Fonte: Computerworld – 15/03/2010 – Por EDILEUZA SOARES
A AES Eletropaulo está investindo 4 milhões de reais em um projeto para automatizar a leitura do consumo nas residências e rastrear a entrega das contas. O objetivo da empresa é evitar erros de cálculos, extravios das faturas com gerenciamento em tempo real e se prepar para operar com smart grid, ou rede de inteligente.
Esse valor está sendo aplicado em dois projetos. Um deles é para fazer a leitura dos relógios de luz por meio de um coletor com Bluetooth, sem que o funcionário da prestadora de serviços precise entrar no local. O funcionário faz esse trabalho da calçada ou num raio de até 15 metros de distância, desde que o medidor da casa seja eletrônico e equipado com chip para comunicação sem fio.
O gerente de faturamento da AES Eletropaulo, Ricardo Nogueira, explica que o sistema está em teste para verificar se não há interferência de comunicação. Mas ele garante que não há riscos de o coletor fazer a leitura de outro relógio. “Pode ter cinco casas uma ao lado da outra que o coletor fará a leitura apenas da conta informada”, afirma ele explicando que o dispositivo mostra o código do consumidor na tela do consumidor, como acontece com os celulares, que exibem o número de quem está chamando.
Nogueira destaca que uma das vantagens da leitura dos relógios a distância é que as informações de consumo serão transferidas automaticamente para o sistema de faturamento da concessionária, sem contato manual. O processo, segundo o executivo, evita erros e o envio de contas baseadas no consumo médio.
Outro benefício é que o funcionário não precisará mais entrar nas residências, principalmente nas que têm cachorro e as que estão em áreas de difícil acesso.
Piloto com 300 residências
A AES Eletropaulo está testando esse sistema em 300 residências e se o modelo demonstrar eficiência, será estendido para outros consumidores. A concessionária estima levar a tecnologia para 70 mil domicílios dentro de dois anos e meio. A prestadora de serviço terá de substituir os relógios eletromecânico por medidores eletrônicos com chip acoplado.
A concessionária paulista conta com cerca de seis milhões de consumidores na capital e região metropolitana de São Paulo, mas nem todos terão essa tecnologia. A prestadora de serviços aguarda a regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em discussão sobre a substituição dos medidores de luz convencional por modelos eletrônicos, para decidir como será essa troca.
A medição remota é uma evolução do sistema já adotado pela distribuidora de energia em algumas residências que já usam medidor eletrônico, mas que a leitura exige uso de um cabo para transferência dos dados. Nogueira informa que esse cabo às vezes quebra, impedindo a leitura automática. O dispositivo com Bluetooth é uma evolução desse proceso.
A empresa adota telemetria com transferência das informações de consumo por meio de um chip de telefonia móvel, mas apenas para grandes empresas. A concessionária está testando em seus laboratórios a leitura de contas por radiofrequência, que será por meio de antenas instaladas em condomínios ou prédios para capturar os dados e enviar para uma estação dentro de um raio de 20 a 50 metros quadrados.
Entretanto, a concessionária está estudando o impacto desse sistema na comunicação, que precisará de uma faixa de freqüência e autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
GPS faz rastreamento de contas
O segundo projeto que levará investimentos da AES Eletropaulo é o de rastreamento das faturas por meio de um equipamento com Sistema de Posicionamento Global (GPS). O entregador usará um dispositivo que informará para concessionária a sua posição geográfica.
Na hora da entrega, o coletor vai fazer a leitura do código de barras da conta e também registrará dia, hora e local da entrega no endereço do cliente.
De acordo com Nogueira, com esse sistema a distribuidora garante ao cliente que sua conta chegou à sua casa. Caso o funcionário da concessionária não entregue a conta por algum motivo, a AES Eletropaulo tomará providênncias. “Não vamos esperar mais que o cliente ligue para reclamar”, diz o gerente da concessionária.
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