Redes inteligentes de energia vão beneficiar pequenos negócios

Fonte: Agência Sebrae de Notícias – 28.07.2010 Por Beth Matias

São Paulo – Um projeto da multinacional norte-americana Cisco com a General Eletric e a Florida Power & Light (companhia de energia elétrica) deverá colocar Miami, na Flórida, no centro das discussões mundiais sobre consumo de energia em 2011. Estão sendo investidos na cidade US$ 200 milhões para conectar em redes inteligentes de energia (smart grid) cerca de 1 milhão de pessoas.

O projeto começou no final de 2009 e serão instalados medidores inteligentes em cerca de 1.000 residências registradas em um estudo avançado que irá transformá-las em residências inteligentes, com painéis de controle e termostatos que irão ajudar a gerenciar as cargas elétricas e reduzir o consumo de energia durante períodos de pico.

A companhia de energia elétrica irá utilizar 300 veículos movidos à energia elétrica, com 50 estações de abastecimento em toda a cidade de Miami. O projeto foi apresentado nesta terça-feira (27) por Fernando Rodrigues, gerente de vendas de redes inteligentes da GE no Brasil, durante o 8º Congresso Internacional Brasil Competitivo 2010, promovido pelo Movimento Brasil Competitivo.

“Hoje as grandes empresas já têm tarifas diferenciadas. O grande beneficiado deste sistema será o consumidor final e as pequenas empresas, que poderão vender energia solar excedente acumulada em suas propriedades por meio de painéis solares”, explicou Rodrigues. No Painel, ‘Redes Inteligentes: desenvolvimento, regulação e competitividade no Brasil’, três grandes empresas (IBM, GE Energy e CPFL Energia) abordaram a importância da renovação da matriz energética mundial, com aproveitamento inteligente da energia nos países.

“Acreditamos que os próximos 20 anos trarão transformações determinantes para o setor. Temos que motivar a inovação”, explicou o executivo de consultoria para Energia e Utilidades da IBM, Dario Soares de Almeida. Segundo ele, o Brasil deve aprender com o que já existe e construir um modelo próprio de redes tecnológicas no Brasil. “O mundo está cada vez mais estruturado e inteligente, viabilizando os programas de smart grid. A energia é infraestrutura básica de desenvolvimento e competitividade”.

Segundo Almeida, há seis grandes motivos para a mudança na geração e distribuição de energia no mundo: mudanças climáticas e preocupações ambientais; crescimento das energias renováveis, novas tecnologias disruptivas (carros elétricos e armazenamento de energia), envelhecimento da infraestrutura e desejo do consumidor pela administração da própria energia.

Entre os principais beneficiados, estarão os consumidores e as micro e pequenas empresas. que terão mais poder sobre seu próprio consumo de eletricidade. Com liberdade para escolher a fonte, eles poderão, também, gerar energia para o sistema. Além disso, as distribuidoras deixarão de ser meras fornecedoras de energia, para se tornarem prestadoras de serviço, como acontece com as empresas de telefonia.

No Brasil

O Brasil possui 65 milhões de consumidores de energia elétrica. Apenas 7,4% dos 63 milhões de medidores do País são eletrônicos. O restante ainda é eletromecânico, o que requer leitura presencial e é mais suscetível a fraudes, segundo a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel).

A Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica, em parceria com a Aptel e mais 32 distribuidoras no País, estão elaborando uma proposta para um Plano Brasileiro de Redes Inteligentes. “A idéia é elaborar de um relatório com os possíveis cenários para a migração do setor elétrico brasileiro em direção à adoção do conceito de rede inteligente que será entregue ao governo federal”, disse o gerente de Inovação e Tecnologia da CPFL Energia.

Estão sendo pesquisados, segundo ele, medição inteligente, automação da distribuição e da transmissão e geração e armazenamento e veículos elétricos. O documento deverá ficar pronto até fevereiro de 2011.

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Energia como base de desenvolvimento e competitividade

Fonte: Movimento Brasil Competitivo – MBC – 27.07.2010

“Redes Inteligentes: desenvolvimento, regulação e competitividade no Brasil” foi o tema abordado durante o segundo painel do Congresso Internacional Brasil Competitivo (CIBC), realizado nesta terça-feira (27.07.2010) em São Paulo. Em sua oitava edição, o evento coloca em debate assuntos relacionados a inovação e ao empreendedorismo. Representantes de renomadas empresas de energia falaram sobre os impactos das redes inteligentes e da cadeia de negócios.

