Fonte: Coluna Energia Verde do site Investimentos e Notícias – 08.07.2010 – Por Alexandre Spatuzza
Para mim, a discussão não é tão óbvia, mas as conversas que temos mostram que algumas coisas que você já considera fato consumado ainda causam polêmica. Este é o caso da discussão com redes inteligentes: é uma inovação sustentável ou é apenas mais uma nova oportunidade de negócios, que não melhora em nada a nossa pegada ecológica?
Escrevi na semana passada sobre estas redes inteligentes, ou Smart Grids. Tentei explicar como vai ser a rede aqui no Brasil e quais os desafios, mas como esta coluna trata apenas inovação verde e do mercado de cleantech, achei que não haveria muita dúvida se a rede inteligente é ou não uma inovação verde, no sentido de reduzir os impactos ambientais das atividades humanas.
Vejamos o que é verde na Smart Grid:
1. Possibilita o microgerenciamento do consumo de eletricidade permitindo escolhas e a implementação de projetos de eficiência energética;
2. Possibilita o macrogerenciamentdo dos operadores do sistema para garantir que as fontes mais poluentes sejam acionadas com menor frequência;
3. Tal inteligência e monitoramento em tempo real possibilita a integração de fontes renováveis como solar, eólicas e até energia das ondas para que possam ser eficientemente ligadas à rede e acionadas rapidamente diante de condições climáticas favoráveis;
4. Permite a microgeração distribuída onde cada residência pode gerar sua própria eletricidade e vender o excesso à rede melhorando a necessidade de construir grandes usinas de alto impacto ambiental;
5. Incentiva a inovação dos equipamentos elétricos e eletrônicos mais eficientes, pois com monitoramento em tempo real e à distância o consumidor vai poder saber quais os equipamentos que mais consomem e portanto fazer a escolha pelos mais eficientes ou mudar hábitos de uso deles;
6. Possibilita a integração com redes de transporte para implementar veículos elétricos com um gerenciamento inteligente de pontos de recarga.
Todas estas credencias são vistas por governos e investidores fora do Brasil. Não é à toa que o governo americano já aprovou este ano cerca de R$8 bilhões para desenvolver a rede inteligente, cujos projetos estão inseridos em programas de melhorar a eficiência energética do país como um todo.
Do outro lado, as redes inteligentes ocuparam o terceiro lugar em volume de operações dos fundos de cleantech nos Estados Unidos, Europa e Ásia no segundo trimestres. Segundo dados do Cleantech Group, neste período, a indústria de fundos de venture capital de cleantech movimentou US$2 bilhões (R$3,5 bilhões). A rubrica Smart Grid, recebeu US$256 milhões, ocupando o terceiro lugar.
Em primeiro, manteve-se o setor de energia solar, com US$811 milhões, e, sem segundo lugar, o setor de biocombustíveis, como cerca de U$302 milhões.
A novidade neste trimestres foi o fato de grandes multinacionais estarem agora participando da ciranda, motivadas pela necessidade de melhorar a eficiência energética e atender às regulamentações ambientais mais rígidas.
Aliado a este movimento, segundo informação do setor, investimentos em empresas inovadoras de eficiência energética também se destacaram.
Respondendo à pergunta, que a mim parecia retórica: Smart Grid é sim uma inovação verde e sustentável tendo em vista que tais investimentos dos fundos de capital de risco são especializados em investimentos que visam alguma melhoria do impacto ambiental.
O setor de cleantech está de olho. Mas ainda há muito o que fazer. Segundo um relatório sobre as perspectivas para o setor até 2050, publicado pela consultoria de investimentos em tecnologias limpas da Austrália, a Australian Cleantech, faltam mais ou menos 10 anos para as regulamentações das redes inteligentes mundo afora estarem prontas, mas é um assunto quente.
No entanto, o mais importante é a grande oportunidade de inovação que a cadeia vai necessitar, desde softwares para gerenciar localmente, equipamentos elétricos e eletroeletrônicos inteligentes que ajudam a melhora do próprio consumo, e até empresas de serviços de conservação de energia (ESCOS) vão necessitar levar em conta a conectividade com a rede inteligente.
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