Comissão do Senado aprova convite para Dilma e Lobão explicarem apagão no Congresso

Agora a discussão sobre Smart Grid deve esquentar e quem sabe avançar, vejam esta notícia:

Fonte: Folha Online - 16.11.2009 – Márcio Falcão

Smart Grid em jogoPressionados pela oposição, líderes governistas se anteciparam e aprovaram nesta segunda-feira na Comissão de Infraestrutura do Senado um convite para que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e mais 18 pessoas ligadas ao setor elétrico prestem esclarecimentos no Congresso sobre o apagão elétrico que atingiu 18 Estados na semana passada.

O chamado faz parte de uma estratégia fechada hoje pelo governo para evitar que a oposição explore o fato politicamente e promova ataques contra integrantes do setor elétrico.

Na prática, a presença dos ministros ainda é dúvida porque não foi marcada a data para a audiência e se trata de um convite que pode ser recusado sem grandes justificativas.

Na tentativa de esvaziar o assunto, o requerimento estabelece que serão realizadas duas audiências para discutir o apagão.

A primeira foi marcada para o próximo dia 26, quando serão ouvidos técnicos como o presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema), Hermes Chipp, presidente da Aneel, Nelson Hubner, e especialistas.

O documento prevê que a segunda audiência será realizada se os senadores da comissão julgarem o debate necessário.

“Na primeira etapa, faremos um debate técnico. Só vão participar aqueles que tiverem algo a contribuir sobre as reais causas do problema. A partir daí, nós iremos estabelecer as prioridades dentro deste debate”, disse o presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Fernando Collor (PTB-AL).

O requerimento foi aprovado em votação simbólica com a presença de apenas três senadores governistas –Valdir Raupp (PMDB-RO), Delcídio Amaral (PT-MS), Gilberto Goellner (DEM-MT).

Com a aprovação do requerimento, os governistas inviabilizam outros dois documentos apresentados pela oposição que pretendiam convidar os ministros. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), só apareceu na comissão após a votação. O tucano reclamou da manobra e disse que a ministra precisa comparecer ao Senado.

“Não é questão de politizar o assunto. A ministra foi responsável pela elaboração do marco regulatório. Agora, não entendo essa estratégia do governo. A ministra fala sobre tudo, a qualquer momento e diante de uma crise dessa, eles tentam escondê-la. É difícil entender isso. A ministra ficou 40 horas desaparecida após o apagão. Ela precisa dar explicações”, disse.

A oposição reconheceu que pretendem levar para a disputa eleitoral a falta de energia registrada. A ideia é responsabilizar Dilma que ocupou o Ministério de Minas e Energia por mais de três anos e provocar um desgaste na imagem de “boa técnica”.

Para a oposição, o blecaute também seria uma forma de reverter o desgaste das duas últimas eleições para os candidatos tucanos pelo apagão registrado em 2001 durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na audiência do dia 26 serão ouvidos: Hermes Chipp (presidente da ONS), Gilberto Câmara (INPE), Maurício Tolmasquim (presidente Empresa de Planejamento em Energia), Luiz Pinguelli (físico, ex-presidente da Eletrobrás), José Goldemberg (físico e ex-ministro de Estado), Evandro Emílio Lima (físico UnB), Cyro Boccuzzi (presidente do Fórum Latino de Smart Grid).

O requerimento envolve ainda Dilma Rousseff (Casa Civil), Edison Lobão (Minas e Energia), Márcio Zimmermann (secretário-executivo Minas Energia), Ubiratan Aguiar (presidente do Tribunal de Contas da União), Nelson Hubner (diretor-presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica), José Antonio Lopes (presidente da Eletrobrás), Jorge Miguel Samek (diretor Itaipu), Carlos Filho (diretor de Furnas), Cesar Zavi (diretor de operações de Furnas), Hildo Sauer (ex-diretor da Petrobras), Djalma Falcão (presidente da PSR Planejamento e Consultoria) e Adriano Pires (Consultor da UFRJ).

  • Share/Bookmark

Smart Grid não é panacéia, mas poderia minimizar os efeitos de um apagão, diz APTEL

Fonte: Convergência Digital – 11/11/2009 – Ana Paula Lobo

apagaoA queda de uma linha de transmissão da Usina de Itaipu deixou 18 estados do país, entre eles, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Paraguai sem luz na noite desta terça-feira, 10/11.