“Acreditamos que os próximos 20 anos trarão transformações determinantes para o setor. Temos que motivar a inovação”, explicou o executivo de consultoria para Energia e Utilidades da IBM, Dario Soares de Almeida. Segundo ele, o Brasil deve aprender com o que já existe e construir um modelo próprio de redes tecnológicas no Brasil. “O mundo está cada vez mais estruturado e inteligente, viabilizando os programas de smart grid. A energia é infraestrutura básica de desenvolvimento e competitividade”, finalizou sua participação.

O gerente de Inovação Tecnológica da CPFL Energia, Helder Pires Bufarah, discorreu sobre a necessidade do mercado em atender demandas futuras de forma sustentável, com utilização de matérias-primas renováveis. Bufarah destacou os principais benefícios do smart grid: qualidade de energia, confiabilidade do sistema e eficiência operacional. Além de citar projetos de pesquisa e desenvolvimento sustentável, ele falou sobre a elaboração de cenários prospectivos para o setor no país.

Fernando Rodrigues, gerente de Desenvolvimento de Negociações em smart grid da GE Energy, deu um panorama dos investimentos e projetos de referência do setor. A partir do fator da crescente e acelerada urbanização no mundo, Rodrigues explicou o dilema da prosperidade e sustentabilidade entre as empresas de energia. “Temos que nos preparar com políticas públicas equilibradas para o aumento da competitividade”.

De acordo com Rodrigues, as soluções se baseiam na eficiência energética, controle em tempo real do sistema energético e autonomia dos consumidores. Ele defende o desenvolvimento de uma rede inteligente capaz de coordenar a geração de distribuição, armazenamento e transmissão de energia.

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Smart Grid: chave para eficiência

Fonte: CanalEnergia – 23.04.2010 – Reportagem Especial

A necessidade de modernização dos ativos visando a uma maior eficiência tem se tornado uma realidade cada vez mais presente no Brasil. Para alcançar o conceito de rede inteligente, algumas distribuidoras já começam a investir em automação das redes e na substituição de medidores analógicos por modelos eletrônicos. A Agência Nacional de Energia Elétrica também vem dando passos importantes para a regulamentação de smart grid no país. O Ministério de Minas e Energia criou um grupo de trabalho para implantar programa brasileiro de redes inteligentes. Através destas iniciativas o Brasil começa a avançar na implementação deste conceito.

Diferentemente do que muitos pensam, o conceito de smart grid não envolve apenas a medição eletrônica. Integração dos sistemas computacionais, geração distribuída e automação de redes e subestações também são alguns dos passos para se chegar a uma rede inteligente. De acordo com o presidente da ECOee e do Fórum Latino Americano de Smart Grid, Cyro Boccuzzi, o conceito de rede inteligente envolve três pilares. O primeiro deles são os ativos elétricos, como chaves, medidores, cabos, transformadores e disjuntores. O próximo fator é o sistema de telecomunicações, que capta informações da operação em tempo real e traz esses dados para uma otimização dinâmica. O último campo é a tecnologia de informação, que abrange todos os sistemas de controle de gestão das empresas.

“Investir em tecnologia smart grid significa que as empresas precisam aplicar recursos nestes três pilares, mas nem todas têm que fazer exatamente os mesmos investimentos. Para áreas onde o problema seja um nível alto de perdas, o investimento em medição se justifica, mas em algumas outras concessionárias o problema pode ser endereçado de outras maneiras. É preciso entender um pouco o funcionamento da empresa. Não existe uma receita única”, explica. A redução das perdas comerciais é uma das principais razões para a substituição de medidores. As concessionárias do Rio de Janeiro, Light (RJ) e Ampla (RJ), por exemplo, têm investido nesta troca para reduzir os furtos e fraudes de energia.

Para a CPFL Energia, cuja perda está entre 2% e 2,5%, o investimento não seria tão vantajoso. A companhia já vem aplicando recursos há mais de dez anos em automação de rede. De acordo com o diretor de engenharia e gestão de ativos da companhia, Rubens Bruncek, desde o ano passado, a CPFL faz parte do Global Intelligent Utility Network Coalition, que é um grupo formado para desenvolver estudos e discutir as formas de aplicação de smart grid nas redes. Única representante da América Latina, a companhia atua juntamente com outras 11 distribuidoras de países como Estados Unidos, Índia e Austrália no planejamento de um trabalho que visa a automação de 100% das empresas em um universo de dez anos. “Nosso estágio agora é desenhar o planejamento decenal com indicação de tecnologias que já estão maduras para começarem a ser implantadas em alguns segmentos”, explica.

