Redes inteligentes do sistema elétrico da Cemig começarão por Sete Lagoas

Fonte: Cemig – 04.01.2010

A Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig lançou, nesta segunda-feira (28/12), o projeto Cidades do Futuro, um programa que permitirá avaliar a melhoria da prestação de serviços da Empresa para o consumidor final, através da automação das redes de distribuição e modernização do sistema elétrico. O lançamento aconteceu na sede da Cemig em Belo Horizonte e contou com a presença do presidente, Djalma Bastos de Morais, do diretor de Distribuição e Comercialização da Cemig, Fernando Henrique Schuffner, e do prefeito de Sete Lagoas, Mário Márcio Campolina Paiva.

A cidade escolhida para dar início à implantação do programa é Sete Lagoas, localizada a 70 km de Belo Horizonte. Trata-se de um município com grande diversidade de atividades econômicas nos setores industrial, da agropecuária e de serviços, que conta com uma população acima de 200 mil habitantes e número de clientes superior a 80 mil.

De acordo com o superintendente de Desenvolvimento e Engenharia da Distribuição da Cemig, Denys Cláudio Cruz de Souza, a escolha de Sete Lagoas se deu pelo fato de a cidade ter o sistema elétrico de alta, média e baixa tensões, sistema de telecomunicações, mercado diversificado e a presença da Universidade Corporativa da Cemig (Univercemig).

Cidades do Futuro

O projeto Cidades do Futuro vai avaliar a capacidade e os benefícios da adoção da arquitetura smart grid, a partir dos testes que acontecerão em Sete Lagoas, o que permitirá identificar a viabilidade de expansão para toda a área de concessão da Cemig, bem como validar os produtos, serviços e soluções inovadoras, visando melhorar a prestação de serviços da Empresa. O plano de implantação detalhado do projeto, iniciado em 2009, estará finalizado no início de 2010.

“O projeto Cidades do Futuro, além de ser um grande desafio, é uma excelente oportunidade de implementação do paradigma das redes inteligentes, permitindo a integração dos processos da Cemig, definidos pelos órgãos reguladores, permitindo simultaneamente o aumento da eficiência e da flexibilidade da operação da rede elétrica e a melhoria da qualidade dos serviços, entre outros”, afirma o superintendente Denys Cláudio.

Segundo o superintendente, as ações cobrem os processos empresariais da Cemig, concentrando-se nas áreas de automação da medição de consumidores, automação de subestações, automação de redes de distribuição, telecomunicações operacionais, sistemas computacionais da operação do sistema elétrico e gerenciamento e integração de geração distribuída.

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Uso de tecnologia ajuda a baixar a conta de luz

Medida gera ganhos em conforto, mas, principalmente, em diminuição da despesa com energia
Fonte: uai – 14/11/2009 – Paula Takahashi e Paola Carvalho – Estado de Minas

Controlando a casa

Um futuro em que se determina nas teclas do computador o tempo do banho de cada um da família, a quantidade exata da próxima porção de ração do cachorro e o momento certo da irrigação do jardim. Ele está longe? Já chegou à casa dos belo-horizontinos Vanessa e Alexandre Gontijo e das filhas Giovana, Bárbara e Camila, moradores do Bairro Tirol (Região do Barreiro). Ele desenvolveu suas próprias técnicas, mas grandes companhias brasileiras estudam a implantação em massa de sistemas semelhantes. Em um primeiro momento, o investimento pode parecer alto, mas a economia no caixa das empresas e no bolso do consumidor promete ser maior ainda.

Alexandre GontijoCansado de pagar pesadas contas de água e luz, o analista de sistemas Alexandre Gontijo desenvolveu um programa de controle de energia em sua residência manipulado pela internet. “As meninas saíam dos cômodos e deixavam as luzes e TV ligadas. No fim, eu pagava mais de R$ 250 por mês. Agora, as lâmpadas têm um tempo de funcionamento fixo. Quando esse prazo acaba, elas simplesmente desligam. Até o chuveiro é controlado. Elas têm oito minutos para tomar banho antes de a água ficar fria”, explica. O resultado foi uma economia de 25% na conta. Sem contar os mais de R$ 80 que deixou de pagar com água. “A mangueira também tem tempo estipulado. Com isso, as horas de irrigação do jardim e limpeza da calçada acabaram”, conta. A experiência caseira virou negócio e agora ele comercializa sua criação na AVG Sistemas.

A ideia de mensurar o consumo de cada um dos aparelhos domésticos para aumentar ainda mais o controle sobre o orçamento familiar está em estudo por grandes companhias de energia, que podem instalar uma rede inteligente nas casas de todo o país já a partir do ano que vem. A empresa norte-americana Silver Spring Networks (SSN), uma das líderes em soluções de rede de energia inteligente nos Estados Unidos, acaba de anunciar parceria com a mineira Axxiom, controlada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que detém 49% de participação, Nansen, Leme Engenharia e FIR Capital, entre outras. A meta é lançar no primeiro semestre de 2010 um projeto piloto no Brasil, com grande possibilidade de começar por Minas Gerais. As mudanças seriam muitas. A começar pelos R$ 7,6 bilhões que as concessionárias economizariam ao ano com a solução para o furto de energia, os gatos, conforme a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “A economia poderia resultar, inclusive, na redução da conta”, diz o vice-presidente executivo da Silver Spring, John O’Farrel.

