A revista IEEE Power & Energy na sua última edição bimestral de Janeiro/Fevereiro de 2011 apresenta três artigos muito interessantes sobre a colaboração entre o estado de Illinois nos EUA e a República da Coréia em tecnologia de rede inteligente. O artigo é dedicado à iniciativa do Instituto de Tecnologia de Illinois (IIT na sigla em inglês) para atender à futura necessidade de engenheiros nos EUA.
Com um investimento inicial de $5 milhões de dólares do Departamento de Energia dos EUA (DOE), a Politécnica de Chicago estabeleceu o Centro para Educação e Treinamento da Força de Trabalho em Rede Inteligente no IIT. O objetivo é mobilizar as companhias de energia, as associações de trabalhadores, os educadores de nível médio, a comunidade estudantil, e as universidades para despertarem o interesse entre os jovens no tema de rede inteligente e recrutar alguns deles para treinamentos avançados.
Conforme o artigo apresentado na revista, a necessidade é urgente. Cada ano são graduados nos EUA aproximadamente de 800 a 1000 estudantes de engenharia que manifestam interesse em energia elétrica, e aproximadamente 550 estudantes graduados obtêm pós-graduação em engenharia de potência. O artigo mostra ainda que as empresas de energia elétrica esperam precisar de 7.000 novos engenheiros nos próximos cinco anos, e a demanda total da indústria e do governo pode ser o dobro disso.
O problema começa, conforme pesquisas citadas no artigo, ainda no ensino fundamental. Na época em que as crianças chegam ao ensino médio, elas sabem pouco sobre engenharia e não estão equipadas matemática e cientificamente para obterem educação avançada na área. Assim o IIT, juntamente com o Laboratório Nacional Argonne nos EUA e a comunidade educacional, está começando com a preparação de unidades voltadas para estudantes pré-universitários.
Isso não é tudo. A iniciativa do IIT está evoluindo no contexto de uma colaboração mais ampla entre Illinois e a Coréia do Sul descrita em um segundo artigo na Power & Energy. Um terceiro artigo descreve um programa nacional coreano “que estabelece as bases para um crescimento econômico verde e de baixas emissões de carbono através da construção de uma rede inteligente.” Um terceiro artigo descreve como a Coréia e Illinois estão explorando em conjunto de iniciativas de sustentabilidade comunitárias, e um quarto discute “o desenvolvimento de energia renovável inteligente” na Coréia.
Invasão de estrangeiros no Brasil
Enquanto dois líderes mundiais em ciência e tecnologia juntam forças para ajudar a visão de uma rede inteligente se concretizar em todo o seu potencial, o Brasil também sofre do grave problema da falta de formação de engenheiros, mais grave ainda devido às necessidades do atual estágio de desenvolvimento do país. Somam-se a isso os estrangeiros que, observando o crescimento do país nos últimos anos, vêm bater à porta.
Visando melhorar esse quadro de falta de profissionais das áreas de engenharia e tecnologia, que pode ameaçar a escalada do crescimento econômico do país, o sinal vermelho foi aceso no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Em parceria com o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea), o Mdic vai fazer um censo específico nos estados para identificar a quantidade e o perfil dos profissionais de tecnologia. A ideia é montar um banco de dados que poderá ser consultado pelas empresas de acordo com a demanda de pessoal especializado. As entidades de classe querem garantir a oferta de mão de obra local, para evitar a invasão de estrangeiros no mercado de trabalho.
Os estrangeiros vêm dos países europeus, como a Espanha, dos Estados Unidos, da Ásia e da Argentina. A crise econômica freou os investimentos e provocou uma onda de desemprego nos outros continentes. Como o Brasil tem forte demanda de mão de obra e falta profissionais no mercado, o Mdic tem recebido oferta de profissionais qualificados do exterior. “A carência de mão de obra ultrapassa a disponibilidade do mercado nacional e não há expectativa para formar profissionais em curto prazo”, confirma Marcos Túlio Melo, presidente do Confea.
Ele adianta que a proposta encaminhada ao Mdic tem como objetivo fazer um censo dos profissionais de engenharia e tecnologia, aproveitando a estrutura do Confea, dos Conselhos Regionais de Engenharia (Creas), do IBGE e do Ipea. O mapeamento vai permitir montar um perfil dos engenheiros com registro nos conselhos. Serão levantados dados como: formação profissional, prática de exercício da profissão, experiência, nível de especialização e se trabalha atualmente na área.
A partir do censo será identificada a carência de mão de obra e como podem ser supridas as necessidades do mercado. “Hoje, assistimos a entrada de profissionais estrangeiros porque nos países de origem não têm emprego”, diz Melo. Segundo dados do Confea, em 2010 triplicou o registro de profissionais estrangeiros no país, de 115 processos anuais para cerca de 400.
Além da demanda quantitativa existe a falta de qualificação da mão de obra local. O presidente do Confea defende que o censo sirva de base para montar cursos de capacitação e atualização dos profissionais da área de tecnologia com a participação das universidades, escolas técnicas e das empresas. Em sua opinião, o governo deveria firmar convênios de mão dupla com esses países, para trazer cérebros que possam melhorar o nível de conhecimento.
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