A energia é verde

O mundo encontra-se hoje à beira de uma nova revolução energética — uma revolução que transformará profundamente a atual, mas em grande parte invisível, infraestrutura que move os países. A economia baseada em combustíveis fósseis está chegando ao fim, e uma nova economia de energia verde assume seu lugar. Assim como ocorreu em revoluções energéticas do passado, haverá grandes vantagens para os países e empresas que dominarem as novas tecnologias desde já.

No entanto, para que se opere uma virada em favor da energia verde, precisamos de uma infusão de princípios colaborativos. A verdadeira abertura da infraestrutura de energia pode catalisar novas fontes de fornecimento, criar uma plataforma para novos serviços e ajudar a desenvolver uma cultura de “prossumo”, na qual usuários residenciais e empresariais se tornam produtores ativos e gestores de energia, e não só consumidores passivos pagadores de taxas. Não é algo tão difícil de obter quanto parece. Os nossos sistemas elétricos devem fazer mais do que distribuir eletricidade. Devem fornecer informação. E com a rede de informação, ela também se beneficiará dos mesmos tipos de inovação, colaboração e geração de riqueza que a internet propiciou em outros setores.

A ideia de uma rede inteligente baseada em padrões abertos corre em paralelo à defesa de uma internet aberta. Essa rede ligará milhões, e até bilhões, de aparelhos domésticos, subestações e geradores de energia pelo mundo numa matriz inteligente e programável. E, assim como os padrões abertos e a “inteligência de ponta”, uma nova matriz de energia garantirá que, além de ser apenas um canal computadorizado para distribuir eletricidade limpa, se torne uma plataforma de novos serviços.

A construção de uma matriz com base em padrões abertos permitiria, por exemplo, que desenvolvedores criassem aplicações da mesma forma como se programa para o iPhone. Uma aplicação mais direta poderia analisar o uso de eletricidade de uma residência, identificar aparelhos ou práticas ineficientes, dar dicas para reduzir o consumo de energia e oferecer descontos para aparelhos bem utilizados.

Inovações como essas são estimulantes pelas mudanças que trazem. Estudos mostram que quando as pessoas são informadas sobre quanto de energia estão gastando, reduzem o uso em cerca de 7%. Com mais incentivos, elas diminuem o consumo em 15% nos picos.

Essas economias são tímidas em comparação com o impacto que poderíamos ter nas futuras gerações, transformando o modo de produzir e consumir energia. Diante da mudança do clima e da redução dos estoques de combustíveis fósseis, podemos tomar uma de duas direções. Um caminho leva a uma escalada de preços, falta de energia e retrocesso econômico num mundo que enfrenta catástrofes ambientais. O outro conduz ao crescimento, à cooperação global e a abundantes suprimentos de energia limpa, com uma rede que dará aos consumidores as condições de se tornarem gestores ativos e bem informados. A escolha é nossa.

Fonte: Info

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