Cobrança com medidor novo começa a chegar

Fonte: O DIA ONLINE – RIO – 26.05.2010 Por Celso Oliveira e Geraldo Perelo

Rio – Pelo menos 36.147 moradores de Niterói, Itaboraí, Caxias, São Gonçalo e Magé, que desde novembro passaram a ter o consumo de energia aferido pelo novo medidor com chip da Ampla, começam a receber as novas contas este mês. Até o fim do ano, a novidade vai chegar a Maricá e Macaé. Interrompido desde 2008 por determinação do Inmetro — que constatou irregularidade na medição de aparelhos —, a instalação de marcadores com chip foi retomada em novembro.

Alex observa seu relógio antigo perto dos de vizinhos. Ele tem quatro equipamentos diferentes para comparar seu consumo | Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia

A previsão é que 84 mil imóveis já contem com a nova tecnologia até dezembro, segundo o diretor de Relações Institucionais da empresa, André Moragas. A Light também anunciou ontem que pretende instalar, no período, 90 mil medidores. Como os aparelhos são muito mais precisos que os analógicos, em residências onde os relógios são muito antigos pode haver aumento na conta. A Ampla divulgou que deixava de contabilizar 24% do consumo de energia e, com a nova tecnologia, a perda caiu para 21%. “A meta é atingir a média nacional de 15%”, explicou Moragas.

O diretor informou que o medidor com chip que está sendo instalado passou nos testes e ganhou a certificação do Inmetro. O órgão confirmou e informou que o único modelo autorizado desde junho é o SGP+M E12, da Landys+Gyr. Segundo o Inmetro, os cerca de 15 mil em que foi constato defeito foram substituídos. Ao todo, cerca de 360 mil imóveis de clientes da Ampla têm medição eletrônica.

A retomada da instalação dos marcadores com chip preocupou o comerciante Alex Xander Alves, 38 anos, de Saracuruna, Caxias. Foi a partir de denúncia dele sobre o aumento excessivo na conta depois do chip no medidor de sua padaria que o Inmetro começou a investigar o problema. Desconfiado, ele mantém os analógicos para conferir o consumo. Ao todo, são quatro relógios, dois na sua casa e dois em seu comércio.“Vai começar tudo de novo”, teme Alex, que, no entanto, não tem constatado disparidades. Preocupado, Sebastião Carlos Moraes, 45, outro morador de Saracuruna, também toma conta de seu consumo em busca de qualquer mudança brusca: “Com o novo medidor ficamos em alerta”.

Moragas defende que a modernização do sistema vai facilitar o controle pelos consumidores. Através do telefone da empresa e do visor digital, a leitura do gasto de energia é mais fácil. “Ele fica sabendo quanto consumiu em KW ou em dinheiro”, explicou.

Cálculo do reajuste tarifário anual

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou ontem que fará audiências públicas a partir desta sexta-feira para analisar se houve falha na aplicação da metodologia de cálculo do reajuste tarifário anual previsto nos contratos de concessão das empresas. A Ampla e a Light estão incluídas neste levantamento. O prejuízo no bolso dos consumidores, causado por essa possível falha, chegaria a R$ 1 bilhão por ano entre 2002 e 2007, resultando ainda numa remuneração indevida das concessionárias de energia elétrica.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que as tarifas de energia elétrica cobradas por diversas distribuidoras do País apresentaram distorções em relação ao modelo definido pela Aneel para os reajustes tarifários. De acordo com o TCU, as distribuidoras não consideraram, nos cálculos, novas receitas obtidas a partir dos ganhos de escalas decorrentes das novas conexões. As audiências irão ocorrer nos próximos 30 dias.

Foto: Arte O Dia

MEMÓRIA: Denúncia de valor alto interrompeu programa

Os medidores com chips eletrônicos começaram a ser instalados pela Ampla em maio de 2005. Além de modernizar o sistema de aferição, a empresa queria acabar com o furto de energia, que só em São Gonçalo somava na época 60% do total consumido na cidade, segundo a empresa. Justamente lá, surgiram as primeiras queixas, no mesmo ano. Consumidores disseram que suas contas dispararam — em alguns casos, os aumentos foram de quase 10 vezes a tarifa.

Em outubro do mesmo ano, após série de reportagens de O DIA, o então secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, pediu ao Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) para fiscalizar os equipamentos. O Inmetro entrou em cena no mesmo período.

