Medidores eletrônicos de energia ajudam distribuidoras

Fonte: DCI – 29/01/2010

SÃO PAULO – A substituição de medidores eletromecânicos por eletrônicos, apesar da resistência de muitos consumidores, tem gerado resultados altamente positivos para as distribuidoras de energia, principalmente os relacionados a perda e furto de energia. Pioneira nesse processo, a Ampla, do Rio de Janeiro, controlada pelo Grupo Endesa, já investiu R$ 350 milhões na modernização da rede e tem apurado uma economia de R$ 250 milhões ao ano com a redução de perdas e furtos.

Já a Companhia Energética de Brasília (CEB), ainda sob controle estatal, automatizou a medição de 1.800 grandes consumidores do Distrito Federal, entre eles o Palácio do Planalto e todos os ministérios. Com a medida, reduziu em 1 ponto percentual o nível de perdas em 2009.

Os medidores eletrônicos possuem chips que armazenam e enviam remotamente as informações de cada cliente para a central de dados da distribuidora. O sistema também permite, por exemplo, que a empresa corte ou religue o fornecimento remotamente sem a necessidade de deslocamento de equipe.

Com uma cobertura de mais de 70% do Estado do Rio de Janeiro, a Ampla foi uma das pioneiras na troca dos medidores de energia em baixa tensão. Os testes foram autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2005, quando o índice médio de perda de energia no estado era de 25%. “Em algumas regiões, o furto de energia, os ‘gatos’, chegava a 80%”, conta André Moragas, diretor de Relações Institucionais da Ampla. “Com os novos medidores eletrônicos, caiu para 2% em algumas regiões. Atualmente, a média do estado é de 20%.” Cerca de 300 mil clientes da distribuidora possuem hoje a medição eletrônica.

Antes do uso dos novos medidores, a Ampla precisou remodelar a rede elétrica elevando a rede secundária (baixa tensão) até o nível de rede primária (média tensão), com a utilização de um cabo pré-reunido. Ambas, agora ficam a 10 metros do solo, o que dificulta as ligações clandestinas.

Moragas explica que, apesar da resistência inicial dos clientes, o processo já se consolidou e, em 2010, será expandido para outros 50 mil pontos. “Atuamos com duas plataformas: uma tecnológica e outra de educação para a cidadania”, afirma.

Resistência

Luiz Carlos Rusky, gerente de Medição e Fiscalização da CEB, também espera encontrar uma certa resistência na segunda fase do processo de substituição de medidores, que envolverá 6.000 pontos que consomem 3.000 KW/h em média, por mês. “Nesse segmento, são encontradas muitas irregularidades”, explica Rusky. Na primeira etapa do processo, que envolveu os grandes consumidores de alta tensão, foram investidos R$ 3 milhões. Na próxima etapa, serão aplicados cerca de R$ 10 milhões. “Estamos realizando a licitação para a instalação dos equipamentos que já foram comprados”, conta Rusky.

De acordo com dados fornecido da CEB, o tempo médio de retorno do investimento será de sete meses para o grupo de seis mil unidades. A partir da análise dos dados disponíveis nos primeiros 18 meses após a instalação dos novos equipamentos de medição, em 349 consumidores, foi constatado o acréscimo de energia agregada na ordem de 70 GW/h, o que corresponde ao incremento de receita líquida em R$ 14 milhões. A geração de receita extra prevista em cinco anos é de R$ 126 milhões.

A medição eletrônica é um dos componentes das chamadas redes inteligentes (smart grid), tecnologias envolvidas diretamente no conceito de eficiência energética. De acordo com Cyro Bocuzzi, especialista no tema e ex-vice-presidente da Eletropaulo, “smart grid é um conceito que mudará – em alguns lugares do mundo, já está mudando – os paradigmas do setor elétrico, como se a eletricidade saísse da era analógica e entrasse na digital.”

Exemplo disso é que, na próxima semana, a Eletrobras realiza um seminário para divulgar o processo de automação da medição de consumo de suas distribuidoras. O próximo passo dessa transformação já está sendo discutido pela Aneel: a tarifação com descontos progressivos de acordo com o horário de utilização da energia elétrica.

