Governo quer estimular menor uso de energia

Fonte: Valor Econômico – 26.02.2010 – Danilo Fariello

Leia o artigo abaixo e imagine os mesmo conceitos de energia economizada (ou armazenada em veículos elétricos) e venda de energia excedente (proconsumidor gerando energia além do que precisa)  em um consumidor residencial com o advento das redes inteligentes e de tarifas horárias diferenciadas:

O governo federal deverá criar estímulos para obter maior eficiência no consumo de energia elétrica no momento em que a carga total do país bate seguidos recordes. Entre as medidas em discussão está uma maior flexibilidade para os grandes consumidores revenderem parte da energia contratada. A decisão, porém, ainda depende de uma costura política para ser adotada. Apesar da aprovação de distribuidores e grandes consumidores de energia elétrica, o governo teme que a decisão provoque ilações que remetam ao racionamento de 2001, quando medidas similares foram tomadas.

Em uma reunião, ontem, entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Câmara de Comercialização da Energia Elétrica (CCEE), decidiu-se apressar os estudos e a decisão. Embora a agência tenha autonomia para tomar essas medidas, a percepção é de que, pelo risco político, deveriam ser ações definidas no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que inclui o Ministério de Minas e Energia (MME). A possibilidade já foi apresentada em reuniões anteriores do CNPE.

São duas as medidas em debate. A primeira é a possibilidade de existir um prêmio para a empresa que aceitar ter seu fornecimento reduzido quando subir o preço da energia no mercado de curto prazo, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Ou seja, a empresa que quiser ter um desconto de 5% no preço da sua tarifa aceitaria que, se o PLD atingisse valor de R$ 200, ela seria obrigada a reduzir o seu consumo em 4%. Se ele não fizesse essa redução, sofreria penalidades.

Essa possibilidade seria pouco viável para uma siderúrgica, por exemplo, em que é mais complicado desligar ou reduzir a produção de um alto-forno. Mas, no caso de metalúrgicas e têxteis, por exemplo, é possível obter ganhos significativos para correr o risco de ter o fornecimento reduzido. Como a produção dessas indústrias é mais pulverizada, a redução de uma pequena parcela da produção pode ser viável, frente à redução de custos.

A segunda medida em discussão é o chamado “custo evitado”, que seria a possibilidade de aquisição, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ou pela CCEE, da energia não consumida quando o preço estiver alto. Ou seja, quando o consumo de energia estiver muito elevado, o governo poderia recomprar energia de empresas que aceitassem reduzir o consumo. Essa seria uma alternativa anterior ao acionamento de usinas térmicas, que têm preço de geração mais elevado. Dessa forma, os grandes consumidores poderiam até colaborar com uma menor tarifa do mercado regulado, porque sua decisão evitaria o acionamento de térmicas.

Em 2008, foram gastos R$ 2,4 bilhões pelo equivalente a 1.500 MW médios gerados pelas termelétricas, o que equivalia a 3% da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN). A carga total dos grandes consumidores, com demanda maior de 500 kW, foi de 33 mil MW médios. Portanto, se os grandes consumidores pudessem vender energia equivalente a 5% do seu consumo pelo preço do PLD, não haveria necessidade de uso das térmicas, explica Edvaldo Santana, diretor da Aneel.

Para ele, com essa medida “a economia quase não seria afetada, porque a redução de 5% no consumo representa muito pouco” em relação ao custo das térmicas. Nessa hipótese, a tarifa no mercado regulado não seria elevada pelo custo maior de acionamento das térmicas e haveria menor emissão de CO2, diz.

O entendimento do governo é de que agir na demanda por energia pode ser mais simples e mais eficiente do que atuar apenas na oferta, com a construção e implantação de novas usinas. Além disso, dependendo do modelo de geração, estimular a oferta pode significar até aumento das tarifas de energia – se ocorrer por meio de energias renováveis, mais caras, por exemplo.

A ideia, diz Santana, é agir na demanda com incentivos aos consumidores de grande porte que conseguirem reduzir o uso de energia, para aumentar a eficiência econômica da carga. Ele destaca que ambas as medidas já foram testadas e adotadas em outros mercados pelo mundo. “Em todos os casos, é importante ressaltar que o grande consumidor sempre será voluntário para decidir entre revender a energia ou não”, destaca Santana.

A renegociação da energia contratada já foi permitida no Brasil após o racionamento de energia elétrica de 2001. Naquele ano, as empresas tinham o compromisso de reduzir em 20% o seu consumo. Na época, havia os “certificados de energia”, que eram contratos bilaterais de balcão entre consumidores.

Aqueles que não conseguiam reduzir o consumo em mais de 20% poderiam adquirir esses certificados de empresas que economizavam além da meta. Isso durou poucos meses, até o fim do racionamento, no ano seguinte. A ideia atualmente em discussão avança para um certificado padronizado que as empresas poderiam negociar em mercado aberto.

A expectativa dos consumidores é de que a possibilidade de renegociação de energia contratada também leve mais transparência ao mercado de energia, além de dar-lhe mais liquidez.

Desde 2008, o Ministério de Minas e Energia tem praticamente pronta uma minuta de projeto de lei para que os consumidores livres possam vender o excedente de energia. Naquele ano, a ideia era colocar a minuta em consulta pública, o que nunca ocorreu. Agora, o CNPE teria mais respaldo político para tomar a decisão. Do conselho, fazem parte nove ministérios, um representante dos Estados, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a CCEE e a Aneel.

Para a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais e Consumidores Livres de Energia (Abrace), a adoção de qualquer uma dessas medidas é positiva. “Isso levaria os consumidores de uma condição passiva para ativa em termos de gestão de demanda de energia”, diz Ricardo Lima, presidente da associação. Se puder revender a energia, os consumidores poderiam não só gerenciar o uso de suas cargas, como tornar o consumo mais eficiente, diz.

Em momentos como o atual, provavelmente a indústria teria alguma flexibilidade para revender energia nessas condições, observa Lima, da Abrace. Ele destaca que o custo de geração das térmicas atualmente é perverso, porque todos são obrigados a bancá-lo, sem poder agir para influenciar sua redução. Em janeiro, o consumo de energia elétrica no país bateu recorde com carga de 33.718 gigawatts-hora (GWh), com crescimento de 9,1% em relação ao mesmo mês de 2009, segundo a EPE. De acordo com o ONS, cinco recordes de consumo diário foram batidos no mês de m janeiro.

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AMPLA E LIGHT INSTALAM MEDIDOR DIGITAL ENQUANTO AGUARDAM LEI

Fonte: AGÊNCIA ESTADO

São Paulo, 18 – A regulamentação do serviço pré-pago de energia desperta o interesse de outras distribuidoras além do Grupo Rede. É o caso da concessionária fluminense Ampla, primeira a usar a medição centralizada e o sistema pré-pago no Brasil. Entre 2003 e 2009, a distribuidora já conectou 300 mil unidades consumidoras (12% dos clientes) aos medidores digitais. “Nesse período, as perdas de energia caíram de 25% para 20%”, revela o diretor de Relações Institucionais da Ampla, André Moragas. Apesar dos benefícios, os projetos da companhia mostraram que a adoção de novas tecnologias pode sofrer uma grande resistência inicial dos consumidores.

Adquirida em 1997 pela espanhola Endesa (hoje, sob controle da italiana Enel), a distribuidora praticou até 2002 ações tradicionais para a redução das perdas totais. Moragas conta que, nesse período, as perdas caíram de 29% para 25%. “A partir de 2003, sentimos a necessidade de um salto tecnológico para que o nível de perdas continuasse decrescendo”, explica. Foi a partir disso que a Ampla resolveu apostar, inicialmente, na medição centralizada. A empresa foi pioneira no conceito de alterar a topologia da rede, deslocando os cabos de baixa tensão para uma altura um pouco superior da média tensão, a uma distância de 10 metros do chão.

Com a blindagem da rede, a segunda etapa do projeto foi a medição centralizada. “Sabíamos que o furto de energia migraria para o medidor com impossibilidade de fraudar a rede”, afirma. Para realizar o projeto e instalar a caixa com o conjunto de medidores no topo dos postes, a Ampla obteve autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Moragas conta que o uso do medidor digital permitiu à empresa constatar que a premissa de que o cliente furta a energia elétrica por não ter condições de pagar à concessionária não é totalmente verdadeira.

