Fonte: Computer World – Por Verônica Couto 28.11.2010
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) criou neste mês de novembro um grupo de trabalho para estudar redes inteligentes (smart grids), a próxima geração de redes de medição e controle de distribuição de energia elétrica. A entidade também participa de comissão que define um protocolo de comunicação aberto para ser usado por todos os modelos e marcas de medidores de consumo residencial do País. Essa padronização é uma iniciativa única no mundo, segundo Roberto Barbieri, assessor do grupo de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) da Abinee.
A definição do protocolo aberto de comunicação está a cargo de um comitê da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que a Abinee integra, e deve estar pronto até meados do ano que vem. A padronização vai cobrir a saída de dados do medidor de consumo elétrico para o equipamento de comunicação, de onde será possível fazer a “telemedição” – transmissão de dados até a central de operação das distribuidoras. Ou seja, o protocolo vai permitir ao medidor falar com o modem ou o rádio – acoplado ou externo, dependendo da tecnologia. Noutra etapa serão definidas tecnologias de comunicação que poderão ser adotadas para transmissão das informações (ZigBee, GPRS, PLC, Wi-FI, etc). “Não estamos padronizando a comunicação, mas a saída de dados”, diz Barbieri. O protocolo tem o nome provisório de Sibma (Sistema Brasileiro de Medição Avançado).
De acordo com o assessor do GTD da Abinee, essa é uma exigência das distribuidoras, para que elas possam usar e substituir medidores eletrônicos de quaisquer fabricantes. E também para facilitar a integração de soluções e aplicações futuras, de gestão doméstica do consumo, integrando a medição inteligente aos equipamentos eletrodomésticos.Um novo e atraente mercado para fornecedores de software e serviços.
A Atos Origin, por exemplo, lançou no Brasil, esta semana, durante o Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica (Sendi), sua divisão de smart grid, que já atua no projet da França. A rede francesa, em fase de piloto nas cidades de Tour e Lyon, usa GPRS (celular) para mandar dados do medidor ao concentrador (na rua, no bairro), e redes PLC, até a central de operação. Para cobrir 200 mil instalações, o projeto inicial vai requerer investimentos de 100 milhões de euros, que por subir a 4 bilhões de euros, na estimativa para cobrir o país todo, com 35 milhões de medidores, diz o gerente de utilities da Atos Origin, Glauco Brito. A migração deve começar no final de 2011 e seguir até 2018 ou 2020.
Atualmente, os medidores eletrônicos usam sistemas proprietários, e há cerca de dez fabricantes no País.A consulta pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para especificação desses sucessores dos antigos relógios de luz acaba dia 17 de dezembro. E tanto a Abinee quanto a Atos Origin devem apresentar várias contribuições.
A proposta da agência é que o medidor tenha, entre suas funcionalidades, controle de quantidade e qualidade da energia (número de interrupções, variações, etc.),como já acontece no consumo industrial, e possibilidade de implantação de pré-pago, corte e religamento remoto e até quadro degraus tarifários. Atualmente, o modelo com todos os recursos previstos pela Aneel tem preço estimado (unitário) entre 300 reais e 400 reais, total que pode cair cerca de 60% em projetos de larga escala, segundo alguns executivos dessa indústria.
Já tocam projetos-piloto de smart grid as distribuidoras Light, no Rio de Janeiro, Cemig/Light, em Sete Lagoas (MG), Eletrobrás, em Parintins (AM), e AES Eletropaulo na capital paulista, no bairro do Ipiranga. O novo GT de redes inteligentes da Abinee tem cerca de 20 participantes, de vários setores da economia (automação, comunicação, etc.), e deve fazer sua primeira reunião ainda este ano.
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Defendo sistemas abertos desde minha dissertação de mestrado em automação (POLI/USP). Por outro lado me causa arrepio a idéia de uma “padronização nacional”. Será que ninguém no mundo tem utilizado um sistema padonizado? Isso me lembra as soluções de medição na época de “reserva de mercado” em informática (RDTD, RDMT, REP…). Vamos acabar criando uma “solução tupiniquim” sucateada em 10 anos.
Sistema aberto em uma rede destinada a trafegar dados relativos a faturamento de milhares de consumidores, também é algo que causa arrepios. Por maior que seja a eficiência das camadas de proteção contidas no protocolo a ser definido.
Prof.: Joel A. Santos
ndptec – Núcleo de Desenvolvimento e Projetos de Tecnologia
CEFET-MG
Sistema aberto, ou melhor, protocolo de comunicação aberto não significa que ele seja inseguro. O que será definido é a forma que estes dados serão entregues, justamente para não ocorrer reserva de mercado e várias empresas poderem desenvolver produtos com o mesmo protocolo de comunicação da rede. Minha opinião seria interessante utilizar uma solução global, como por exemplo, protocolos utilizados em servidores de DNS, Servidores de Emails, etc… Em qualquer lugar do planeta as regras devem ser obedecidas para que a rede funcione corretamente.