Internet e Smart Grid estão na mira da Eletrobrás

Fonte: Convergência Digital – 18.03.2010 – Por Ana Paula Lobo

No planejamento estratégico 2010/2020, divulgado ao mercado nesta quarta-feira, 17/03, a Eletrobrás admite que mudanças estão em curso no setor elétrico. Uma delas é determinada pela convergência tecnológica que permite o acesso à Internet por meio dos cabos da eletricidade.

Nessa área, a estatal tem duas maneiras de explorar o segmento: Pelas fibras da Eletronet, retomadas judicialmente e das quais se define como ‘dona’ e pelo PLC, acesso através da rede de energia.

Apesar de não detalhar como planeja atuar no segmento Internet, a Eletrobrás coloca a área em pontos cruciais do seu planejamento estratégico para os próximos 10 anos. A Internet está ao lado, por exemplo,da integração eletroenergética entre países da América do Sul e Central, dos carros elétricos, queima limpa de energia e de empreendimentos hidrelétricos.

O uso da tecnologia PLC, voltada para a oferta de Internet via tomada da rede elétrica, teve regulamento aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel – em agosto do ano passado. A resolução não permite que o serviço seja ofertado diretamente pelas distribuidoras de energia,mas permite a criação de subsidiárias para a atuação no mercado.

A regra também diz que as distribuidoras que queiram entrar nesse mercado de provimento de acesso terão de compartilhar sua infraestrutura com os demais players do mercado. A distribuidora precisará ainda de uma autorização formal da Anatel. Até o momento, todas as iniciativas com PLC no país ainda estão no campo de testes e pilotos.

O relatório da Eletrobrás não fala diretamente na Eletronet. Mas em fevereiro, diante das polêmicas em torno da rede, principalmente, com as denúncias ligadas ao ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado, José Dirceu, a estatal foi ao mercado para enfatizar que “a rede de fibras ópticas do sistema de transmissão da Eletrobrás pertence e sempre pertenceu, exclusivamente, a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. Eletrobrás”.

Com relação ao Smart Grid, a Eletrobrás admite que a tecnologia é uma tendência consolidada. A Aneel, inclusive, trabalha num projeto de regulamentação do uso da tecnologia – que traz inteligência ao sistema e permite, por exemplo, que se faça cobrança por consumo efetivo – desde novembro do ano passado.

Um dos desafios é a troca de cerca de 63 milhões de relógios de eletricidades nas residências brasileiras. O Smart Grid permitirá ainda que as distribuidoras tenham acesso a facilidades como a detecção de fraudes e a possibilidade de vir a fazer o corte do fornecimento de energia à distância.

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