“Ao receber a primeira conta após ser regularizado, o consumidor tem um susto. Mas ao longo do tempo é possível verificar uma redução nos valores”, diz. O executivo revela que o consumo de clientes irregulares caiu entre 50% e 60% após a legalização. Juntamente com a instalação do medidor digital, a Ampla desenvolveu ações de eficiência energética nas comunidades, com vistas a educar os clientes para evitar o desperdício. “A questão das perdas em nossa rede é fundamental. Cada ponto porcentual que recuperamos representa uma receita adicional de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões”, justifica o diretor de Relações Institucionais.

O impacto da regularização não foi bem digerido por alguns consumidores, assustados com os altos valores da conta de luz. A mobilização social gerou a instalação, em 2007, de uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contra a medição centralizada. “A regularização dos clientes provocou um salto na conta de luz, gerando uma sensação de revolta”, afirma o sócio da BR Investimentos e ex-diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, que comandava a agência na época da CPI. Os deputados acusaram a Aneel, a Ampla e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pelos supostos prejuízos aos consumidores.

“Acreditávamos tanto na tecnologia que nos comprometemos a desconsiderar a conta de luz do primeiro mês e faturarmos com base na média dos últimos três meses para o consumidor que reclamasse. Como contrapartida, fiscalizaríamos esse consumidor”, diz Moragas. Ao final, apenas 1% das 300 mil unidades consumidoras conectadas ao medidor digital questionaram a empresa, sendo que nesses casos foi constatada a existência ligações irregulares. “A CPI apenas postergou o projeto, porque o Inmetro adotou uma postura mais cautelosa diante das acusações e exigiu novas certificações para homologar os equipamentos”, acrescentou.

A partir de 2006, a Ampla iniciou os testes com o serviço pré-pago de energia com 500 clientes dos municípios de São Gonçalo, Caxias, Magé, Niterói, Itaboraí e Maricá. “Vislumbramos no pré-pago uma medida para reduzir a inadimplência”, justifica Moragas. O executivo afirma que do universo de 2,5 milhões de clientes da empresa, 800 mil consumidores são classificados como baixa renda. “Muitos não possuem uma renda fixa. O pré-pago seria uma maneira mais flexível de comprar energia, adequando o consumo à renda dos nossos clientes”, justifica. A Ampla também obteve autorização da Aneel para desenvolver este projeto-piloto.

Mas os problemas começaram logo que os primeiros cortes de fornecimento ocorreram. Muitos consumidores entraram na justiça para recuperar o suprimento, derrotando a Ampla. “Os juízes decidem à favor de um único consumidor em prejuízo a toda coletividade”, critica Kelman. Segundo Moragas, a expansão do serviço pré-pago no País, a exemplo do que já existe no setor de telefonia, depende da regulamentação das regras de interrupção pelo regulador e da flexibilização do procedimento para a compra dos créditos. “Hoje, o consumidor precisa ir à loja adquirir os créditos, tendo que assinar sempre um termo de compra”, explica.

Com a homologação definitiva do Inmetro em julho de 2009, a Ampla retomou os planos de instalar os medidores digitais em sua área de concessão. Para 2010, a meta é instalar 50 mil unidades. Entre 2003 e 2009, a empresa já investiu R$ 300 milhões na blindagem da rede e nos medidores. “Agora, a expansão do serviço pré-pago está em stand-by e depende de uma regulamentação”, afirma Moragas. O executivo disse que é do interesse da Ampla esse novo sistema porque os dados mostram que o consumidor rapidamente se acostuma com o serviço e que o nível de corte de fornecimento tende a ser menor do que na modalidade pós-paga.

Light

A Light (RJ) é outra distribuidora que avança no uso de medidores digitais. Com uma perda total de 21%, sendo 15 pontos porcentuais de perdas comerciais, a companhia adota estratégias distintas em sua área de concessão. Em locais de alto poder aquisitivo, a Light optou por instalar os medidores digitais individuais nas unidades consumidoras, alcançando 40 mil clientes. “Entre janeiro de 2008 a dezembro 2009, reduzimos as perdas totais desses consumidores de 25% para 9%, e temos a meta de chegar a 2%”, diz o superintendente de recuperação de energia da Light, José Geraldo Pereira. Nas áreas de maior risco do Rio, a empresa instala os medidores individuais à medida que o Estado retoma a sua presença nas comunidades.

O conceito de medição centralizada foi aplicado pela empresa nas regiões baixa renda de sua área de concessão, como a Baixada Fluminense. Até o momento, a companhia instalou 40 mil medidores digitais nessas localidades e pretender instalar mais 120 mil neste ano, diante da homologação dos equipamentos pelo Inmetro. “Temos como meta reduzir as perdas totais de 40% para 5% nessas regiões”, afirma o executivo. Para tanto, a Light pretende instalar 100 mil medidores por ano até 2013. “A regularização dos clientes beneficia a todos, inclusive o Estado. Se o nosso faturamento cresce, aumenta a arrecadação de impostos”, justifica.

Além da medição centralizada, o executivo diz que o serviço pré-pago é uma boa opção para o setor elétrico. Pereira, no entanto, afirma que a Light não deve investir no serviço até que a tecnologia seja regulamentada. Em 2009, a concessionária destinou cerca de R$ 180 milhões a iniciativas de combate às perdas. Para 2010, a meta é aportar R$ 190 milhões. No ano passado, a empresa deixou de faturar R$ 700 milhões por conta das perdas comerciais.

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Sagemcom fornece medidores inteligentes a concessionária de energia espanhola

Fonte: Sagemcom – Denise Fortes – São Paulo – 14.12.2009

Sagemcom

A Sagemcom, multinacional francesa especializada em soluções de comunicação de banda larga e convergência, acaba de fechar um valioso contrato com a concessionária de energia espanhola Iberdrola, para fornecimento de 100 mil smart meters (medidores inteligentes, em português) para a cidade de Castellón, na Espanha. Na Europa, já existe uma legislação que torna obrigatória a substituição dos relógios mecânicos para medição de energia elétrica pelos medidores digitais e Castellón saiu na frente. Ela será a primeira cidade a contar com redes de distribuição inteligente de energia na Espanha e, em 18 meses – prazo para finalização das instalações – beneficiará cerca de 120 mil usuários.

Os smart meters trazem muitas vantagens, tanto aos consumidores como à companhia de energia. Para os usuários, as principais vantagens são verificar, em tempo real, os gastos de energia, os horários em que ela custa mais caro, quais são os aparelhos que mais a consomem, o que ajuda a reduzir ou evitar desperdícios. Com esses aparelhos, também é possível detectar falhas no fornecimento da energia, localizá-las e resolver o problema. O consumidor pode controlar a qualidade do serviço prestado, enquanto as concessionárias de energia elétrica podem impedir furtos ou desvios de energia.

Paralelamente, as operadoras de energia elétrica podem economizar com mão-de-obra, já que não se torna mais necessário enviar um técnico para realizar a medição mensal e, principalmente, contribuir com o meio ambiente. “As redes inteligentes de energia evitam desperdícios do recurso, pois redirecionam a energia em momentos de escassez, tornando-se ainda um sistema mais confiável e seguro”, comenta Leonardo Netto, gerente de vendas da Sagemcom.

Em Castellón além da substituição dos medidores mecânicos por digitais, haverá a automatização avançada em 600 centros de transformação que alimentam a região para melhorar a qualidade e a eficiência da distribuição da energia. Diante dos resultados obtidos, a Sagemcom, em parceria com a Iberdorla, prevê ampliar a comercialização dos smart grids para outras cidades do país.

Atualmente, além da Espanha, a Sagemcom está presente na França por meio da parceria com a concessionária EDF. “Neste país, foi implantado um sistema de gerenciamento de energia integrado com o objetivo controlar e administrar a energia. O sucesso foi imediato”, destaca o gerente.

A expectativa é que o Brasil, em curto prazo, se torne um mercado potencial para esse tipo de produto. “Devemos aguardar a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica sobre o modelo de distribuição de energia elétrica no Brasil para 2010 para iniciarmos as negociações. Por enquanto, só estamos apresentando nosso produto a possíveis clientes” diz Netto.

