Smart Grid não é panacéia, mas poderia minimizar os efeitos de um apagão, diz APTEL

Fonte: Convergência Digital – 11/11/2009 – Ana Paula Lobo

apagaoA queda de uma linha de transmissão da Usina de Itaipu deixou 18 estados do país, entre eles, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Paraguai sem luz na noite desta terça-feira, 10/11.

O governo atribuiu o blecaute a fenômenos climáticos, mas ainda não há uma poisição oficial. A falta de energia traz à tona a discussão sobre a utilização do Smart Grid, a chamada ‘rede inteligente’.

O presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (APTEL), Pedro Jatobá, apesar de favorável à tecnologia, adota postura cautelosa. Segundo ele, “smart grid não pode ser vista como panacéia. Ela não impediria falhas no sistema, mas, certamente, minimizaria os efeitos de um acidente”, diz.

“Não podemos ter ilusão. O apagão aconteceu em função da topologia brasileira. O Smart grid ajuda e muito, mas não resolve tudo. Mas é claro que a rede distribuida de forma mais inteligente, certamente, poderia reduzir os efeitos negativos da falta de luz para a população”, acrescentou Pedro Jatobá, em entrevista ao Convergência Digital.

Ele observa que a discussão sobre o uso das redes inteligentes começou em 2001, logo após o atentado às Torres Gêmeas, de Nova York. “Se questionou se o ataque fosse a uma usina de energia ou nuclear como ficaria o país. Dai, começou-se a pensar em alternativas, na distribuição inteligente de energia que é o smart grid”, destacou Jatobá.

Indagado se o Apagão no Brasil poderia ter sido provocado por um hacker, o presidente da Aptel avaliou que essa probabilidade é ‘praticamente nula’. “Nâo vejo como. Os sistemas são extremamente protegidos. Há segurança”, observou.

De acordo com especialistas, as experiências com smart grid no Brasil ainda são incipientes. Na prática, as redes inteligentes podem ser usadas para reduzir as perdas técnicas (no próprio sistema de transmissão) como as perdas chamadas ‘não técnicas” (principalmente o furto de energia – os tais gatos).

As perdas “não técnicas” no Brasil são enormes, conforme relata em artigo Peter T. Knight, publicado na revista Banco Hoje, tanto que nas 61 distribuidoras que passaram por revisão tarifária em 2008, a Aneel estima serem as perdas não técnicas em 21 Gwh (gigawatt/horas) por ano com um valor (incluindo impostos não recebidos) de R$7,6 bilhões no ano passado.

As perdas técnicas, que também podem ser reduzidas com uso de tecnologias de Smart Grid, são outros 28,5 Gwh. Segundo ainda o especialista, “os obstáculos à implementação de smart grids parecem ser a cultura conservadora de muitas empresas do setor elétrico, a falta de padronização e interoperabilidade de equipamentos e a multiplicidade de regimes regulatórios”.

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Setor elétrico lamenta ter sido excluído do plano de banda larga

Fonte: Telecomonline | Marineide Marques | 06.11.2009

LamentávelDono de 30 mil quilômetros de fibras, o segmento reclama sua vocação como gestor de infraestrutura.

Enquanto o governo e as operadoras trabalham na elaboração de um plano nacional de banda larga, o setor elétrico se ressente de ter sido excluído das discussões. Donas de mais de 30 mil quilômetros de fibras ópticas, as concessionárias de distribuição e transmissão de energia acreditam que poderiam dar uma forte contribuição ao projeto da banda larga, mas não participam dos debates. “Quem deveria estar sentado à mesa é quem tem a infraestrutura”, diz o presidente da Aptel (Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações), Pedro Jatobá.

Ele traça um paralelo entre as empresas do setor elétrico e de telecomunicações, lembrando que há 30 anos elas eram muito semelhantes: detinham infraestrutura para oferta de um único serviço ao consumidor final. De lá para cá, o setor elétrico intensificou suas ações como gestor de infraestrutura, ao passo que telecom que é cada vez mais gestor de serviços. “Isso significa que o setor elétrico é cada vez mais eficiente para gerir macroestruturas”, defende Jatobá.