O governo atribuiu o blecaute a fenômenos climáticos, mas ainda não há uma poisição oficial. A falta de energia traz à tona a discussão sobre a utilização do Smart Grid, a chamada ‘rede inteligente’.

O presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (APTEL), Pedro Jatobá, apesar de favorável à tecnologia, adota postura cautelosa. Segundo ele, “smart grid não pode ser vista como panacéia. Ela não impediria falhas no sistema, mas, certamente, minimizaria os efeitos de um acidente”, diz.

“Não podemos ter ilusão. O apagão aconteceu em função da topologia brasileira. O Smart grid ajuda e muito, mas não resolve tudo. Mas é claro que a rede distribuida de forma mais inteligente, certamente, poderia reduzir os efeitos negativos da falta de luz para a população”, acrescentou Pedro Jatobá, em entrevista ao Convergência Digital.

Ele observa que a discussão sobre o uso das redes inteligentes começou em 2001, logo após o atentado às Torres Gêmeas, de Nova York. “Se questionou se o ataque fosse a uma usina de energia ou nuclear como ficaria o país. Dai, começou-se a pensar em alternativas, na distribuição inteligente de energia que é o smart grid”, destacou Jatobá.

Indagado se o Apagão no Brasil poderia ter sido provocado por um hacker, o presidente da Aptel avaliou que essa probabilidade é ‘praticamente nula’. “Nâo vejo como. Os sistemas são extremamente protegidos. Há segurança”, observou.

De acordo com especialistas, as experiências com smart grid no Brasil ainda são incipientes. Na prática, as redes inteligentes podem ser usadas para reduzir as perdas técnicas (no próprio sistema de transmissão) como as perdas chamadas ‘não técnicas” (principalmente o furto de energia – os tais gatos).

As perdas “não técnicas” no Brasil são enormes, conforme relata em artigo Peter T. Knight, publicado na revista Banco Hoje, tanto que nas 61 distribuidoras que passaram por revisão tarifária em 2008, a Aneel estima serem as perdas não técnicas em 21 Gwh (gigawatt/horas) por ano com um valor (incluindo impostos não recebidos) de R$7,6 bilhões no ano passado.

As perdas técnicas, que também podem ser reduzidas com uso de tecnologias de Smart Grid, são outros 28,5 Gwh. Segundo ainda o especialista, “os obstáculos à implementação de smart grids parecem ser a cultura conservadora de muitas empresas do setor elétrico, a falta de padronização e interoperabilidade de equipamentos e a multiplicidade de regimes regulatórios”.

  • Share/Bookmark

Raio, vento e chuva causaram o apagão, segundo o governo

 

Foi culpa dos raios, da chuva e do vento, disse o governo, 20 horas depois, ao tentar explicar o que levou ao gigantesco apagão de terça-feira (10) à noite.

Fonte: Jornal da Globo - 11.11.2009 – Vladimir Netto – Brasília, DF

De manhã, com a energia já plenamente restabelecida, o presidente Lula pediu cautela “Não posso dizer que foi raio, vento, erro humano enquanto eu não tiver informação concreta e objetiva do que aconteceu”.

As primeiras respostas vieram de depois de horas de reunião. Toda cúpula do setor elétrico esteve na sede do Operador Nacional do Sistema. Coube ao Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciar a causa do blecaute.

“O que aconteceu foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá. Houve uma concentração de fenômenos atmosféricos o que provocou curto circuito nos três circuitos de Itaberá, que vem de Itaipu”. Mas por via das dúvidas: “Deus queira não voltará a acontecer”.

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas em Itaberá, no interior de São Paulo, caíram, segundo o INPE, 74 em meia hora durante o apagão. Algumas dessas descargas elétricas teriam derrubado o sistema.

A maior usina do país opera com 20 turbinas que geram 18 mil megawatts. Segundo o governo, os raios atingiram as três linhas de transmissão da de Itaipu perto da estação de Itaberá. Por causa disso, Itaipu saiu do sistema.

O blecaute foi praticamente total nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo e parcial em outros 15 estados das demais regiões do país. 40% da energia que o país consome deixou de ser fornecida.