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Energia inteligente

Fonte: ISTOÉ Dinheiro Ed. 635 – Rodrigo Caetano – 04/12/2009

Já existe uma tecnologia que pode amenizar os apagões. Essa é a boa notícia. A má: ela ainda custa muito caro

Rede de Distribuição

O brasileiro voltou a conviver com apagões desde o início de novembro quando 18 Estados brasileiros ficaram às escuras. No Rio de Janeiro, os habitantes da cidade ainda enfrentavam miniapagões diários na semana passada. De 2009 até 2013, 62% do crescimento da capacidade energética no Brasil virá de usinas térmicas, consideradas uma fonte mais cara e ambientalmente incorreta. Mas há uma forma mais simples para ajudar a resolver os problemas de distribuição do País. É a tecnologia chamada de redes inteligentes de energia (smart grid, do termo em inglês). A tecnologia é o principal pilar do plano de renovação do setor elétrico que está sendo conduzido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

As redes inteligentes prometem um sistema elétrico mais eficiente e confiável. Elas são capazes de redirecionar distribuição de energia.

Este é o caso da Ampla, empresa pertencente ao grupo espanhol Endesa, responsável pelo abastecimento de 73% do Estado do Rio de Janeiro. A companhia investiu R$ 300 milhões para instalar medidores eletrônicos de consumo em áreas com alto índice de fraudes. “Começamos o projeto em 2005 para inibir o roubo de energia”, afirma o diretor de relações institucionais da empresa, André Moragas. Dos 2,5 milhões de clientes da companhia, 300 mil contam com os novos equipamentos. O índice de ligações clandestinas caiu de 26%, em 2003, para 20%, após o início do projeto. De acordo com Moragas, cada ponto percentual reduzido significa uma recuperação financeira de R$ 40 milhões.

O grupo Rede Energia, que atua em sete Estados brasileiros, também investe em medidores eletrônicos em algumas localidades. Segundo o vicepresidente de operações da companhia, Sidney Simonaggio, estão sendo trocados a energia em momentos de escassez. Uma casa ou região com baixo consumo pode, em um determinado horário, ter a energia desviada, por exemplo, para um hospital que necessite com urgência da eletricidade. O consumidor pode também armazenar a sua própria energia, evitando os apagões em momento de desabastecimento. Hoje, o sistema brasileiro não tem desligamento seletivo e foi justamente este fator que provocou o blecaute em cadeia em 18 Estados brasileiros. O primeiro passo para criar redes inteligentes é trocar os medidores. Cada casa precisa ter um e eles passam a se comunicar com outros medidores de uma rede. Juntos, definem as prioridades de os equipamentos nos Estados de Mato Grosso e do Pará, que passarão a contar com um sistema de medição centralizada, no qual é possível, inclusive, desligar remotamente a transmissão de energia. Simonaggio calcula em R$ 700 por cliente o custo para implantar uma rede inteligente no Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atualmente são 63 milhões de unidades consumidoras de energia no País, o que resultaria em um custo total de mais de R$ 44 bilhões.

A estrutura tarifária também precisa mudar. Hoje, o sistema não permite cobranças diferenciadas conforme o horário de consumo, o que poderia ser feito com as redes inteligentes. Segundo a Aneel, até o final do primeiro semestre de 2010 será realizada uma audiência pública para definir as propostas de alteração da estrutura tarifária. A pressa se justifica: segundo especialistas, a transição para o novo modelo leva entre cinco e sete anos.

As Vantagens das Redes Inteligentes

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Comissão do Senado aprova convite para Dilma e Lobão explicarem apagão no Congresso

Agora a discussão sobre Smart Grid deve esquentar e quem sabe avançar, vejam esta notícia:

Fonte: Folha Online - 16.11.2009 – Márcio Falcão

Smart Grid em jogoPressionados pela oposição, líderes governistas se anteciparam e aprovaram nesta segunda-feira na Comissão de Infraestrutura do Senado um convite para que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e mais 18 pessoas ligadas ao setor elétrico prestem esclarecimentos no Congresso sobre o apagão elétrico que atingiu 18 Estados na semana passada.

O chamado faz parte de uma estratégia fechada hoje pelo governo para evitar que a oposição explore o fato politicamente e promova ataques contra integrantes do setor elétrico.

Na prática, a presença dos ministros ainda é dúvida porque não foi marcada a data para a audiência e se trata de um convite que pode ser recusado sem grandes justificativas.

Na tentativa de esvaziar o assunto, o requerimento estabelece que serão realizadas duas audiências para discutir o apagão.

A primeira foi marcada para o próximo dia 26, quando serão ouvidos técnicos como o presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema), Hermes Chipp, presidente da Aneel, Nelson Hubner, e especialistas.

O documento prevê que a segunda audiência será realizada se os senadores da comissão julgarem o debate necessário.

“Na primeira etapa, faremos um debate técnico. Só vão participar aqueles que tiverem algo a contribuir sobre as reais causas do problema. A partir daí, nós iremos estabelecer as prioridades dentro deste debate”, disse o presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Fernando Collor (PTB-AL).

O requerimento foi aprovado em votação simbólica com a presença de apenas três senadores governistas –Valdir Raupp (PMDB-RO), Delcídio Amaral (PT-MS), Gilberto Goellner (DEM-MT).

Com a aprovação do requerimento, os governistas inviabilizam outros dois documentos apresentados pela oposição que pretendiam convidar os ministros. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), só apareceu na comissão após a votação. O tucano reclamou da manobra e disse que a ministra precisa comparecer ao Senado.

“Não é questão de politizar o assunto. A ministra foi responsável pela elaboração do marco regulatório. Agora, não entendo essa estratégia do governo. A ministra fala sobre tudo, a qualquer momento e diante de uma crise dessa, eles tentam escondê-la. É difícil entender isso. A ministra ficou 40 horas desaparecida após o apagão. Ela precisa dar explicações”, disse.

A oposição reconheceu que pretendem levar para a disputa eleitoral a falta de energia registrada. A ideia é responsabilizar Dilma que ocupou o Ministério de Minas e Energia por mais de três anos e provocar um desgaste na imagem de “boa técnica”.

Para a oposição, o blecaute também seria uma forma de reverter o desgaste das duas últimas eleições para os candidatos tucanos pelo apagão registrado em 2001 durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na audiência do dia 26 serão ouvidos: Hermes Chipp (presidente da ONS), Gilberto Câmara (INPE), Maurício Tolmasquim (presidente Empresa de Planejamento em Energia), Luiz Pinguelli (físico, ex-presidente da Eletrobrás), José Goldemberg (físico e ex-ministro de Estado), Evandro Emílio Lima (físico UnB), Cyro Boccuzzi (presidente do Fórum Latino de Smart Grid).

O requerimento envolve ainda Dilma Rousseff (Casa Civil), Edison Lobão (Minas e Energia), Márcio Zimmermann (secretário-executivo Minas Energia), Ubiratan Aguiar (presidente do Tribunal de Contas da União), Nelson Hubner (diretor-presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica), José Antonio Lopes (presidente da Eletrobrás), Jorge Miguel Samek (diretor Itaipu), Carlos Filho (diretor de Furnas), Cesar Zavi (diretor de operações de Furnas), Hildo Sauer (ex-diretor da Petrobras), Djalma Falcão (presidente da PSR Planejamento e Consultoria) e Adriano Pires (Consultor da UFRJ).

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Setor elétrico lamenta ter sido excluído do plano de banda larga

Fonte: Telecomonline | Marineide Marques | 06.11.2009

LamentávelDono de 30 mil quilômetros de fibras, o segmento reclama sua vocação como gestor de infraestrutura.

Enquanto o governo e as operadoras trabalham na elaboração de um plano nacional de banda larga, o setor elétrico se ressente de ter sido excluído das discussões. Donas de mais de 30 mil quilômetros de fibras ópticas, as concessionárias de distribuição e transmissão de energia acreditam que poderiam dar uma forte contribuição ao projeto da banda larga, mas não participam dos debates. “Quem deveria estar sentado à mesa é quem tem a infraestrutura”, diz o presidente da Aptel (Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações), Pedro Jatobá.