O problema se espalhou pelo estado e manifestações explodiram em outros municípios. No ano seguinte, a Alerj instalou CPI, que recomendou ao Ministério Público a punição da Ampla. Em 2008, o MP Federal impetrou Ação Civil Pública e o Inmetro proibiu a instalação de mais medidores com chips, pois detectou falhas em três dos 10 modelos testados. O problema elevava o valor das contas. Os rejeitados foram substituídos, segundo o Inmetro. Em junho de 2009, o instituto aprovou um único modelo para o mercado. A Ampla informou ontem que usará esses equipamentos nas futuras instalações.

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Medidores eletrônicos de energia ajudam distribuidoras

Fonte: DCI – 29/01/2010

SÃO PAULO – A substituição de medidores eletromecânicos por eletrônicos, apesar da resistência de muitos consumidores, tem gerado resultados altamente positivos para as distribuidoras de energia, principalmente os relacionados a perda e furto de energia. Pioneira nesse processo, a Ampla, do Rio de Janeiro, controlada pelo Grupo Endesa, já investiu R$ 350 milhões na modernização da rede e tem apurado uma economia de R$ 250 milhões ao ano com a redução de perdas e furtos.

Já a Companhia Energética de Brasília (CEB), ainda sob controle estatal, automatizou a medição de 1.800 grandes consumidores do Distrito Federal, entre eles o Palácio do Planalto e todos os ministérios. Com a medida, reduziu em 1 ponto percentual o nível de perdas em 2009.

Os medidores eletrônicos possuem chips que armazenam e enviam remotamente as informações de cada cliente para a central de dados da distribuidora. O sistema também permite, por exemplo, que a empresa corte ou religue o fornecimento remotamente sem a necessidade de deslocamento de equipe.

Com uma cobertura de mais de 70% do Estado do Rio de Janeiro, a Ampla foi uma das pioneiras na troca dos medidores de energia em baixa tensão. Os testes foram autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2005, quando o índice médio de perda de energia no estado era de 25%. “Em algumas regiões, o furto de energia, os ‘gatos’, chegava a 80%”, conta André Moragas, diretor de Relações Institucionais da Ampla. “Com os novos medidores eletrônicos, caiu para 2% em algumas regiões. Atualmente, a média do estado é de 20%.” Cerca de 300 mil clientes da distribuidora possuem hoje a medição eletrônica.

Antes do uso dos novos medidores, a Ampla precisou remodelar a rede elétrica elevando a rede secundária (baixa tensão) até o nível de rede primária (média tensão), com a utilização de um cabo pré-reunido. Ambas, agora ficam a 10 metros do solo, o que dificulta as ligações clandestinas.

Moragas explica que, apesar da resistência inicial dos clientes, o processo já se consolidou e, em 2010, será expandido para outros 50 mil pontos. “Atuamos com duas plataformas: uma tecnológica e outra de educação para a cidadania”, afirma.

Resistência

Luiz Carlos Rusky, gerente de Medição e Fiscalização da CEB, também espera encontrar uma certa resistência na segunda fase do processo de substituição de medidores, que envolverá 6.000 pontos que consomem 3.000 KW/h em média, por mês. “Nesse segmento, são encontradas muitas irregularidades”, explica Rusky. Na primeira etapa do processo, que envolveu os grandes consumidores de alta tensão, foram investidos R$ 3 milhões. Na próxima etapa, serão aplicados cerca de R$ 10 milhões. “Estamos realizando a licitação para a instalação dos equipamentos que já foram comprados”, conta Rusky.

De acordo com dados fornecido da CEB, o tempo médio de retorno do investimento será de sete meses para o grupo de seis mil unidades. A partir da análise dos dados disponíveis nos primeiros 18 meses após a instalação dos novos equipamentos de medição, em 349 consumidores, foi constatado o acréscimo de energia agregada na ordem de 70 GW/h, o que corresponde ao incremento de receita líquida em R$ 14 milhões. A geração de receita extra prevista em cinco anos é de R$ 126 milhões.

A medição eletrônica é um dos componentes das chamadas redes inteligentes (smart grid), tecnologias envolvidas diretamente no conceito de eficiência energética. De acordo com Cyro Bocuzzi, especialista no tema e ex-vice-presidente da Eletropaulo, “smart grid é um conceito que mudará – em alguns lugares do mundo, já está mudando – os paradigmas do setor elétrico, como se a eletricidade saísse da era analógica e entrasse na digital.”

Exemplo disso é que, na próxima semana, a Eletrobras realiza um seminário para divulgar o processo de automação da medição de consumo de suas distribuidoras. O próximo passo dessa transformação já está sendo discutido pela Aneel: a tarifação com descontos progressivos de acordo com o horário de utilização da energia elétrica.

