O uso do SIM Card em M2M

Fonte: IT por aí – 08.07.2010 Por Gustavo B. Daniel*

No segmento de telecomunicações, é evidente o rápido crescimento das aplicações Machine-to-Machine ou, simplesmente, M2M. Estas soluções que propiciam a rápida “conversa” entre máquinas são variadas e incluem, por exemplo, telemetria, sistemas de segurança patrimonial, pagamentos e medição remota de consumo de água, luz e energia elétrica.

A queda no custo do tráfego de dados tornou as redes celulares uma excelente alternativa para aplicações M2M fixas e móveis. Como o SIM Card está presente em mais de 80% destas redes, de acordo com estudos de mercado, ele se torna um elemento fundamental nas aplicações M2M.

Porém, há alguns desafios: o SIM Card foi concebido para ser utilizado em um telefone celular e durar de dois a quatro anos. Em contrapartida, aplicações M2M pressupõem uma vida útil de cinco, dez ou mais anos, em condições extremas de temperatura, vibração e umidade.

Por isso, os principais fabricantes de SIM Cards e chips vem desenvolvendo componentes suficientemente robustos para suportar estas condições: SIM Cards em formatos diferentes, soldáveis diretamente à placa de circuito, com resistência à temperaturas automotivas, capacidade estendida de retenção de dados e memórias capazes de suportar milhões de ciclos de escrita.

Com relação à segurança, o SIM Card atende a todos os requisitos M2M. Desde a sua concepção de hardware e software, o SIM Card implementa diversos mecanismos para proteção dos dados armazenados e chaves criptográficas, de forma que se torna impossível a leitura de determinadas informações sem as respectivas chaves. Além disso, o processo de fabricação dos SIM Cards é realizado em ambiente de acesso físico e lógico altamente controlado, com redes isoladas para o processamento de dados e que geralmente seguem padrões e certificações similares às do processo de produção de cartões bancários.

Embora existam inúmeras aplicações M2M, algumas vêm ganhando destaque. A obrigatoriedade da instalação de dispositivo antifurto nos veículos novos vendidos no Brasil, conforme a Resolução 245 do Contran, é um exemplo do setor automotivo. Para isso, foi criado o SIM245, um SIM Card especial que permitirá que as empresas de rastreamento e seguradoras, entre outras, escolham a operadora celular preferida – dependendo de fatores como área de cobertura, preço e qualidade de serviço, por exemplo – para a conexão de dados com o veículo.

No setor de energia, a implementação de redes de energia inteligentes, chamadas Smart Grids, as quais contam com forte apoio de vários governos, permitirá o uso e a distribuição muito mais eficiente da energia elétrica.

Para que isso ocorra, no entanto, será necessário instalar medidores remotos em toda a rede, desde a geração e transmissão de energia até o consumidor final. Neste sistema, o SIM Card é muito importante, já que Smart Grid depende de dados confiáveis e seguros, provenientes dos medidores.

(*) Gustavo B. Daniel é Gerente de Consultoria da Gemalto.

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