Ele traça um paralelo entre as empresas do setor elétrico e de telecomunicações, lembrando que há 30 anos elas eram muito semelhantes: detinham infraestrutura para oferta de um único serviço ao consumidor final. De lá para cá, o setor elétrico intensificou suas ações como gestor de infraestrutura, ao passo que telecom que é cada vez mais gestor de serviços. “Isso significa que o setor elétrico é cada vez mais eficiente para gerir macroestruturas”, defende Jatobá.

Por enquanto, a participação do setor elétrico no plano nacional de banda larga está fortemente concentrada no possível uso da rede da Eletronet (são 13 mil quilômetros de fibras ópticas) e das empresas do sistema Eletrobrás. “O setor elétrico é muito maior do que a Eletrobrás”, pondera o presidente da Aptel.

Ele destaca que a evolução das redes do setor elétrico está sendo completamente ignorada na elaboração do plano nacional de banda larga. Essa evolução seria baseada na adoção do conceito de redes inteligentes, ou smart grid, um projeto estratégico para a Aptel e para a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). O projeto prevê um salto tecnológico nas atuais redes de distribuição de energia elétrica, que chegariam à casa do cliente aptas à oferta de um número elevado de serviços, que vão muito além da energia elétrica, tais como banda larga, telemetria e medição inteligente. O processo deve mais do que duplicar o volume de fibras ópticas controlado hoje pelas empresas do setor elétrico, com a vantagem de levar a fibra até a casa do assinante, a chamada última milha. “Tem se falado muito da Eletronet para banda larga, mas a rede não alcança o usuário final”, pondera Jatobá.

A Aptel e a Abradee trabalham para apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nas próximas semanas o projeto estratégico para adoção do smart grid pelas empresas brasileiras. Com o aval do órgão regulador, as entidades devem contratar um consórcio – envolvendo consultorias, centros de pesquisa e universidades – para elaboração do plano, a ser concluído no prazo de 90 a 120 dias. O documento deve trazer uma proposta de migração para o smart grid, incluindo o montante de investimento projetado e a necessidade de mudança no que diz respeito à regulamentação.

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Sagemcom lança medidores digitais no Brasil

Fonte: Site Segs, Autora: Tatiana Vasques – 05-Nov-2009

SAGEMCOMEmpresa se prepara para atender às demandas da tecnologia PLC.

Para acompanhar a tendência da implantação do PLC – Power Line Communications – no Brasil, e o desenvolvimento da rede elétrica inteligente, também chamada “smart grid”, a Sagemcom, multinacional francesa especializada em soluções de comunicação de banda larga e convergência, traz para o Brasil sua linha de medidores digitais.

Ao todo, são 6 modelos – três para o mercado residencial e três para o industrial – com diferentes interfaces: PLC, GPRS, Wi-Fi, 3G, entre outras. O objetivo desses medidores digitais é substituir os relógios mecânicos, que atualmente são utilizados no país para medir o consumo de energia, e prover maior  eficiência e economia ao sistema de geração de energia elétrica.

Para os consumidores, as principais vantagens são verificar, em tempo real, como a energia está sendo gasta, em que horários custa mais caro, quais são os aparelhos que mais a consomem, o que ajuda a reduzir ou evitar desperdícios etc. “Na Africa do Sul, por exemplo, onde o sistema digital foi amplamente adotado, o consumo familiar foi reduzido em 20%”, destaca Leonardo Netto, gerente de vendas da Sagemcom.

Outra novidade proporcionada pelos medidores digitais é a possibilidade de detectar, de forma rápida, falhas no fornecimento da energia, localizá-las e resolver o problema. “Nesse caso, o consumidor pode controlar a qualidade do serviço prestado, enquanto as concessionárias de energia elétrica podem impedir furtos ou desvios de energia”, explica o gerente. Paralelamente, essas operadoras podem economizar com mão-de-obra, já que não será mais necessário enviar um técnico para realizar a medição mensal.

Diante desses benefícios, na Europa, os medidores digitais da Sagemcom já foram adotados pelas companhias de energia elétrica da França, Espanha, Portugal, Holanda e Alemanha. “A expectativa é que o mesmo sucesso seja repetido aqui em curto prazo”, enfatiza Netto.

Para atingir essa meta, a Sagemcom aposta no apoio dos órgãos reguladores. No Brasil, a implantação do PLC foi recentemente aprovada pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica -, que também publicou sua regulamentação. E os medidores digitais já estão sendo substituídos em alguns pontos de grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. “Isso já é um início, embora a adesão seja ainda muito tímida, quando comparada à imensidão do território nacional. O maior problema é a carência de estrutura, as limitações técnicas e a falta de cultura da população. Será preciso reforçar as vantagens do produto para obter uma adesão maior”, comenta Leonardo Netto.

Uma dessas vantagens será a contribuição que o medidor digital proporcionará ao meio ambiente: quanto menos energia for desperdiçada, menos recursos naturais serão esgotados e, consequentemente, todos serão beneficiados. “Se essa mensagem for difundida, a aceitação será imediata”, aposta Netto.

Sobre a Sagemcom

Uma empresa francesa de alta tecnologia de nível internacional, a Sagemcom está trabalhando para se estabelecer como líder em terminais de comunicação de alto valor agregado, especializando-se em comunicações de banda larga, telecomunicações e energia, além dos setores de gestão de documentos: terminais de impressão profissional e de clientes, melhores caixas de TV digital, terminais de banda larga e residenciais, soluções de gestão de comunicação, gestão de energia e sistemas, parcerias em telecomunicação e convergência. Com uma movimentação de vendas de mais de 1,3 bilhões de euros, a Sagemcom emprega 6.570 pessoas em cinco continentes, e tem sua sede em Rueil, na França. O compromisso com a política de desenvolvimento sustentável da Sagemcom começa desde o estágio de projeto do produto. Isso se aplica a todo o processo industrial de eco-design, de acordo com os padrões ISO, reduzindo o consumo de energia de seus produtos, tudo no contexto de um código de ética e prática aplicáveis para todos os seus fornecedores. A Sagemcom foi a vencedora na Categoria de Produto de Telecomunicação de do Prêmio de Serviço ao Consumidor de 2009.

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Próximo de 80 Padrões para Smart Grid Revelados

NIST Smart Grid Framework

Como esperado, o Secretário do Comércio, Gary Locke liberou o roteiro (road map) dos padrões para Smart Grid – o qual o NIST (National Institute of Standards) o orgão de padronização americano vinha trabalhando por vários meses – durante sua fala na conferência GridWeek em Washington, D.C., EUA, na manhã de quinta-feira da semana passada (24 de setembro de 2009). O roteiro, o qual Locke descreveu como “um primeiro projeto detalhado de uma estrutura complexa” no mundo da construção, contém 77 padrões que irão ditar as partes do Smart Grid. Trinta e um desses padrões estão oficialmente incluídos na lista e os restantes 46 estão sob revisão para sua inclusão na lista.

O roteiro inclui também um conjunto de 14 necessidades urgentes nos padrões para Smart Grid que o NIST e a indústria pensam ser necessários planos de ação para sua solução, incluindo temas como o padrão para modernização dos medidores inteligentes e o padrão para um sinal de resposta da demanda (veja a lista completa dos 14 planos ao final deste post). O público americano terá 30 dias para comentar o roteiro apresentado.

Como Locke explicou, esse é apenas o primeiro passo do processo de padronização do Smart Grid, e o documento do roteiro diz que o Smart Grid irá necessitar ao final “de centenas de padrões.” O NIST escolheu primeiramente dividir os padrões em 8 áreas: sensibilização da vizinhança, resposta da demanda, armazenamento de energia, transporte elétrico, segurança de rede, comunicações de rede, medidores inteligentes e gerenciamento da rede de distribuição.

