Fonte: Cisco Systems Inc. – 22/11/2010
Mover-se para uma economia de baixo carbono é provavelmente o maior desafio ambiental dos nossos tempos. Não apenas por causa da mudança climática, mas também porque se não encontrarmos um substituto para os combustíveis fósseis, eventualmente as luzes se apagarão por falta de alguma coisa para se queimar.
Mas, assim como é crítico e inevitável, diminuir nossa dependência de combustíveis fósseis é extremamente difícil. Toda a nossa sociedade é construída em torno de um fluxo constante de energia à base de hidrocarbonetos, que é produzida com grandes quantidades de resíduos.
Então, como podemos realisticamente alcançar um futuro mais verde da energia? O Greenpeace Internacional, a organização ambientalista, tem um plano. Chamado de [R]evolução energética (do inglês Energy [R]evolution), que prevê uma redução de 80 por cento das emissões de CO2 até 2050, em relação aos níveis de hoje.
Como seria de esperar, a estratégia da [R]evolução Energética depende de aumentos significativos na quantidade de energia de fonte marítima, geotérmica, solar, biomassa, vento e fontes hídricas. Mas talvez a parte mais impressionante do plano é a importância que a eficiência energética representa.
Quase a metade das reduções de emissões de gases de efeito estufa até 2050 virá da eficiência energética, prevê o Greenpeace. Grande parte desta economia virá de edifícios com melhor isolamento, dos aparelhos mais eficientes e assim por diante.
No entanto, como disse o especialista sênior em energia do Greenpeace Internacional Sven Teske ao News@Cisco, há também um papel importante para a tecnologia, incluindo uma em que a Cisco é líder em desenvolvimento: smart grid.
Quão importante é a rede inteligente para a proposta de [R]evolução Energética do Greenpeace?
Sven Teske: É uma obrigação para a implementação do nosso plano de evolução de energia. Isso não é algo que é apenas interessante para os técnicos. Precisamos desta tecnologia para implementar a entrega de todas as fontes de energia renovável e criar uma infraestrutura eficiente da energia.
A importância das redes inteligentes em relação às energias renováveis é quase meio a meio. Se temos todos esses equipamentos instalados sem gestão inteligente, ele não funciona.
Nós precisamos de redes que são inteligentes o suficiente para combinar a energia eólica e solar para atender às demandas de energia, e se essas fontes não estiverem disponíveis, então com hidro ou biomassa, por exemplo.
Também temos de levar em conta o fato de que teremos mais eletricidade sendo consumida no setor dos transportes, assim a procura por eletricidade irá subir.
Quais estudos você tem feito sobre o potencial impacto de redes inteligentes, especificamente?
Sven Teske: No ano passado nós fizemos uma análise detalhada do cenário europeu, chamado de energias renováveis 24/7. Fizemos uma simulação de toda a rede da União Europeia, utilizando as médias do vento solar e os dados dos últimos 40 anos.
Agora precisamos dar um passo à frente e ver como elas se encaixam juntas, integrando energia renovável flutuante e estática. Você leu que as energias renováveis são fontes flutuantes de energia. Isso simplesmente não é verdade.
Existem sete principais fontes de energia renováveis: das marés, geotérmica, energia fotovoltaica, solar térmica, biomassa, eólica e hidrelétrica. E apenas duas, fotovoltaica e eólica, são fontes flutuantes.
Mas, para fornecer energia a partir de todas estas fontes de forma constante é preciso integrar a Internet com a rede.
Quanto desenvolvimento é ainda necessário antes das redes inteligentes poderem alcançar seu pleno potencial?
Sven Teske: Algum desenvolvimento de software ainda pode ser necessário, mas agora não há nada que está completamente fora das possibilidades da tecnologia disponível.
E o grande problema é que a maioria das infraestruturas já está em funcionamento. Na maioria dos casos, você não precisa nem de mais um metro de cabo de alimentação.
Quem deve tomar a dianteira no desenvolvimento de redes inteligentes: as empresas de serviços públicos ou empresas de TI?
Sven Teske: As empresas de energia percebem que precisam fazer algo, mas não tem certeza de como ou quando. Empresas de TI, entretanto enxergam as vantagens de explorar novos mercados, assim eu vejo mais pressão vindo das empresas de TI para as de serviços públicos e não o contrário.
As empresas de serviços públicos precisarão mudar seu modelo de negócio. Se não fizerem isso, estarão fora do negócio. As energias renováveis estão num ponto crítico e se não encontram compradores nas empresas de energia, então elas próprias irão fornecer ao mercado.
Esta não é uma questão se as empresas de energia irão fazê-lo ou não. Elas terão de começar a integrar as energias renováveis nas suas redes se eles quiserem sobreviver.
Quando você começou a ver o setor de TI como um aliado contra o aquecimento global?
Sven Teske: Há algum tempo temos trabalhado para a ecologização do setor de TI. E em algum momento percebemos que poderia pedir às empresas de TI para fazerem mais do que simplesmente eliminar materiais tóxicos de seus equipamentos.
Empresas de TI poderiam contribuir com a melhoria da eficiência e ser parte da solução e não parte do problema.
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