Cisco entra na disputa com IBM e Ericsson por redes inteligentes

Fonte: Brasil Econômico – 07.07.2010

Marthin De Beer, vice-presidente da Cisco: empresa lançou no último mês dois produtos para distribuidoras de energia

Estados Unidos – O grupo de fornecedores para as redes inteligentes de distribuição de energia elétrica ganhou o reforço da Cisco Systems, comprovando a tendência de grandes empresas de tecnologia da informação explorarem esse mercado nascente. Conhecido como smart grid (rede inteligente), o conceito prevê que, além de energia, a infraestrutura das distribuidoras de energia terá também tráfego de dados. Ou seja, as redes irão se incorporar à web, transmitindo informações em tempo real sobre consumo, por exemplo, melhorando assim a gestão do setor.

A IBM foi a primeira das grandes de tecnologia a apostar no segmento e, ao defender a renovação no setor elétrico, construiu toda uma unidade para explorar negócios em iniciativas de modernização de atividades públicas por meio da internet. No Brasil, a companhia americana presta consultoria a algumas das primeiras empresas de energia que começam a desenvolver seus projetos de redes inteligentes. Os nomes dos clientes, no entanto, são mantidos em segredo. A sueca Ericsson promete ter fabricação no Brasil de medidores digitais, que vão permitir coletar muito mais informações sobre o uso de energia pelos consumidores.

A presença das gigantes antes do momento de explosão do mercado tem o objetivo de evitar que uma empresa iniciante domine a área, como aconteceu com os portais de internet e como vem acontecendo com Google e Facebook. Diversas novas empresas estão sendo criadas e vêm recebendo aportes, como fizeram os fundos Kleiner Perkins Caulfield & Byers e o Northgate Capital na americana Silver Spring Networks. Mas isso não assusta a Cisco, que mira nos rendimentos futuros do segmento.

O Instituto de Pesquisas de Energia Elétrica (EPRI), organização não-governamental dos Estados Unidos, estima que serão gastos US$ 165 bilhões nos próximos 20 anos para a migração para redes inteligentes. Apenas o projeto-piloto realizado pela Xcel Energy em Boulder, no estado do Colorado, foi estimado em US$ 100 milhões, considerando atrasos e estouros no orçamento.

Entusiasmo

“A maior rede que a humanidade criou é a de energia elétrica. Ela é 100 vezes maior que a internet”, afirma o vice-presidente sênior de tecnologias emergentes da Cisco, Marthin De Beer. O executivo espera que, em cinco anos, comece a surgir a internet das coisas, como é chamada a integração de diversos equipamentos, como geladeiras e aparelhos médicos, à web. A própria rede elétrica promete fazer parte dessa grande internet que, por sua vez, será cem vezes maior que a rede de energia atual, diz De Beer.

E a expectativa dos executivos da Cisco também não é pequena. “Entre 12 e 16 meses, queremos ter uma oferta completa para o segmento”, diz De Beer, explicando que isso será possível por meio de desenvolvimento e por aquisições.

O objetivo, segundo o presidente do conselho de adminsitração e executivo-chefe, John Chambers, é repetir o sucesso que a empresa teve em internet e ajudar na padronização dos equipamentos para smartgrids.

No último mês, a empresa lançou seus dois primeiros produtos para o segmento. Um deles, um software de gerenciamento de consumo residencial, foi vendido à Duke Energy.

Os lançamentos vieram após a Cisco ter comprado participação na Grid Net, fabricante de software para energia elétrica.

Tecnologia permite a distribuidoras controlar o consumo em tempo real

O objetivo das distribuidoras de energia em avaliar a mudança de suas redes para grades inteligentes está na melhoria de gestão. Com a rede elétrica conectada à internet, ela passa a coletar dados em tempo real de qualquer ocorrência na infraestrutura. Com isso, pode entender melhor o comportamento do consumidor e receber atualizações constantes em relação a picos de uso e falhas. A companhia energética pode ainda tomar medidas ágeis para consertar defeitos, otimizar gastos com manutenção ou criar políticas de preços diferenciados, que estimulem o consumo mais eficiente.

Para o cliente, a rede inteligente pode resultar em tarifas menores e em um melhor entendimento das medidas que reduzem a conta de luz. No Brasil, entre as empresas que estudam o modelo está a Cemig, que começa um projeto-piloto este ano em Sete Lagoas (MG).

Os projetos de implementação das novas redes não altera, a princípio, o modelo de negócios das distribuidoras. Essas empresas continuam a vender energia para consumidores finais e empresas. A carteira de fornecedores delas, no entanto, será ampliada para além dos tradicionais fabricantes de cabos, medidores e torres.

Com a internet sendo integrada à rede, essas empresas passam a buscar fornecedores de software de gestão dos dados de consumo energético, de equipamentos que direcionam o trafego de internet e medidores digitais.

Além das empresas de tecnologia da informação e telecomunicações (as operadoras americanas AT&T e Verizon também entraram na disputa), fornecedores tradicionais do segmento, como GE, ABB e Honeywell, fizeram compras ou aportes em pequenas empresas especializadas em tecnologia para smart grids este ano.

Relacionados:

  1. Cisco é a empresa de TI mais verde De acordo com o ranking do Greenpeace, a Cisco é a empresa mais empenhada em utilizar soluções tecnológicas verdes......
  2. Redes inteligentes do sistema elétrico da Cemig começarão por Sete Lagoas A Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig lançou, nesta segunda-feira (28/12), o projeto Cidades do Futuro, um programa que permitirá avaliar a melhoria da prestação de serviços da Empresa para o consumidor final, através da automação das redes de distribuição e modernização do sistema elétrico......
  3. Entrevista da IBM, sobre redes inteligentes! As três partes da entrevista estão juntas! Entrevista com Elton Tiepolo da IBM, sobre redes inteligentes......
  4. Investimento em redes elétricas inteligentes avança na Ásia Japão, Coreia do Sul e China estão investindo cerca de nove bilhões de dólares este ano em infraestrutura e tecnologia de informação, a fim de tornar mais eficientes as redes de eletricidade, criando oportunidades lucrativas para tecnologias de nicho e fornecedores de equipamentos......
  5. David Basset, do IEEE: Redes Inteligentes ou Redes Verdes? Serão abertas possibilidades de novas tecnologias para diminuir o impacto ambiental e o custo da conta de energia para o consumidor......