Foi a primeira vez que Itaipu parou de funcionar totalmente. O especialista do Instituto de Eletrotécnica da USP, Ildo Sauer, criticou as declarações dadas pelo Ministro de Minas e Energia.

“A falta de explicação para o evento iniciador, o porque não foi contido próximo da origem do problema e, finalmente, a demora para dar explicação plausível do que foi dada e ainda não foi, me leva a ter a plena convicção que estamos diante de um problema de organização e gestão do sistema elétrico”.

Foi da sala do Operador Nacional do Sistema que os técnicos comandaram a operação para restabelecer o fornecimento de energia. As equipes foram reforçadas e o trabalho atravessou a madrugada.

As Usinas de Jupiá, Ilha Solteira e Marimbondo se incorporaram ao sistema sudeste e centro-oeste compensando a falta da energia de Itaipu. O Ministro Lobão também explicou por que as usinas termoelétricas não foram acionadas. “Não havia nenhuma necessidade de geração de energia. Tem o gerador, mas não tem a linha”.

O blecaute também tirou as usinas nucleares Angra um e dois do sistema. É uma questão de segurança, sempre que há oscilações de energia, elas são desligadas automaticamente. Angra um foi religada no final da tarde desta quinta-feira. Angra dois, só na manhã de quinta-feira.

  • Share/Bookmark

O funcionamento do sistema de energia nos EUA

O apagão no Brasil ganhou grande destaque na imprensa internacional.
Fonte: Jornal da Globo – 11.11.2009 – Giuliana Morrone Nova York, EUA

Desde que o Rio levou a candidatura para as Olimpíadas de 2016, as notícias relacionadas ao Brasil ganharam muito mais destaque por aqui e na imprensa européia.

A agência de notícias Reuters disse que o blecaute levantava dúvidas sobre a capacidade da infraestrutura brasileira. A mesma questão foi discutida na matéria do britânico ‘Financial Times’.

A BBC escreveu que o corte de energia era um mistério e o New York Times disse que o Brasil procurava por respostas para o imenso blecaute. O repórter do New York Times disse que o apagão brasileiro o fez lembrar do apagão que aconteceu também nos Estados Unidos seis anos atrás.

Nesta quarta-feira (10) Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que “os Estados Unidos estão desejosos de fazer uma interligação como nós temos aqui no Brasil”.

Os americanos se preocupam, sim, em ligar todo o sistema da costa leste à costa oeste, mas têm uma prioridade: criar o que o presidente Barack Obama está chamando de rede inteligente.

Obama quer investir em computadores super modernos que consigam identificar algum problema, alguma pane, e avisar a tempo, diminuindo os riscos de apagão.

Com o sistema, do jeito que está hoje, ocorrem – em média três apagões – a cada dez anos, nos Estados Unidos. Com esse sistema, o número cairia para apenas um.

Eles são os maiores consumidores de energia do mundo. Os Estados Unidos não têm grandes rios, como o Brasil, para construir hidrelétricas. A luz que chega a casa dos americanos vem de várias fontes. A maior parte da energia vem do carvão e do gás natural e menos de 6% de hidrelétricas.

Tudo vai bem, quando não surge algum problema. Em 2003, surgiu um, uma árvore. Os galhos não tinham sido podados e encostaram nos fios da rede elétrica. Foi o caos.

As distribuidoras nos estados não se comunicaram e o apagão foi deixando os Estados Unidos às escuras, num efeito cascata. A falta de luz afetou 45 milhões de pessoas nos Estados Unidos e dez milhões no Canadá e durou quase quatro dias.

O especialista em sistemas elétricos, Roger Anderson, explica que quando há uma pane, o sistema a carvão demora até dois dias para voltar a funcionar. O sistema de transmissão de energia americano não é interconectado, mas dividido em grandes blocos, na costa oeste e na costa leste.

O professor Anderson disse que o Ministro das Minas e Energia Edison Lobão tem razão, ao afirmar hoje que os Estados Unidos querem a interligação do sistema, mas ele lembra um pequeno e importante detalhe: o sistema não tem, apenas, que ser interligado mas inteligente. A eletricidade se move quase na velocidade da luz. Homens não podem controlá-la, computadores podem, diz ele.

O governo Obama quer gastar até US$ 6 bilhões para deixar o sistema, não só interligado, mas inteligente com modernos e rápidos computadores.

  • Share/Bookmark