Por enquanto, a participação do setor elétrico no plano nacional de banda larga está fortemente concentrada no possível uso da rede da Eletronet (são 13 mil quilômetros de fibras ópticas) e das empresas do sistema Eletrobrás. “O setor elétrico é muito maior do que a Eletrobrás”, pondera o presidente da Aptel.

Ele destaca que a evolução das redes do setor elétrico está sendo completamente ignorada na elaboração do plano nacional de banda larga. Essa evolução seria baseada na adoção do conceito de redes inteligentes, ou smart grid, um projeto estratégico para a Aptel e para a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). O projeto prevê um salto tecnológico nas atuais redes de distribuição de energia elétrica, que chegariam à casa do cliente aptas à oferta de um número elevado de serviços, que vão muito além da energia elétrica, tais como banda larga, telemetria e medição inteligente. O processo deve mais do que duplicar o volume de fibras ópticas controlado hoje pelas empresas do setor elétrico, com a vantagem de levar a fibra até a casa do assinante, a chamada última milha. “Tem se falado muito da Eletronet para banda larga, mas a rede não alcança o usuário final”, pondera Jatobá.

A Aptel e a Abradee trabalham para apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nas próximas semanas o projeto estratégico para adoção do smart grid pelas empresas brasileiras. Com o aval do órgão regulador, as entidades devem contratar um consórcio – envolvendo consultorias, centros de pesquisa e universidades – para elaboração do plano, a ser concluído no prazo de 90 a 120 dias. O documento deve trazer uma proposta de migração para o smart grid, incluindo o montante de investimento projetado e a necessidade de mudança no que diz respeito à regulamentação.

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Abradee elabora plano nacional para redes inteligentes

Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Tecnologia - 16/09/2009

Projeto Estratégico em Redes Inteligentes

A Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica, em parceria com a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), estão elaborando uma proposta para um Plano Brasileiro de Redes Inteligentes. De acordo com Luiz Carlos Guimarães, presidente da Abradee, esse será um projeto estratégico que já foi encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica.

“A Aneel desenvolve, além dos projetos de P&D das empresas, os chamados projetos estratégicos. Esses projetos têm um interesse mais amplo e são compartilhados por diversas empresas”, explicou Guimarães em entrevista à Agência CanalEnergia, durante o Seminário Nacional de Telecomunicações, que acontece entre os 14 e 16 de setembro, no Rio de Janeiro. A ideia, de acordo com ele, é organizar um programa na área de redes inteligentes, com a adesão de diversas empresas, tanto geradoras, quanto distribuidoras e transmissoras. “Todas essas empresas estarão envolvidas na implementação desse projeto”, ressaltou Guimarães.

O executivo disse ainda que a proposta que está sendo elaborada pela Abradee e pela Aptel tem como objetivo fazer um plano diretor, que tem como meta final focar na implantação de redes inteligentes. “A nossa primeira proposta é estabelecer um plano de desenvolvimento do smart grid, o que vai demorar algum tempo”, salientou. Segundo ele, outras decisões, que tem como pano de fundo o desenvolvimento das redes inteligentes, já vêm sendo discutidas pela Aneel, como a medição eletrônica e o PLC, que inclusive já foi regulamentado pela agência.

“Todas essas decisões que vem sendo tomadas, fundamentalmente elas tem que ter um pano de fundo, para se saber a direção que se deve caminhar. E no nosso entendimento e no entendimento internacional é que hoje necessariamente estamos caminhando para ter redes inteligentes, que interagem com o consumidor”, declarou. Para Guimarães, esse é um projeto que tem várias fases, começando com a medição eletrônica e depois passando para as redes inteligentes, seguida pelos carros híbridos e pela geração distribuída.

A medição eletrônica, de acordo com Guimarães, deverá ser implementada no curto prazo. “No entanto, as redes inteligentes, onde se teria a automação da rede, com sensores, de forma que se possa operar a rede a distância automaticamente, isso só deverá acontecer mais pra frente”, avaliou o executivo.