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AMPLA E LIGHT INSTALAM MEDIDOR DIGITAL ENQUANTO AGUARDAM LEI

Fonte: AGÊNCIA ESTADO

São Paulo, 18 – A regulamentação do serviço pré-pago de energia desperta o interesse de outras distribuidoras além do Grupo Rede. É o caso da concessionária fluminense Ampla, primeira a usar a medição centralizada e o sistema pré-pago no Brasil. Entre 2003 e 2009, a distribuidora já conectou 300 mil unidades consumidoras (12% dos clientes) aos medidores digitais. “Nesse período, as perdas de energia caíram de 25% para 20%”, revela o diretor de Relações Institucionais da Ampla, André Moragas. Apesar dos benefícios, os projetos da companhia mostraram que a adoção de novas tecnologias pode sofrer uma grande resistência inicial dos consumidores.

Adquirida em 1997 pela espanhola Endesa (hoje, sob controle da italiana Enel), a distribuidora praticou até 2002 ações tradicionais para a redução das perdas totais. Moragas conta que, nesse período, as perdas caíram de 29% para 25%. “A partir de 2003, sentimos a necessidade de um salto tecnológico para que o nível de perdas continuasse decrescendo”, explica. Foi a partir disso que a Ampla resolveu apostar, inicialmente, na medição centralizada. A empresa foi pioneira no conceito de alterar a topologia da rede, deslocando os cabos de baixa tensão para uma altura um pouco superior da média tensão, a uma distância de 10 metros do chão.

Com a blindagem da rede, a segunda etapa do projeto foi a medição centralizada. “Sabíamos que o furto de energia migraria para o medidor com impossibilidade de fraudar a rede”, afirma. Para realizar o projeto e instalar a caixa com o conjunto de medidores no topo dos postes, a Ampla obteve autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Moragas conta que o uso do medidor digital permitiu à empresa constatar que a premissa de que o cliente furta a energia elétrica por não ter condições de pagar à concessionária não é totalmente verdadeira.

“Ao receber a primeira conta após ser regularizado, o consumidor tem um susto. Mas ao longo do tempo é possível verificar uma redução nos valores”, diz. O executivo revela que o consumo de clientes irregulares caiu entre 50% e 60% após a legalização. Juntamente com a instalação do medidor digital, a Ampla desenvolveu ações de eficiência energética nas comunidades, com vistas a educar os clientes para evitar o desperdício. “A questão das perdas em nossa rede é fundamental. Cada ponto porcentual que recuperamos representa uma receita adicional de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões”, justifica o diretor de Relações Institucionais.

O impacto da regularização não foi bem digerido por alguns consumidores, assustados com os altos valores da conta de luz. A mobilização social gerou a instalação, em 2007, de uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contra a medição centralizada. “A regularização dos clientes provocou um salto na conta de luz, gerando uma sensação de revolta”, afirma o sócio da BR Investimentos e ex-diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, que comandava a agência na época da CPI. Os deputados acusaram a Aneel, a Ampla e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pelos supostos prejuízos aos consumidores.

“Acreditávamos tanto na tecnologia que nos comprometemos a desconsiderar a conta de luz do primeiro mês e faturarmos com base na média dos últimos três meses para o consumidor que reclamasse. Como contrapartida, fiscalizaríamos esse consumidor”, diz Moragas. Ao final, apenas 1% das 300 mil unidades consumidoras conectadas ao medidor digital questionaram a empresa, sendo que nesses casos foi constatada a existência ligações irregulares. “A CPI apenas postergou o projeto, porque o Inmetro adotou uma postura mais cautelosa diante das acusações e exigiu novas certificações para homologar os equipamentos”, acrescentou.

A partir de 2006, a Ampla iniciou os testes com o serviço pré-pago de energia com 500 clientes dos municípios de São Gonçalo, Caxias, Magé, Niterói, Itaboraí e Maricá. “Vislumbramos no pré-pago uma medida para reduzir a inadimplência”, justifica Moragas. O executivo afirma que do universo de 2,5 milhões de clientes da empresa, 800 mil consumidores são classificados como baixa renda. “Muitos não possuem uma renda fixa. O pré-pago seria uma maneira mais flexível de comprar energia, adequando o consumo à renda dos nossos clientes”, justifica. A Ampla também obteve autorização da Aneel para desenvolver este projeto-piloto.

