As perdas energéticas causam prejuízo de R$ 7,8 bilhões por ano para as concessionárias de energia, indicam dados de 2009 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para combater esta sangria, as empresas estão realizando investimentos robustos em tecnologia, dando início ao que deverão se tornar as smart-grid (redes inteligentes) brasileiras.
O vice-presidente da Enersul, Cyro Boccuzzi, aponta que toda companhia do setor conta com algum projeto neste sentido, embora com objetivos diferentes.
“Todas as empresas estão fazendo estudos nesta área. A Cemig é pioneira com um projeto de smart-grids em Sete Lagoas e a Copel (Companhia Paranaense de Energia) na área de automação da rede”, disse.
O maior problema que a Enersul busca solucionar são as perdas técnicas causadas por interrupção na rede. Com concessão para a região do Mato Grosso do Sul, a rede da Enersul é extensa, cobre regiões com baixa densidade populacional e de difícil acesso, além de distantes umas das outras.
De acordo com Boccuzzi, as perdas técnicas da Enersul estão em 14%, quase o dobro da média brasileira de 7,5%. “A Enersul investe em P&D (pesquisa e desenvolvimento) para automação de rede. É muito trabalhoso para nós enviar um caminhão para regiões distantes do estado só para ligar ou desligar uma chave”, diz Boccuzzi, que também é membro sênior do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos.
O projeto da empresa visa permitir o monitoramento remoto das redes de transmissão e consertar problemas simples sem necessidade de envio de técnicos. “Ainda não é smart-grid, mas faz parte do conjunto”, esclarece o engenheiro.
O conceito de redes inteligentes se aplica quando existe telemedição, automação e acesso do consumidor às informações geradas.
No Rio, a Light, em parceria com a Cemig, investiu neste ano R$ 65 milhões para um projeto-piloto de smart-grids.
O plano é dar mais controle para os consumidores. De acordo com o assessor da Diretoria de Distribuição da Light, Fábio de Oliveira Toledo, o projeto de smart-grid visa dar informações em tempo real do consumo de energia para os clientes.
Os mostradores serão capazes de dar estimativas de consumo para o mês baseado na tendência dos três primeiros dias, dando tempo para o morador modificar seus hábitos e evitar uma conta alta. “Com essa medida nós diminuímos a inadimplência, muitas vezes causada por consumo excessivo”, explica Toledo. A informação estará disponível para os clientes tanto nos televisores quanto nos celulares.
No Rio, o projeto vai abranger mil clientes
O sistema de smart-grid que está sendo desenvolvido pela Light também permitirá o monitoramento remoto da energia gasta e o controle de gastos desnecessários por meio de tomadas inteligentes. “O sistema será capaz de analisar quando um televisor está desligado, mas em stand-by, e portanto consumindo energia, e desligálo totalmente.” A maior mudança estudada pela Light e ainda não permitida pelas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) seria a criação de tarifas de energia diferenciadas por horário. Segundo Toledo, funcionaria de forma parecida com as tarifas promocionais criadas pelas telefônicas para ligações interurbanas. “Este tipo de serviço só seria possível, tecnicamente, dentro do novo sistema”, diz o assessor.
MEDIDORES
A forma mais utilizada pelas empresa para controlar a perda de energia enquanto as smart-grids não se tornam regra, é a distribuição de medidores inteligentes – produzidos no Brasil pela Landis+Gir. Os medidores são capazes de realizar desligamento automático de energia em habitações inadimplentes e alertar a rede no caso de furto de energia.
A Light possui 100 mil destes medidores em sua área de concessão, e pretende instalar mais 120 mil em 2011. Até 2013, a Light pretende ter aproximadamente 500 mil medidores em sua área de concessão.
A velocidade de instalação dos medidores é limitada pelo monopólio da Landis+Gir no mercado. Seu medidor é o único homologado pelo Inmetro, e a companhia não consegue atender à demanda.
A Light começou a instalar os medidores neste ano nos bairros nobres da cidade e em comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Contrariando as expectativas, a maior parte dos furtos de energia não ocorrem em comunidades carentes, mas nas de maior poder aquisitivo. Dados da companhia colocam a perda energética em 40% nas áreas de risco e 60% nas comuns.
“Até 2013 pretendemos reduzir em um ponto percentual por ano nossas perdas energéticas”, afirma o superintendente de estratégia de recuperação de energia da Light, José Geraldo. Segundo ele, as perdas não-técnicas de energia estão hoje em 15%. A média brasileira é de 10%.
A Enersul também tem instalado os medidores em áreas específicas. De acordo com Boccuzzi, os grandes responsáveis por furto de energia em sua área de concessão são empresas que adulteram os medidores comuns. “Num mundo ideal haveria medidores inteligentes em toda a rede, mas existe a questão do custo-benefício. A instalação é um grande gasto em infraestrutura, e os investimentos não podem onerar o consumidor.
Fonte: Jornal do Commercio
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