O Smart Grid Consumer Collaborative (SGCC), que em tradução livre seria o Consumidor Colaborativo da Rede Inteligente, é um grupo independente sem fins lucrativos que trabalham para promover a compreensão mútua entre a indústria e os consumidores para apoiar a próxima geração de infraestrutura energética. Eles lançaram em 31/01/2011 o relatório “2011 State of the Consumer Report”, que traduzindo seria “Relatório 2011 do Estado do Consumidor”. O relatório analisa as atitudes dos consumidores em relação às suas necessidades elétricas e iniciativas de smart grid, e trás sugestões para uma indústria à beira da transformação.
O relatório baseia-se numa série de grupos específicos patrocinados pela SGCC em outubro de 2010. A análise exaustiva de mais de 80 documentos originais, o que representa mais de 25.000 páginas, traça um paralelo com a introdução da internet. Assim como a alfabetização informática cresceu exponencialmente, o estudo considera a alfabetização de energia americana pronta para um salto semelhante.
As conclusões identificam uma lacuna de conhecimento dos norte-americanos sobre “alfabetizados em energia”, reforçam ainda que muitos estão abertos a aprender mais e alguns estão dispostos a se tornarem campeões de energia. “Tal conhecimento”, disse o Diretor Executivo do SGCC Patty Durand, “pode ajudar as empresas e fornecedores de tecnologia para fornecer os tipos de opções de energia que seriam bem recebidas pelos consumidores e para melhor compreender as necessidades e possibilidades de investimentos em infraestrutura nas comunidades em particular”.
O estudo também constatou que os valores pessoais e as prioridades definem com mais precisão os segmentos de consumidores do que fatores como idade ou renda. “O estudo sugere que as motivações dos consumidores são mais preditivas da vontade de adotar práticas de energia inteligente do que a demografia tradicional”, diz o autor do relatório, Judith de Schwartz.
A revisão do relatório por uma colaboração multissetorial reflete um esforço ampliado pelas concessionárias a investir em esforços formais para ouvir e compreender as prioridades dos consumidores. A presença de grupos de defesa do consumidor entre os patrocinadores do relatório indica um papel crescente na forma como os consumidores contribuem para o processo energético.
“O objetivo deste estudo foi analisar a valiosa pesquisa disponibilizados pelas organizações membros do SGCC e outros, e apresentar os resultados e tendências comuns como insights”, disse Schwartz. Ele também irá ajudar a definir metas do SGCC para 2011 e além, na direção da colaboração dos membros de consumidores e grupos ambientalistas, empresas de serviços públicos, pesquisadores e fornecedores de tecnologia.
“Realizar este relatório foi uma prioridade para o primeiro ano da organização”, disse Durand. “Com esses dados, todas as partes podem realizar um exame de base sólida de recursos de consumo existente e extrair lições que ajudarão a nossa missão de ouvir, educar e colaborar para o nosso objetivo comum: um sistema de energia amigável, seguro e modernizado para o consumidor americano.”
O relatório foi lançado no dia 31/01/2011 no evento Distributech e está disponível aqui.
Entre as conclusões do relatório se encontram 10 sugestões mais importantes para interessados (stakeholders como fabricantes, empresas de serviços públicos, governo, etc.):
- Como os custos de eletricidade continuarão a subir, as discussões sobre práticas e tecnologias Energy Smart devem realmente ser enquadradas em como mitigar esses aumentos. As análises de custo benefício para o Smart Grid precisam ser colocadas no contexto das implicações de custos de não modernizar a rede.
- Uma vez que poucos consumidores estão familiarizados com o ecossistema e como as demandas de energia o pressionam, as solicitações para alterar ou modificar o comportamento deve ser proveniente de suas perspectivas. Os dados sugerem que as opiniões variadas dos clientes dos benefícios do Smart Grid, nem sempre estão alinhados com empresas de energia, fornecedores de tecnologia, ou as posições formais de defensores dos consumidores. Mais pesquisas serão necessárias para esclarecer as semelhanças e as diferenças existentes.
- Empresas de energia vão precisar de um portfólio de programas e opções de preço para atender as necessidades e prioridades de seus clientes. Enquanto alguns se sentem motivados por comparação com os vizinhos, outros vão achar esses relatórios desleais. Tarifas diferenciadas combinada com a tecnologia certa serão os motivadores para outros clientes. Escolhas simples, que não sobrecarreguem, permitirá aos consumidores escolher o que funciona para suas famílias.
- Uma coisa chave para o sucesso da Smart Grid será permitir que o mercado oferecesse produtos e serviços inovadores. Um dos desafios será proteger a propriedade do cliente e a privacidade ao permitir que terceiros possam receber os dados de uso e transformá-lo em informações valiosas com a devida autorização e segurança. Embora as políticas e as normas tenham recebido grande atenção por parte dos interessados, há poucos dados refletindo atitudes dos próprios consumidores.