Mas os problemas começaram logo que os primeiros cortes de fornecimento ocorreram. Muitos consumidores entraram na justiça para recuperar o suprimento, derrotando a Ampla. “Os juízes decidem à favor de um único consumidor em prejuízo a toda coletividade”, critica Kelman. Segundo Moragas, a expansão do serviço pré-pago no País, a exemplo do que já existe no setor de telefonia, depende da regulamentação das regras de interrupção pelo regulador e da flexibilização do procedimento para a compra dos créditos. “Hoje, o consumidor precisa ir à loja adquirir os créditos, tendo que assinar sempre um termo de compra”, explica.

Com a homologação definitiva do Inmetro em julho de 2009, a Ampla retomou os planos de instalar os medidores digitais em sua área de concessão. Para 2010, a meta é instalar 50 mil unidades. Entre 2003 e 2009, a empresa já investiu R$ 300 milhões na blindagem da rede e nos medidores. “Agora, a expansão do serviço pré-pago está em stand-by e depende de uma regulamentação”, afirma Moragas. O executivo disse que é do interesse da Ampla esse novo sistema porque os dados mostram que o consumidor rapidamente se acostuma com o serviço e que o nível de corte de fornecimento tende a ser menor do que na modalidade pós-paga.

Light

A Light (RJ) é outra distribuidora que avança no uso de medidores digitais. Com uma perda total de 21%, sendo 15 pontos porcentuais de perdas comerciais, a companhia adota estratégias distintas em sua área de concessão. Em locais de alto poder aquisitivo, a Light optou por instalar os medidores digitais individuais nas unidades consumidoras, alcançando 40 mil clientes. “Entre janeiro de 2008 a dezembro 2009, reduzimos as perdas totais desses consumidores de 25% para 9%, e temos a meta de chegar a 2%”, diz o superintendente de recuperação de energia da Light, José Geraldo Pereira. Nas áreas de maior risco do Rio, a empresa instala os medidores individuais à medida que o Estado retoma a sua presença nas comunidades.

O conceito de medição centralizada foi aplicado pela empresa nas regiões baixa renda de sua área de concessão, como a Baixada Fluminense. Até o momento, a companhia instalou 40 mil medidores digitais nessas localidades e pretender instalar mais 120 mil neste ano, diante da homologação dos equipamentos pelo Inmetro. “Temos como meta reduzir as perdas totais de 40% para 5% nessas regiões”, afirma o executivo. Para tanto, a Light pretende instalar 100 mil medidores por ano até 2013. “A regularização dos clientes beneficia a todos, inclusive o Estado. Se o nosso faturamento cresce, aumenta a arrecadação de impostos”, justifica.

Além da medição centralizada, o executivo diz que o serviço pré-pago é uma boa opção para o setor elétrico. Pereira, no entanto, afirma que a Light não deve investir no serviço até que a tecnologia seja regulamentada. Em 2009, a concessionária destinou cerca de R$ 180 milhões a iniciativas de combate às perdas. Para 2010, a meta é aportar R$ 190 milhões. No ano passado, a empresa deixou de faturar R$ 700 milhões por conta das perdas comerciais.

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Energia inteligente

Fonte: ISTOÉ Dinheiro Ed. 635 – Rodrigo Caetano – 04/12/2009

Já existe uma tecnologia que pode amenizar os apagões. Essa é a boa notícia. A má: ela ainda custa muito caro

Rede de Distribuição

O brasileiro voltou a conviver com apagões desde o início de novembro quando 18 Estados brasileiros ficaram às escuras. No Rio de Janeiro, os habitantes da cidade ainda enfrentavam miniapagões diários na semana passada. De 2009 até 2013, 62% do crescimento da capacidade energética no Brasil virá de usinas térmicas, consideradas uma fonte mais cara e ambientalmente incorreta. Mas há uma forma mais simples para ajudar a resolver os problemas de distribuição do País. É a tecnologia chamada de redes inteligentes de energia (smart grid, do termo em inglês). A tecnologia é o principal pilar do plano de renovação do setor elétrico que está sendo conduzido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

As redes inteligentes prometem um sistema elétrico mais eficiente e confiável. Elas são capazes de redirecionar distribuição de energia.