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Seminário Nacional de Telecomunicações aptel 2009

O Seminário Nacional de Telecomunicações da APTEL é o maior evento realizado no Brasil e focado em Telecomunicações, Automação e TI para empresas de energia elétrica, petróleo, água, gás e infraestruturas correlatas.
Data de início: 14/09/2009
Data de término: 16/09/2009
Local: Rio Othon Palace Hotel
Tipo: Seminário
Organizador: APTEL
Website: http://www.sntaptel.com.br/
As empresas citadas acima utilizam Telecomunicações, Automação e TI como parte de seus processos operativos críticos e possuem corpo técnico especializado nestas disciplinas.
O X SNT APTEL 2009 fornece informações atualizadas sobre aspectos tecnológicos, regulatórios, de P&D, bem como estratégicos sobre TIC (Tecnologias de Informação e Comunicações).
O Tema Principal será: Telecomunicações e TI para Empresas de Utilidades do Futuro
Temas Associados:
| Smartgrid (Redes Elétricas Inteligentes)
| Segurança das Informações em Processos Operacionais (Produção)
| Convergências Tecnológicas em Ambientes IP
| Integração na Gestão de Telecomunicação, Informação e Automação Operacional (TIAO)
| Redes Sem Fio (Wireless) para Comunicação de Voz, Dados e Imagens em Ambientes Industriais
| Soluções para Sistemas Ópticos em Longas Distâncias (ou Especiais)
| Impactos em Telecomunicações Associados às Novas Outorgas para o Setor Elétrico
| Teleproteção para LTs: Aplicações com Circuitos Digitais, Interfaces C37.94 e/ou IEC 61850
| Aspectos Regulatórios: Expectativas e Desdobramentos para as Empresas
| Experiências em O&M e Contingências: Apresentação de “Estudos de Casos”
| Inovações Tecnológicas: Aplicações e Serviços para Utilities
Este evento organizado pela APTEL é o principal fórum de discussăo para gestores das áreas de Telecomunicaçőes e TI.
Responsável pelas áreas de Tecnologia e Serviços Corporativos da Cleco Corp., uma empresa privada de distribuiçăo de energia elétrica de Louisiana (Estados Unidos) e que tem mais de 275 mil clientes residenciais, comerciais e industriais, Troy West é um dos principais palestrantes do Seminário.
Engenheiro eletricista formado pela Louisiana State Univeristy, West que gerencia o planejamento, projeto e operaçăo de sistemas de TI, Telecomunicaçőes, viagens, prédios e ativos patrimoniais da Cleco irá discorrer no X SNT APTEL, na segunda-feira (14/09), às 12 horas, sobre Smart Grid in the U.S. today and beyond. West ainda é vice charmain do board da UTC (Utilities Telecom Council).

O Seminário Nacional de Telecomunicações da APTEL é o maior evento realizado no Brasil e focado em Telecomunicações, Automação e TI para empresas de energia elétrica, petróleo, água, gás e infraestruturas correlatas.

STNAPTEL2009

Data de início: 14/09/2009

Data de término: 16/09/2009

Local: Rio Othon Palace Hotel

Tipo: Seminário

Organizador: APTEL

Website: http://www.sntaptel.com.br/

As empresas citadas acima utilizam Telecomunicações, Automação e TI como parte de seus processos operativos críticos e possuem corpo técnico especializado nestas disciplinas.

O X SNT APTEL 2009 fornece informações atualizadas sobre aspectos tecnológicos, regulatórios, de P&D, bem como estratégicos sobre TIC (Tecnologias de Informação e Comunicações).

