Setor elétrico lamenta ter sido excluído do plano de banda larga

Fonte: Telecomonline | Marineide Marques | 06.11.2009

LamentávelDono de 30 mil quilômetros de fibras, o segmento reclama sua vocação como gestor de infraestrutura.

Enquanto o governo e as operadoras trabalham na elaboração de um plano nacional de banda larga, o setor elétrico se ressente de ter sido excluído das discussões. Donas de mais de 30 mil quilômetros de fibras ópticas, as concessionárias de distribuição e transmissão de energia acreditam que poderiam dar uma forte contribuição ao projeto da banda larga, mas não participam dos debates. “Quem deveria estar sentado à mesa é quem tem a infraestrutura”, diz o presidente da Aptel (Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações), Pedro Jatobá.

Ele traça um paralelo entre as empresas do setor elétrico e de telecomunicações, lembrando que há 30 anos elas eram muito semelhantes: detinham infraestrutura para oferta de um único serviço ao consumidor final. De lá para cá, o setor elétrico intensificou suas ações como gestor de infraestrutura, ao passo que telecom que é cada vez mais gestor de serviços. “Isso significa que o setor elétrico é cada vez mais eficiente para gerir macroestruturas”, defende Jatobá.

Por enquanto, a participação do setor elétrico no plano nacional de banda larga está fortemente concentrada no possível uso da rede da Eletronet (são 13 mil quilômetros de fibras ópticas) e das empresas do sistema Eletrobrás. “O setor elétrico é muito maior do que a Eletrobrás”, pondera o presidente da Aptel.

Ele destaca que a evolução das redes do setor elétrico está sendo completamente ignorada na elaboração do plano nacional de banda larga. Essa evolução seria baseada na adoção do conceito de redes inteligentes, ou smart grid, um projeto estratégico para a Aptel e para a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). O projeto prevê um salto tecnológico nas atuais redes de distribuição de energia elétrica, que chegariam à casa do cliente aptas à oferta de um número elevado de serviços, que vão muito além da energia elétrica, tais como banda larga, telemetria e medição inteligente. O processo deve mais do que duplicar o volume de fibras ópticas controlado hoje pelas empresas do setor elétrico, com a vantagem de levar a fibra até a casa do assinante, a chamada última milha. “Tem se falado muito da Eletronet para banda larga, mas a rede não alcança o usuário final”, pondera Jatobá.

A Aptel e a Abradee trabalham para apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nas próximas semanas o projeto estratégico para adoção do smart grid pelas empresas brasileiras. Com o aval do órgão regulador, as entidades devem contratar um consórcio – envolvendo consultorias, centros de pesquisa e universidades – para elaboração do plano, a ser concluído no prazo de 90 a 120 dias. O documento deve trazer uma proposta de migração para o smart grid, incluindo o montante de investimento projetado e a necessidade de mudança no que diz respeito à regulamentação.

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Distribuidoras reagem à proposta do medidor digital

Mal anunciamos as novidades sobre a nova regulamentação de medição inteligente, no SNT (Seminário Nacional de Telecomunicações Aptel 2009), a ser colocada ao grande público no próximo mês, as empresas de distribuição de energia elétrica já estão reagindo:

Medidor Eletrônico

Valor Econômico – 17/09/2009
Por Ana Paula Grabois, do Rio

As distribuidoras de energia do país estão contrárias à iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) de colocar em audiência pública no mês que vem a substituição dos medidores de energia por outros “inteligentes”, com funcionalidades que permitam o gerenciamento do consumo por usuários e empresas. Atualmente, os medidores utilizados em novas residências ou em substituição aos analógicos são digitais, mas não têm tais funcionalidades. O monitoramento pelo consumidor será possivel ao combinar o uso do medidor digital com uma tecnologia remota de dados. Segundo a ANEEL, a troca traria economia para as empresas pois deixaria a rede mais eficiente no gerenciamento da carga de energia, reduzindo até a necessidade de investimentos.

Na avaliação do diretor técnico e regulatório da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Fernando Maia, é preciso prazo maior para colocar o assunto em audiência. “As empresas precisam de tempo para traçar um plano de uma rede inteligente própria. A experiência mundial mostra que simplesmente trocar não se justifica economicamente, é um investimento elevado nos novos medidores e na rede.”

