Smart Grid inicia revolução no setor elétrico

Smart Grid inicia revolução no setor elétrico
Rede inteligente significa alterar um modelo de negócio com um século de vida e dar mais poder ao consumidor, segundo agentes

Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Em Foco
06/07/2009

Smart Grid Conceito

Investimento em rede inteligente significa alterar um modelo de negócio com um século de vida e dar mais poder ao consumidor. Novas fontes de energia, preocupações com as emissões de carbono e com a tarifa estão levando o setor elétrico mundial a procurar soluções práticas, que atendam todas as necessidades dos consumidores e produtores de energia deste século XXI. A resposta parece ser o Smart Grid, ou rede inteligente, que vem mobilizando os agentes ao redor do mundo. Aqui, no Brasil, o conceito começou a ganhar destaque no ano passado e, em 2009, se tornou um dos tópicos mais comentados no segmento.

A implantação do Smart Grid significa uma mudança profunda no modelo de negócios do setor elétrico, o que significa um desafio monumental para um segmento que pouco mudou em um século. Das idéias mais avançadas até aos primeiros passos, a rede inteligente precisa de muito investimento em tecnologia da informação. Uma parte mais visível é a troca dos medidores analógicos por aparelhos eletrônicos.

Segundo Cyro Boccuzzi, presidente da empresa de consultoria ECOee, o investimento tem girado em torno de US$ 250 a US$ 450 por cliente na Europa e nos Estados Unidos, onde a adoção do Smart Grid se dá de forma mais acelerada. No Brasil, o especialista acredita que os investimentos ficarão em US$ 150 por cliente.

“Essa tecnologia começa a se viabilizar”, analisa Boccuzzi para a Agência CanalEnergia. O valor de investimento para o Brasil também é respaldado por John O’Farrell, vice-presidente da Silver Spring Networks, uma das empresas líderes de soluções Smart Grid nos EUA. “Um milhão de medidores vai requerer um investimento de US$ 100-150 milhões”, calcula o executivo, salientando que, caso a empresa trabalhe, com produtos locais, os custos serão menores.

O mercado brasileiro é visto com grande potencial pelos investidores estrangeiros. Outra americana de olho no país é a IBM. De acordo com Elton Tiepolo, executivo da área de Utilities da IBM Brasil, o país precisa convergir para uma única solução para deslanchar os investimentos. “Mais do que discutir sobre tecnologia, precisamos saber o que o país quer, como e quando. É uma discussão da sociedade”, disse.

Tiepolo acredita que o país possa “tropicalizar” as soluções externas, mas isso dependerá do rumo da conversa. O governo federal tem sido tímido nessa discussão, mas, por outro lado, a Agência Nacional de Energia Elétrica promoveu audiência pública sobre as mudanças na área de medição do consumo. Isso vai afetar diretamente a implantação do Smart Grid em território nacional.

“Não se pode perder a oportunidade de desenvolver a indústria brasileira”, disse Tiepolo. O executivo realizou no final de junho um workshop fechado, com especialistas brasileiros e estrangeiros, para discutir os rumos do Smart Grid. “Chegou o momento de discutir de forma estruturada para termos um discurso único”, frisou. Para ele, a descoberta do modelo brasileiro poderá levar a sensibilização das autoridades sobre a importância da discussão.

Outro entusiasta da rede inteligente no Brasil, Boccuzzi, também acredita que um movimento na legislação será necessário para o sucesso da solução. “A regulação tem que avançar”, ressaltou o executivo. A rede inteligente permite aos consumidores controlarem mais de perto seu consumo e as distribuidoras, os seus ativos.

“A rede inteligente transforma nosso sistema elétrico em uma rede moderna que dá a possibilidade das concessionárias de energia e dos consumidores revolucionarem o modo como criam e consomem energia”, sintetiza O’Farrell, da Silver Spring. De acordo com Boccuzzi, as distribuidoras poderão fornecer planos de tarifa, como as empresas de telefonia, para os consumidores baseados no perfil de consumo. Além disso, as empresas poderão controlar o consumo dos equipamentos dos clientes.

“Nos próximos anos, mesmo equipamentos domésticos, como refrigeradores e condicionadores de ar, terão endereços de IP [Protocolo de Internet] e poderão ser monitorados e controlados pela Smart Grid“, prevê O’Farrell. O executivo disse que estudos mostram que a implantação de soluções integradas de Smart Grid podem economizar de 10% a 15% no consumo.

Tiepolo, da IBM, lembra que a ponta distribuidor-consumidor é apenas uma parte da rede inteligente, que também integra geradores e transmissores. “No exterior, o Smart Grid começou como uma forma de melhor despachar a geração de energia, principalmente, das novas fontes”, lembrou. Boccuzzi, da ECOee, disse que a nova rede permitirá melhor aproveitamento da geração distribuída.

“[O Smart Grid] Muda a forma de expansão do sistema. Por isso, EUA e Europa, mais dependentes de fontes fósseis, estão apressados. Eles têm urgência em reduzir as emissões de gases”, contou o especialista. Tiepolo completa afirmando que a geração de energia será menor, mas eficiente. Mas ele lembra que o setor de geração no Brasil tem discutido pouco o sistema.

Contudo, para o executivo da IBM, a discussão é importante porque permite a integração mais rápida das fontes complementares. Os desafios para a implantação do Smart Grid são muitos e o Brasil, apesar de partir atrás dos países mais desenvolvidos, é visto como um dos líderes na América Latina, por isso, o interesse de gigantes como IBM e Silver Spring e a mobilização dos agentes, principalmente, de distribuição. “O Smart Grid vai significar trazer o ‘Itouch’ para o setor elétrico, que está no gramofone”, comparou Boccuzzi.

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Uma Resposta to “Smart Grid inicia revolução no setor elétrico”

  1. 1
    Carlos says:

    Olá! Quero muito saber mais sobre Smart Grid. Estou fazendo um trabalho de conclusão de curso sobre esse tema, tem como me enviar material sobre o tema?
    Obrigado.

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