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AMPLA E LIGHT INSTALAM MEDIDOR DIGITAL ENQUANTO AGUARDAM LEI

Fonte: AGÊNCIA ESTADO

São Paulo, 18 – A regulamentação do serviço pré-pago de energia desperta o interesse de outras distribuidoras além do Grupo Rede. É o caso da concessionária fluminense Ampla, primeira a usar a medição centralizada e o sistema pré-pago no Brasil. Entre 2003 e 2009, a distribuidora já conectou 300 mil unidades consumidoras (12% dos clientes) aos medidores digitais. “Nesse período, as perdas de energia caíram de 25% para 20%”, revela o diretor de Relações Institucionais da Ampla, André Moragas. Apesar dos benefícios, os projetos da companhia mostraram que a adoção de novas tecnologias pode sofrer uma grande resistência inicial dos consumidores.

Adquirida em 1997 pela espanhola Endesa (hoje, sob controle da italiana Enel), a distribuidora praticou até 2002 ações tradicionais para a redução das perdas totais. Moragas conta que, nesse período, as perdas caíram de 29% para 25%. “A partir de 2003, sentimos a necessidade de um salto tecnológico para que o nível de perdas continuasse decrescendo”, explica. Foi a partir disso que a Ampla resolveu apostar, inicialmente, na medição centralizada. A empresa foi pioneira no conceito de alterar a topologia da rede, deslocando os cabos de baixa tensão para uma altura um pouco superior da média tensão, a uma distância de 10 metros do chão.

Com a blindagem da rede, a segunda etapa do projeto foi a medição centralizada. “Sabíamos que o furto de energia migraria para o medidor com impossibilidade de fraudar a rede”, afirma. Para realizar o projeto e instalar a caixa com o conjunto de medidores no topo dos postes, a Ampla obteve autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Moragas conta que o uso do medidor digital permitiu à empresa constatar que a premissa de que o cliente furta a energia elétrica por não ter condições de pagar à concessionária não é totalmente verdadeira.

“Ao receber a primeira conta após ser regularizado, o consumidor tem um susto. Mas ao longo do tempo é possível verificar uma redução nos valores”, diz. O executivo revela que o consumo de clientes irregulares caiu entre 50% e 60% após a legalização. Juntamente com a instalação do medidor digital, a Ampla desenvolveu ações de eficiência energética nas comunidades, com vistas a educar os clientes para evitar o desperdício. “A questão das perdas em nossa rede é fundamental. Cada ponto porcentual que recuperamos representa uma receita adicional de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões”, justifica o diretor de Relações Institucionais.

O impacto da regularização não foi bem digerido por alguns consumidores, assustados com os altos valores da conta de luz. A mobilização social gerou a instalação, em 2007, de uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contra a medição centralizada. “A regularização dos clientes provocou um salto na conta de luz, gerando uma sensação de revolta”, afirma o sócio da BR Investimentos e ex-diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, que comandava a agência na época da CPI. Os deputados acusaram a Aneel, a Ampla e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pelos supostos prejuízos aos consumidores.

“Acreditávamos tanto na tecnologia que nos comprometemos a desconsiderar a conta de luz do primeiro mês e faturarmos com base na média dos últimos três meses para o consumidor que reclamasse. Como contrapartida, fiscalizaríamos esse consumidor”, diz Moragas. Ao final, apenas 1% das 300 mil unidades consumidoras conectadas ao medidor digital questionaram a empresa, sendo que nesses casos foi constatada a existência ligações irregulares. “A CPI apenas postergou o projeto, porque o Inmetro adotou uma postura mais cautelosa diante das acusações e exigiu novas certificações para homologar os equipamentos”, acrescentou.

A partir de 2006, a Ampla iniciou os testes com o serviço pré-pago de energia com 500 clientes dos municípios de São Gonçalo, Caxias, Magé, Niterói, Itaboraí e Maricá. “Vislumbramos no pré-pago uma medida para reduzir a inadimplência”, justifica Moragas. O executivo afirma que do universo de 2,5 milhões de clientes da empresa, 800 mil consumidores são classificados como baixa renda. “Muitos não possuem uma renda fixa. O pré-pago seria uma maneira mais flexível de comprar energia, adequando o consumo à renda dos nossos clientes”, justifica. A Ampla também obteve autorização da Aneel para desenvolver este projeto-piloto.

