O funcionamento do sistema de energia nos EUA

O apagão no Brasil ganhou grande destaque na imprensa internacional.
Fonte: Jornal da Globo – 11.11.2009 – Giuliana Morrone Nova York, EUA

Desde que o Rio levou a candidatura para as Olimpíadas de 2016, as notícias relacionadas ao Brasil ganharam muito mais destaque por aqui e na imprensa européia.

A agência de notícias Reuters disse que o blecaute levantava dúvidas sobre a capacidade da infraestrutura brasileira. A mesma questão foi discutida na matéria do britânico ‘Financial Times’.

A BBC escreveu que o corte de energia era um mistério e o New York Times disse que o Brasil procurava por respostas para o imenso blecaute. O repórter do New York Times disse que o apagão brasileiro o fez lembrar do apagão que aconteceu também nos Estados Unidos seis anos atrás.

Nesta quarta-feira (10) Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que “os Estados Unidos estão desejosos de fazer uma interligação como nós temos aqui no Brasil”.

Os americanos se preocupam, sim, em ligar todo o sistema da costa leste à costa oeste, mas têm uma prioridade: criar o que o presidente Barack Obama está chamando de rede inteligente.

Obama quer investir em computadores super modernos que consigam identificar algum problema, alguma pane, e avisar a tempo, diminuindo os riscos de apagão.

Com o sistema, do jeito que está hoje, ocorrem – em média três apagões – a cada dez anos, nos Estados Unidos. Com esse sistema, o número cairia para apenas um.

Eles são os maiores consumidores de energia do mundo. Os Estados Unidos não têm grandes rios, como o Brasil, para construir hidrelétricas. A luz que chega a casa dos americanos vem de várias fontes. A maior parte da energia vem do carvão e do gás natural e menos de 6% de hidrelétricas.

Tudo vai bem, quando não surge algum problema. Em 2003, surgiu um, uma árvore. Os galhos não tinham sido podados e encostaram nos fios da rede elétrica. Foi o caos.

As distribuidoras nos estados não se comunicaram e o apagão foi deixando os Estados Unidos às escuras, num efeito cascata. A falta de luz afetou 45 milhões de pessoas nos Estados Unidos e dez milhões no Canadá e durou quase quatro dias.

O especialista em sistemas elétricos, Roger Anderson, explica que quando há uma pane, o sistema a carvão demora até dois dias para voltar a funcionar. O sistema de transmissão de energia americano não é interconectado, mas dividido em grandes blocos, na costa oeste e na costa leste.

O professor Anderson disse que o Ministro das Minas e Energia Edison Lobão tem razão, ao afirmar hoje que os Estados Unidos querem a interligação do sistema, mas ele lembra um pequeno e importante detalhe: o sistema não tem, apenas, que ser interligado mas inteligente. A eletricidade se move quase na velocidade da luz. Homens não podem controlá-la, computadores podem, diz ele.

O governo Obama quer gastar até US$ 6 bilhões para deixar o sistema, não só interligado, mas inteligente com modernos e rápidos computadores.

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