Entre as tecnologias sólidas e que começarão a ser implementadas pela CPFL, inicialmente, estão a automação dos medidores para clientes do grupo A e das chaves. A previsão é que, neste aspecto, a companhia esteja 100% automatizada em até três anos. Após este período, a companhia espera automatizar os medidores da baixa tensão. Quando se fala em automação em residências, a tecnologia ainda não é madura, então essa fase será iniciada um pouco mais para frente”, analisa. Na visão de Bruncek, a troca de equipamentos demanda bastante tempo para ser realizada . “Se substituíssemos os medidores dos nossos 6,5 milhões de clientes utilizando mil equipes de campo, que é um número muito grande, e conseguíssemos trocar quatro equipamentos por dia, eles [as equipes] levariam sete anos para fazer essa substituição. É um trabalho enorme, de varejo”, diz.

A AES Eletropaulo (SP) também está se preparando para adotar tecnologias com o conceito smart grid. A companhia estruturou desde o ano passado um grupo de trabalho para construir a visão estratégica de um projeto de rede inteligente e pavimentar o caminho a ser percorrido. Entre os estudos desenvolvidos pela empresa na área estão a implementação piloto do conceito de smart grid, que envolve duas substações e uma parcela atípica da rede de distribuição da AES Eletropaulo com soluções para automação, autorrecuperação, detecção de falhas, controle de carga, medição remota e gestão pelo lado da demanda. Sem finalidade de faturamento, a companhia também estuda o sistema de medição para exteriorização com as funcionalidades da telemedição, corte e religamentos remotos.

A infraestrutura de telecomunicação para suportar a modernização da rede elétrica de distribuição também está em estudos. A companhia está desenvolvendo protótipos de equipamentos de comunicação sem fio com ênfase na operação em faixa de frequência regulamentada. A AES Eletropaulo também prevê a implementação de plataforma de monitoramento e diagnóstico online de transformadores de potência. A ferramenta visa a identificar falhas incipientes em tempo hábil para ações proativas com possibilidade de correção antecipada de distúrbios no sistema elétrico. Por fim, a companhia estuda o desenvolvimento do protótipo do sistema integrado para a supervisão e controle de câmaras subterrâneas de transformação através da transmissão de sinais digitais.

“Os nossos direcionadores são o incremento da eficiência operacional, a redução dos custos e a melhoria dos serviços ao cliente”, disse o diretor de Tecnologia e Serviços da AES Eletropaulo, Ricardo Van Erven, sobre os impactos positivos da adoção do smart grid pela distribuidora. O executivo disse ainda que uma das dificuldades que ainda existem para que a tecnologia deslanche no Brasil é que a distribuição de energia é uma atividade que, como em todo o mundo, depende da diretriz do regulador. “É grande o desafio regulatório no Brasil, mas acredito que em relação ao smart grid vai além do regulador e passa por um plano de governo”. A opinião é compartilhada por Boccuzzi, da ECOee. “O grande desafio são as definições das políticas que envolvem a implantação destes sistemas, que são viáveis tecnologicamente, mas que demandam grandes quantidades de recursos. Para transformar estas plataformas, é preciso ter dinheiro de fomento para poder investir”, analisa.

A abertura de uma consulta pública no ano passado para coletar subsídios, a fim de formular um regulamento sobre a implantação de medidores eletrônicos em unidades consumidoras de baixa tensão, foi um passo importante dado pela Aneel para a regulamentação dos equipamentos. De acordo com o superintendente de Regulação dos Serviços de Distribuição da agência, Paulo Henrique Silvestri Lopes, esta consulta foi um pouco diferente das que são realizadas normalmente. “Neste caso específico fizemos uma consulta pública com perguntas mais provocativas para que os interessados respondessem e contribuíssem com sugestões sobre o tema. O objetivo foi buscar uma primeira opinião para formularmos uma proposta e colocar em audiência pública”, explica Silvestri, acrescentando que a intenção é que até julho deste ano seja aberta a audiência.

As perguntas feitas pela agência abordavam, entre outros temas, as funcionalidades incorporadas ao medidor necessárias para a implantação do novo sistema de medição; parâmetros obrigatórios de segurança da informação para o tráfego de dados entre a distribuidora e a unidade consumidora; destinação e soluções para o descarte dos medidores retirados de campo e prazo de substituição dos medidores. Participaram da consulta pública entidades como a Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica e as distribuidoras AES Eletropaulo, Ampla, CPFL Energia, Coelce (CE), Elektro (SP) e Rede Energia, entre outras.

