Fonte: Portal Ambiente Online – 28/01/2011 Por Marisa Figueiredo
“A mudança previsível no paradigma energético, com maior eletrificação, descarbonização e redes inteligentes de distribuição, levará a um crescente peso dos custos fixos em toda a cadeia de valor”. A tendência foi apontada por Pedro Neves Ferreira, diretor de Planejamento Estratégico da EDP, durante o seminário “Políticas Energéticas e Ambientais”, que decorreu quinta-feira (27/01/2011) no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.
Numa apresentação dedicada às tendências energéticas de nova geração, o responsável enfatizou que os principais desafios, na ótica do consumo, de um paradigma deste tipo, resultam numa evolução crescente da eficiência energética, que representará uma redução dos custos variáveis e maiores custos fixos.
“Este é também um desafio para a regulação”, explicou Pedro Neves Ferreira, enquanto mencionava a tendência para um modelo de financiamento de “mini-crédito” em larga escala. Do lado da produção, o futuro levará a um novo desenho de mercado, com contratações a longo prazo e uma remuneração baseada na potência, defende ainda o diretor de Planejamento Estratégico da EDP.
A questão dos custos fixos esteve, aliás, no centro do debate. Também presente no seminário, Luís Mira Amaral, ex-ministro da Indústria e Energia, argumentou que o excesso de energias renováveis leva a que Portugal esteja a pagar custos fixos muito altos pela energia elétrica. “As centrais térmicas convencionais estão como apoio às renováveis, trabalhando cada vez menos horas diárias”, explica. Face à menor produção, a componente fixa do investimento contratual sobrepõe-se à variável.
O seminário “Políticas Energéticas e Ambientais” foi organizado pelo Centro para a Inovação em Engenharia Electrotécnica e Energia – Cie3. O evento encontra-se inserido no “Ciclo de Seminários em Energia 2011″, que decorrem no final dos primeiros cinco meses deste ano.
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