Segue lista completa das áreas de maior prioridade:

  • Padrão para modernização do medidor (substituição pelo inteligente) (concluído);
  • Especificação comum para definição de preço e produto (começo de 2010);
  • Mecanismo comum para programação de trocas de energia (final de 2009);
  • Modelo comum de informação para gerenciamento da rede de distribuição (final de 2010);
  • Padrão para sinais de resposta da demanda (Janeiro de 2010);
  • Padrão para informações sobre o uso da energia (Janeiro de 2010);
  • Objetos IEC 61850 / Mapeamento DNP3 (2010);
  • Tempo de sincronização de sistemas de potência de transmissão e distribuição (metade de 2010);
  • Mapeamento dos modelos de sistemas de potência de transmissão e distribuição (final de 2010);
  • Orientações para o uso de protocolo IP em Smart Grid (metade de 2010);
  • Orientações para o uso de comunicações sem fio (wireless) em Smart Grid (metade de 2010);
  • Orientações para interconexão de armazenadores de energia (baterias);
  • Padrões de interoperabilidade para suporte a conexão de veículos elétricos (Dezembro de 2010);
  • Padrão para medição do perfil de dados (final de 2010).

Agora ficam as perguntas: definindo a ANEEL até o final deste mês o padrão para modernização do medidor inteligente, estarão as distribuidoras preparadas para cumprir esse Plano de Substituição de Medidores? E quanto aos outros padrões, estarão a ANEEL e as distribuidoras brasileiras prevendo-os? Ou vão continuar a pensar o Smart Grid (leia-se medidores eletrônicos) apenas como uma ferramenta de combate ao furto de energia? E até quando o governo brasileiro se mostrará desinteressado pelo tema, ao contrário do governo dos EUA? Só o futuro tem as respostas.

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Distribuidoras reagem à proposta do medidor digital

Mal anunciamos as novidades sobre a nova regulamentação de medição inteligente, no SNT (Seminário Nacional de Telecomunicações Aptel 2009), a ser colocada ao grande público no próximo mês, as empresas de distribuição de energia elétrica já estão reagindo:

Medidor Eletrônico

Valor Econômico – 17/09/2009
Por Ana Paula Grabois, do Rio

As distribuidoras de energia do país estão contrárias à iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) de colocar em audiência pública no mês que vem a substituição dos medidores de energia por outros “inteligentes”, com funcionalidades que permitam o gerenciamento do consumo por usuários e empresas. Atualmente, os medidores utilizados em novas residências ou em substituição aos analógicos são digitais, mas não têm tais funcionalidades. O monitoramento pelo consumidor será possivel ao combinar o uso do medidor digital com uma tecnologia remota de dados. Segundo a ANEEL, a troca traria economia para as empresas pois deixaria a rede mais eficiente no gerenciamento da carga de energia, reduzindo até a necessidade de investimentos.

Na avaliação do diretor técnico e regulatório da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Fernando Maia, é preciso prazo maior para colocar o assunto em audiência. “As empresas precisam de tempo para traçar um plano de uma rede inteligente própria. A experiência mundial mostra que simplesmente trocar não se justifica economicamente, é um investimento elevado nos novos medidores e na rede.”

O diretor da Abradee questionou a recente regulamentação da internet pela rede elétrica ou Power Line Communications (PLC, na sigla em inglês) que impede que a distribuidora explore os serviços de dados. A distribuidora é obrigada a alugar a rede a uma empresa de telecomunicações, pois, no entender da ANEEL, trata-se de serviço que não está contemplado no contrato de concessão. Para o diretor da Abradee, a rede PLC não vai comportar a rede própria necessária e os serviços oferecidos pela empresa de telecomunicações. “Como a nossa operação vai depender de um terceiro que vai operar na nossa rede para outros fins? Na nossa percepção, o PLC é inerente da concessão de energia se o uso for destinado à automação da rede de energia”, afirmou.

Segundo a ANEEL, a tecnologia utilizada para gerenciar a rede pode ser outra, além da PLC, como rádio ou celular, mas na avaliação das distribuidoras, é preciso que a implementação da rede de comunicação e a troca de medidores ocorram ao mesmo tempo.

O segundo passo da agência, após a implementação gradual dos novos medidores, será a adoção de tarifas diferenciadas de acordo com os horários de maior ou menor uso, como já ocorre nas telefonia fixa. “Mesmo que tenha o faturamento para pagar a cada 30 dias, o consumidor vai saber como o consumo está mudando a cada dia”, diz a diretora da ANEEL Joísa Campanher. Ela, contudo, diz que o plano de troca de medidores não vai criar problemas para as empresas. “Precisamos garantir que essa solução não coloque a concessionária em desequilíbrio. Se a concessionária puder gerenciar a sua carga, é possível que ela possa adiar investimentos e otimizar a sua rede”, afirmou.

Maia, da Abradee, diz, por exemplo, que a troca de um medidor comum por um “inteligente” significa um gasto oito vezes maior, o que pode causar aumento de tarifa se não houver planejamento prévio. “É preciso um planejamento maior do governo, o objetivo é ter tarifa mais barata e serviço melhor. Caso contrário, é melhor deixar do jeito que está. Não queremos mexer só para dizer que é moderno”, afirmou o diretor da Abradee.

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Abradee elabora plano nacional para redes inteligentes

Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Tecnologia - 16/09/2009

Projeto Estratégico em Redes Inteligentes

A Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica, em parceria com a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), estão elaborando uma proposta para um Plano Brasileiro de Redes Inteligentes. De acordo com Luiz Carlos Guimarães, presidente da Abradee, esse será um projeto estratégico que já foi encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica.

“A Aneel desenvolve, além dos projetos de P&D das empresas, os chamados projetos estratégicos. Esses projetos têm um interesse mais amplo e são compartilhados por diversas empresas”, explicou Guimarães em entrevista à Agência CanalEnergia, durante o Seminário Nacional de Telecomunicações, que acontece entre os 14 e 16 de setembro, no Rio de Janeiro. A ideia, de acordo com ele, é organizar um programa na área de redes inteligentes, com a adesão de diversas empresas, tanto geradoras, quanto distribuidoras e transmissoras. “Todas essas empresas estarão envolvidas na implementação desse projeto”, ressaltou Guimarães.

O executivo disse ainda que a proposta que está sendo elaborada pela Abradee e pela Aptel tem como objetivo fazer um plano diretor, que tem como meta final focar na implantação de redes inteligentes. “A nossa primeira proposta é estabelecer um plano de desenvolvimento do smart grid, o que vai demorar algum tempo”, salientou. Segundo ele, outras decisões, que tem como pano de fundo o desenvolvimento das redes inteligentes, já vêm sendo discutidas pela Aneel, como a medição eletrônica e o PLC, que inclusive já foi regulamentado pela agência.

“Todas essas decisões que vem sendo tomadas, fundamentalmente elas tem que ter um pano de fundo, para se saber a direção que se deve caminhar. E no nosso entendimento e no entendimento internacional é que hoje necessariamente estamos caminhando para ter redes inteligentes, que interagem com o consumidor”, declarou. Para Guimarães, esse é um projeto que tem várias fases, começando com a medição eletrônica e depois passando para as redes inteligentes, seguida pelos carros híbridos e pela geração distribuída.

A medição eletrônica, de acordo com Guimarães, deverá ser implementada no curto prazo. “No entanto, as redes inteligentes, onde se teria a automação da rede, com sensores, de forma que se possa operar a rede a distância automaticamente, isso só deverá acontecer mais pra frente”, avaliou o executivo.