Mas os problemas começaram logo que os primeiros cortes de fornecimento ocorreram. Muitos consumidores entraram na justiça para recuperar o suprimento, derrotando a Ampla. “Os juízes decidem à favor de um único consumidor em prejuízo a toda coletividade”, critica Kelman. Segundo Moragas, a expansão do serviço pré-pago no País, a exemplo do que já existe no setor de telefonia, depende da regulamentação das regras de interrupção pelo regulador e da flexibilização do procedimento para a compra dos créditos. “Hoje, o consumidor precisa ir à loja adquirir os créditos, tendo que assinar sempre um termo de compra”, explica.

Com a homologação definitiva do Inmetro em julho de 2009, a Ampla retomou os planos de instalar os medidores digitais em sua área de concessão. Para 2010, a meta é instalar 50 mil unidades. Entre 2003 e 2009, a empresa já investiu R$ 300 milhões na blindagem da rede e nos medidores. “Agora, a expansão do serviço pré-pago está em stand-by e depende de uma regulamentação”, afirma Moragas. O executivo disse que é do interesse da Ampla esse novo sistema porque os dados mostram que o consumidor rapidamente se acostuma com o serviço e que o nível de corte de fornecimento tende a ser menor do que na modalidade pós-paga.

Light

A Light (RJ) é outra distribuidora que avança no uso de medidores digitais. Com uma perda total de 21%, sendo 15 pontos porcentuais de perdas comerciais, a companhia adota estratégias distintas em sua área de concessão. Em locais de alto poder aquisitivo, a Light optou por instalar os medidores digitais individuais nas unidades consumidoras, alcançando 40 mil clientes. “Entre janeiro de 2008 a dezembro 2009, reduzimos as perdas totais desses consumidores de 25% para 9%, e temos a meta de chegar a 2%”, diz o superintendente de recuperação de energia da Light, José Geraldo Pereira. Nas áreas de maior risco do Rio, a empresa instala os medidores individuais à medida que o Estado retoma a sua presença nas comunidades.

O conceito de medição centralizada foi aplicado pela empresa nas regiões baixa renda de sua área de concessão, como a Baixada Fluminense. Até o momento, a companhia instalou 40 mil medidores digitais nessas localidades e pretender instalar mais 120 mil neste ano, diante da homologação dos equipamentos pelo Inmetro. “Temos como meta reduzir as perdas totais de 40% para 5% nessas regiões”, afirma o executivo. Para tanto, a Light pretende instalar 100 mil medidores por ano até 2013. “A regularização dos clientes beneficia a todos, inclusive o Estado. Se o nosso faturamento cresce, aumenta a arrecadação de impostos”, justifica.

Além da medição centralizada, o executivo diz que o serviço pré-pago é uma boa opção para o setor elétrico. Pereira, no entanto, afirma que a Light não deve investir no serviço até que a tecnologia seja regulamentada. Em 2009, a concessionária destinou cerca de R$ 180 milhões a iniciativas de combate às perdas. Para 2010, a meta é aportar R$ 190 milhões. No ano passado, a empresa deixou de faturar R$ 700 milhões por conta das perdas comerciais.

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Energia inteligente

Fonte: ISTOÉ Dinheiro Ed. 635 – Rodrigo Caetano – 04/12/2009

Já existe uma tecnologia que pode amenizar os apagões. Essa é a boa notícia. A má: ela ainda custa muito caro

Rede de Distribuição

O brasileiro voltou a conviver com apagões desde o início de novembro quando 18 Estados brasileiros ficaram às escuras. No Rio de Janeiro, os habitantes da cidade ainda enfrentavam miniapagões diários na semana passada. De 2009 até 2013, 62% do crescimento da capacidade energética no Brasil virá de usinas térmicas, consideradas uma fonte mais cara e ambientalmente incorreta. Mas há uma forma mais simples para ajudar a resolver os problemas de distribuição do País. É a tecnologia chamada de redes inteligentes de energia (smart grid, do termo em inglês). A tecnologia é o principal pilar do plano de renovação do setor elétrico que está sendo conduzido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

As redes inteligentes prometem um sistema elétrico mais eficiente e confiável. Elas são capazes de redirecionar distribuição de energia.

Este é o caso da Ampla, empresa pertencente ao grupo espanhol Endesa, responsável pelo abastecimento de 73% do Estado do Rio de Janeiro. A companhia investiu R$ 300 milhões para instalar medidores eletrônicos de consumo em áreas com alto índice de fraudes. “Começamos o projeto em 2005 para inibir o roubo de energia”, afirma o diretor de relações institucionais da empresa, André Moragas. Dos 2,5 milhões de clientes da companhia, 300 mil contam com os novos equipamentos. O índice de ligações clandestinas caiu de 26%, em 2003, para 20%, após o início do projeto. De acordo com Moragas, cada ponto percentual reduzido significa uma recuperação financeira de R$ 40 milhões.