Com as propostas recebidas, a Aneel já conseguiu formular uma proposta, que ainda não está concluída. De acordo com Lopes, as principais dúvidas estão relacionadas ao custo do medidor e ao tempo de substituição dos equipamentos. “Durante esse tempo, nós visitamos fabricantes tentando ter uma referência de preço para saber se é viável e em quanto tempo essa substituição seria feita, mas isso vai depender do grupo de trabalho que o governo está implementando. Se tivermos injeção de recursos federais, de alguns fundos setoriais, pode ser dada uma velocidade maior à implementação da medição eletrônica”, esclareceu o executivo, ressaltando que a intenção é não impactar a tarifa.

Criado em abril deste ano pelo Ministério de Minas e Energia, este grupo de trabalho vai analisar e identificar ações necessárias para subsidiar o estabelecimento de políticas públicas para a implantação de um Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente. Entre os aspectos abordados na proposta estão o estado da arte de programas do tipo smart grid, no Brasil e em outros países; adequação das regulamentações e das normas gerais dos serviços públicos de distribuição de energia; identificação de fontes de recursos para financiamento e incentivos à produção de equipamentos no país; e a regulamentação de novas possibilidades de atuação de acessantes no mercado, o que inclui a possibilidade de usuários operarem tanto como geradores de energia, através da geração distribuída, quanto consumidores.

Segundo portaria publicada no Diário Oficial da União na semana passada, o grupo será composto por representantes do MME, da Empresa de Pesquisa Energética, do Centro de Pesquisas em Energia Elétrica, da Aneel e do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Órgãos e entidades do setor que possam oferecer contribuições poderão ser convidados eventualmente para participar. O grupo de trabalho deverá concluir as atividades em 180 dias. Já o relatório técnico, que contempla os estudos, as análises e as propostas de medidas a serem adotadas deve ser entregue 30 dias após o final deste prazo.

Anualmente são substituídos, segundo a Aneel, cerca de 2,5 milhões de medidores por modelos eletrônicos básicos, que medem apenas a potência. A agência pretende que seja inserido nos próximos anos um medidor que tenha outras funcionalidades, como medição de interrupções e fator de potência da carga. Redução de falhas e ganhos de eficiência, através do consumo maior e melhor da energia, são algumas das principais vantagens para o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, no caso da troca de medidores. “Os equipamentos mais sofisticados, que vão medir cada etapa do processo abrem perspectivas, por exemplo, para previsão e redução de falhas e operação em tempo real de redes em função de intempéries surgidas como raios, por exemplo. Na medida que se tem medições ao longo de todo o processo, é possível agir de maneira otimizada usando recursos de telecomunicações e de TI de maneira a prevenir estas falhas”, afirma. Outras vantagens provenientes da rede inteligente são a melhoria dos padrões de fornecimento, redução de apagões locais, diminuição de erros de conta, postergação de novos investimentos.

Para Boccuzzi, diferentemente de países europeus e dos Estados Unidos, que já têm projetos avançados no tema, o Brasil ainda está no início da implantação da rede inteligente. “O que temos de uma maneira global e bastante generalizada no mundo são experiências focadas em áreas específicas dessas tecnologias que agora começam a ser colocadas de forma combinada”. Como exemplo, o executivo destaca a cidade de Boulder, localizada no Colorado, nos Estados Unidos. “A cidade recebeu uma série de investimentos e implantou uma plataforma tecnológica muito avançada incorporando diversos ingredientes, como controle da demanda de clientes, tarifas diferenciadas para diversos horários do dia, sistema de automação relativamente avançado que também estava interligado a sistemas de medição, geração distribuida e melhorias de confiabilidade. Essa é uma primeira implantação holística de todas estas tecnologias”. No Brasil, segundo o executivo, nenhuma distribuidora realizou ainda o que se pode chamar da “última geração de smart grid“.

A tecnologia está na fase inicial de adoção de mercado, de acordo com a BPL Global, empresa que atua no desenvolvimento e implementação de soluções de smart grid em mercados elétricos de todo o mundo. “Agora as distribuidoras estão trabalhando para avaliar, selecionar e implantar as soluções. De uma perspectiva estratégica, as distribuidoras estão no início de uma transformação para a rede inteligente, que evoluirá nos próximos 10 a 15 anos”, disse o vice-presidente executivo da companhia, Dermot O’leary. Para implementar uma solução de rede inteligente, a BPL Global recomenda que cada distribuidora identifique as aplicações que criam o maior valor para a companhia e seus clientes. “Isto pode ser impulsionado pelas necessidades operacionais, regulatórias ou dos clientes. A gestão integrada de aplicações de smart grid permite que as distribuidoras otimizem sua confiabilidade, eficiência, objetivos econômicos e ambientais”, indica O’leary.