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Joísa Campanher Dutra Saraiva, da Aneel: tarifas diferenciadas para consumidores residenciais

Da Agência CANAL ENERGIA – 15/09/2009 por Carolina Medeiros, Entrevistas
Em entrevista de 14/09/2009, dada pela nossa diretora Joísa, que também participou da abertura do Seminário Nacional de Telecomunicações, ela falou sobre a metodologia em estudo pela agência engloba, além da implantação das redes inteligentes, tecnologias como a medição eletrônica e PLC. Segue entrevista:
Uma nova metodologia para a estrutura tarifária está sendo elaborada pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Essa nova metodologia engloba, além da implantação das redes inteligentes, tecnologias como a medição eletrônica e o PLC, que utiliza a rede de distribuição para a transmissão de sinais. De acordo com a diretora da Aneel, Joisa Campanher Dutra Saraiva, uma das modificações dessa metodologia diz respeito aos consumidores residenciais, que assim como os grandes consumidores, teriam tarifas diferenciadas ao longo do dia.
“O consumidor residencial também poderia se beneficiar de horários diferenciados e, com isso, distribuindo seu consumo ao longo do dia, ele poderia experimentar uma redução na conta de energia elétrica”, explicou Joísa, durante entrevista à Agência CanalEnergia. Segundo ela, as concessionárias também seriam beneficiadas com a nova metodologia pois poderiam fazer o gerenciamento da carga dos seus consumidores e assim otimizar a utilização das redes, postergando investimentos.
A Aneel ainda não tem uma data definida para a aprovação dessa nova metodologia. No entanto, de acordo com Joísa, a intenção é estabelecer já algumas melhorias na estrutura tarifária para serem aplicadas no terceiro ciclo de revisão tarifária. Confira abaixo a entrevista na íntegra com a diretora da Aneel, Joísa Campanher Dutra Saraiva.
Agência CanalEnergia – O que é o processo da nova metodologia da estrutura tarifária que está em análise na Aneel?
Joísa Campanher Dutra Saraiva – Estrutura tarifária é simplesmente a definição de como é que as tarifas são distribuídas para diferentes grupos de consumidores. A Aneel, na verdade, já tem uma demanda, um desafio de mais de três anos, que é estabelecer aperfeiçoamentos nessa estrutura tarifária. Então, recentemente, em junho desse ano, foi feito um seminário em que já é parte desse processo de aperfeiçoamento. Alguns itens vem sendo trabalhados, mas agora, a nossa intenção, é de que possamos introduzir aperfeiçoamentos mais expressivos. Esse é um  processo complexo. A Aneel ainda não tem grandes desenvolvimentos, por enquanto, ela tem aperfeiçoamentos pontuais. Tecnologias como o PLC, propostas de medição inteligente e redes inteligentes vão permitir maiores aperfeiçoamentos nesse sentido, que é a tarifa chamada “time of use”.  Então, na verdade, a partir de uma sofisticação na forma de medição, certamente vai se poder estender a consumidores de níveis de tensão mais baixos, como consumidores tipo residencial, mecanismos que já existem hoje para grupos de alta tensão e mesmo para esses grupos de alta tensão vai se poder oferecer o que chamamos de um menu de tarifas, que são tarifas diferenciadas ao longo do dia.
ACE – Isso quer dizer que os consumidores residenciais também teriam tarifas diferenciadas ao longo do dia?
JCDS – O consumidor residencial também poderia se beneficiar de horários diferenciados e, com isso, distribuindo seu consumo ao longo do dia, ele poderia experimentar uma redução na conta de energia elétrica.
ACE – Além dessa mudança para o consumidor residencial, o que mais estaria englobado nessa proposta?
JCDS – O que existe agora é um aperfeiçoamento nos procedimentos de rede de distribuição e esses aperfeiçoamentos vão tratar também de formas de disseminação de metodologias de sistemática de medição. Eu creio que esses elementos conjuntamente vão permitir à Aneel trabalhar de forma diferente a sua estrutura tarifária. Se a medição puder ser mais precisa ou seja, se o consumidor tiver a possibilidade de conhecer como é que se comporta o seu perfil de consumo ao longo do dia e a concessionária tiver acesso a esses dados, certamente vai se poder propor ao consumidor essas tarifas e o consumidor se benefiar. Todas essas questões estão de certo modo relacionadas com PLC, medição, rede inteligente, estrutura tarifária, todos esses são desenvolvimentos que vão ocorrer de modo paralelo.
ACE – Para o consumidor, o benefício seria uma redução na tarifa porque ele poderia escolher melhor o horário de uso da energia.
JCDS – Existem várias evidências que mostram que é possível alcançar através dessas metodologias redução na conta de energia por parte do consumidor.
ACE – Mas isso só seria possível após a implementação das redes inteligentes ou poderia acontecer até antes dessa implementação?
JCDS – Até antes. Existem desenvolvimentos que são possíveis até antes da disseminação dessas redes inteligentes.
ACE – Para as empresas de energia, qual seria o benefício dessa nova metodologia?
JCDS – Gerenciamento da carga dos seus consumidores e com isso elas podem otimizar suas redes. Na verdade, elas podem fazer investimentos de modo mais eficientes do ponto de vista de custos e benefícios. As empresas poderiam até postergar investimentos, porque se elas conseguirem distribuir melhor o consumo ao longo do dia, então pode-se ter investimentos mais eficientes.
ACE – Essas modificações poderão ser utilizadas já no terceiro ciclo da revisão tarifária?
JCDS – A intenção da Aneel é estabelecer já melhorias na estrutura tarifária para o próximo ciclo de revisão tarifária. Isso é uma meta.
ACE – Quando a Aneel pretende aprovar essa nova metodologia da estrutura tarifária?
JCDS – Ainda não temos uma data para a aprovação da metodologia, mas deverá ser mais para a frente. Na verdade, ainda não temos todos os elementos necessários para o estabelecimento dessa estrutura tarifária.
ACE – E quanto ao PLC e a medição eletrônica?
JCDS – A medição, nós estamos trabalhando uma proposta de plano para a disseminação de medição eletrônica. O PLC nós já regulamentamos e a Anatel também fez a regulamentação do ponto de vista de qualidade. Nós estabelecemos critérios que devem ser atendidos pelas concessionárias de distribuição, para que elas disponibilizem as suas redes para as empresas interessadas e que com isso seja usada essa tecnologia.
ACE – Que benefícios as empresas de energia teriam com essa tecnologia?
JCDS – Do ponto de vista do consumidor vai existir mais uma oportunidade de acesso para serviços de transmissão de voz, dados e internet. Então, isso traz também o benefício da inclusão digital, já que as redes de distribuição alcançam 100% dos municípios e 95% das unidades consumidoras. Mas para além da inclusão digital, as próprias concessionárias podem fazer uso dessa tecnologia para os seus recursos próprios e essas soluções de medição costumam contar com esse tecnologia do PLC. Então, isso costuma trazer soluções mais interessantes em termos de custos para as concessionárias implementarem as redes inteligentes. O PLC é uma parte dessas redes inteligentes, assim como a medição.
ACE – Existe alguma data para a medição eletrônica ser aprovada pela Aneel?
JCDS – A Aneel está trabalhando em um plano olhando os impactos do ponto de vista tarifário e os benefícios para o consumidor. A própria indústria de equipamentos também precisa ser capaz de acompanhar esse plano. A intenção é que seja adotado proximamente um plano agressivo. A nossa expectativa é que as diretrizes para esse plano saiam ainda esse ano. Essa é uma meta da área técnica

Da Agência CANAL ENERGIA – 15/09/2009 por Carolina Medeiros, Entrevistas

Em entrevista de 14/09/2009, dada pela nossa diretora Joísa, que também participou da abertura do Seminário Nacional de Telecomunicações, ela falou sobre a metodologia em estudo pela agência que engloba, além da implantação das redes inteligentes, tecnologias como a medição eletrônica e PLC. Segue matéria com a entrevista:

Estrutura Tarifária x Redes Inteligentes

Uma nova metodologia para a estrutura tarifária está sendo elaborada pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Essa nova metodologia engloba, além da implantação das redes inteligentes, tecnologias como a medição eletrônica e o PLC, que utiliza a rede de distribuição para a transmissão de sinais. De acordo com a diretora da Aneel, Joisa Campanher Dutra Saraiva, uma das modificações dessa metodologia diz respeito aos consumidores residenciais, que assim como os grandes consumidores, teriam tarifas diferenciadas ao longo do dia.

“O consumidor residencial também poderia se beneficiar de horários diferenciados e, com isso, distribuindo seu consumo ao longo do dia, ele poderia experimentar uma redução na conta de energia elétrica”, explicou Joísa, durante entrevista à Agência CanalEnergia. Segundo ela, as concessionárias também seriam beneficiadas com a nova metodologia pois poderiam fazer o gerenciamento da carga dos seus consumidores e assim otimizar a utilização das redes, postergando investimentos.

A Aneel ainda não tem uma data definida para a aprovação dessa nova metodologia. No entanto, de acordo com Joísa, a intenção é estabelecer já algumas melhorias na estrutura tarifária para serem aplicadas no terceiro ciclo de revisão tarifária. Confira abaixo a entrevista na íntegra com a diretora da Aneel, Joísa Campanher Dutra Saraiva.

