desse tipo de energia.

Sakamoto aponta que a resposta para esse obstáculo estará mais uma vez na nanotecnologia. “O desafio será desenvolver outro nanomaterial com a propriedade primordial de acumular grande quantidade de energia em um tamanho reduzido”, disse.

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Plano prevê redução de 10% da carga

Fonte: Valor Econômico – 17.03.2010 – por Danilo Fariello

O Plano Nacional de Eficiência Energética, que deve ser divulgado em Abril, prevê a redução gradual de 106 terawatts-hora (TWh) no consumo até 2030 e a concessão de incentivos fiscais para toda a cadeia energética, segundo as propostas dos técnicos do Ministério das Minas e Energia. Planejado desde 2005, só agora o plano está praticamente pronto e vai contemplar um leque de políticas públicas para incentivar os investimentos em tecnologia, como trocar os medidores domésticos e acelerar a definição de normas para que a indústria de eletrônicos informe seus níveis de consumo.

Haverá, ainda, programas de educação dos consumidores, qualificação das empresas para adotar estratégias de controle de uso e, inclusive, a redução de gastos em iluminação pública e saneamento básico.

Estão previstos o uso da Conta de Desenvolvimento Energético – hoje aplicada no programa Luz para Todos – e financiamentos específicos pela Caixa Econômica Federal, BNDES e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Se for prorrogada a cobrança da Reserva Global de Reversão – outro encargo destinado ao Luz para Todos – , ela também poderá financiar as medidas do plano.

A indústria reivindica a redução de IPI para geladeiras e equipamentos que sejam fabricados com padrões de menor consumo. No início do ano, o Ministério da Fazenda adotou posição similar ao manter a isenção de IPI, definida no auge da crise econômica global de 2008, apenas para aparelhos da linha branca de baixo consumo.

O valor total do programa e de todos os incentivos fiscais previstos ainda deve passar pelo crivo de outros ministérios e da Casa Civil. Por restrições legais para que se coloque o plano em prática integralmente, o Executivo deverá enviar propostas de lei ao Congresso para, por exemplo, prever a nova destinação da Conta de Desenvolvimento Energético.

Segundo Hamilton Moss de Souza, diretor da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, a economia de 106 TWh significa um quarto do consumo anual do país hoje e representará 10% da carga em 2030. A previsão do governo, portanto, é de que o consumo no país vai crescer 1,5 vez até lá. O montante economizado equivalerá a quase uma usina hidrelétrica de Itaipu por ano.

“Eficiência energética significa não consumir o que não faz tanta falta ou gastar melhor”, disse. Não se trata de medidas emergenciais, mas de estimular a adoção de produtos e equipamentos que gastem menos energia, omo trocar lâmpadas incandescentes por LED, explicou o diretor. Para a substituição de aparelhos, serão necessários investimentos públicos e incentivos do governo à indústria nacional.

Embora a economia de energia elétrica possa reduzir a receita das distribuidoras, com contas menores, elas também têm interesses financeiros no programa porque a troca de equipamentos dos consumidores deve reduzir a potência que a companhia tem de manter disponível, com efeitos positivos sobre os custos dessas companhias.

Os incentivos fiscais vão mirar principalmente a indústria nacional nessa adaptação de equipamentos, como já ocorreu no programa de substituição de geladeiras. A troca dos medidores residenciais para um sistema digital inteligente, por exemplo, pode envolver cifras bilionárias, pois cada residência teria de adquirir um aparelho que hoje valeria entre R$ 200 e R$ 300.

Segundo Nelson Hubner, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tema envolve um esforço articulado da agência com ministérios de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento. “É preciso prepara a indústria nacional para absorver isso.” Para ele, a adoção de medidores inteligentes é um rumo que fatalmente o país seguirá em algum momento no futuro.

“O plano está em linha com as últimas metas do governo em redução de emissões de CO2″, disse Souza. Nessa linha, o programa prevê a intensificação de equipamentos de geração de energia solar, propondo o conceito de “cidades solares”.

O plano de eficiência energética foi debatido no segundo semestre do ano passado com várias instâncias do governo, empresas, universidades e associações que representam os diferentes elos do setor. Segundo Souza, o governo passou a se preocupar não só com o crescimento da geração da energia elétrica, mas também com o crescimento da demanda do país.

O plano deverá definir a coordenação e ampliação de uma série de medidas já adotada pelo governo federal em busca de maior eficiência energética. O BNDES, por exemplo, possui uma linha de financiamento para projetos com esse perfil, o Proesco.

Na semana passada, o próprio ministério publicou no “Diário Oficial da União” consulta pública para definir programa de metas de consumo de eletrodomésticos. E, ontem, a Aneel assinou com o Ministério de Ciência e Tecnologia protocolo de entendimento, para pesquisas para desenvolvimento tecnológico do setor.

No início do mês, o Ministério de Minas e Energia adotou outra posição para atuar no gerenciamento da demanda. Foi à consulta pública uma portaria que prevê a possibilidade de grandes consumidores de energia podem vender os excedentes de seus contratos. Dessa forma, as indústrias poderão administrar melhor seu consumo ao contratar energia de longo prazo com a possibilidade de ceder parte dela, se a previsão de ampliação de gastos não se concretizar.

Segundo o plano, é exatamente na indústria onde está o maior potencial de aumento da eficiência energética. Pela alta procura, a consulta teve o prazo prorrogado pra o dia 26.

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