O diretor da Abradee questionou a recente regulamentação da internet pela rede elétrica ou Power Line Communications (PLC, na sigla em inglês) que impede que a distribuidora explore os serviços de dados. A distribuidora é obrigada a alugar a rede a uma empresa de telecomunicações, pois, no entender da ANEEL, trata-se de serviço que não está contemplado no contrato de concessão. Para o diretor da Abradee, a rede PLC não vai comportar a rede própria necessária e os serviços oferecidos pela empresa de telecomunicações. “Como a nossa operação vai depender de um terceiro que vai operar na nossa rede para outros fins? Na nossa percepção, o PLC é inerente da concessão de energia se o uso for destinado à automação da rede de energia”, afirmou.

Segundo a ANEEL, a tecnologia utilizada para gerenciar a rede pode ser outra, além da PLC, como rádio ou celular, mas na avaliação das distribuidoras, é preciso que a implementação da rede de comunicação e a troca de medidores ocorram ao mesmo tempo.

O segundo passo da agência, após a implementação gradual dos novos medidores, será a adoção de tarifas diferenciadas de acordo com os horários de maior ou menor uso, como já ocorre nas telefonia fixa. “Mesmo que tenha o faturamento para pagar a cada 30 dias, o consumidor vai saber como o consumo está mudando a cada dia”, diz a diretora da ANEEL Joísa Campanher. Ela, contudo, diz que o plano de troca de medidores não vai criar problemas para as empresas. “Precisamos garantir que essa solução não coloque a concessionária em desequilíbrio. Se a concessionária puder gerenciar a sua carga, é possível que ela possa adiar investimentos e otimizar a sua rede”, afirmou.

Maia, da Abradee, diz, por exemplo, que a troca de um medidor comum por um “inteligente” significa um gasto oito vezes maior, o que pode causar aumento de tarifa se não houver planejamento prévio. “É preciso um planejamento maior do governo, o objetivo é ter tarifa mais barata e serviço melhor. Caso contrário, é melhor deixar do jeito que está. Não queremos mexer só para dizer que é moderno”, afirmou o diretor da Abradee.

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Abradee elabora plano nacional para redes inteligentes

Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Tecnologia - 16/09/2009

Projeto Estratégico em Redes Inteligentes

A Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica, em parceria com a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), estão elaborando uma proposta para um Plano Brasileiro de Redes Inteligentes. De acordo com Luiz Carlos Guimarães, presidente da Abradee, esse será um projeto estratégico que já foi encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica.

“A Aneel desenvolve, além dos projetos de P&D das empresas, os chamados projetos estratégicos. Esses projetos têm um interesse mais amplo e são compartilhados por diversas empresas”, explicou Guimarães em entrevista à Agência CanalEnergia, durante o Seminário Nacional de Telecomunicações, que acontece entre os 14 e 16 de setembro, no Rio de Janeiro. A ideia, de acordo com ele, é organizar um programa na área de redes inteligentes, com a adesão de diversas empresas, tanto geradoras, quanto distribuidoras e transmissoras. “Todas essas empresas estarão envolvidas na implementação desse projeto”, ressaltou Guimarães.

O executivo disse ainda que a proposta que está sendo elaborada pela Abradee e pela Aptel tem como objetivo fazer um plano diretor, que tem como meta final focar na implantação de redes inteligentes. “A nossa primeira proposta é estabelecer um plano de desenvolvimento do smart grid, o que vai demorar algum tempo”, salientou. Segundo ele, outras decisões, que tem como pano de fundo o desenvolvimento das redes inteligentes, já vêm sendo discutidas pela Aneel, como a medição eletrônica e o PLC, que inclusive já foi regulamentado pela agência.

“Todas essas decisões que vem sendo tomadas, fundamentalmente elas tem que ter um pano de fundo, para se saber a direção que se deve caminhar. E no nosso entendimento e no entendimento internacional é que hoje necessariamente estamos caminhando para ter redes inteligentes, que interagem com o consumidor”, declarou. Para Guimarães, esse é um projeto que tem várias fases, começando com a medição eletrônica e depois passando para as redes inteligentes, seguida pelos carros híbridos e pela geração distribuída.

A medição eletrônica, de acordo com Guimarães, deverá ser implementada no curto prazo. “No entanto, as redes inteligentes, onde se teria a automação da rede, com sensores, de forma que se possa operar a rede a distância automaticamente, isso só deverá acontecer mais pra frente”, avaliou o executivo.

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