Fonte: Folha de S.Paulo – MARIANA BARBOSA – 07.01.2010
A General Electric anunciou ontem que pretende montar um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Será o quinto centro de pesquisa da empresa no mundo.
O anúncio foi feito pelo presidente mundial da GE, Jeffrey Immelt, em São Paulo. “Pesquisa e inovação são o orgulho da GE. Não há nada mais importante que a companhia possa fazer para demonstrar nosso comprometimento com o Brasil do que a instalação de um centro de pesquisa”, disse o executivo da maior empresa do mundo, segundo a “Forbes”. “A economia do Brasil está muito forte. Estou impressionado com o progresso do país.”
Além do centro, a empresa planeja investimentos de pelo menos US$ 118 milhões em expansão de capacidade, incluindo uma fábrica de turbinas em Petrópolis (RJ).
A empresa enxerga oportunidades de negócios da ordem de US$ 10 bilhões nos próximos três ou quatro anos com as obras de infraestrutura do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e a exploração da camada do pré-sal.
O investimento no centro de pesquisa e sua localização não estão definidos. A disputa maior é entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, Estados onde se localizam as 15 fábricas da empresa no país.
A GE global faturou US$ 183 bilhões em 2008 e investe anualmente US$ 6 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. A empresa possui centros nos EUA, Alemanha, China e Índia.
Uma vez definida a sede, a construção deve levar de 12 a 15 meses. Segundo o diretor de relações institucionais da GE, Alexandre Alfredo, serão contratados engenheiros nacionais. “Queremos investir em talento local”, disse.
As pesquisas devem se concentrar nas áreas de petróleo e gás, energia e aviação (turbinas) – setores onde estão concentrados os principais negócios da empresa no Brasil.
Apesar de estar no país há 90 anos, o Brasil ainda é relativamente pequeno dado o porte da GE. A subsidiária brasileira faturou US$ 3,3 bilhões em 2008, mas o número deve encolher para US$ 3 bi em 2009. A empresa vinha crescendo a uma taxa de 12% ao ano, e em 2008 deu um salto de 45% ante 2007. “Pretendemos recuperar e até superar os níveis de 2008 em 2010″, disse o presidente da GE Brasil, João Geraldo Ferreira.
Immelt não quis falar sobre metas de crescimento para o Brasil, mas declarou: “Ficaria muito espantado se nos próximos três anos não fôssemos significativamente maiores do que somos hoje. Estamos muito bem posicionados para o crescimento da infraestrutura do Brasil.”
A GE brasileira emprega 6.000 funcionários e, com os novos investimentos, deve contratar mais 600. Esse número não inclui os funcionários do centro de manutenção.
A crise afetou fortemente a GE lá fora, pois 50% dos negócios vêm de sua área financeira, a GE Capital. “Foram 18 meses muito desafiadores”, disse Immelt. Nos primeiros nove meses do ano, o faturamento global da companhia encolheu 15%. Dentre as medidas tomadas, foi reduzida a importância dos serviços financeiros para 30%.
(Jornal do Comércio) O presidente da General Eletric do Brasil, João Geraldo Ferreira, disse nesta quinta-feira (7) que até março a empresa decidirá em que lugar do país será instalado o centro de pesquisa e desenvolvimento tecnológico da empresa. Segundo ele, o Brasil foi escolhido para a criação do 5º centro da GE, porque oferece “condições muito sólidas”.
Ele citou como exemplo a inflação sob controle, a democracia e os indicadores macroeconômicos no País, que na avaliação de Ferreira também estão sólidos. Além disso, segundo o executivo, pesou para a escolha a grande demanda de infraestrutura.
Para a definição do local de instalação do centro de pesquisa serão levados em conta, segundo Ferreira, a presença e a qualidade de mão-de-obra, a facilidade de acesso e apoio do governo local. “Existe uma demanda e a nossa expectativa é atendê-la”, afirmou.
Também não está definida qual será a área de atuação do centro de pesquisa. Mas segundo Ferreira, há demanda nas áreas de aviação, transporte, saúde e energia. O presidente da GE do Brasil também não revelou qual será o investimento necessário para a implantação do centro de pesquisa. A empresa tem quatro centros já instalados na Índia, China, Alemanha e Estados Unidos.
Ferreira acompanhou hoje o presidente mundial da GE, Jeffrey Immelt na audiência com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex), Alessandro Teixeira. Ainda hoje eles serão recebidos nos Ministérios de Minas e Energia e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A GE, segundo Ferreira, teve “participação forte” no leilão de energia eólica, no final do ano passado, e há interesse do grupo em saber qual o posicionamento do governo brasileiro em relação a produção de energia solar e nuclear, e em relação às redes inteligentes de energia (smart grid).
Quarta visita
Esta é a quarta visita de Immelt ao Brasil desde que assumiu o comando na GE, em 2001, em substituição a Jack Welch. Mas, desta vez, ele não tem encontros previstos com o presidente Lula nem com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). “Eu me encontrarei com grandes clientes”, disse Immelt em uma conversa com jornalistas em um hotel em São Paulo.
A Folha apurou que o executivo estará hoje em Brasília apresentando o projeto do centro para o ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. Na sexta-feira, vai ao Rio, para encontros com os presidentes da Petrobras e da Vale.
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