O grupo Rede Energia, que atua em sete Estados brasileiros, também investe em medidores eletrônicos em algumas localidades. Segundo o vicepresidente de operações da companhia, Sidney Simonaggio, estão sendo trocados a energia em momentos de escassez. Uma casa ou região com baixo consumo pode, em um determinado horário, ter a energia desviada, por exemplo, para um hospital que necessite com urgência da eletricidade. O consumidor pode também armazenar a sua própria energia, evitando os apagões em momento de desabastecimento. Hoje, o sistema brasileiro não tem desligamento seletivo e foi justamente este fator que provocou o blecaute em cadeia em 18 Estados brasileiros. O primeiro passo para criar redes inteligentes é trocar os medidores. Cada casa precisa ter um e eles passam a se comunicar com outros medidores de uma rede. Juntos, definem as prioridades de os equipamentos nos Estados de Mato Grosso e do Pará, que passarão a contar com um sistema de medição centralizada, no qual é possível, inclusive, desligar remotamente a transmissão de energia. Simonaggio calcula em R$ 700 por cliente o custo para implantar uma rede inteligente no Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atualmente são 63 milhões de unidades consumidoras de energia no País, o que resultaria em um custo total de mais de R$ 44 bilhões.

A estrutura tarifária também precisa mudar. Hoje, o sistema não permite cobranças diferenciadas conforme o horário de consumo, o que poderia ser feito com as redes inteligentes. Segundo a Aneel, até o final do primeiro semestre de 2010 será realizada uma audiência pública para definir as propostas de alteração da estrutura tarifária. A pressa se justifica: segundo especialistas, a transição para o novo modelo leva entre cinco e sete anos.

As Vantagens das Redes Inteligentes

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Ampla expande medição eletrônica

Segue notícia publicada no site BRASIL ENERGIA em 10/9/2009 abordando a instalação de medição eletrônica de energia pela Ampla, objetivando, conjuntamente com o Programa de Eficiência Energética, o combate ao furto de energia. Apesar de esses programas possibilitarem essa aplicação menos nobre, saiba o leitor que os objetivos são outros. A medição eletrônica, a ser futuramente regulamentada pela ANEEL, em conjunto com o Programa de Eficiência Energética, também regulamentado pela ANEEL, têm o objetivo final de trazer para o consumidor o conhecimento sobre redução de consumo com manutenção das atividades, ou seja, a eficiência energética e economia de recursos naturais. Eis a notícia:

Ampla

Nos últimos cinco anos a Ampla investiu R$ 530 milhões na modernização da rede elétrica e na instalação de novos medidores

A distribuidora fluminense Ampla inicia na próxima semana a instalação de 45 mil novos medidores eletrônicos nos municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias e Magé. Os trabalhos de instalação devem se estender até o final do ano.

Nos últimos cinco anos a Ampla investiu R$ 530 milhões na modernização da rede elétrica e na instalação de novos medidores eletrônicos. A empresa acredita que a nova tecnologia é uma das soluções para o combate ao furto de energia, que no último ano teve índice de 20% na área de concessão da empresa.

A distribuidora, que enfrentou forte resistência política na instalação dos medidores, já possui na sua área de concessão 250 mil sistemas de medição eletrônica instalados. A meta é disponibilizar o equipamento para regiões com alto índice de furtos de energia.

“A medição eletrônica é um remédio para quem furtava energia. Um remédio amargo”, afirma o diretor de Relações Institucionais da Ampla, André Moragas. Dados da empresa apontam para um índice de insatisfação de apenas 1% na mudança da medição analógica para digital.

Aprovado pela Aneel e atestado pelo Inmetro, o novo equipamento entra para o portfólio da empresa em paralelo com um programa de eficiência energética que também pretende reduzir o desperdício de energia por consumidores de baixa renda. As ações do programa vão da troca da rede elétrica até a substituição de geladeiras.

A Ampla atende a 66 municípios do estado do Rio de Janeiro. No primeiro semestre do ano, foram distribuídos 2.235 GWh, uma variação positiva de 1,3% se comparado com igual período de 2008, quando a demanda atingiu 2.207 GWh.

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