O Tema Principal será: Telecomunicações e TI para Empresas de Utilidades do Futuro

Temas Associados:

  • Smartgrid (Redes Elétricas Inteligentes)
  • Segurança das Informações em Processos Operacionais (Produção)
  • Convergências Tecnológicas em Ambientes IP
  • Integração na Gestão de Telecomunicação, Informação e Automação Operacional (TIAO)
  • Redes Sem Fio (Wireless) para Comunicação de Voz, Dados e Imagens em Ambientes Industriais
  • Soluções para Sistemas Ópticos em Longas Distâncias (ou Especiais)
  • Impactos em Telecomunicações Associados às Novas Outorgas para o Setor Elétrico
  • Teleproteção para LTs: Aplicações com Circuitos Digitais, Interfaces C37.94 e/ou IEC 61850
  • Aspectos Regulatórios: Expectativas e Desdobramentos para as Empresas
  • Experiências em O&M e Contingências: Apresentação de “Estudos de Casos”
  • Inovações Tecnológicas: Aplicações e Serviços para Utilities

Este evento organizado pela APTEL é o principal fórum de discussăo para gestores das áreas de Telecomunicaçőes e TI.

Responsável pelas áreas de Tecnologia e Serviços Corporativos da Cleco Corp., uma empresa privada de distribuiçăo de energia elétrica de Louisiana (Estados Unidos) e que tem mais de 275 mil clientes residenciais, comerciais e industriais, Troy West é um dos principais palestrantes do Seminário, com presença já confirmada.

Engenheiro eletricista formado pela Louisiana State University, West que gerencia o planejamento, projeto e operaçăo de sistemas de TI, Telecomunicaçőes, viagens, prédios e ativos patrimoniais da Cleco irá discorrer no X SNT APTEL, na segunda-feira (14/09), às 12 horas, sobre “Smart Grid in the U.S. today and beyond”. West ainda é vice charmain do board da UTC (Utilities Telecom Council).

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Energia elétrica sob medida

Fonte: Gazeta do Povo – Publicado em 30/08/2009 | Por André Lückman

Tecnologia permite acesso à internet pela rede de energia e criação de pacotes personalizados conforme o gasto de cada casa.

Fábrica da Landis+Gyr em Curitiba: primeiro aparelho brasileiro que controla eletronicamente o fluxo de energia elétrica

Hoje toda operadora de telefonia oferece pacotes personalizados para cada tipo de cliente, cobrando tarifas diferentes de acordo com seu perfil, horário de uso e adesão aos serviços complementares. No setor brasileiro de energia elétrica esse tipo de facilidade ainda não está disponível em larga escala, mas já existem exemplos pontuais de implantação e testes sendo realizados em várias regiões, inclusive no Paraná. Isso significa que, em um futuro não muito distante, os consumidores poderão ter acesso à internet por meio da rede elétrica, medir seu consumo de luz em tempo real e, mais tarde, a tendência é que possam também personalizar seus pacotes de uso de acordo com o que for mais conveniente – tudo em nome da economia.

“Hoje a energia elétrica é uma commodity sem cor nem cheiro, da qual a gente só tem informações quando chega a conta no fim do mês. A partir do momento em que se agrega informação a este produto, muda a qualidade do consumo e estima-se que mude o preço também”, diz o presidente da Asso­ciação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e Sistemas Pri­vados de Telecomunicações (Aptel), Pedro Jatobá. Ele acredita que, a partir da implantação da medição eletrônica, a energia poderá ser “rotulada” tanto para a origem quanto para o consumo: o consumidor residencial pode assumir uma bandeira pessoal e comprar apenas energia vinda de fontes renováveis, por exemplo; ou pode comprar um pacote básico de energia para abastecer seus eletrodomésticos principais, e adquirir energia extra – sem desconto – para o ar condicionado no verão. “São apenas possibilidades”, diz Jatobá. Mas a partir do momento em que a distribuidora de energia conseguir ler as informações, detectar o tipo de consumo e puder cortar os abusos fora de contrato, a potencialidade de novos usos vai crescer exponencialmente.
Copel está fazendo testes no Paraná

Como a medição eletrônica já é usada em vários países e testes já estão sendo feitos no Brasil, ele diz que nova regulação do setor é urgente. “A cada dia que passa aumenta o risco de ter um setor desorganizado pelas leis. Nosso objetivo é que se possa tirar o melhor proveito do novo sistema em nível nacional”, diz. Segundo Jatobá, a Aptel está elaborando para o governo – em parceria com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) – um projeto de planejamento do novo sistema “para que a regulamentação não seja espontânea e desorganizada”. “As discussões sobre o novo sistema elétrico serão de igual ou até maior magnitude do que ocorreu durante a definição do padrão de sistema de televisão digital”, defende.