Agência CanalEnergia – O que é o processo da nova metodologia da estrutura tarifária que está em análise na Aneel?

Joísa Campanher Dutra Saraiva – Estrutura tarifária é simplesmente a definição de como é que as tarifas são distribuídas para diferentes grupos de consumidores. A Aneel, na verdade, já tem uma demanda, um desafio de mais de três anos, que é estabelecer aperfeiçoamentos nessa estrutura tarifária. Então, recentemente, em junho desse ano, foi feito um seminário em que já é parte desse processo de aperfeiçoamento. Alguns itens vem sendo trabalhados, mas agora, a nossa intenção, é de que possamos introduzir aperfeiçoamentos mais expressivos. Esse é um  processo complexo. A Aneel ainda não tem grandes desenvolvimentos, por enquanto, ela tem aperfeiçoamentos pontuais. Tecnologias como o PLC, propostas de medição inteligente e redes inteligentes vão permitir maiores aperfeiçoamentos nesse sentido, que é a tarifa chamada “time of use”.  Então, na verdade, a partir de uma sofisticação na forma de medição, certamente vai se poder estender a consumidores de níveis de tensão mais baixos, como consumidores tipo residencial, mecanismos que já existem hoje para grupos de alta tensão e mesmo para esses grupos de alta tensão vai se poder oferecer o que chamamos de um menu de tarifas, que são tarifas diferenciadas ao longo do dia.

ACE – Isso quer dizer que os consumidores residenciais também teriam tarifas diferenciadas ao longo do dia?

JCDS – O consumidor residencial também poderia se beneficiar de horários diferenciados e, com isso, distribuindo seu consumo ao longo do dia, ele poderia experimentar uma redução na conta de energia elétrica.

ACE – Além dessa mudança para o consumidor residencial, o que mais estaria englobado nessa proposta?

JCDS – O que existe agora é um aperfeiçoamento nos procedimentos de rede de distribuição e esses aperfeiçoamentos vão tratar também de formas de disseminação de metodologias de sistemática de medição. Eu creio que esses elementos conjuntamente vão permitir à Aneel trabalhar de forma diferente a sua estrutura tarifária. Se a medição puder ser mais precisa ou seja, se o consumidor tiver a possibilidade de conhecer como é que se comporta o seu perfil de consumo ao longo do dia e a concessionária tiver acesso a esses dados, certamente vai se poder propor ao consumidor essas tarifas e o consumidor se benefiar. Todas essas questões estão de certo modo relacionadas com PLC, medição, rede inteligente, estrutura tarifária, todos esses são desenvolvimentos que vão ocorrer de modo paralelo.

ACE – Para o consumidor, o benefício seria uma redução na tarifa porque ele poderia escolher melhor o horário de uso da energia.

JCDS – Existem várias evidências que mostram que é possível alcançar através dessas metodologias redução na conta de energia por parte do consumidor.

ACE – Mas isso só seria possível após a implementação das redes inteligentes ou poderia acontecer até antes dessa implementação?

JCDS – Até antes. Existem desenvolvimentos que são possíveis até antes da disseminação dessas redes inteligentes.

ACE – Para as empresas de energia, qual seria o benefício dessa nova metodologia?

JCDS – Gerenciamento da carga dos seus consumidores e com isso elas podem otimizar suas redes. Na verdade, elas podem fazer investimentos de modo mais eficientes do ponto de vista de custos e benefícios. As empresas poderiam até postergar investimentos, porque se elas conseguirem distribuir melhor o consumo ao longo do dia, então pode-se ter investimentos mais eficientes.

ACE – Essas modificações poderão ser utilizadas já no terceiro ciclo da revisão tarifária?

JCDS – A intenção da Aneel é estabelecer já melhorias na estrutura tarifária para o próximo ciclo de revisão tarifária. Isso é uma meta.

ACE – Quando a Aneel pretende aprovar essa nova metodologia da estrutura tarifária?

JCDS – Ainda não temos uma data para a aprovação da metodologia, mas deverá ser mais para a frente. Na verdade, ainda não temos todos os elementos necessários para o estabelecimento dessa estrutura tarifária.

ACE – E quanto ao PLC e a medição eletrônica?

JCDS – A medição, nós estamos trabalhando uma proposta de plano para a disseminação de medição eletrônica. O PLC nós já regulamentamos e a Anatel também fez a regulamentação do ponto de vista de qualidade. Nós estabelecemos critérios que devem ser atendidos pelas concessionárias de distribuição, para que elas disponibilizem as suas redes para as empresas interessadas e que com isso seja usada essa tecnologia.

ACE – Que benefícios as empresas de energia teriam com essa tecnologia?

JCDS – Do ponto de vista do consumidor vai existir mais uma oportunidade de acesso para serviços de transmissão de voz, dados e internet. Então, isso traz também o benefício da inclusão digital, já que as redes de distribuição alcançam 100% dos municípios e 95% das unidades consumidoras. Mas para além da inclusão digital, as próprias concessionárias podem fazer uso dessa tecnologia para os seus recursos próprios e essas soluções de medição costumam contar com esse tecnologia do PLC. Então, isso costuma trazer soluções mais interessantes em termos de custos para as concessionárias implementarem as redes inteligentes. O PLC é uma parte dessas redes inteligentes, assim como a medição.

ACE – Existe alguma data para a medição eletrônica ser aprovada pela Aneel?

JCDS – A Aneel está trabalhando em um plano olhando os impactos do ponto de vista tarifário e os benefícios para o consumidor. A própria indústria de equipamentos também precisa ser capaz de acompanhar esse plano. A intenção é que seja adotado proximamente um plano agressivo. A nossa expectativa é que as diretrizes para esse plano saiam ainda esse ano. Essa é uma meta da área técnica

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Rede de energia elétrica fica mais inteligente

Apesar do título dessa matéria do site Monitor Mercantil, do dia 11/09/2009, ela trata mais sobre PLC.

A tecnologia que permite o acesso à Internet rápida pela tomada, que teve o regulamento aprovado no mês passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é somente o primeiro passo de uma revolução que nasce do encontro dos setores de energia, telecomunicações e informática. A rede elétrica está prestes a se tornar mais inteligente, numa tendência chamada smart grid
Nos Estados Unidos, o governo Barack Obama destinou US$ 5 bilhões para projetos nessa área. No entanto, a banda larga pela tomada não tem conquistado destaque no mercado americano. Lá, as distribuidoras de energia viram na tecnologia – chamada de Powerline Communications (PLC) ou Broadband Over Power Lines (BPL) – como uma solução voltada mais para áreas rurais.
“É uma ótima opção, apesar de o mercado não a ter abraçado”, disse Meredith Baker, integrante da Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora de comunicações do EUA, que participou na quarta-feira do evento TIC 2020, em São Paulo. Segundo ela, isso se deveu mais a uma posição conservadora das distribuidoras americanas de eletricidade do que a problemas com a tecnologia, que tem preço e performance comparáveis ao ADSL (que usa os fios telefônicos comuns) ou cabo. “Ela é muito competitiva.”
Nem todos compartilham desse entusiasmo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou esta semana que a tecnologia ainda vai demorar três ou quatro anos para decolar no país. John O”Farrell, vice-presidente da Silver Spring Networks, disse que as distribuidoras dos EUA testaram e desistiram, por causa do custo e por causa de interferências.
Nicolas Maheroudis, diretor de Projetos de BPL da Eletropaulo Telecom, disse que a empresa encontrou poucos problemas de interferências nos testes que fez. Desde novembro, a empresa tem o sistema instalado em 300 prédios nos bairros de Cerqueira César, Pinheiros e Moema, em São Paulo. Os testes incluíram 150 apartamentos, e a velocidade do acesso chega a dez megabits por segundo (Mbps). Agora, a Eletropaulo Telecom negocia com operadoras de telecomunicações que queiram usar a sua rede para prestar o serviço de banda larga.
“O terminal ainda é um pouco caro, custando por volta de R$ 300, comparado a R$ 80 do ADSL.”, reconheceu Maheroudis. “Mas, com aumento da escala e fabricação local, esse preço deve cair.” Para Elton Tiepolo, executivo de Utilities da IBM Brasil, a banda larga via energia elétrica se aplica bem a dois extremos: edifícios com grande concentração de pessoas, onde é difícil passar cabos, e áreas rurais, onde outras redes não chegam.
O BPL é só o começo. A rede elétrica inteligente tem um potencial muito grande. As distribuidoras poderão, por exemplo, oferecer pacotes diferenciados, com desconto fora do horário de pico, ou até planos pré-pagos. “No Brasil, dispositivos como medidores eletrônicos podem reduzir muito a fraude”, disse o professor Antonio Marcos Ferraz de Campos, do Mackenzie.