Esse controle seria possível com a troca do medidor mecânico por um digital, que traz acoplado uma placa eletrônica que permite a conexão entre as concessionárias de energia e seus consumidores por meio de uma rede de comunicação sem fio. Com o novo equipamento, que custa cerca de R$ 360, seria possível informar ao cliente, por exemplo, qual o gasto em horários específicos e por aparelho, tanto em quilowatts quanto em reais. “É tudo via rádio frequência sem fio. Se a empresa percebe que você usa muito a máquina de lavar às 19h, pode entrar em contato e te oferecer desconto para o uso fora do horário de pico”, explica o diretor comercial da Axxiom, Miguel Sarmento. Ele destaca ainda que o conhecimento sobre onde está o gasto de energia facilita decisões sobre onde economizar, como apagar uma luz que sempre fica acesa sem necessidade. Outra facilidade é que o ligamento ou desligamento de energia, que hoje depende da presença do técnico no local, pode ser realizado virtualmente pela empresa em questão de segundos.

Mais um avanço é a comunicação entre empresa e cliente, especialmente diante de blecautes como o ocorrido na última terça-feira na usina hidrelétrica de Itaipu e que deixou 18 estados brasileiros às escuras. Segundo O’Farrel, que tem mais de 25 anos de experiência no setor nos EUA e outros países, uma rede inteligente poderia ter ajudado a reduzir o impacto e a duração da falta de energia. “A pane poderia ter sido isolada e a energia rapidamente redirecionada de outras fontes para as regiões afetadas. Para aqueles consumidores, cujos aparelhos celulares não tivessem sido afetados, poderiam ser enviadas mensagens (SMS) com informação precisa sobre o blecaute”, exemplificou.

Modo de repouso, mas com gastos

A busca incessante de Alexandre Gontijo por alternativas que reduzam os gastos da casa pode ter mais um aliado. Já no próximo ano, a GT, empresa do Vale da Eletrônica em Santa Rita do Sapucaí, no Sul do estado, pretende lançar no mercado o Ecoenergy, sistema que vai por fim ao consumo indesejado dos aparelhos eletrônicos que ficam em modo de repouso, conhecido como stand by. A promessa é de redução de até 95% na despesa gerada pelo modo de repouso. “Hoje, um receptor de TV a cabo gasta, em média, 10 watts/hora mesmo desligado. Com o uso do Ecoenergy esse gasto vai passar para 0,5 watts/hora. Na conta de luz, que pode ter pelo menos 15% do seu valor representado por consumo em stand by, essa parcela passará para apenas 0,2%”, afirma Frederico Ferrão, diretor de desenvolvimento da GT.

Para isso, basta que os consumidores comprem um adaptador que será ligado à tomada e conectará aparelhos que consumam até 1000 watts/hora em funcionamento normal. O Ecoenergy também terá um controle individual que sinalizará se os aparelhos ali conectados estão ligados ou em repouso. “Quando a pessoa mandar o comando de standby, ele simulará que a TV, decodificador ou DVD foram desligados. Portanto, não haverá gasto de energia. O consumo de 0,5 watts/hora será somente o do Ecoenergy”, explica. Espera-se que o custo, estimado em R$ 70 a R$ 75, possa ser ressarcido em cerca de sete meses.

Ainda com a intenção de aumentar o controle da conta de luz, a Inovale, também localizada em Santa Rita do Sapucaí, se prepara para comercializar o Econo$ensor, display digital que vai informar, em Reais, a quantidade de energia consumida na casa. “Por enquanto o Econo$ensor apenas mede a energia gasta e mostra o valor financeiro a ser pago em reais, mas a intenção é que a pessoa seja informada quanto está gastando por setor da casa ou comércio, seja na tomada, chuveiro e geladeira e até que controle a fuga de energia”, explica Pedro Ribeiro, um dos idealizadores do projeto juntamente com Dênio Vilela de Lima e um grupo de alunos do Instituo Nacional de Telecomunicações (Inatel). O aparelho, com valor previsto de R$ 100 a R$ 150, ainda permitirá o estabelecimento de metas de consumo e informará se o valor estabelecido já foi ultrapassado.

E as possibilidades de economia não param por aí. O gás natural, que está previsto para chegar em Belo Horizonte a partir do ano que vem, pode representar uma redução de pelo menos 30% na conta se comparado à energia. “O gás seria pelo menos 30% mais econômico para aquecer a mesma quantidade de água. Ainda poderá ser associado à energia solar para aumentar ainda mais a eficiência”, explica Rodrigo Fiúza, assessor da diretoria comercial da Gasmig.

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