O prazo para a implantação do sistema em nível nacional é estimado em dez anos, levando em conta que o Brasil tem 60 milhões de medidores de consumo de energia elétrica. “É uma grande oportunidade para desenvolver a indústria nacional, especialmente considerando que há outros 60 milhões na América Latina, onde o Brasil tem boas condições para exportar a tecnologia desenvolvida.” O parâmetro usado para estimar o prazo brasileiro é a Itália, que tem 30 milhões de pontos de leitura e levou quatro anos para implantar o sistema eletrônico de medição.

Além do furto

A maior parte dos testes de medição eletrônica remota no Brasil ainda tem fins econômicos imediatos porque reduz ou até mesmo elimina o furto de energia, o popular “gato”. No entanto, segundo Jatobá, países mais desenvolvidos – que não têm problema com furtos – estão mais voltados para o gerenciamento otimizado da energia elétrica e as funcionalidades que ela proporciona. O simples fato de o presidente dos Estados Unidos Barack Obama ter colocado o gerenciamento energético entre as bases do governo, de acordo com ele, irá agilizar o desenvolvimento mundial de tecnologias com esse fim.

Hoje no Brasil o sistema elétrico obedece praticamente à mesma lógica de quando a energia foi descoberta, de uma fonte de produção (geração) distante, ligada pelas linhas transmissoras até os consumidores. O sistema “smart grid”, como está sendo chamado atualmente, passa a contar com a geração de energia também de pequenas fontes, até então inimagináveis: os painéis solares de uma residência, por exemplo, contribuiriam com outras casas do mesmo bairro em momentos ociosos. “Nas cidades, pequenas estações eólicas e o próprio carro híbrido elétrico poderão ser fontes descentralizadas de energia, enquanto Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) podem cumprir essa função no campo”, destaca Jatobá.

Já a internet via rede elétrica, que ganhou projeção ao ser apresentada como futuro da web, é um nicho à parte de tudo isso, e segundo Jatobá representa uma oportunidade de democratizar a comunicação. “A rede elétrica hoje alcança 98% das residências brasileiras. A rede telefônica fixa, que oferece internet, é a segunda maior, presente em 50% das casas. Se eu me obrigo a universalizar o novo sistema energético, eu estou chegando lá naqueles 48% onde não existe alternativa ou competitividade para ter telefone, dados ou televisão. Estou democratizando a informação”, afirma.

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Vão grampear a sua energia

Revista Época – Data – 25/07/2009
Por Thiago Cid

Um novo sistema conseguirá ler seus hábitos de consumo. Mas você vai gostar: a conta poderá cair.

FIM DO “GATO”. Um técnico instala um medidor digital em Niterói, Rio de Janeiro, na área da distribuidora de energia Ampla. O dispositivo reduz furtos e desperdício.

FIM DO “GATO”. Um técnico instala um medidor digital em Niterói, Rio de Janeiro, na área da distribuidora de energia Ampla. O dispositivo reduz furtos e desperdício.

O cidadão tem motivos diversos para querer melhorar seu perfil de consumo de eletricidade – dos mais imediatos, como gastar menos dinheiro, aos mais nobres, como reduzir o impacto ambiental causado por sua família. Esse empenho, atualmente, recebe pouca ajuda das empresas distribuidoras de energia, como Eletropaulo e Light. O relógio mecânico e arcaico que mede o consumo em cada residência revela informações úteis somente ao técnico que vai fazer a leitura. Se o consumidor pudesse entender esses dados e escolher como seu lar gasta energia, a fim de usá-la de forma mais inteligente, o sistema elétrico brasileiro passaria por um salto evolucionário. Um impulso para esse salto foi tomado neste ano, na discreta consulta pública feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sobre a substituição, nas residências brasileiras, dos medidores analógicos por digitais. O que se discute é bem mais que uma troca de equipamento.