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A tecnologia que permite o acesso à Internet rápida pela tomada, que teve o regulamento aprovado no mês passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é somente o primeiro passo de uma revolução que nasce do encontro dos setores de energia, telecomunicações e informática. A rede elétrica está prestes a se tornar mais inteligente, numa tendência chamada smart grid.

Nos Estados Unidos, o governo Barack Obama destinou US$ 5 bilhões para projetos nessa área. No entanto, a banda larga pela tomada não tem conquistado destaque no mercado americano. Lá, as distribuidoras de energia viram na tecnologia – chamada de Powerline Communications (PLC) ou Broadband Over Power Lines (BPL) – como uma solução voltada mais para áreas rurais.

“É uma ótima opção, apesar de o mercado não a ter abraçado”, disse Meredith Baker, integrante da Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora de comunicações do EUA, que participou na quarta-feira do evento TIC 2020, em São Paulo. Segundo ela, isso se deveu mais a uma posição conservadora das distribuidoras americanas de eletricidade do que a problemas com a tecnologia, que tem preço e performance comparáveis ao ADSL (que usa os fios telefônicos comuns) ou cabo. “Ela é muito competitiva.”

Nem todos compartilham desse entusiasmo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou esta semana que a tecnologia ainda vai demorar três ou quatro anos para decolar no país. John O”Farrell, vice-presidente da Silver Spring Networks, disse que as distribuidoras dos EUA testaram e desistiram, por causa do custo e por causa de interferências.

Quer conectar à Internet? Plugue na tomada.

Nicolas Maheroudis, diretor de Projetos de BPL da Eletropaulo Telecom, disse que a empresa encontrou poucos problemas de interferências nos testes que fez. Desde novembro, a empresa tem o sistema instalado em 300 prédios nos bairros de Cerqueira César, Pinheiros e Moema, em São Paulo. Os testes incluíram 150 apartamentos, e a velocidade do acesso chega a dez megabits por segundo (Mbps). Agora, a Eletropaulo Telecom negocia com operadoras de telecomunicações que queiram usar a sua rede para prestar o serviço de banda larga.

“O terminal ainda é um pouco caro, custando por volta de R$ 300, comparado a R$ 80 do ADSL.”, reconheceu Maheroudis. “Mas, com aumento da escala e fabricação local, esse preço deve cair.” Para Elton Tiepolo, executivo de Utilities da IBM Brasil, a banda larga via energia elétrica se aplica bem a dois extremos: edifícios com grande concentração de pessoas, onde é difícil passar cabos, e áreas rurais, onde outras redes não chegam.

O BPL é só o começo. A rede elétrica inteligente tem um potencial muito grande. As distribuidoras poderão, por exemplo, oferecer pacotes diferenciados, com desconto fora do horário de pico, ou até planos pré-pagos. “No Brasil, dispositivos como medidores eletrônicos podem reduzir muito a fraude”, disse o professor Antonio Marcos Ferraz de Campos, do Mackenzie.

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PLC Internet Pela Rede Elétrica

Após mais de dois anos a Aneel aprovou enfim uma resolução específica para tratar do tema PLC (Power Line Communications).

hotsite_PLC

Segue release para a imprensa do próprio site da Aneel:

Nota à imprensa
25 de agosto de 2009

ANEEL REGULAMENTA O USO DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA A COMUNICAÇÃO DE SINAIS
Nova tecnologia permitirá o acesso à internet pela rede elétrica

A diretoria colegiada da Aneel aprovou hoje (25/08), em reunião pública, a Resolução que define as regras para o uso da tecnologia Power Line Communications (PLC). O regulamento determina as condições para a utilização da infra-estrutura das empresas distribuidoras de energia elétrica para implantação do sistema que permite a transmissão de dados por meio da rede de distribuição.

A regulamentação delimita o uso das redes elétricas de distribuição para fins de telecomunicações, garantindo a qualidade, confiabilidade e adequada prestação dos serviços de energia elétrica, gerando incentivos econômicos ao compartilhamento do sistema e zelando pela modicidade tarifária.

O prestador do serviço de PLC deverá seguir os padrões técnicos da distribuidora, o disposto nesta Resolução da Aneel e na regulamentação de serviços de telecomunicações e de uso de radiofrequências da Anatel. A implantação e exploração do PLC não poderão comprometer a qualidade do fornecimento de energia elétrica para os consumidores e se houver necessidade de investimento na rede, o custo será de responsabilidade da empresa de telecomunicações.

O emprego da tecnologia possibilita novos usos para as redes de distribuição de energia elétrica, sem que haja necessidade de expansão ou adequação da infra-estrutura já existente. A economia representa a redução de custos aos consumidores que serão beneficiados com a apropriação de parte dos lucros adicionais obtidos por meio da cessão das instalações de distribuição, em benefício da modicidade das tarifas.

A Agência prevê que a apuração da receita obtida pelas concessionárias de energia com o aluguel dos fios para as empresas de internet será revertida para a redução de tarifas de eletricidade, nos termos da legislação específica estabelecida pela ANEEL. Esse critério já é utilizado no aluguel de postes para passagem dos cabos da telefonia.

Embora seja utilizado o mesmo meio físico (as redes de distribuição de energia elétrica), a tecnologia permite o uso independente dos serviços e, portanto, a concessionária poderá também utilizar a infra-estrutura do prestador de serviço de PLC para atender às suas necessidades e interesses.

Ao disponibilizar a sua rede de distribuição, a concessionária deverá dar ampla publicidade por um prazo mínimo de 60 dias para a manifestação dos interessados. O comunicado deverá ser divulgado por três dias com informações sobre a infra-estrutura e condições para uso das instalações de distribuição de energia elétrica em pelo menos três jornais, sendo dois de circulação nacional. A escolha do prestador do serviço deverá ser divulgada em até 90 dias após o pedido.

Os pedidos registrados neste período só poderão ser negados em função de limitação da capacidade, segurança, confiabilidade ou violação de requisitos de engenharia. Neste caso, a distribuidora deverá apresentar a justificativa da negativa em até 60 dias após a manifestação do interessado.

O assunto esteve em audiência pública de 12 de março a 13 de maio de 2009. Neste período, o Órgão Regulador recebeu 163 contribuições de agentes do setor elétrico e de telecomunicações, associações de classe e consumidores.

Em reportagem do Jornal das 10, da Globo News, a nossa diretora predileta da ANEEL deu entrevista:

A ANEEL criou um hotsite muito interessante sobre o tema que pode ser acessado clicando aqui.

Como já citei anteriormente esse era o gap que faltava ser superado para que a tecnologia Smart Grid pudesse finalmente deslanchar e começar sua curva de crescimento (apesar de ser possível utilizando outras tecnologias de telecomunicações). Associada à resolução de medição eletrônica que deve sair até meados de 2010 as empresas de energia elétrica se tornarão na meca da convergência dos três maiores mercados atuais do mundo, quais sejam, energia elétrica (que já é o negócio delas), telecomunicações (internet, telefone, TV a cabo, etc.) e, sobre tudo isso, aplicações de TI (Tecnologia da Informação), como por exemplo, curva em tempo real do consumo de energia, controle residencial automatizado e por aí vai. Com essa concentração de tecnologias elas têm todo o potencial de se tornarem as maiores empresas do mundo (só com energia elétrica estima-se que movimentam só no Brasil 300 bilhões de reais por ano).

Estatísticas internacionais mostram que apenas 25% da população mundial têm acesso à Internet, trazendo isso para a realidade brasileira, com o PLC será possível atender a praticamente os 75% restantes da população sem acesso, principalmente aliado ao programa Luz Para Todos do governo federal, que permitiu levar redes de energia elétrica a mais de 98% dos consumidores.

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