Além da consulta pública para a regulamentação sobre os medidores, a Aneel também está realizando a revisão da estrutura tarifária, que envolve a tarifação horária para clientes de baixa tensão. O estudo está sendo feito desde o ano passado e a previsão é que esteja concluído até março de 2011. A proposta, segundo Silvestri, é que os consumidores comecem a pagar custos diferenciados para alguns horários do dia. “Você dá um sinal para uma tarifa maior na ponta para que as pessoas façam uso da energia fora dela e aí se consegue linearizar melhor essa curva de ponta. A entrada em vigor desta tarifação ainda não está definida porque depende da regulamentação da medição eletrônica. “Sem os medidores eletrônicos, que possibilitam a tarifação horária para baixa tensão, não temos como fazer. Então uma coisa depende da outra e é por isso que queremos avançar na questão da medição, para quando tivermos o estudo definido de tarifação horária, tenhamos o equipamento para possibilitar a sua aplicação”.

Outra normativa importante relacionada à rede inteligente é a utilização da rede elétrica para transmissão de dados e acesso à internet em alta velocidade por meio da tecnologia Power Line Communications (PLC). A resolução foi aprovada em agosto do ano passado e, de acordo com Silvestri, é outra opção que pode ser usada para o smart grid e o smart metering. “É mais uma possibilidade porque cada caso tem suas particularidades. A Aneel está destravando os caminhos para que todas as tecnologias possam ser utilizadas e sejam feitos estudos que se aplicam para cada situação”, diz.

É consenso entre os agentes do setor que o Brasil pode avançar na implantação e utilização das tecnologias visando a uma rede inteligente, desde que sejam considerados princípios de racionalidade econômica. Os projetos devem ser autossustentáveis, os benefícios precisam ser suficientes para a viabilização. A implementação desses sistemas tem que ser colocada em prática na medida em que há geração de valor não só para a distribuidora, mas que também traga benefícios para seus clientes. Da mesma forma que a máquina de escrever foi substituída pelo computador, a transição para uma rede inteligente, através da combinação da medição, dos sistemas de telecomunicações e da tecnologia da informação, deverá ser mais uma das evoluções que acontecerão com o passar dos anos.

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Até o último raio de sol

Fonte: Jornal da UNICAMP – Ed. 8 a 14 de março de 2010 – JEVERSON BARBIERI

O desenvolvimento do pri­meiro conversor eletrônico de potência trifásico para a conexão de painéis solares à rede elétrica brasileira inaugura uma nova etapa no aproveitamento da energia solar no país. Com grau de eficiência de 85%, o protótipo de laboratório teve um custo da ordem de R$ 15 mil, financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os testes foram realizados entre dezembro e janeiro, nas instalações do Laboratório de Hidrogênio (LH2), do Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW), onde já funciona uma planta piloto de geradores alternativos conectada à rede da CPFL Paulista. A pesquisa foi conduzida pelo doutorando Marcelo Gradella Villalva e orientada pelo professor Ernesto Ruppert Filho, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC).

De acordo com Ruppert, não se tem notícia até o momento de nenhum outro conversor eletrônico similar que tenha sido desenvolvido por empresa ou instituto de pesquisa brasileiro e que tenha sido colocado em operação e testado com êxito numa instalação de paineis solares com capacidade de 7,5 kW. “Este conversor substituiu plenamente, durante o período de testes, os três conversores eletrônicos monofásicos adquiridos da empresa alemã SMA, que estão atualmente ligados a esses paineis solares”, afirmou o orientador. Diante dos resultados, o próximo passo é buscar parceiros interessados na industrialização do conversor.

Vantagens

Ainda que o protótipo tenha consumido R$ 15 mil, Ruppert lembrou que a Fapesp destinou R$ 70 mil ao projeto todo, uma vez que foi necessário montar uma bancada com todos os equipamentos de medição e de testes. Especificamente com relação ao protótipo, o orientador da pesquisa calcula que em escala de produção o conversor tenha um custo final aproximado de R$ 10 mil. “Existem alguns componentes que poderiam custar muito menos, caso já estivesse em escala industrial. Se compararmos o custo final de R$ 10 mil com o custo do conversor importado, isso significa uma redução de um terço. É realmente muito vantajoso nacionalizar essa tecnologia”, assegurou.

