Apesar do título dessa matéria do site Monitor Mercantil, do dia 11/09/2009, ela trata mais sobre PLC.

A tecnologia que permite o acesso à Internet rápida pela tomada, que teve o regulamento aprovado no mês passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é somente o primeiro passo de uma revolução que nasce do encontro dos setores de energia, telecomunicações e informática. A rede elétrica está prestes a se tornar mais inteligente, numa tendência chamada smart grid.
Nos Estados Unidos, o governo Barack Obama destinou US$ 5 bilhões para projetos nessa área. No entanto, a banda larga pela tomada não tem conquistado destaque no mercado americano. Lá, as distribuidoras de energia viram na tecnologia – chamada de Powerline Communications (PLC) ou Broadband Over Power Lines (BPL) – como uma solução voltada mais para áreas rurais.
“É uma ótima opção, apesar de o mercado não a ter abraçado”, disse Meredith Baker, integrante da Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora de comunicações do EUA, que participou na quarta-feira do evento TIC 2020, em São Paulo. Segundo ela, isso se deveu mais a uma posição conservadora das distribuidoras americanas de eletricidade do que a problemas com a tecnologia, que tem preço e performance comparáveis ao ADSL (que usa os fios telefônicos comuns) ou cabo. “Ela é muito competitiva.”
Nem todos compartilham desse entusiasmo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou esta semana que a tecnologia ainda vai demorar três ou quatro anos para decolar no país. John O”Farrell, vice-presidente da Silver Spring Networks, disse que as distribuidoras dos EUA testaram e desistiram, por causa do custo e por causa de interferências.

Nicolas Maheroudis, diretor de Projetos de BPL da Eletropaulo Telecom, disse que a empresa encontrou poucos problemas de interferências nos testes que fez. Desde novembro, a empresa tem o sistema instalado em 300 prédios nos bairros de Cerqueira César, Pinheiros e Moema, em São Paulo. Os testes incluíram 150 apartamentos, e a velocidade do acesso chega a dez megabits por segundo (Mbps). Agora, a Eletropaulo Telecom negocia com operadoras de telecomunicações que queiram usar a sua rede para prestar o serviço de banda larga.
“O terminal ainda é um pouco caro, custando por volta de R$ 300, comparado a R$ 80 do ADSL.”, reconheceu Maheroudis. “Mas, com aumento da escala e fabricação local, esse preço deve cair.” Para Elton Tiepolo, executivo de Utilities da IBM Brasil, a banda larga via energia elétrica se aplica bem a dois extremos: edifícios com grande concentração de pessoas, onde é difícil passar cabos, e áreas rurais, onde outras redes não chegam.
O BPL é só o começo. A rede elétrica inteligente tem um potencial muito grande. As distribuidoras poderão, por exemplo, oferecer pacotes diferenciados, com desconto fora do horário de pico, ou até planos pré-pagos. “No Brasil, dispositivos como medidores eletrônicos podem reduzir muito a fraude”, disse o professor Antonio Marcos Ferraz de Campos, do Mackenzie.
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