Fonte: PROCEL Info – Reportagem – 03.09.2010 Por Carolina Medeiros
As novas tecnologias vêm justamente para permitir a possibilidade de usos mais eficientes da energia elétrica, otimizando o sistema. Assim, Cyro Bocuzzi, presidente da consultoria ECOee Energia Eficiente e do Fórum Latino Americano de Smart Grid, fala sobre as redes inteligentes e sua relação com a economia de energia. Segundo ele, smart grid é muito mais do que instalar medidores eficientes ou automação na rede e controlar essa rede a distância.
“Smart grid é procurar criar camadas gerenciais e de controle do uso da energia em vários níveis, tanto da concessionária como dentro da casa dos clientes, para que a energia seja utilizada de uma forma muito mais eficiente”, destacou o consultor.
O Smart Grid nada mais é do que um conjunto de tecnologias inteligentes que permitem o gerenciamento do consumo da energia. O inovador é que esse controle pode ser feito pelo cliente, por meio de um computador conectado à internet. “Uma das plataformas que muitas empresas têm implantado realiza o controle de gerenciamento da energia de dentro das residências dos clientes. Assim, é possível monitorar cada tomada da casa e os equipamentos que estão ligados nelas, sabendo assim, qual é o consumo, por exemplo, da máquina de lavar e do chuveiro elétrico”, explicou Bocuzzi.
Interessadas nessas novas tecnologias, as distribuidoras do país já estão realizando estudos. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), por exemplo, está com um projeto piloto na cidade de Sete Lagoas, em fase ainda bastante inicial, segundo Denys Cláudio Souza, superintendente de Desenvolvimento e Engenharia da Distribuição da Cemig. O projeto, de acordo com o executivo, prevê a instalação de medidores, para que se tenha um controle maior sobre o perfil de consumo, automação da rede e telecomunicações.
Além disso, programas de eficiência energética também estão associados. “Nós estamos em contato com a indústria de eletrodomésticos mais eficientes”, contou Souza. No entanto, o superintendente não soube dimensionar qual será a eficiência energética obtida com o projeto, principalmente por ele estar ainda em estágio inicial.
De acordo com Bocuzzi, da ECOee, nos Estados Unidos já existem diversas pesquisas que indicam que é possível conseguir uma economia de energia em torno de 10% com o smart grid, utilizando-se apenas o estímulo do preço. Isso significa que, no horário de ponta, a tarifa é mais cara e, nos horários fora de ponta, o consumidor consegue grandes descontos ao consumir menos energia. “Os medidores inteligentes serão capazes de saber se a energia está sendo consumida dentro ou fora do horário de ponta e, assim, cobrar mais quando o sistema é mais demandado. Os medidores atuais não conseguem fazer essa diferenciação”, disse o consultor.
Souza, da Cemig, lembrou que todos os projetos ligados ao smart grid precisam ter um apoio de uma estrutura tarifária que permita esse tipo de implantação e cobrança horo-sazonal. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já está trabalhando na alteração metodológica da estrutura tarifária para permitir essas implantações. “Na tarifa horo-sazonal também é possível otimizar o sistema, já que o consumo fica mais distribuído entre as horas do dia, postergando investimentos em infraestrutura e novas formas de geração”, contou Bocuzzi.
O consultor disse ainda que essa economia de energia pode ser muito maior quando o smart grid está associado a outras ferramentas, como uso de um plataforma que permita o gerenciamento do consumo pelo cliente e o uso de equipamentos eficientes, com selo Procel. “Não adianta implantar um sistema sofisticado e inteligente se o equipamento utilizado pelo consumidor não conseque tirar proveito disso. Quero dizer que não adianta um sistema sofisticado para controlar uma lâmpada incandescente”, comparou.
Bocuzzi afirmou ainda que vem propondo diversas ações de Pesquisa e Desenvolvimento para as distribuidoras para observar como o uso final dessas tecnologias pode aumentar a eficiência energética. “Eu não vejo ainda nenhuma postura agressiva das empresas no sentido de fazer programas associando o smart grid à eficiência energética, mas isso tende a mudar em pouco tempo, devido a sua importância”, afirmou.
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