O novo medidor tem potencial para tornar o sistema de geração e distribuição de energia mais eficiente, econômico e limpo. “Só com a medição eletrônica será possível tarifar a eletricidade de acordo com o horário de uso”, diz Luiz Maurer, especialista sênior em energia do Banco Mundial. Essa medição tornaria a eletricidade para as residências mais barata em horários de pouco uso, como de madrugada, e mais cara nos horários de pico, no fim da tarde e início da noite – algo semelhante ao que ocorre com as tarifas da telefonia. Hoje, nos momentos de maior demanda, o sistema de distribuição trabalha acima de 90% de sua capacidade, o que significa maior risco de quedas de força. “Um sistema sobrecarregado sofre panes”, diz o especialista e consultor Roberto D’Araújo. “E, quando há uma pane, a rede deixa de distribuir energia por um instante, para depois a carga voltar muito alta. Por isso, há um grande número de queimas de aparelhos elétricos.”

Com a mudança de tecnologia na medição, seria possível também diferenciar a tarifa no verão e no inverno. Como a geração de energia é menor no período mais frio e seco do ano, a tarifa do horário de pico do inverno poderia ser maior que a do verão, afirma D’Araújo, que é pesquisador associado do Coppe, a pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Uma mudança assim traria um grande benefício ambiental. No inverno, o maior consumo de eletricidade faz com que o país recorra às poluentes termoelétricas, a parte ruim da razoavelmente limpa matriz energética brasileira. Além disso, num cenário de volta do crescimento econômico, em 2010 e 2011, o Brasil terá de avaliar novamente os limites de sua capacidade de geração. Embora a indústria use a maior parte da energia produzida no país, as residências respondem por mais de 20% do consumo e têm influência nesse quadro.

A ANEEL, ao mesmo tempo que avalia a necessidade de modernização da infraestrutura, modera a ansiedade de fabricantes de equipamentos e consultores que veem no processo uma oportunidade de venda. Ainda não foram definidos o prazo para a substituição dos medidores nem as características necessárias ao equipamento digital. Sabe-se que ele oferece muitas possibilidades, além da tarifação por horário. O equipamento pode mostrar ao consumidor quanta energia foi gasta e como ela foi usada, em períodos de tempo determinados. Ao conferir seu perfil de uso, ele saberia como reduzir o desperdício e em quais horários utilizar os aparelhos que mais consomem, como ferro de passar roupa e chuveiro elétrico.

A tecnologia digital poderia também detectar rapidamente falhas no fornecimento, localizando o problema e disparando alertas automáticos. Tanto o consumidor quanto a fiscalização teriam uma ferramenta para averiguar a qualidade do serviço prestado pelas empresas.  Pesquisas em andamento sugerem que haverá medidores com novas capacidades num futuro próximo. Cyro Boccuzzi, presidente da consultoria de eficiência energética ECOee e ex-vice- -presidente da Eletropaulo, diz: “Os novos medidores não podem estar limitados à tecnologia atual e ao preço mais baixo. Devem ter todas as funções que beneficiem os consumidores”.

Na África do Sul, o sistema digital ajudou as famílias a reduzir seu consumo de energia em 20% . Entre as novas capacidades estaria a medição nos dois sentidos, ou bilateral. Ela permitiria que pequenos produtores residenciais de energia (a partir de geração solar, por exemplo) vendessem seu excedente para o sistema. O medidor registraria quanto o consumidor utilizou da energia da concessionária e quanto ele enviou para o sistema. A novidade, assim, incentivaria investimentos difusos em fontes renováveis.