Villalva explicou que todas as fontes renováveis necessitam de algum tipo de conversor eletrônico de potência para poder fazer o aproveitamento adequado da energia elétrica produzida. Os paineis fotovoltaicos geram energia elétrica em tensão e corrente contínuas, que não podem ser utilizadas na rede elétrica. Portanto, o papel do conversor é transformar a tensão e a corrente da forma contínua para a alternada. Ainda segundo o doutorando, existe uma dificuldade muito grande em obter equipamentos para paineis fotovoltaicos, o que causa uma dependência de tecnologia importada, como o caso dos conversores alemães instalados no LH2. “Por este motivo resolvemos desenvolver um equipamento nacional. Atingimos a eficiência de 85%, no entanto o objetivo agora é chegar aos 90% para alcançar a tecnologia alemã”, assegurou.

Gargalo

Para o doutorando, a tecnologia de energia solar ainda não avançou no Brasil porque os paineis são muito caros. Ademais, existem outras formas de energia mais baratas. Outro ponto fundamental lembrado por Villalva é que, no Brasil, ainda não foi criada a cultura de geração distribuída de energia. “Isso não foi ainda devidamente regulamentado para pequenos produtores”, afirmou. Nos países mais avançados é possível ter em casa um painel solar e um conversor eletrônico gerando energia junto com a rede elétrica.

Porém, isso deve surgir em breve por aqui, prevê o pesquisador. E quando isso acontecer seguramente gerará uma demanda de mercado. “Se não tivermos um produto próprio com tecnologia nacional, vamos continuar importando dos Estados Unidos e da Alemanha. Portanto, o gargalo está na tecnologia cara dos paineis, na inexistência de um mercado que force o barateamento dessa tecnologia no país e, por último, a ausência de tecnologia nacional de conversores eletrônicos.”, garantiu Villalva.

Além disso, ele mencionou a necessidade de uma política de incentivo para essas energias. Segundo o pesquisador, em Brasília já tramitam diversos projetos de lei nesse sentido e se forem realmente aprovados, o Brasil passará a ser um país de energia limpa. “No estado atual, isso não existe. Existem pequenos projetos, porém isolados. Não há uma massificação da energia alternativa limpa e isso é uma coisa desejável porque dispomos de muito sol e vento”, disse. Atualmente, a líder em tecnologia na área de energia solar é a Alemanha, onde já estão instalados 6500 MW de geração fotovoltaica, o que significa metade da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu. Com níveis de irradiação solar superiores aos da Alemanha, o Brasil ainda tem uma geração de energia solar praticamente desprezível em sua matriz energética.

O fato de ter energia hidráulica em abundância também tem contribuído muito na falta de investimento em usinas de geração solar. Em termos de meio ambiente a energia solar é muito melhor. A hidráulica, mesmo considerada limpa, requer mudanças na geografia e no clima da região.

Ruppert afirmou que na Europa e nos Estados Unidos a utilização de geradores de energia elétrica conectados à rede secundária de distribuição por pequenos consumidores individuais já é uma realidade. A tecnologia de pequenos conversores para painéis solares fotovoltaicos é amplamente empregada e divulgada nesses países. Consumidores são incentivados e subsidiados por agências governamentais para a instalação de sistemas de geração residenciais conectados à rede elétrica. Painéis solares e conversores eletrônicos para a conexão com a rede são produtos facilmente encontrados no mercado e acessíveis ao grande público nos países desenvolvidos.

Além das vantagens para o usuá­rio, módulos fotovoltaicos com pequenos conversores eletrônicos de potência descentralizam o processamento da energia e diminuem custos e necessidade de espaço físico em um mesmo local. Dessa forma, um conjunto de geradores fotovoltaicos pode ser instalado em qualquer ambiente em que haja incidência de raios solares, sem demandar áreas específicas, podendo ocupar telhados ou paredes. “A integração de paineis solares com a arquitetura predial é hoje uma prática comum e que rende bons resultados estéticos, ambientais e econômicos, pela energia elétrica gerada e pela redução dos custos de construção. Os módulos fotovoltaicos podem ser utilizados como elementos de acabamento arquitetônico, tornando seu uso ainda mais interessante”, disse Ruppert. Esses módulos podem ser instalados em quaisquer tipos de construções como residências, condomínios, escolas, creches, hospitais e outros locais públicos, uma vez que não há grandes restrições de espaço para instalação e não há emissão de ruídos, resíduos, ou qualquer tipo de poluição, ressalta o orientador da pesquisa.

