O investimento em redes inteligentes de energia no Brasil pode ser a solução para a melhoria dos indicadores de qualidade e do nível de perdas das concessionárias de distribuição. Diferentemente da Europa e dos Estados Unidos, onde os principais motivadores são reduzir as emissões e a demanda no horário de ponta, respectivamente, no caso brasileiro a aposta no smart grid é vista como um instrumento para reduzir a duração e a frequência das interrupções no fornecimento de energia elétrica.
“Desde 2009, o apurado de DEC [índice que mede a duração dos desligamentos] pelas distribuidoras não atende o limite de qualidade requerido pelo regulador. Naquele ano, o limite tolerado era de 17,86 horas, e o apurado foi 18,77 horas. Comparado com parâmetros mundiais, se observa necessidade de melhoria”, afirma o diretor da Aneel, André Pepitone, em entrevista à Agência CanalEnergia. Pepitone conta que no Japão a tolerância em relação às interrupções no serviço é de 16 minutos por ano e, nos Estados Unidos, o valor médio chega a 240 minutos\ano. Entre os países da União Europeia, a meta é 140 minutos\ano, com os maiores valores – 200 minutos – registrados em Portugal.
No Brasil, mesmo com as reduções definidas para cada ciclo tarifário, os indicadores são considerados elevados pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Nesta terça-feira, 7 de agosto, a diretoria da agência deve aprovar a resolução que estabelece requisitos mínimos para a instalação de medidores eletrônicos em unidades consumidoras atendidas em baixa tensão, naquele que pode ser o primeiro passo concreto para a instalação da infraestrutura de redes inteligentes.
Relator do processo na agência, Pepitone lembra que o smart grid não se resume ao medidor, mas o Brasil tem caminhado firme nessa direção, com a aprovação de regras para a microgeração e a geração distribuída de energia; a instituição de descontos tarifários para a baixa tensão de acordo com o horário de consumo, previstos na chamada tarifa branca; a Resolução 375, que regulamenta a transmissão da informação; e a norma que prevê o pré-pagamento da energia.
Para o diretor da Aneel, com essa tecnologia “a rede de distribuição vai ser a supervia de impulsos elétricos” nos próximos anos. Pepitone cita Jeremy Rifkin, autor do livro “A terceira revolução industrial”, ao afirmar que as redes inteligente terão impactos tão significativos no século XXI quanto a Revolução Industrial teve no século XIX. Ele lembra que essas redes incentivam a energia renovável, transformam residencias e edificações em fontes geradoras de energia e permitem o uso da tecnologia de internet para transformar a rede elétrica do país em uma estrutura para compartilhamento de energia e informação.
Andre Pepitone lembra que o tema tem sido acompanhado pela Aneel desde 2008, por meio da participação de técnicos em seminários, de consulta e audiências públicas, e de reuniões com fabricantes de medidores, provedores de telecomunicações e com o Inmetro. Nesse tempo, foi realizada também a chamada de pesquisa e desenvolvimento estratégica que resultou na implantação de projetos-piloto no país.
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