Tão necessário quanto produzir energia, é cortar o desperdício da energia produzida. Os investimentos feitos nesse sentido no país poderão gerar uma economia de quase R$ 8 bilhões. O valor refere-se à energia “desviada” por conta da manipulação dos medidores e dos chamados “gatos”. Essa perda corresponde a 17% do total de 114.000 megawatts (MW) gerados pela matriz elétrica nacional, o equivalente a quase 20.000 MW, quantia muito superior à produção de Itaipu, a maior hidrelétrica do país e que tem capacidade para 14.000 MW. As perdas atingem, em cheio, os cofres das distribuidoras e do governo. A resposta a esse rombo gigantesco está vindo em forma de tecnologia altamente sofisticada, as “smart grids”, ou redes inteligentes.
“A popularização dessas tecnologias está avançando rapidamente. Os desembolsos no mercado brasileiro, na área de redes inteligente, estão na casa dos R$ 5,5 bilhões”, estima Cyro Boccuzzi, vice-presidente da Empresa Energética do Mato Grosso do Sul (Enersul) e sócio fundador da Expertise Consultoria e Ordenamento em Energia Inteligente (Ecoee). A injeção desses recursos deverá proporcionar um corte drástico nessas perdas, reduzindo para índices entre 2% a 3%, taxas idênticas às registradas nos EUA e Europa. Há outros benefícios: as novas tecnologias em aplicação reduzirão problemas provocados com picos de consumo e as despesas com falhas na rede elétricas. “Esse é um efeito interessante, porque hoje o Brasil gasta dinheiro fazendo usinas para atender esse desvio de 17%, que não é remunerado”, emenda.
A solução ganha corpo dentro das empresas de energia através de projetos pilotos que exigem volumosas quantias para a melhoria do desempenho e automatização dos processos relacionados à energia. “O alto custo e a escassez da mão de obra acelera a adoção de tecnologia”, acrescenta Boccuzzi. Para se ter uma ideia, um corte e uma religação de energia no Estado do Mato Grosso do Sul custa em torno de R$ 54,00. “Isso é quase o custo para a instalação de um desconector direto efetuar o desligamento à distância. As tecnologias estão ficando mais padronizadas, comuns e acessíveis, e estão entrando no dia a dia da empresa. Todas as companhias instaladas no Brasil estão estudando a questão e fazendo projetos em maior ou menor escala”, afirma.
Pelos cálculos de Boccuzzi, 80% do mercado de energia está, há cerca de três anos, articulando com as empresas na área de tecnologia a implementação das smart grids. “O conceito de rede inteligente é um conglomerado de tecnologia, uma cesta de tecnologia, que nem sempre é implementado de forma completa. Os investimentos feitos pelas empresas já vêm contemplando parte dessas tecnologias”, diz. O vice-presidente lembra que quando hoje se constrói uma sub-estação, não faz sentido construir sem automação. “A automação já vem embutida como um padrão mínimo exigido pela concessionária, coisa que não acontecia até bem pouco tempo atrás”, conclui.
Fonte: Valor Econômico
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