No caso brasileiro, o professor aponta que os grandes aproveitamentos decorrentes desse tipo de tecnologia dependem basicamente de dois fatores. O primeiro, da regulamentação e da atitude do governo de ter geração fotovoltaica e o segundo, do interesse da iniciativa privada, uma vez que empresários interessados na área deverão surgir. É um investimento que se paga a médio prazo. “Já existe um certo consenso de que toda a energia alternativa existente não ultrapassará 30% do que o mundo necessitará. Um dia teremos que caminhar para a energia nuclear, porém antes precisamos aproveitar o que existe disponível de energia limpa”, alertou Ruppert.

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CPFL passa a integrar grupo mundial de smart grid

Caro leitor, parece contraditório, mas a notícia é essa mesma, nem é nova, é do dia 28 de setembro (segunda-feira) , um dia após a notícia que postei anteriormente, publicada no site teletime e difundida pela internet. Agora me expliquem o por quê de a IBM festejar a entrada da CPFL na GIUNC e a CPFL não ver o Smart Grid como algo promissor:

A CPFL Energia, maior companhia privada do setor elétrico brasileiro, é a primeira empresa da América Latina a ingressar na Global Intelligent Utility Network Coalition (GIUNC), grupo mundial de companhias do setor elétrico que trabalha com a IBM para acelerar a adoção de tecnologias smart grid, rede inteligente que transforma o sistema elétrico em uma infraestrutura digitalizada, otimizando não só o uso de energia como abrindo a possibilidade de novos negócios, como telecomunicações, por meio da rede elétrica. Um exemplo é que as distribuidoras poderão fornecer planos de tarifa, como as empresas de telefonia, para os consumidores baseados no perfil de consumo. Além disso, as companhias poderão controlar o consumo dos equipamentos dos clientes.

cpfl2No Brasil, a IBM convidou a CPFL para participar do GIUNC, apoiando a empresa a ter acesso a tecnologias e projetos que estão sendo desenvolvidos para transformar a forma como a energia é gerada, transmitida, distribuída e consumida. As mudanças nesses processos visam agregar inteligência em toda a rede para reduzir, significativamente, interrupções e falhas, além de melhorar o atendimento, planejar a demanda atual e futura e aumentar a eficiência no consumo.

Como membro do GIUNC, a CPFL participará das reuniões de equipes de trabalho trocando experiências e colaborando com o grupo. “Estamos orgulhosos em sermos a primeira empresa da América Latina a ingressar na GIUNC. Vamos usufruir ao máximo dessa iniciativa, contribuindo com nossa experiência e replicando no Brasil projetos inovadores desenvolvidos em outros países, melhorando ainda mais os serviços prestados aos nossos clientes”, comenta Rubens Bruncek, diretor de engenharia e gestão de ativos da CPFL Energia.

Segundo Elton Tiepolo, executivo da área de Utilities da IBM Brasil, a entrada da CPFL no grupo insere o Brasil nas discussões mundiais de melhores práticas do uso de smart grid no setor elétrico. “As empresas podem ter acesso a iniciativas de sucesso que ajudam na redução de custos e evitam o desperdício de eletricidade. Mudanças neste segmento também contribuem para um planeta mais inteligente e sustentável”, complementa.

Com a parceria, a CPFL se junta a outras importantes companhias mundiais, como a Dong Energy, da Dinamarca, a North Delhi Power, da Índia, a Country Energy, da Austrália, a CenterPoint Energy, a Pepco Holdings, Progress Energy, San Diego Gas & Electric e a Southern California Gás, todas dos Estados Unidos. Entre as iniciativas já realizadas pelo grupo está a criação de um modelo de maturidade, ferramenta para o planejamento da transformação do smart grid que pode ser utilizada gratuitamente por qualquer empresa.

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CPFL Energia estuda o smart grid, mas vê uso limitado da tecnologia

Fonte: Último Segundo em 25/09

O smart grid deve revolucionar a forma de gerar e distribuir energia para os consumidores, e a CPFL Energia já participa do desenvolvimento de estudos visando a adoção da tecnologia em suas redes de distribuição. Mas o diretor de Engenharia da empresa, Rubens Bruncek, avalia que é limitado o potencial de curto prazo para o uso dessa tecnologia no País, sendo factível sua aplicação, no momento, para a redução das perdas comerciais e para a melhoria da qualidade do fornecimento de energia.

“Estamos acompanhando as experiências internacionais sobre o tema, porque essa área evolui constantemente,” afirmou o executivo.

