Fonte: Metering Latin America 2010
Entrevista Exclusiva para o Metering Latin America: Luis Fernando Arruda, Assistente da Presidência das Empresas de Distribuçã da Eletrobras:
1. Poderia dar-nos um panorama das operações de medição e projetos em curso na sua empresa?
As empresa de distribuição da Eletrobras (estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima – Boa Vista, Piauí e Alagoas) tinham antes da gestão atual, os problemas básicos tais como a falta de medidores e medição de fronteira violando as normas vigentes no país, por tanto paralelamente aos projetos de AMI para 400.000 unidades consumidoras também se desenvolvem projetos para:
- A substituição da medição eletromecânica por eletrônica, atualizando um total de mais de 1 milhão de medidores eletrônicos;
- Implementação de equipamentos de inspeção;
- Colocar em prática a medição de fronteira na EDE inserido no Sistema Interligado Nacional (SIN);
- Desenha a medição de fronteira para os sistemas isolados, incluindo a região metropolitana de Manaus para ser interconectada ao SIN em 2010;
- Aprovação do projeto de AMI com o Banco Mundial para a digitalização de todas as unidades consumidoras (UC) de média tenção, aquelas de baixa tensão com um consumo médio mensal acima de 600 kWh/mês, todos os alimentadores de AT e MT e todas UC de zonas com perdas de até 50%;
- Estamos colocando em prática a digitalização, com algumas funcionalidades que qualificam que as inversões AMI, de todas as UC de MT do Amazonas e centro de inteligência de medição, até o final de agosto teremos 1000 unidades já incluídas das quais em torno de 900 unidades do total de 3000 terão medição externa com cabines de medição fornecidas pela Landis+Gyr; os enlaces, o software de gestão da medição, inspeção e instalação do sistema foi contratado junto à Nansen/Senergy. Todas as contratações foram resultado da realização de licitação pública;
- Atualizar o sistema elétrico com os recursos provenientes do Banco Mundial e o restante por vias próprias;
- Eletrificação de zonas rurais dentro do programa “Luz para Todos”, que existe nesses estados, têm enfrentado grandes desafios quanto à logística do projeto, mas sem dúvida, tem um efeito muito positivo para as áreas integradas;
- Compra centralizada das 6 EDE, que está gerando uma importante economia na aquisição de materiais e equipamentos.
2. Qual o benefício da medição inteligente/smart grids para sua concessionária? (Quais os projetos em andamento, pilotos, resultados, etc)
Hoje, dado o ambiente regulatório vigente, os projetos de AMI das EDE são baseados na minimização de perdas não técnicas; o projeto aprovado junto ao Banco Mundial, no entanto, já contempla várias funcionalidades que entendemos devam poder ser implementadas brevemente, considerando os trabalhos desenvolvidos pelo Ministério de Minas e Energia, ANEEL e entidades privadas e públicas que tem grupos tratando do assunto.
Desenvolvemos em Manaus um pequeno piloto com a ITRON e reduzimos as perdas em alguns secundários de valores de até 75% para 8% a 10% o que representa, praticamente, apenas as perdas técnicas; mas isto demonstrou de forma cabal o que muitos já sabem mas muitos teimam em desprezar como custos necessários em paralelo a um programa de automação: não basta automatizar, mas há que se ter equipes de campo capazes (em qualidade e quantidade) de atuar em campo quando há indicativos de irregularidades pois os “consumidores” tem que ser educados a conviver com a “nova ordem”. Desta forma, observamos que em algumas UC tivemos mais de 10 autuações em 6 meses, com nível de reincidência realmente muito elevado.
3. Que outras estratégias estão em vigor para reduzir o roubo e perdas?
Estamos prevendo a contratação de mão de obra própria, pois a terceirização nesta atividade tem se mostrado como um grande problema. Temos treinado as equipes e as equipado com ferramentas e instrumentos que aumentem sua segurança e sua eficácia.
Também estamos investindo em inteligência e laboratórios mais adequados de forma a sermos mais eficientes e eficazes.
4. Existe alguma atividade de P&D na área de medição de sua concessionária?
Existem planos de um projeto de Smart Grid a ser implementado em alguma área isolada e que está em estudo pela Eletrobras.
5. Quais são alguns dos principais desafios que sua concessionária irá enfrentar nos próximos anos?
O maior desafio é baixar as perdas não técnicas sem qualquer dúvida; veja que em Manaus a perda é significativa e, entre outros problemas, significa queimar mais óleo diesel para manter o sistema operando. Mas existem outros. Entre eles, infelizmente, está a edição de leis por Estados obrigando que as inspeções sejam previamente avisadas aos consumidores; estas leis são inconstitucionais por tratarem de assunto da esfera federal e já foram tentadas também no RJ e derrubadas por Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). Isto mostra que certas sociedades tentam, de todas as formas, manter o status atual: consumir energia e dividir os custos pela sociedade inteira.
6. Por favor, nos dê uma breve biografia sua
Eu me graduei em Engenharia Elétrica e Eletrônica pela UNIFEI em Junho/1979 e fiz pós- graduação em Gestão de Negócios pela FGV em 2001. Trabalhei em empresas de consultoria (como a Themag engenharia, IESA e EPC) em projetos relativos à proteção de sistemas elétricos de subestações e usinas hidrelétricas por 10 anos e depois fui para a Cemig onde, por 20 anos, estive no departamento de medição de energia, automação da medição e proteção da receita e na área da holding da Cemig. Atuei como gerente e como assistente da Diretoria de Gestão Empresarial. Desde Maio/2009 sou assistente do Presidente das Empresas de Distribuição da Eletrobrás com foco em medição, automação da medição e proteção da receita. Também ministro o curso sobre “Perdas não técnicas” pela FUNCOGE e represento a IURPA – www.iurpa.org (International Utilities Revenue Protection Association – Associação Internacional de Concessionárias para a Proteção da Receita) no Brasil desde 1998.
7. Dê uma breve descrição de sua concessionária.
A área de Distribuição da Eletrobras coordena a gestão de 6 empresas em estados no norte e nordeste do Brasil e é a maior empresa do setor elétrico do país pois nela também estão Furnas, Eletronuclear, Eletronorte e Eletrosul, CGTE, Chesf e participação de 50% na Itaipu, entre outras.
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