Este é o caso da Ampla, empresa pertencente ao grupo espanhol Endesa, responsável pelo abastecimento de 73% do Estado do Rio de Janeiro. A companhia investiu R$ 300 milhões para instalar medidores eletrônicos de consumo em áreas com alto índice de fraudes. “Começamos o projeto em 2005 para inibir o roubo de energia”, afirma o diretor de relações institucionais da empresa, André Moragas. Dos 2,5 milhões de clientes da companhia, 300 mil contam com os novos equipamentos. O índice de ligações clandestinas caiu de 26%, em 2003, para 20%, após o início do projeto. De acordo com Moragas, cada ponto percentual reduzido significa uma recuperação financeira de R$ 40 milhões.

O grupo Rede Energia, que atua em sete Estados brasileiros, também investe em medidores eletrônicos em algumas localidades. Segundo o vicepresidente de operações da companhia, Sidney Simonaggio, estão sendo trocados a energia em momentos de escassez. Uma casa ou região com baixo consumo pode, em um determinado horário, ter a energia desviada, por exemplo, para um hospital que necessite com urgência da eletricidade. O consumidor pode também armazenar a sua própria energia, evitando os apagões em momento de desabastecimento. Hoje, o sistema brasileiro não tem desligamento seletivo e foi justamente este fator que provocou o blecaute em cadeia em 18 Estados brasileiros. O primeiro passo para criar redes inteligentes é trocar os medidores. Cada casa precisa ter um e eles passam a se comunicar com outros medidores de uma rede. Juntos, definem as prioridades de os equipamentos nos Estados de Mato Grosso e do Pará, que passarão a contar com um sistema de medição centralizada, no qual é possível, inclusive, desligar remotamente a transmissão de energia. Simonaggio calcula em R$ 700 por cliente o custo para implantar uma rede inteligente no Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atualmente são 63 milhões de unidades consumidoras de energia no País, o que resultaria em um custo total de mais de R$ 44 bilhões.

A estrutura tarifária também precisa mudar. Hoje, o sistema não permite cobranças diferenciadas conforme o horário de consumo, o que poderia ser feito com as redes inteligentes. Segundo a Aneel, até o final do primeiro semestre de 2010 será realizada uma audiência pública para definir as propostas de alteração da estrutura tarifária. A pressa se justifica: segundo especialistas, a transição para o novo modelo leva entre cinco e sete anos.

As Vantagens das Redes Inteligentes

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Ampla expande medição eletrônica

Segue notícia publicada no site BRASIL ENERGIA em 10/9/2009 abordando a instalação de medição eletrônica de energia pela Ampla, objetivando, conjuntamente com o Programa de Eficiência Energética, o combate ao furto de energia. Apesar de esses programas possibilitarem essa aplicação menos nobre, saiba o leitor que os objetivos são outros. A medição eletrônica, a ser futuramente regulamentada pela ANEEL, em conjunto com o Programa de Eficiência Energética, também regulamentado pela ANEEL, têm o objetivo final de trazer para o consumidor o conhecimento sobre redução de consumo com manutenção das atividades, ou seja, a eficiência energética e economia de recursos naturais. Eis a notícia:

Ampla

Nos últimos cinco anos a Ampla investiu R$ 530 milhões na modernização da rede elétrica e na instalação de novos medidores

A distribuidora fluminense Ampla inicia na próxima semana a instalação de 45 mil novos medidores eletrônicos nos municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias e Magé. Os trabalhos de instalação devem se estender até o final do ano.

Nos últimos cinco anos a Ampla investiu R$ 530 milhões na modernização da rede elétrica e na instalação de novos medidores eletrônicos. A empresa acredita que a nova tecnologia é uma das soluções para o combate ao furto de energia, que no último ano teve índice de 20% na área de concessão da empresa.

A distribuidora, que enfrentou forte resistência política na instalação dos medidores, já possui na sua área de concessão 250 mil sistemas de medição eletrônica instalados. A meta é disponibilizar o equipamento para regiões com alto índice de furtos de energia.

“A medição eletrônica é um remédio para quem furtava energia. Um remédio amargo”, afirma o diretor de Relações Institucionais da Ampla, André Moragas. Dados da empresa apontam para um índice de insatisfação de apenas 1% na mudança da medição analógica para digital.

Aprovado pela Aneel e atestado pelo Inmetro, o novo equipamento entra para o portfólio da empresa em paralelo com um programa de eficiência energética que também pretende reduzir o desperdício de energia por consumidores de baixa renda. As ações do programa vão da troca da rede elétrica até a substituição de geladeiras.

A Ampla atende a 66 municípios do estado do Rio de Janeiro. No primeiro semestre do ano, foram distribuídos 2.235 GWh, uma variação positiva de 1,3% se comparado com igual período de 2008, quando a demanda atingiu 2.207 GWh.

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