CPFL EnergiaA CPFL Energia foi a primeira empresa da América Latina a aderir na Global Intelligent Utility Network Coalition, criada pela IBM em 2007. Esse grupo conta com empresas de várias partes do mundo, como Estados Unidos, Dinamarca, Índia e Austrália, com o objetivo de desenvolver estudos que permitam a aplicação do smart grid nas redes. “O grande estímulo ao uso dessa tecnologia nesses países é a necessidade de redução da emissão dos gases de efeito estufa”, explica o executivo, lembrando que, na União Europeia, há uma regra, a 20/20/20, que prevê a diminuição das emissões de gás carbônico (CO2) em 20%, a redução do consumo de energia de 20% e a participação das energias renováveis em 20% até 2020.

Segundo Bruncek, é justamente esse apelo inicial que limite o potencial de uso, no curto prazo, do smart grid no Brasil. O executivo lembra que o País já possui uma matriz elétrica altamente limpa e renovável por conta da geração de energia a partir das hidrelétricas. “Nesse contexto, o uso da tecnologia no País tem como principal argumento agregar ganhos de produtividades às concessionárias”, explica o diretor da CPFL Energia. É sob este aspecto que a companhia, a maior holding privada do setor elétrico brasileiro, acompanha os estudos feitos no grupo.

O executivo aponta dois usos em que o smart grid pode prover ganhos às concessionárias: combate às perdas comerciais e automação das redes elétricas. Mas mesmos nesses casos os benefícios variam para cada distribuidora. Bruncek diz que a instalação de medidos eletrônicos para a redução dos furtos e fraudes de energia só é vantajosa para as concessionárias com elevados índices de perdas comerciais – como na Light, na Ampla e Celpa. “Em empresas com taxas elevadas, vale a pena. Mas em casos com índices baixos, como o nosso, a redução obtida não compensa o investimento na substituição dos medidores”, justifica.

A substituição dos medidores, inclusive, é um dos entraves para tornar viável a aplicação de tarifas de energia diferenciadas por horário, como almeja a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “O Brasil possui 65 milhões de medidores. A troca em massa poderia encarecer as tarifas. Até porque muitos equipamentos não foram nem amortizados”, justifica. Além disso, o custo de um novo medidor eletrônico é muito superior aos modelos atuais, que são analógicos. O diretor da CPFL afirma que a empresa vem acompanhando as discussões em curso na Aneel, mas considera inviável a adoção de tarifas diferenciadas no curto prazo.

No caso da automação das redes, o executivo avalia que as tecnologias smart grid permitirão as concessionárias otimizar a operação de suas malhas de distribuição. Hoje, uma parcela dos equipamentos já é operada remotamente pelas empresas em seus centros de operação. Mas Bruncek conta que muitos itens da rede, como as chaves, poderão ser automatizados.

Além de ampliar a produtividade das distribuidoras, os consumidores também terão ganhos porque as empresas terão condições de atender mais rapidamente os problemas na rede. Isso porque muitos procedimentos feitos manualmente pelas equipes de manutenção poderão ser feitos pelos centros de operação remotamente. “Se tudo estivesse automatizado, o centro de operações teria condições de reconfigurar a rede em questão de segundos, reduzindo os prejuízos aos clientes”, disse. Bruncek pondera que o grande desafio para a automação das redes elétricas está na confiabilidade dos equipamentos, dado que os investimentos são extremamente elevados.

O executivo, porém, não se mostra otimista com outras aplicações do smart grid, como a fatura remota da conta de luz dos consumidores. Bruncek explica que o procedimento atual, no qual os leituristas efetuam a medição do consumo nas casas dos clientes e enviam os dados para as concessionárias, é extremamente econômico. “O custo disso fica abaixo de R$ 0,50 por consumidor”, justifica. Para que o faturamento remoto seja viável, o sistema de comunicação entre os medidores e as distribuidoras deve ser barato, o que ainda não é. “Não queremos aumentar os nossos custos. Precisamos, sim, obter ganhos de performance”, justifica.

Nem a transmissão de dados via rede elétrica, a chamada Power Line Communication (PLC), desperta muito interesse da CPFL Energia. O executivo afirma que essa tecnologia demanda uma série de adaptações na rede elétrica para que o sinal seja transmitido pelos fios, e que as empresas de telecomunicação já possuem sua própria infraestrutura de cabos para chegar aos clientes. “As operadoras já possuem infraestrutura para fornecer o acesso à internet aos clientes. Por que deixarão isso de lado para usar as nossas redes?”, questiona Bruncek.

O diretor da CPFL explica que o PLC pode ser atrativo para alguns nichos de mercado. Como exemplo, cita prédios residenciais antigos em que os cabos de telecomunicação não puderam ser instalados. “Em uma situação como essa, pode compensar. Mas é algo secundário. As tecnologias emergentes são fibra óptica e as redes sem fio”, conclui.

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