- Os parâmetros demográficos comuns não são fortes indicadores da disponibilidade de curto prazo para se adotar práticas Smart Energy. Por exemplo, homens com nível universitário, da mesma idade e com renda semelhante e vivendo em um mesmo bairro podem representar uma mistura dos quadrantes motivacionais. Aqueles que abraçam a nova tecnologia porque ela é legal e aqueles que se preocupam profundamente com o meio ambiente são os prováveis adotantes iniciais.
- Segmentação em termos de motivação (atitudinalmente e comportamentalmente) mostra um conjunto consistente de padrões: custo altruísta, consciência verde, entusiasta de tecnologia, conforto, amor, resistente, indiferente. No entanto, as diferenças geracionais e de gênero, as variações de renda, urbana versus rural, e as distinções regionais terão impactos nos mecanismos de comunicação e canais utilizados. Protótipos e testes de novas ferramentas específicas são aconselháveis porque, tal como outras iniciativas inovadoras, os consumidores podem não ser capazes de dizer exatamente o que querem com antecedência, mas são capazes de responder a experiência que tiveram.
- Os consumidores que tiverem uma visão completa têm maior probabilidade de se tornarem entusiastas com a Smart Grid. Explicando que essa iniciativa é fundamental para a adoção em pequena escala de geração renovável, e apoio aos veículos elétricos, bem como o controle e redução das emissões de carbono irão aumentar o número de novos adeptos e proponentes.
- Apenas alguns estudos, entre todos, lidam com variações regionais, mesmo sendo elas significativas e variáveis. Mais pesquisa local e regional é necessária, incluindo as normas sociais dominantes em diferentes regiões. Campeões em economia de energia dentro das comunidades podem vir de grupos inesperados.
- Os consumidores enxergam valor em benefícios operacionais e maior confiabilidade. Empresas de energia não devem ter medo de falar sobre esses benefícios com os consumidores, mesmo explicados a partir da perspectiva do público. Os consumidores reconhecerão que o seu dinheiro está sendo usado para pagar melhorias e é provável esperar interesse sobre a forma como eles podem participar ou se beneficiar de uma significativa economia operacional.
- Embora haja um enorme valor para quantificar as atitudes dos consumidores, é sempre uma boa prática no desenvolvimento de tecnologias inovadoras falar diretamente com os consumidores sempre que possível.
No Brasil está sendo desenvolvido o projeto de pesquisa, dentro do P&D da Aneel, intitulado “Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente”. Esse projeto está seno coordenado pelo Instituto Abradee, sendo seu proponente a empresa Cemig e contando ainda com a participação de outras 36 empresas. Um dos blocos de pesquisa do projeto é a perspectiva do consumidor brasileiro em relação à rede inteligente.
Na Chamada de Projeto Estratégico colocada pela Aneel as empresas devem aborda a perspectiva do consumidor às mudanças proporcionadas pela rede inteligente, tais como:
- Estabelecimento de programas de conscientização da sociedade em relação aos benefícios de se adotar uma rede inteligente;
- Resposta do consumidor, e seus reflexos no sistema de energia elétrica, às informações de hábitos de consumo em tempo real, perfil de demanda na ponta e fora de ponta, tarifas variáveis no tempo, via display, ou portal da internet;
- Avaliação da capacidade do consumidor em controlar e gerenciar, de forma voluntária ou automática, baseado em informações precisas, seu consumo de energia, como forma de buscar a eficiência energética;
- Identificação de novos serviços que a rede inteligente poderia prover ao consumidor, tais como medição eletrônica dos consumos de água e gás, fornecimento de serviços de segurança (por exemplo: monitoramento por CFTV), carregamento de veículos elétricos, fornecimento de serviços de comunicações (por exemplo: internet, telefone, TV), gerenciamento de energia, etc.;
- Proposição de um modelo para incentivo à instalação de microgeração distribuída nas residências pelos próprios consumidores, com possibilidade de venda dessa energia para a empresa distribuidora.
Sobre a Smart Grid Consumer Collaborative (SGCC)
A SGCC é uma organização sem fins lucrativos focada no consumidor e destinada a promover a compreensão e os benefícios da modernização de sistemas elétricos, entre todas as partes interessadas nos Estados Unidos. A adesão é aberta a todos os defensores dos consumidores e do ambiente, fornecedores de tecnologia, pesquisadores, cientistas e empresas de energia elétrica para o compartilhamento de pesquisa, melhores práticas e esforços de colaboração do grupo. Junte-se ao grupo em www.smartgridcc.org.
Fonte: com textos da EON
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