Um sistema com essas características – flexibilidade, captura e uso intensivo de dados, circulação de informação nos dois sentidos e capacidade de incorporar inúmeras pequenas fontes geradoras – aproxima-se de uma rede elétrica inteligente, também conhecida em inglês como “smart grid” (tema de um congresso internacional a ocorrer em São Paulo, em novembro). O engenheiro eletricista Pedro Jatobá, um dos principais especialistas brasileiros em smart grids, afirma que o sistema, para se tornar progressivamente mais inteligente, precisa mirar simultaneamente em três objetivos: mais segurança, menor impacto ambiental e menos gasto.

A parte da despesa menor para o usuário já virou realidade na África do Sul, onde o uso dos medidores eletrônicos proporcionou queda de 20% no consumo residencial. Com o aparelho, as famílias entenderam seu perfil de consumo e reduziram o desperdício. “O medidor pode mostrar claramente como um banho demorado faz energia e dinheiro escorrerem pelo ralo”, afirma Maurer, do Banco Mundial.

Na consulta pública, a ANEEL quis saber quais funções o aparelho deveria ter. Essa etapa terminou em abril e coletou 33 sugestões. Apenas seis foram de consumidores. A maior parte das sugestões tinha como objetivo favorecer as empresas fornecedoras de energia. A ANEEL afirma que a conversa apenas começou. “Queremos chegar a um consenso, para adotar aparelhos que beneficiem consumidores e empresas concessionárias”, diz Joísa Dutra, diretora do órgão regulador.

Para as distribuidoras, seria vantajoso ter meios de prevenir furtos de energia, os famosos “gatos”. Elas também teriam um mapa detalhado da rede, com a localização dos gargalos e o perfil do consumo dos clientes. “Os medidores poderão registrar tudo o que se passa na rede e transmitir esses dados para as concessionárias”, afirma André Moraga, diretor de relações institucionais da Ampla, concessionária que atua em 73% do Estado do Rio de Janeiro. O medidor foi crucial na redução dos furtos de energia na área de atuação da Ampla. Em 2005, antes de a concessionária substituir cerca de 300 mil dispositivos por modelos digitais, 27% de sua energia era furtada, e com isso ela sofria prejuízo anual de cerca de R$ 800 milhões. Com a novidade, a empresa afirma ter reduzido a taxa de roubo para 20% e economizado R$ 200 milhões. O consumidor se beneficia de maneira indireta, porque a redução de perdas diminui a necessidade de reajustes por parte da empresa.

Para que uma estrutura assim funcione, a rede elétrica deverá estar equipada com sensores, capazes de levar os dados colhidos até as centrais de operação das concessionárias. Eles podem captar as informações de aproximadamente mil medidores e enviá-las – por ondas de rádio ou pela própria rede elétrica – às centrais. A tecnologia permitiria troca de informações entre todos os pontos do sistema, como as estações distribuidoras de energia, a central de processamento da concessionária e as residências. Essa capacidade de comunicação permitiria à empresa não somente detectar falhas após seu acontecimento, mas também monitorar o sistema para evitar que problemas acontecessem, diz Jatobá, que preside a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel).

Desde 2007, os medidores digitais precisam passar pelo crivo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Até agora, apenas uma marca recebeu o selo necessário. “Outros dois fabricantes estão a caminho da aprovação”, afirma Luiz Carlos Gomes, diretor de Metrologia Legal do Inmetro. O aparelho permitido é fabricado pela empresa Landis Gyr, suíça, mas, segundo o presidente da companhia no Brasil, Álvaro Dias Filho, a tecnologia foi toda desenvolvida aqui. “Nossos aparelhos permitem todas as funções, mas, até a ANEEL regulamentar quais operações serão permitidas, ele está sendo usado apenas para mostrar, de forma simples, quanto cada casa está consumindo”, diz.

Diante do extenso cardápio de possibilidades (e de ainda poucas certezas), cabe lembrar que o usuário não é o principal responsável pela robustez do fornecimento. “As empresas concessionárias são obrigadas a manter uma rede moderna, capaz de suportar a demanda da população crescente. Para isso, o consumidor já paga por investimentos em infraestrutura, perdas técnicas e furto de energia, que são repassados na conta”, afirma o consultor D’Araujo.

o-sonho-do-smart-grid

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